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Notas do Autor - Capítulo 42

 

E agora estamos completos nas evoluções dos iniciais! Nosso rei da porrada não podia ficar tão atrasado assim, né? kkkkkkkk

Depois do trampo que foi pensar no que fazer no último capítulo, esse aqui foi relativamente fácil de construir. Deu pra fazer em poucos dias. Eu já tinha a pretensão de fazer o Ruby capturar um Spoink, isso estava nos planos. A única mudança é que eu pensava em fazer isso após eles saírem de Lavaridge, mas aí eu resolvi adiantar pra quem sabe não ter uma oportunidade a mais de entrosar os dois personagens? Tem um contest de batalhas chegando e eles vão precisar estar afiados.

O Spoink vai encaixar legal com o que eu penso pro time do Ruby no futuro. Eu não posso dar detalhes agora, porque vai ser uma mudança bem grande, mas eu imagino que vocês vão querer matar alguém quando acontecer. Ou vão querer matar o Ruby, ou me matar. Mas eu vou pagar pra ver kkkkkkkk

Por hoje é isso. Espero que tenham gostado do capítulo. Aguardo vocês no próximo!

Até lá! õ/

Ah, e antes que eu me esqueça, FELIZ POKÉMON DAY pra todos vocês! 30 anos, cara! Que doideira! kkkkkkkkk

Capítulo 42

 Terreno íngreme


A cidade de Lavaridge já estava no campo de visão do trio. Até mesmo Sapphire sentiu alívio ao ver as construções aparecendo ao longe, dado o longo caminho percorrido. E para Ruby a sensação era a de ter nascido de novo.


— Check-in, banho, comida, cama. Nessa ordem — o garoto tentou ser o mais direto possível, antes que Sapphire ou Zinnia tivessem alguma ideia brilhante para tirá-lo do caminho do seu merecido descanso.


Entretanto, o pedido de Ruby fora em vão. As garotas, assim que o grupo começou a subir o terreno que levava à entrada da cidade, notaram uma entrada que dava para o norte.


— Que trilha é essa? — Sapphire já cedia à sua curiosidade.


— Jagged Pass? — disse Ruby ao ler a placa na entrada. — “Passagem Acidentada”, “Passagem Irregular”... Por que isso está escrito no idioma de Galar?


— Essa rota dá direto no topo do Monte Chimney — Zinnia começou a explicar. — Eu sei que pode soar estranho, mas vulcões são atrações turísticas.


— Espera aí um minuto — o garoto sentiu uma fagulha de pânico percorrer seu corpo. — Está me dizendo que essa montanha gigante aqui é um vulcão?


— Ih, lá vem... — Sapphire já sabia o que estava por vir, mas pra sua sorte Zinnia foi mais rápida.


— Se acalma, tonto! Aqui é um lugar supertranquilo. O vulcão até tem um poço de lava visível na cratera, mas as condições ao redor não favorecem uma erupção ou explosões. Estamos seguros. Inclusive, é justamente o vulcão que move a economia de Lavaridge. Já ouviu falar nas fontes termais daqui? Eu não sei vocês, mas eu vou dar uma passada lá na primeira noite que a gente passar na cidade. Além disso, quem cuida do turismo nas trilhas e no cume do vulcão é a cidade de Lavaridge também. Eles vivem disso há décadas, e nunca houve nenhum perigo pra cidade e pros arredores.


Ruby ainda não parecia convencido, mas aceitou aquela explicação por ora. Sapphire continuava observando a trilha, que parecia despertar a sua curiosidade a ponto de ela sequer esquecer que a cidade de seu próximo desafio de ginásio estava logo ali, na frente deles.


— Tem vegetação farta nessa trilha — a menina observou. — Se tem flora, tem fauna. Eu quero ir ali. Talvez a gente encontre uma espécie Pokémon que só exista aqui.


— Podemos voltar aqui depois de nos instalarmos na cidade — disse Ruby. — Sério, não estou mais aguentando esse peso. Vamos reservar logo um quarto no Centro Pokémon e deixar nossas coisas lá.


— Ruby, vamos aqui logo. Aí depois a gente não precisa voltar, a gente fica descansando na cidade. Aliás, você fica descansando. Eu tenho que ir no ginásio agendar minha batalha.


Convencido, Ruby resolveu seguir a dupla. Passando pela entrada da trilha eles perceberam o quão alta era a montanha. Afinal, era justo o ponto mais alto de toda Hoenn. O caminho de terra vermelha se estendia até o pico, cercado por um terreno acidentado, de composição rochosa e alguns pontos de vegetação que iam desde árvores até um gramado alto.


O ar parecia mais frio naquela região, ironicamente. A cada passo que davam, sentiam como se o chão estivesse vivo, mesmo que nenhum tremor tenha sido percebido.


— É um lugar bem bonito — Ruby observava os arredores com certo encanto nos olhos. — Eu não lembro de ter visto uma vegetação tão viva.


— Solo vulcânico é muito fértil — Zinnia explicava. — É irônico que algo capaz de causar tanta destruição também possa trazer tanta vida. A natureza tem suas contradições, mas é isso que torna ela tão interessante.


Na medida em que avançavam trilha acima, o grupo notava a presença de outras pessoas no local. Alguns pareciam treinadores, outros apenas exploradores se aventurando pela trilha. Um pequeno grupo de pessoas também seguia junto, acompanhadas de um guia turístico. Esse movimento fez com que Ruby se sentisse um pouco mais seguro. A trilha até poderia ser perigosa, mas não a ponto de ninguém ser louco de se arriscar nela.


O avanço era feito com cautela, pois o terreno tinha uma inclinação que dificultava a estabilidade da caminhada. Mesmo ficar parado era difícil, pois cada movimento mínimo parecia jogar todo o peso para trás, e nenhum dos três queria saber o resultado de sair rolando trilha abaixo.


Zinnia foi a primeira a identificar uma área mais plana. Rapidamente o trio foi até o local e aproveitou para fazer uma pausa. Ruby jogou a sua mochila no chão e logo em seguida procurou alguma pedra ou tronco de madeira onde pudesse se sentar. Sapphire, sem se importar com mais nada, só verificou o lugar onde parecia ter menos poeira e se sentou no chão mesmo. A draconid permanecia de pé, analisando os arredores.


— Parece um lugar tranquilo. Acho que dá pra gente ficar aqui por um tempo.


— Eu quero comer alguma coisa — reclamou o garoto. — Eu estou aceitando comer até essas berries que a Sapphire sai pegando em qualquer lugar.


— Eu não pego em qualquer lugar, eu pego nas árvores mesmo — Sapphire retrucou. — Se cair no chão eu já não pego.


— É, acho que até você tem limite — Ruby devolveu, deixando a menina mais emburrada ainda. — Mas você nem para pra ver o que você pega, vai acabar comendo alguma podre ou com algum bicho qualquer hora.


— Ruby, tem várias maneiras de saber se as berries estão ruins antes de comer, mas sinceramente eu nem sei por que eu perco meu tempo argumentando com você sobre isso.


Sapphire apenas andou até suas coisas, e de lá tirou um saco onde guardava várias berries. Havia uma variedade de frutas ali, para todos os gostos. Ela estendeu uma toalha ao lado e colocou as berries em cima.


— Estão todas boas. Pega aí a que você achar melhor e pronto!


Ruby deu um resmungo contrariado, mas foi até as berries. Sapphire deu um riso discreto, pensando em como no início da jornada o garoto apenas se recusaria a comer frutas que, segundo ele, não teriam sido adequadamente limpas. Ele podia não notar, mas estava fazendo progresso também.


Quando o garoto chegou perto das frutas e se curvou para pegar uma ele notou que algo se mexia atrás dos arbustos próximos do barranco. Em um primeiro momento ele recuou e ficou esperando para ver o que estava ali, mas não demorou muito para que a figura se revelasse.


Uma criaturinha de aspecto suíno apareceu diante do garoto. Sua pelagem era preta e seu corpo redondo como a pérola rosa que ele equilibrava em sua cabeça. Não tinha patas traseiras, se locomovendo em saltos impulsionados por sua cauda espiralada como uma mola.


— É um Spoink! — Sapphire disse em tom de surpresa. — É a primeira vez que eu vejo um pessoalmente.


— Spoink, é? — Ruby confirmava a espécie na sua Pokédex enquanto analisava outras características da criatura. — Psíquico. E bonitinho também. Acho que vai ser ótimo pra usar nos contests.


O garoto levou a mão à sua cintura com rapidez, de onde sacou uma Pokéball, indicando que estava falando sério quanto a capturar o Spoink. Ele arremessou o dispositivo um pouco a frente, revelando seu Treecko. O lagarto olhou em volta, não demorando a assimilar a situação.


— Tarefa pra você, colega — disse o garoto, eufórico. — Vamos trazer esse aí pra nossa equipe!


O Treecko de imediato se colocou em posição de batalha, alertando o Spoink sobre suas intenções. O Pokémon psíquico também subiu sua guarda, já sabendo que seria difícil de fugir dali sem batalhar, visto que tinha uma desvantagem de velocidade.


— Olha só, o Treecko respondeu rápido dessa vez — observou Sapphire. — Será que eles estão fazendo progresso?


— Progresso eles estão fazendo sim, mas o Treecko sempre teve um pouco mais de boa vontade pra batalhas — Zinnia respondeu, também observando com atenção a batalha que estava para começar. — Mas fazendo um pouco mais as vontades dele vai fazer com que o Ruby consiga se aproximar um pouco mais. Vamos ver.


— Ok Treecko, ele é um Pokémon psíquico, então tome cuidado com possíveis truques para te enganar. Concentração máxima! Vamos ver os resultados do nosso treino com a Vivi. Comece com o Giga Drain!


Jeff avançou contra o Spoink, usando seu impulso para acelerar o alcance de seu ataque. Seus olhos começaram a brilhar em um tom cada vez mais vibrante de verde, ao passo que uma aura da mesma cor era vista ao redor do Spoink, que sentia sua energia ser sugada, enquanto a vitalidade do oponente aumentava na mesma proporção.


Spoink agiu rápido para não permitir que aquele dano corrente continuasse por mais tempo. Ele se virou na direção de onde vinha o ataque, focando sua visão em Jeff, e disparou contra o lagarto um raio de energia de cor rosa. O Treecko, que focava na execução do ataque, não teve tempo de trocar para a defesa, sendo acertado diretamente pelo contra-ataque.


— O que foi isso? — Sapphire exclamou ao se assustar com a potência do ataque.


— Isso foi um Psybeam. — Ruby respondeu, sentindo a dificuldade daquele confronto. — Eu conheço bem esse ataque, ele é muito popular em contests com apresentações de beleza. Treecko, tome cuidado! Receber um ataque desse diretamente pode causar confusão!


Jeff conseguiu se levantar com facilidade, apesar de ter sido pego com a guarda baixa. Ele espanou a poeira de seu corpo com as mãos, usando aquilo até como um gesto provocativo para o Spoink, mostrando que o ataque não havia funcionado tão bem.


— Essa foi quase — disse o Treecko. — Muito bem, carinha. Continua assim e quem sabe você não me dá um susto.


— Ah, ainda bem que não se machucou — disse o Spoink, parecendo estranhamente simpático. — Do jeito que você saiu rolando eu não tinha certeza se você ia se levantar. Acho que dá pra bater mais forte a partir de agora.


Jeff deu um sorriso de canto. Ele conhecia bem aquele tipo de provocação, afinal, ele mesmo era especialista naquilo.


— Boa resposta. Eu acho que vou gostar de te atormentar.


Ruby tentava analisar o comportamento de Spoink, mas tinha dificuldades em prever o que ele poderia fazer. Ele não estava acostumado a fazer aquele tipo de reflexão enquanto se preocupava em comandar uma batalha, mas era algo que Vivi havia dito pra ele tentar fazer dali em diante. O garoto sentia sua cabeça começar a doer com aquele esforço.


Como eu faço o Treecko se aproximar dele sem correr risco de ser pego em um ataque direto? Posso fazer uso da velocidade dele pra isso, mas sempre tem o risco de algum outro movimento bagunçar o status dele. Segundo a Pokédex, no nível em que esse Spoink está agora, a chance de ele saber usar Confuse Ray é razoável... Pensa, Ruby! O que dá pra fazer agora?


Os pensamentos do garoto foram interrompidos quando Spoink efetuou um disparo de ondas psíquicas na direção de Jeff. O Treecko conseguiu se esquivar com facilidade, mas o prejuízo ficou por conta de Ruby, que teve seu raciocínio interrompido.


— Droga, isso é difícil demais! — Ruby resmungou enquanto apertava os punhos. — Se eu tentar pensar demais o Treecko vai acabar pagando a conta. Treecko, use o Pursuit!


Jeff avançou com rapidez em direção ao Spoink, que tentou prever de onde viria o ataque e se esquivou. Entendendo como ficaria o posicionamento do oponente, o lagarto do tipo planta mudou a trajetória da sua corrida e foi parar atrás do adversário, acertando-o com um golpe forte que o lançou alguns metros para o lado oposto.


Ruby respirou fundo, se permitindo sentir um pouco de alívio. Apesar de não poder se distrair, os ataques estavam funcionando, mesmo que improvisados. Se ele conseguisse tempo para pensar em uma estratégia, ele poderia vencer.


O Spoink se levantou e ficou aguardando o próximo movimento da dupla adversária. Ruby entendeu que aquilo poderia ser um sinal de que ele estava com dificuldades de encontrar um caminho para tomar a dianteira da batalha. O garoto sentiu sua confiança voltar, tentando mais uma vez pensar em um plano para finalizar aquela batalha.


— Olha, faz tempo que eu não tenho esse trabalho todo numa batalha — o Spoink arfava ao tentar falar. — Você é bom de briga, bicho.


— Tu não viu nada ainda — Jeff se colocava em posição de batalha mais uma vez. — Tô só começando.


— Vamos, Treecko — Ruby chamou a atenção do seu parceiro, parecendo já ter um plano em mente. — Use o Leer para fazê-lo baixar a guarda!


Por mais simples que aquele comando parecesse, o fato de Spoink estar começando a sentir o desgaste, tanto físico quanto mental, o tornava mais suscetível a efeitos daquele tipo de movimento. Jeff lançou um olhar direto para o suíno, fazendo com que ele hesitasse.


Spoink, no entanto, se recuperou depressa sabendo o risco de ficar naquele estado de vulnerabilidade por muito tempo. Numa tentativa de atrasar os planos de Ruby, o Pokémon selvagem disparou outro Psybeam na direção de Jeff.


— Desvie do ataque e use o Quick Attack para se aproximar dele! — Ruby comandou, estendendo a mão em um gesto que dizia para Jeff seguir em frente sem hesitar.


Ele tá cada vez mais à vontade, já consegue dominar as ações da batalha e controlar a situação a seu favor — pensava Sapphire enquanto assistia à batalha.


Jeff correu em direção ao Spoink após desviar do disparo psíquico. Ele fazia uso de sua velocidade formidável para reduzir a distância antes que seu oponente fizesse mais algum ataque.


— Complete com Pursuit!


O Spoink já conhecia o ataque depois de ter sido acertado da primeira vez, e naquele momento ele havia lido a movimentação de Jeff, induzindo-o a fazer o mesmo trajeto para tentar ir parar em suas costas. Ele então se virou para o Treecko assim que ele chegou no local previsto.


Com o susto, Jeff atrasou na execução do ataque, o que abriu uma janela de tempo para que o Spoink fizesse sua resposta. A pérola em sua cabeça começou a emitir um forte brilho em tom púrpura, disparando em seguida um raio da mesma cor.


Jeff foi atingido em cheio e começou a se debater enquanto cambaleava desorientado, até que chegou próximo a uma pedra e bateu sua cabeça com força nela, parecendo ter sido de propósito.


— Treecko! — Ruby tentou chamá-lo alto para tentar fazer com que o lagarto despertasse. — Ele tinha mesmo o Confuse Ray, que droga!


— Ih, babou — disse Zinnia, observando o desfecho da batalha.


Ruby sabia que aquela situação era capaz de virar o jogo a favor do Spoink. Naquele estado de confusão, Jeff só causaria danos a si mesmo se tentasse atacar de forma impensada. Para piorar, o ótimo poder de ataque do Treecko agora se voltava contra ele, já que isso também impactava o dano dos ataques autoinfligidos.


— Você foi muito inocente de achar que eu estava sem saída — disse o Spoink. — Eu lido com treinadores há muito tempo por aqui. Meu passatempo favorito é fazer vocês se sentirem confiantes e pegar todos desprevenidos. Por isso os outros Pokémons dessa rota me chamam de “enganador”. Mas você pode me chamar de Oswin mesmo, já que você não tem intimidade pra me chamar por apelidos.


O Spoink se divertia com o Treecko desorientado. Ruby começava a ficar nervoso novamente, tentando encontrar algum jeito de sair daquela situação. Sapphire e Zinnia observavam com atenção como aquela batalha seguia. Ambas sabiam o que fazer para contornar aquele problema, e sabiam que havia uma solução imediata ao alcance de Ruby, mas as duas decidiram não falar. Elas sabiam que Ruby estava tentando evoluir sozinho, e decidiram deixá-lo descobrir a solução por conta própria.


Ok, não posso ficar nervoso — Ruby fechou os olhos por um instante para começar a refletir. — A Vivi, a Sapphire, a Zinnia e a Miriam sempre disseram a mesma coisa, que o importante é manter a calma nesses momentos. Pensando bem, meu pai já dizia isso quando eu era criança. Manter a calma é uma parte fundamental da batalha. Ficar nervoso não vai ajudar o Treecko em nada, preciso observar os arredores pra ver o que dá pra fazer em um momento como esse.


O garoto abriu os olhos devagar, depois de respirar fundo. Teve a sensação de enxergar o ambiente com mais clareza, como se antes o nervosismo fosse um véu enevoado. Começou a escanear o local, lado a lado, na tentativa de encontrar qualquer coisa. E então seus olhos estacionaram na toalha onde Sapphire havia colocado as berries alguns minutos antes. Ruby ficou encarando as frutas por um tempo, como se as peças do quebra-cabeça começassem a se encaixar em sua mente.


— Boa, Ruby. É isso mesmo — Zinnia sussurrou satisfeita. Sapphire também deu um sorriso.


Ele se agachou e pegou uma das frutas, pequena e rosada. Ela não era volumosa, apenas um pouco comprida, com a extremidade mais pontuda. Uma Persim Berry, ideal para livrar Pokémons do estado de confusão.


Ruby rapidamente pegou a fruta e foi até o Treecko. O garoto agarrou o braço do seu parceiro e deu a fruta na mão dele. Jeff olhou para o menino, ainda desnorteado, mas se esforçava para ouvir o que ele estava dizendo.


— EsTa bErRy VaI tE aJuDaR! VoCê PrEcIsA cOmEr IsSo! CoMA isSO! Treecko, coma isso!


Jeff comeu a fruta assim que identificou a mensagem. Aos poucos sua dor de cabeça se dissipou, sua visão ficou mais clara e seus pensamentos agora pareciam seus novamente. Ele olhou para as próprias mãos, como quem havia acabado de tomar consciência de onde estava.


— Eita, brisa ruim da desgraça — o Treecko então olhou para Oswin. — Foi você que fez isso?


— Isso mesmo. E agora toma cuidado, essa era a última Persim que tinha aí no meio. Se eu te colocar em confusão de novo, acabou pra você.


Jeff fez menção de ir até o Spoink tentar resolver por conta própria, mas parou e esperou por Ruby. Ele era o treinador, afinal. Então o lagarto ia seguir a batalha como ela deveria ser seguida.


— Treecko, foi a última Persim Berry. Não podemos cair nessa de novo — disse o garoto. — Mas não se preocupe, agora a gente sabe que ele tem o Confuse Ray. Eu não vou deixar você ser acertado por ele de novo.


Jeff assentiu com a cabeça e virou seu foco de volta para a batalha. Ele estalou os dedos e o pescoço, indicando que levaria aquele confronto a sério a partir dali.


— Droga, eu não tava querendo fazer isso ainda. Não quero esse pirralho se achando como se isso aqui fosse coisa dele, mas eu não tenho muita escolha. Pra não ser pego nessa confusão de novo eu tenho que acabar com isso rápido.


O Treecko foi envolto por uma luz branca ofuscante que tomou seu corpo por completo. Ruby cerrou os olhos para tentar ver melhor o que estava acontecendo, mas o máximo que conseguia identificar era a silhueta de Jeff se alongando, tanto seu tronco como seus membros.


Quando o brilho cessou, uma figura bem diferente estava em campo. Ruby sabia que aquele era seu parceiro, já tinha presenciado outras evoluções, mas não deixou de se surpreender com a forma nova que ainda não tinha visto. O pequeno Treecko agora tinha um corpo mais alto e esguio, pernas mais fortes que lhe permitiam pegar mais impulso em seus movimentos, além de uma crista formada por uma folha comprida que percorria do topo de sua cabeça até a altura da cauda que imitava duas folhas. Três folhas saíam de cada um de seus pulsos.


O garoto estava sem comentários. Zinnia sorria de satisfação, enquanto Sapphire vibrava com a evolução que tinha acabado de acontecer.


— Ruby, você conseguiu fazer seu inicial evoluir! Ele agora é um Grovyle!


O réptil olhava fixamente para Oswin, que agora tinha um semblante preocupado. O Spoink não sabia se seus ataques com potencial de confusão conseguiriam atingir aquele lagarto a tempo, já que todo o corpo dele parecia ser desenhado para garantir a ele impulso e velocidade.


— Agora você vai ver só — Jeff olhava para as folhas afiadas em seus braços, balançando-as para testar o fio de corte. — Uma pergunta. Você é religioso? Se for, já começa a rezar. Se não for, então corre porquinho, que o negócio vai ficar feio pro teu lado.


O Grovyle então se virou pra Ruby.


— E você vê se trata de chamar a garota pra uma revanche! Eu tenho contas a acertar com aquele frango frito miserável!


Ruby apenas levantou os braços e encolheu os ombros, mostrando que não tinha entendido nada do que seu parceiro havia falado. Para ele, eram apenas grunhidos.


— Ô, moleque burro...


— Não vai pensando que vai tomar a vantagem só porque evoluiu! — disse Oswin. — Eu vou acabar com essa palhaçada agora!


O psíquico preparou um novo Psybeam para tentar resolver a batalha logo, mas Jeff estava preparado para aquilo. Com sua nova velocidade e percepção melhorada, ele conseguia ver o adversário planejando o ataque com muito mais clareza.


— Foi mal, garoto, mas eu vou tomar as decisões dessa vez — disse o Grovyle. — Tem uma coisa que eu quero testar.


Quando o ataque foi disparado, Jeff apenas aguardou o momento exato em que o Spoink estaria distraído tentando alinhar a trajetória do raio e se impulsionou para o lado e depois se atirou para a frente com um Quick Attack, como ele e Ruby haviam tentado anteriormente.


Oswin, acreditando ser a mesma estratégia de antes, se virou para trás para tentar bloquear o Pursuit com seu Confuse Ray, já que da outra vez tinha se provado um contra-ataque muito eficaz. Mas ele se assustou ao ouvir a voz do Grovyle no lugar exato de onde ele tinha desviado o olhar.


— Errou, garoto.


Jeff ergueu seus braços, e as folhas em seus pulsos começaram a brilhar em um tom vívido de verde. Ele desferiu dois golpes em sequência, alternando os braços em movimentos de corte transversais. A força do ataque foi suficiente para derrubar o Spoink desacordado. Era uma técnica recém aprendida, Leaf Blade.


Percebendo que a batalha estava terminada, Ruby se apressou em pegar uma Pokéball de sua mochila e a atirou contra o Pokémon nocauteado. Após um breve momento de apreensão, a Pokéball parou de sacudir e se estabilizou. A captura estava concluída.


Ruby foi até o aparelho, o pegou e ficou olhando pra ele.


— Caramba, esse aqui deu trabalho! — disse o menino, rindo. — Ele vai ser bom demais de usar em contests de batalha também.


O garoto então percebeu que o Grovyle o encarava com uma expressão não muito agradável. Ele parecia saber do que se tratava.


— Calma, você sempre vai ser a primeira opção pra esses contests, mas é bom sempre ter algumas cartas a mais na manga. Nunca se sabe. Aliás, se eu estiver cero, o contest de Fallarbor é de batalhas em dupla, então...


— Muito bem, acho que já tivemos o bastante por aqui. Já deu pra conhecer bem a trilha — Zinnia chamou a atenção dos mais jovens. — Vamos pra Lavaridge? Eu quero descansar um pouco.


Com uma adição na equipe, Ruby sentia suas habilidades em batalha melhorarem aos poucos. Mas talvez o grande ganho naquele dia era a confiança do garoto, que crescia na medida em que ele apresentava melhoras. Agora ele poderia descansar um pouco em Lavaridge antes de começar a se planejar para o próximo contest.


O trio começou a descer a trilha de volta para a entrada da cidade. Dessa vez, o foco maior estava por conta de Sapphire, que tinha um importante desafio se aproximando. E ela sabia que não seria tão fácil quanto os boatos faziam parecer.


FIM DO CAPÍTULO

  


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