FanArt #06 - Subversivo

 

Descrição: Ameaça na Rota 105

Desenhista: Subversivo

Técnica: Pintura digital no Clip Studio


"Bom, eu juro que tentei por diversas vezes desenhar a Sapphire, mas não consigo fazer um cabelo descente pra ela kkkk Minha dificuldade de passar essa personagem do mangá para o traço hq é nítida, mas prometo que ainda irei conseguir. Fazer uma arte dela se tornou um desafio que vou me esforçar pra cumprir. Cheguei também a esboçar o Ruby e Camila, mas na cena sempre tinha a Sapphire que acabava me desmotivando kkk Por sinal, era pra ter os protagonistas na cena, mas a Sapphire me fez tirar eles e colocar o Tentacruel kkkk dessa vez eu tenho que agradece-la, achei melhor esse resultado e se tornou mais fiel a cena que aconteceu no capitulo 12. Eu curti muito fazer esse desenho."

Esta art foi enviada pro meu e-mail em Maio de 2020! A pandemia tava começando ainda! Mas eu, sempre muito atento, só fui abrir o bendito em Fevereiro agora e me deparei com essa art incrível do Subversivo. Eu via o cara desenhando art das histórias de todo mundo no Discord e ficava me perguntando se um dia ele faria alguma pra AEH, mas acabou que ela estava bem embaixo do meu nariz esse tempo todo!

Como se o fato de o protagonista da art ser o Briney por si só já não a tornasse única, afinal eu jamais esperei que fosse receber uma (talvez pro meio-fim da história, quando ele deve retornar com algumas participações importantes), o que mais me chamou a atenção aqui foi a maneira como o Sub conseguiu passar pro desenho com 100% de precisão o clima que eu procurei passar pra vocês no capítulo 12! Cara, é como se ele tivesse escrito junto comigo! Eu sempre quis aprender a desenhar pra poder fazer as próprias ilustrações de minhas histórias porque sempre imaginei que seria impossível uma outra pessoa captar perfeitamente a vibe de cada cena que você quisesse passar. Mas esses artistas do nosso grupo cada vez mais me provam o contrário.

Meu parceirão Sub, parabéns não só pela arte como também pelo seu talento! Muito obrigado por essa grata surpresa, e mil desculpas por eu ser um animal e não ter olhado o e-mail antes kkkkkkkk Mas agora a justiça foi feita, e sua fanart tem um lugar especial reservado na nossa galeria!



Notas do Autor - Capítulo 28


Lembram que lá em 2016, nas notas do Prólogo, essa imagem de Latios e Latias foi um dos assuntos mais comentados? Ela representa um fator de nostalgia, já que remete às notas do autor da AEH antiga. Só tem um porém. Muitos não vão lembrar disso, mas essa imagem era das notas do autor da primeira temporada, na época chamada de Saga Rubi. Então sabem o que isso significa, não é? Podem ir se despedindo dessa imagem, pois mais uma vez ela fez bem o seu trabalho.

Mas isso não significa que não veremos mais esses dois por aqui no blog. Eles estão se preparando para algo bem legal que vai vir por aí. Loucuras da Aliança Aventuras, eu diria. Não vou dar mais detalhes, vocês saberão quando chegar a hora. E vai ser uma doideira!

Enfim, não vamos nos alongar nesses assuntos off-topic. Estas são as notas do autor do capítulo que encerra a Omega Saga. É um momento muito marcante pra ficar jogando conversa fora como fazemos casualmente. Em vez disso vamos conversar um pouco sobre o que foi a temporada de início e o que podemos esperar pro futuro da história com base no que tivemos apresentado até aqui.

A história começou com uma loucura de trabalhar vários núcleos de forma simultânea. Alguns de vocês ficaram bem confusos com essa dinâmica, mas consegui alcançar os resultados que eu desejava lá no início, que foi justamente o que aconteceu aqui no arco de Mauville. Não precisei fazer introdução de ninguém, só juntei a galera e partimos pra pancadaria de uma vez! Essa foi a vantagem de todo mundo estar familiarizado com os personagens, então acredito que a estratégia valeu a pena.

Mesmo assim a trama começou a caminhar agora em vários sentidos. O plot da Zinnia com a Elite, as ações mais incisivas da Team Magma e da Team Aqua, a tentativa da Polícia Internacional de interceptá-los, dentre outras coisas.

O que eu pretendo trazer nessa Alpha Saga são os pontos onde todas essas questões vão começar a se interligar de forma definitiva. Não de forma conclusiva, mas sim para dar o início para um dia chegarmos a esse ponto. Backgrounds de personagens serão detalhados com mais cuidado, pelo menos os de alguns que ainda não tiveram os seus revelados. Um pouco mais da história do Ruby, por exemplo, talvez alguma coisa a respeito da Zinnia e do Vince. Personagens que não deram muito as caras nessa primeira temporada, como a Lisia, eu pretendo trazer de volta. Tem muita coisa pra ser feita ainda, só espero não acabar criando uma bagunça com tanta informação kkkkkkkkkk

De toda forma, valeu mesmo pessoal! Pra todos vocês que me deram esse voto de confiança, conseguimos de novo! Pela segunda vez, é verdade, mas Hoenn fecha sua primeira temporada para uma nova fase da história.

E que dessa vez eu consiga chegar à terceira...


Capítulo 28

Luz do dia


Os primeiros raios de sol daquele dia traziam à tona os efeitos do caos criado na noite anterior em Mauville, fruto de uma tentativa frustrada de ambas as organizações Team Aqua e Team Magma de realizar um ataque à usina elétrica de Nova Mauville para obter o gerador principal, por razões ainda desconhecidas.

Na porta do local do conflito a equipe enviada pela Polícia Internacional coletava os depoimentos do grupo de treinadores envolvidos na ocorrência, os poucos que se atreveram a fazer frente à ameaça das duas facções criminosas que mantinham as autoridades da região de Hoenn em constante estado de alerta.

O grupo formado por Roxanne, Wattson, Ruby, Sapphire e Zinnia, liderados por Steven, compartilhava todas as informações obtidas durante o conflito. Vince, que também havia ajudado, ainda que suas razões para isso fossem um completo mistério, desapareceu assim que os criminosos bateram em retirada, sem dar chance a mais ninguém de conseguir informações sobre ele também.

Anabel estava ao telefone, repassando as anotações que havia feito dos depoimentos das testemunhas. A mulher parecia incomodada, como quem tinha que suportar uma considerável carga de frustração. Afinal, era seu trabalho rastrear as duas organizações, mas a dificuldade em antecipar seus últimos passos era evidente.

— É como eu disse, Looker. A única atualização que temos é que o alvo deles era o gerador principal da usina — dizia a Cérebro da Fronteira. — Ao menos eles conseguiram interceptá-los. Steven deu conta do recado. Penso inclusive que deveríamos deixar que ele e Roxanne se tornassem parte da força-tarefa para contra-atacar as duas gangues. Eles têm feito um ótimo trabalho, descobriram muito sobre esses bandidos mesmo não tendo os recursos que temos... Certo. Certo. Sim. Então conversamos depois. Eu vou desligar, quero concluir as investigações por agora e levar as evidências para analisarmos na central. Até mais tarde.

— Difícil de negociar? — Steven chegava com uma xícara de café em mãos, oferecido por alguns policiais para amenizar o desgaste daquela investida que durou a noite inteira.

— O superintendente é bastante cabeça-dura — Anabel massageava as têmporas numa tentativa de aliviar as suas perturbações. — Mas não se preocupe, eu o conheço há bastante tempo. Ele vai valorizar o apoio de vocês após uma boa conversa.

— Fico feliz em ouvir isso — disse o Campeão. — Podemos ser de funções diferentes, mas temos um interesse em comum. Não vejo razão para não colaborarmos. Isso só facilitaria a situação para eles.

Perto de onde os dois conversavam, o grupo formado por Ruby, Sapphire e os dois líderes de ginásio conversavam. Zinnia se mantinha por perto, escutando a conversa com atenção.

— Três insígnias, não é mesmo? — Roxanne sorria para a menina. — Você evoluiu muito em tão pouco tempo que eu não consigo parar de me surpreender com seu talento, Sapphire!

— Mas foram três insígnias conquistadas com muito trabalho. Ainda tenho muita coisa pra melhorar, mas eu tô focando em uma etapa de cada vez.

— Quando a Roxanne me disse que uma treinadora novata quase gabaritou o exame dela eu fiquei curioso. Mas não sabia que tinha sido você — disse Wattson. — Agora tudo tá explicado!

— Sapphire, eu posso te perguntar uma coisa? — a líder de pedra a encarou de forma direta, já dando indícios de que o assunto mudaria.

— Hã? Claro que sim! O que houve?

A mulher encarou a treinadora novata, mantendo seu olhar de curiosidade. Roxanne não sabia como começar aquela conversa de uma forma que não ficasse estranha, mas depois de refletir um pouco chegou à conclusão de que o melhor a se fazer era ser direta. Ela respirou fundo e fez a pergunta que desde a batalha da noite anterior martelava a sua mente.

— Eu notei durante nossa batalha contra a Team Aqua que você chamou o seu Combusken de Dante.

— É mesmo! — exclamou Ruby. — Eu me lembro de você também ter chamado ele assim durante a sua batalha com Wattson!

— Foi você que deu esse nome a ele? — indagou a mais velha.

Sapphire ficou surpresa. Ela sequer havia percebido que aquilo acontecera duas vezes. O nome apenas surgiu na sua cabeça, como se já soubesse aquela informação há muito tempo, e apenas a replicava com naturalidade.

— Não fui eu quem deu esse nome a ele, e nem sei dizer de onde veio — disse a menina, coçando a parte de trás da cabeça com uma expressão de dúvida. — Era como se eu já soubesse há tempo que o nome dele é esse.

— Significa que você alcançou o interior de seu Combusken.

Todos voltaram a atenção para Zinnia, que comia uma berry encostada a uma árvore. Quando terminou, a mulher limpou a boca com o antebraço e caminhou até Sapphire, com seus olhos negros quase penetrando o fundo de sua alma.

— Suas mentes finalmente se interligaram. Parabéns, isso é um feito e tanto para um treinador iniciante.

— Eu lembro de você. É a pessoa que encontramos uma vez na Caverna de Granito, perto de Dewford. Como você sabe disso? — Sapphire permanecia confusa.

— Digamos que eu sou uma pessoa que gosta de observar o mundo à minha volta — Zinnia respondeu guardando certo mistério.

— Não acho que seja só isso — rebateu Roxanne. — Você tem habilidades avançadas como treinadora e dominou um Pokémon do tipo dragão. Suas vestes, seus traços físicos, seu conhecimento sobre a natureza dos Pokémons e seus laços com a humanidade... E pensar que chegaria o dia em que eu conheceria uma draconid em carne e osso.

Todos viraram seus olhares de Roxanne para Zinnia quase que automaticamente. Wattson estava abismado, enquanto Ruby e Sapphire sequer tinham ideia do que estava sendo discutido naquele momento.

— Heh, eu sabia que não podia subestimar você, Roxanne. Mesmo entre a nossa tribo você é famosa pela quantidade de conhecimento que foi capaz de acumular até hoje.

— Fico lisonjeada em ser reconhecida pelos detentores de uma cultura tão rica. Mas o que você faz aqui tão longe de suas terras? Não achei que fosse prática comum dos draconids andarem por outros lugares em Hoenn.

— E não é. Mas eu gosto de respirar novos ares — Zinnia então trouxe sua atenção de volta para Sapphire. — Mas o que importa agora é que você descobriu a interconexão entre você e seu Pokémon, garota! Isso é realmente incrível. Dos poucos treinadores que alcançam esse feito, e a Roxanne é um exemplo disso, a maioria leva anos para obter esse poder. Você ter conseguido isso tão cedo diz muito a seu respeito.

A conversa se desenrolava entre o grupo enquanto Zinnia era observada por Steven, mais afastado e já sem a presença de Anabel, que havia saído para dar continuidade ao processo de investigação. O Campeão sacou um PokéNav de um dos bolsos de seu paletó e fez uma rápida ligação.

— Drake, nós podemos conversar um minuto?

• • •

Mais tarde naquele dia Anabel estava de volta ao escritório onde a Polícia Internacional estava instalada durante sua estadia em Hoenn. O local ficava em Lilycove, já que a cidade possuía uma saída fácil para o mar em quase todas as direções.

A mulher estava com algumas fichas empilhadas em sua mesa, conferindo uma por uma e realizando anotações a todo momento. O foco no trabalho era tamanho que seu copo de café estava quase cheio, e já havia esfriado. As olheiras escuras contrastavam bastante com sua pele bem branca, indicando sinais claros de exaustão. Ela lutava contra si própria para não pregar os olhos antes de ter aquilo tudo terminado.

— Isso não vai acabar nunca — desabafou enquanto jogava as costas contra o encosto da cadeira e esfregando os cabelos com suavidade.

— Senhorita Anabel, recado urgente — naquele exato momento um policial atravessou a porta da sala. — O Superintendente Looker está solicitando uma videoconferência em quarenta minutos. Devo avisá-lo que está ocupada?

Anabel encarou o rapaz por alguns segundos, deixando-o desconfortável. Após refletir bastante, a moça sorriu com gentileza e pegou o copo de café pela primeira vez desde que havia chegado.

— De forma alguma. Pode dizer que estarei lá. Preciso falar com ele também.

— Sim, senhora! — o oficial bateu continência e deixou a sala.

Anabel bebeu o café frio, resistindo à amargura da bebida para que pudesse se manter firme. Aquela reunião com o superintendente poderia significar a conquista de um plano o qual ela já vinha traçando há algum tempo. Não podia vacilar, não naquele momento.

Foi então que ela se levantou de sua mesa. Resolveu que iria até a cantina pegar algo para comer enquanto pensava na melhor forma de apresentar sua proposta ao homem que chefiava a operação contra as equipes Magma e Aqua remotamente.

Anabel enfim saiu da sala, deixando apenas as fichas na mesa. Estas possuíam dados de alguns treinadores notáveis da região, dentre eles Steven e Roxanne, os dois que lideravam uma busca de informações daqueles criminosos de forma independente. O que ela faria com aqueles dados era ainda um mistério.

• • •

Com tudo voltando à rotina, Sapphire e Ruby resolveram tirar o dia para descansar. Decidiram que a estadia em Mauville duraria pelo menos mais uma semana, já que eles precisavam relaxar depois de tantos acontecimentos em sequência.

Os dois estavam no quarto do Centro Pokémon. O menino lia algum guia sobre treinamentos voltados para a Coordenação Pokémon, enquanto a garota apenas havia se jogado na cama e apagado por completo.

Ruby a observou por um breve instante. Sapphire havia despertado uma atenção especial por parte do garoto desde a batalha contra Wattson, onde um ponto chave era a causa de tamanha curiosidade.

— Interconexão entre treinador e Pokémon... — sussurrou, logo em seguida voltando seu olhar de Sapphire para suas Pokéballs em cima da mesa que havia ao lado da cama. — Imagino como deve ser poder ter uma relação tão próxima com os Pokémons.

Seus devaneios foram interrompidos quando Sapphire começou a roncar alto, sem sequer mover um músculo. A menina dormia feito uma pedra, e naquele momento nem se importava em parecer inconveniente ou bruta. Era seu descanso merecido, e ninguém poderia tirar isso dela.

Ruby deu uma risada de leve, ainda tomando cuidado para não acabar extrapolando e acordando sua amiga antes da hora.

— E pensar que logo você seria capaz de algo assim. Você é incrível, Sapphire. No fim das contas eu fiz uma boa escolha em embarcar com você nessa loucura.

Ele então se permitiu deitar um pouco, jogando os braços para trás do travesseiro e encarando o teto, como costumava fazer em sua cama antes de sair em jornada. Mas o olhar agora não era de tédio. Ruby estava perdido em devaneios. Em sua mente as ideias se embaralhavam com sonhos e a expectativa de descobrir o que o futuro lhes reservava.

A semana se passou. Depois de aproveitar a cidade, Ruby e Sapphire estavam prontos para seguir adiante com a jornada. Os dois se encontravam arrumando as coisas no quarto do Centro Pokémon, finalizando os últimos preparativos para poderem ir embora.

O garoto dobrava as roupas de cama com perfeição, enquanto a menina lia alguns folhetos deitada em sua cama enquanto comia um pacote de salgadinhos.

— Próximo destino, Lavaridge! — Sapphire tinha um sorriso vibrante em seu rosto. — Lá eu vou disputar minha quarta batalha de ginásio! Ruby, imagine só! Se eu vencer a líder de lá já vou ter metade das insígnias que preciso para me classificar pra Liga!

— Que história é essa de “próximo destino Lavaridge”? — o amigo já demonstrava aborrecimento. — Você não está se esquecendo de nada?

— Ah, claro! Verdanturf — a garota deu uma risada sem graça. — Foi mal, foi mal!

— A gente tem que tentar sempre manter a cabeça grudada no pescoço, Sapphire, mas pra sua sair rolando por aí falta muito pouco. E aposto que você não vai nem perceber.

— Claro que eu perceberia, bocó! Eu estaria vendo tudo girando!

— Francamente, você faz pouco caso da minha paciência...

Após o término da arrumação, os dois foram até a recepção para fazer o check out. Mauville agora ficaria para trás, apenas nas lembranças daqueles dias intensos que lá haviam vivido, mesmo que por pouco tempo.

Já arrumados e prontos para pegar a estrada, a dupla caminhava pela saída a oeste da cidade, com direção a Verdanturf, onde Ruby ia competir em um contest. Chegando nos limites da cidade, Zinnia os aguardava.

— Indo para Verdanturf?

Os dois se encararam com estranheza. Por mais óbvio que fosse que eles estavam se dirigindo à Verdanturf, ainda não sabiam o que esperar daquela abordagem de uma pessoa tão incomum quanto a draconid.

— Sim, por quê? — Ruby indagou.

— Vou acompanhar vocês até lá. Quero conversar com você — ela apontou para a menina. — Se me lembro bem o seu nome é Sapphire, não é?

— Sim, é isso mesmo — a mais nova respondeu. — Mas sobre o que você quer conversar comigo?

— Relaxa, vai ser tudo tranquilo. Apenas fiquei curiosa com você despertando a capacidade de interconexão tão cedo, e queria procurar alguma pista do que pode ter desencadeado isso em você tão cedo.

Após relutar um pouco, os dois concordaram em aceitar a companhia de Zinnia. A draconid sorriu triunfante, pois conseguiria obter informações que poderiam levá-la a descobrir algumas novidades de seu interesse.

Com os três então juntos, o caminho para Verdanturf começaria a ser desbravado a partir daquele dia. Ainda havia muitos lugares em Hoenn para explorar, e por isso depois da semana de descanso em Mauville a jornada tinha que continuar. Era só o início.

FIM DA OMEGA SAGA

  


Notas do Autor - Capítulo 27


É chegada a hora, pessoal. O próximo capítulo será o último da Omega Saga, e com isso daremos fim a uma etapa da história. Uma importante etapa, pra deixar registrado. Todo esse comecinho de jornada que foi se desenvolvendo ao longo do tempo, os hiatos longos e os momentos de êxtase nas horas em que nossos protagonistas foram levados aos seus limites. Tudo isso resulta no que vimos neste último capítulo.

Para o próximo, não planejo mais nenhuma explosão. É hora de dar um bom descanso a eles, deixar que peguem um pouco de ar porque a Alpha Saga vai trazer muita treta ainda kkkkkkkkkkkk Podemos dizer até que a Omega Saga terminou hoje, mas o capítulo da semana que vem é aquela finalização de temporada só pra tornar tudo oficial mesmo. Pretendo fazer algo bem curtinho e com um clima mais leve, remetendo ao começo da fic. Claro que não será a mesma coisa depois de tanta coisa que aconteceu, mas acho que é merecido, tanto pra Ruby e Sapphire como pra vocês que me deram essa segunda chance e acompanharam a história até aqui de novo.

Team Aqua já estava aprontando desde o capítulo 12. A Team Magma estava devendo, tendo apenas uma pequena aparição no capítulo 5, mas agora está devidamente apresentada. Veremos no decorrer da história toda a motivação por trás desse ataque à Usina de Nova Mauville. O que eles estavam planejando fazer pra precisar de um gerador tão potente?

E vocês perceberam que os vilões aqui deram trabalho de verdade, mesmo pra treinadores excepcionais como Steven, Roxanne e Wattson! Eu quero continuar elevando o nível de ameaça deles ao máximo! Quero que sejam muito mais do que os caras malvados. Quero que eles sejam realmente perigosos. Mas isso é coisa pra gente discutir na próxima temporada.

E falando nela, mal vejo a hora de chegar! Mas antes da Alpha Saga começar a gente da Aliança tem uma surpresinha sendo preparada pra vocês. Em breve mais detalhes.

Até a próxima! õ/


Capítulo 27

Alta voltagem


Os passos eram ouvidos do lado de fora da usina de Nova Mauville, até que uma pessoa parou logo de frente para a porta principal. Dali já era possível ver alguns capangas das organizações Aqua e Magma desmaiados, indicando que um confronto intenso acontecera ali.

A garota respirou fundo, parecendo chateada de ter que entrar naquele local, o que muito provavelmente lhe proporcionaria uma experiência complicada nas próximas horas. Ela não gostava de procedimentos trabalhosos, mas era o que tinha que ser feito, mesmo acreditando que a razão por trás daquilo não passava de mera bobagem.

Ao olhar o céu estrelado ponderou se não era melhor deixar que Mauville apreciasse o que o universo tinha a lhes oferecer, mas entendia a urgência naquela noite. Não poderia deixar que o problema se estendesse por muito tempo. Também era seu dever proteger a mitologia de Hoenn.

Foi desperta de seus pensamentos apenas quando a pequena Whismur a puxou pela perna.

— Tá, tá! Vamos, Aster.

• • •

Poucas coisas eram capazes de despertar um sentimento de dúvida e nervosismo em Vince. Uma delas estava logo à frente. Courtney não fazia sequer um movimento, apenas aguardava para ver que tipo de atitude o rapaz tomaria a partir daquele momento.

Wattson observava confuso os dois. Não conseguia entender o garoto, que mesmo parecendo tão ligado à Team Magma ainda os combatia como se estivesse do mesmo lado que o homem.

— E então, bebê? Vai tomar a iniciativa, ou eu vou ter que fazer você funcionar na marra?

— Eu gostaria de apreciar por mais tempo esse momento, mas infelizmente vou ter que acabar com você rápido mesmo — apesar da fala a expressão de Vince destoava, pois seu sorriso sádico não era tão convincente. — Pisar no seu pescoço seria uma boa forma de saber que eu já estou pronto para dar um passo adiante.

— Então se apressa aí. Tabitha tá louco pra ver como tu cresceu.

O garoto fechou a cara no mesmo instante. Seu sangue começava a ferver, mas com esforço ele conseguiu conter o impulso. Courtney mantinha sua expressão misteriosa, com um sorriso de quem já sabia que seria a vencedora ali.

— Até que você consegue controlar sua raiva agora, né? Mas vamos ver até onde vai sua paciência. Ninetales, saia!

A raposa se libertou de sua Pokéball com elegância, aparecendo na sala de frente para Vince e Wattson. Apesar da beleza capaz de hipnotizar qualquer pessoa a criatura exibia um olhar penetrante, criando nos dois treinadores a sensação de perigo. Vince conhecia bem aquele Pokémon, e pelo visto teria que usar de todos os artifícios que possuía. A batalha seria complicada.

Wattson recuou seu Magneton, sabendo que as chances seriam muito baixas. Manteve apenas o Manectric em campo, enquanto Vince possuía Houndour e Sableye.

— Você tem outro Pokémon — Vince falou ao olhar de volta para a mulher. — Não vai usá-lo para compensar o número?

— Não vou precisar dele. Só a Ninetales vai dar conta desses três aí.

— Veremos. Sableye, ataque com o Brick Break!

— Vou dar cobertura — Wattson se preparou para entrar em combate. — Manectric, Thunder Wave!

O ataque coordenado foi executado de forma rápida para evitar que Courtney tivesse tempo de reagir. Manectric emitiu as ondas de choque para tentar paralisar Ninetales enquanto Sableye corria logo em sua direção para golpeá-la a fim de causar dano. Courtney mantinha a serenidade observando a estratégia de seus inimigos, e continuava mascando seu chiclete como se aquilo fosse apenas uma brincadeira de fim de semana.

Ninetales evadiu os dois ataques, fazendo Sableye passar direto e abrir um buraco na parede de concreto com seu ataque. A mulher sorriu triunfante, evidenciando sua confiança naquele confronto.

Flamethrower.

O disparo foi imediato. A intensidade das chamas volumosas de Ninetales fez subir de forma radical a temperatura naquela sala. Vince começava a transpirar, Wattson sentia como se estivesse sendo cozinhado vivo. Courtney era a única que não parecia se importar com a mudança súbita. Os membros da Team Magma eram treinados como soldados, e uma de suas principais características era conseguir aguentar temperaturas escaldantes.

— Eu já dei o aviso — disse Courtney. — Vocês dois não têm chance alguma contra mim. Se quiserem continuar tentando é bom que me divirtam. Eu odeio quando me fazem perder meu tempo.

• • •

A tensão aumentava na medida em que o confronto entre Shelly e o trio formado por Roxanne, Sapphire e Ruby se aproximava. Tomados pelas memórias aterrorizantes de quando estavam a caminho de Dewford, os dois mais novos estavam ofegantes devido à alta carga de estresse, enquanto a líder de ginásio se preocupava em como fazer aqueles dois se sentirem melhor para ajudá-la enquanto ela tentaria parar os ataques da integrante da Team Aqua.

A criminosa tinha a seu lado um Golduck que aparentava ser bem treinado, enquanto os treinadores combinavam uma equipe versátil com Treecko, Combusken e Nosepass.

— Vocês dois prestem bem atenção — disse Roxanne. — Ela é uma treinadora experiente, isso é fácil de deduzir já que ocupa um cargo mais alto na organização. Tomem cuidado ao enfrentá-la de frente, a desvantagem é grande. Temos que dar cobertura um pro outro se quisermos ter mais chances de derrotá-la. É difícil, mas não impossível.

— Belas palavras — provocou Shelly. — Mas eu quero ver isso na prática. Golduck, use o Water Pulse!

A pancada de água foi certeira na direção de Combusken, mas Treecko se colocou na frente para interceptar o golpe e reduzir o dano. A diferença de nível, no entanto, fez com que o lagarto fosse bastante afetado, mesmo por um tipo do qual ele possuía vantagem.

— Dan, vê se não me atrapalha, seu idiota — disse Jeff arfando enquanto tentava se manter de pé. — Você evoluiu, mas continua lerdo!

— Cala a boca, você se jogou na frente por que quis! Eu teria desviado fácil desse ataque!

— Continua a mesma criança mal educada de sempre — disse Hans em negação.

— O que foi que disse? Você por acaso se lembra do resultado da nossa última batalha?

— Sim, eu me lembro bem. Me desaponta profundamente ter perdido para alguém tão imaturo...

— Sapphire, esteja mais atenta! — alertou Roxanne. — Ela é uma criminosa. Não vai seguir os protocolos de batalha. A estratégia dos membros da Team Aqua e Team Magma é ataques sujos para nos pegar desprevenidos.

Shelly pareceu descontente com o último comentário da mulher que a enfrentava. Seu olhar de desprezo foi lançado direto na líder, mas a mensagem era alta e clara para quem estivesse ali escutando.

— Não compare a gente com aqueles Magmas desprezíveis! Nossa organização é a única capaz de demonstrar força nos territórios de Hoenn.

— Não importa o que você acha — Roxanne falou com calma. — Se odiando entre si ou não vocês continuam sendo um bando de terroristas guiados por fanatismo ideológico.

— Fale por você, que sempre teve seu lugar no topo da cadeia alimentar! Nossos ideais são nosso norte, e isso pessoas conformadas como você jamais serão capazes de entender! Golduck, ataque com Zen Headbutt!

A pedra na cabeça de Golduck começou a brilhar em azul, enquanto o mesmo era envolto por uma aura de energia. Quando o Pokémon aquático disparou em direção a Hans foi a vez de Sapphire intervir.

— Dante, use o Double Kick para interceptar o ataque!

Com os golpes desferidos o Combusken conseguiu desviar o adversário da trajetória original de seu ataque, preservando a integridade de seu companheiro de equipe. O Golduck se firmou no chão, mas foi arrastado para trás com o impacto do contra-ataque.

— Dante? — Roxanne murmurou com um tom de curiosidade, até que deu um sorriso de canto. — Bem, isso eu confirmo depois. Hans, ataque com Rock Throw!

— Treecko, dê suporte a ele com o Absorb!

Golduck já se preparava para bloquear as rochas lançadas pelo Nosepass quando foi atingido pelo golpe do réptil, que apesar de não ter dado muito dano foi o suficiente para fazê-lo se distrair e receber o ataque mais forte.

Shelly mordeu os lábios. Não esperava que fosse ser posta contra a parede numa situação como aquela. Sabia que tinha que prestar atenção em Roxanne, mas por outro lado não acreditava que aquelas duas crianças inexperientes conseguiriam atrair seu foco.

— Ora ora, parece que a criançada sabe batalhar — a mulher destacou seu tom de desdém. — Espero que não fiquem muito confiantes porque conseguiram sucesso com uma estratégia.

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Os corredores da usina eram barulhentos. A cada vão por onde Steven caminhava os ruídos dos inúmeros conflitos entre integrantes das duas facções era escutado alto e claro. O rapaz tinha sua direção bem definida, pois Wattson havia lhe mostrado o mapa do local com os pontos de referência a serem decorados para facilitar o acesso do Campeão à sala principal.

Ele já se preparava para dar de cara com guardas no lugar para onde estava indo, mas se surpreendeu ao notar que a porta não tinha ninguém vigiando. Quando adentrou o salão foi possível ver um enorme gerador desligado, bem como capangas das duas equipes e seus Pokémons desacordados no chão. Dois homens se mantinham de pé, sendo levados à exaustão em uma batalha intensa.

— Vocês vermes da Team Aqua vão pagar caro por terem tentado interceptar nossos planos! — bradou o membro da Team Magma, um homem gordo de olhos puxados e uma expressão de fúria. — Eu vou ter o prazer de exterminar cada um de vocês para levar os Magmas à vitória.

— Cala a boca um minuto, Tabitha! Se concentra na batalha, ou eu vou trucidar você! — o homem com o uniforme da Team Aqua era bem maior que o seu oponente, seu corpo era musculoso e seu olhar tinha fúria. — Walrein, ataque com Body Slam!

— Camerupt, rebata com o Lava Plume!

Enquanto Walrein se atirou na direção de Camerupt o Pokémon de fogo disparou um jato de lava para contra-atacar, mas os dois ataques foram impedidos por uma parede de rochas que dividiu o local até pouco antes do gerador.

Quando os dois criminosos olharam para a direção de onde o ataque viera, Steven e seu Aggron estavam à espera de que a atenção do conflito fosse roubada para eles. O Campeão mantinha-se sereno, enquanto seu Pokémon aguardava as próximas ordens com atenção.

— E pensar que até você veio aqui — resmungou Tabitha.

— O Campeão da Liga Pokémon de Hoenn, Steven Stone — disse o administrador da Team Aqua. — Não importa o seu título, eu vou esmagar todos que se colocarem no caminho da Team Aqua!

— Eu poderia ter deixado vocês se matarem aqui. Seria até mais conveniente, mas não posso permitir que o gerador seja danificado. Se bem que vocês pensam igual a mim, já que ele é o alvo das duas organizações, não é mesmo?

Os dois homens olharam Steven com expressões tensas.

— Então você já sabe — admitiu o Magma.

— Eu sei muito mais sobre vocês do que imaginam — respondeu o Campeão analisando o gerador desativado. — Tabitha e Matt, respectivamente administradores das organizações Team Magma e Team Aqua. Vocês pretendiam roubar o gerador da Usina de Nova Mauville, mas deram o azar de encontrarem um ao outro no caminho.

— Como se já não bastasse a Polícia Internacional, agora vocês da Liga vêm se intrometer nos nossos assuntos — disse Matt de forma ríspida. — Tirar você e o Tabitha da jogada de uma vez só vai ser um prêmio e tanto pra eu levar pro meu irmão. Walrein, use o Blizzard!

— Idiota, o que você está fazendo!? — bradou Tabitha em desespero.

Steven também demonstrou certa tensão, mas agiu rápido ordenando mais um Rock Tomb de Aggron, dessa vez fazendo as rochas cercarem o gerador de forma a impedir que a máquina fosse atingida pela tempestade de neve, o que poderia danificá-la de forma severa. O sacrifício, porém, teve seu preço. O golpe de gelo acertou em cheio o gigante metálico que estava com a guarda aberta para proteger a razão de toda aquela briga.

Tabitha e Camerupt se protegeram a tempo, já que o Pokémon de fogo levantou uma parede de chamas com um Eruption a uma distância suficiente para manter seu mestre aquecido e ao mesmo tempo sem riscos de sofrer uma queimadura.

Já o Campeão só não foi pego por ter sido abraçado por Aggron, de forma a ter um abrigo que evitasse que ele recebesse o ataque diretamente. O Pokémon metálico conseguiu ficar de pé graças a sua defesa sólida, tendo parado mesmo um ataque contra o qual possuía desvantagem.

Steven se perguntava sobre como parar aqueles dois sem criar riscos para a estrutura da usina e o gerador. Aggron era um Pokémon com ataques de pura força bruta. A precisão tinha que ser milimétrica, pois qualquer erro de cálculo poderia custar todo o esforço que havia sido empregado para proteger a principal fonte de energia da região.

Os três estavam por conta própria. Nenhum deles tomava a iniciativa de atacar prevendo que o outro adversário poderia tomar proveito da abertura que seria criada por qualquer movimento imprudente.

— Parece que isso vai demorar — Steven sussurrou enquanto massageava as têmporas.


Desmentindo o pensamento do membro da Elite, o barulho de sirenes logo começou a ser ouvido do lado de fora da usina. Tabitha e Matt trocaram olhares de reprovação, certamente culpando um ao outro pela presença das autoridades no local. Steven não percebeu a tentativa de fuga dos dois bandidos quando a sala onde estavam começou a ser tomada por uma densa fumaça branca que bloqueou sua visão.

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Dan e Jeff já haviam sido derrotados. Hans continuava firme, aguentando do jeito que podia os ataques constantes de Golduck. Shelly já podia ter dado a batalha por encerrada, mas parecia se divertir ao colocar Roxanne sob pressão. A líder sabia que estava sendo alvo de uma brincadeira por parte da criminosa, mas não conseguia encontrar uma brecha para surpreendê-la.

— Aguente firme, Hans — disse a mulher. — Uma hora ela vai ter que dar uma abertura.

O Nosepass assentiu, confirmando que havia entendido o pedido de sua treinadora. Shelly sorria com tom de deboche, enquanto seu Golduck aguardava as próximas ordens.

— Encare os fatos, Roxanne. Acabou pra vocês — Shelly sorria triunfante, aproveitando o momento em que havia conseguido impor um xeque-mate no trio.

Só restava o Nosepass, e o Pokémon rochoso estava desgastado demais para criar uma defesa em uma velocidade que superasse a de Golduck. Um único golpe de água colocaria um fim àquela batalha. Mas quando a Aqua se cansou da espera e resolveu dar o assunto por encerrado, um rugido chamou a atenção de todos.

Vindo do corredor, em um vôo rasante, um enorme dragão azul surgiu se pondo à frente da dupla da Team Aqua. Um Salamence que ocupava quase um terço do espaço daquele salão pousou causando um leve tremor. Ruby e Sapphire se desequilibraram, enquanto Roxanne se manteve firme do jeito que podia. Shelly encarou a criatura com uma expressão de aborrecimento, e logo em seguida voltou sua atenção para o corredor, de onde surgia outra pessoa.

— Team Aqua, Team Magma, que piada de mal gosto — Zinnia seguiu caminho até se colocar ao lado de seu companheiro dragão. — Vocês estão mexendo com coisa grande.

— Quem é você? — a criminosa indagou com tom de desprezo em sua voz.

— Isso pouco importa. Vocês não estão dispostos a ouvir o que eu tenho a dizer mesmo. Mas eu devo agradecer a vocês. Graças às loucuras que as duas organizações vêm fazendo nos últimos meses eu consegui mudar minha visão, perceber que meu ceticismo não era mais necessário agora que novas respostas surgiram. Mas é um perigo desnecessário deixar vocês confirmarem para o mundo o que estão querendo revelar. E prosseguir com seus ideais extremistas poderá significar o fim do mundo como conhecemos hoje.

Shelly deu um sorriso debochado. Sapphire sentia que aquela pessoa era familiar, e Ruby logo a reconheceu como a mulher que há algum tempo encontraram na Caverna de Granito nos arredores de Dewford. Roxanne se mantinha atenta aos detalhes da conversa entre as duas mulheres, aguardando alguma informação que pudesse usar de pista na sua tarefa de reunir dados sobre as duas facções.

— Você não parece ser do tipo que dá sermão nos outros, garota.

— E você não parece ser do tipo que analisa o comportamento dos outros. Mas tenho que te parabenizar por ter pressionado uma líder de ginásio a esse ponto. Só que você se atrasou demais, então agora que eu cheguei a sua oportunidade de sair vitoriosa acabou.

A Aqua permaneceu encarando Zinnia, agora observando cada detalhe de suas vestes e características físicas, como os cabelos lisos e os olhos de um tom negro profundo.

— Eu já sei — disse a mulher. — Quem diria que eu encontraria um de vocês longe dos arredores de Meteor Falls. O que houve? A pequena Wooloo se perdeu do rebanho?

— Não confunda as coisas. Eu estou mais pra um Gogoat, pronta pra te levantar alguns metros do chão. Espero que não seja apegada à gravidade, porque vou fazer você criar uma nova perspectiva olhando tudo de cima por alguns segundos!

A batalha estava para voltar, mas um alarme soou estridente nos corredores da usina. Shelly imediatamente reconheceu aquele som como o chamado de retirada da Team Aqua. A mulher não entendeu o que aquilo significava, até que Matt aparece na porta da sala chamando pela companheira de equipe.

— É a polícia! Eles estão do lado de fora da usina nos esperando! — disse o homem. — Vamos embora, distraia eles e eu vou abrir o caminho.

Utilizando as mesmas bombas de fumaça que Matt usou para fugir de Steven, Shelly lançou várias de uma só vez na sala, fazendo com que ela, Golduck e Matt desaparecessem dali antes que qualquer vestígio de visão pudesse ser recuperado pelos demais treinadores ali presentes.

Quando a visibilidade foi restaurada, Zinnia se dirigiu ao trio que demonstrava sinais de exaustão para prestar apoio.

— Foi uma batalha puxada, né? Vamos sair daqui para vocês pegarem um pouco de ar e me contarem o que aconteceu.

• • •

Vince e Wattson estavam postos contra a parede. Courtney parecia intocável com sua Ninetales. O rapaz até conseguia pressioná-la ocasionalmente, mas o líder de ginásio já não conseguia manter o mesmo ritmo daqueles dois, que travavam um embate intenso naquele momento.

A raposa conseguia desviar da maioria dos ataques de Houndour, mas muitos deles passavam bem perto de acertar. A chefa da Team Magma, porém, não parecia demonstrar nervosismo mesmo nas situações mais complicadas. Vince começava a perder a paciência, sem ter muitas oportunidades de encontrar uma abertura para tomar a vantagem da batalha para si.

— Pera aí, bebê — disse a mulher, demonstrando estar em pleno conforto mesmo durante a batalha. — Você tá com muita pressa. Por que não aproveita o momento?

— Não venha me dar lição de como usar o meu tempo! Você é só um obstáculo que eu tenho que limpar para continuar indo até onde eu quero.

Courtney sorriu de canto.

— Por um momento eu achei que você tinha amadurecido um pouco, Vince — ela então estourou mais uma bola de chiclete. — Mas você continua sendo o mesmo menininho imaturo de sempre.

— Eu não quero ouvir isso de alguém como você — o rapaz agora rangia os dentes em descontentamento. — Houndour, Pursuit!

Confuse Ray!

Antes que Houndour pudesse completar seu ataque a técnica de Ninetales conseguiu acertá-lo, fazendo efeito logo em seguida. O canino até começou a perseguir a sua oponente, mas de forma repentina parou e começou a morder a própria cauda com força, se machucando seriamente no local.

Vince suspirou para conter a crescente de estresse ao ver uma de suas melhores oportunidades ser impedida com facilidade. Ele começava a pensar que aquela batalha não iria a lugar algum. Wattson assistia tudo, seus Pokémons já não aguentavam mais, e mantê-los batalhando poderia ser arriscado. Ambos começavam a temer que Courtney começasse a desenhar a batalha para um final favorável a ela. Sequer sabiam o que aconteceria dali em diante, já que não possuíam mais defesa alguma contra aquela criminosa.

O confronto só não seguiu pois uma comoção pôde ser ouvida do corredor. Gritos e correria eram ouvidos a todo momento pelos três, até que Steven os encontrou.

— Estão fugindo! A Polícia Internacional está aqui e eles soaram o alerta de fuga! — o rapaz então percebeu a presença de Courtney na sala. — Você, fique parada aí mesmo!

Too late, bonitão — a criminosa piscou para o Campeão antes de lançar algumas bombinhas de fumaça para tapar a visão do trio.

Assim que a fumaça dissipou, a mulher já não estava mais presente. Steven deu um soco na parede, descontente com a falha em capturar uma fonte importante de informações.

— Vai fugir, sua desgraçada? — Vince gritou para as quatro paredes. — É isso que você faz quando a situação aperta!

O rapaz então sentiu a mão de Wattson em seu ombro. O homem o olhava com uma feição não muito feliz, mas ao mesmo tempo já não era hostil como das outras vezes.

— Vamos precisar de você para nos contar tudo o que sabe sobre a Team Magma.

— Foi mal, velho. Nossa colaboração acaba por aqui — o rapaz se virou para Houndour. — Use o Smog! Vamos dar o fora!

Steven conseguiu puxar o líder de ginásio com rapidez, de modo que ele não fosse pego pela carga de poluição lançada pelo Pokémon de Vince. De forma até bem semelhante à de Courtney, Vince também havia fugido, mesmo tendo lutado contra os criminosos.

— Esse garoto tem me dado nos nervos faz alguns dias — resmungou o velho. — Quando eu colocar as mãos nele vou fazê-lo me contar tudo o que sabe!

— Você vai ter essa oportunidade, Wattson — disse Steven, respirando fundo numa tentativa de recobrar a calma. — O mais importante agora é nos encontrarmos com Roxanne. Uma vez reunidos, podemos dar nosso depoimento à polícia sobre o que vimos aqui.

FIM DO CAPÍTULO 27



  

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