De volta às origens!


Saudações, amigos!

Depois de ter feito um mistério bem meia-boca na quarta-feira estamos de volta para dizer o que todos já sabiam! Ou pelo menos os mais atentos sabiam e saíram espalhando pra todo mundo...

É com muito prazer que anunciamos o retorno da região de Kanto à lista de regiões preenchidas da Aliança Aventuras! Dessa vez ela estará sob o comando do nosso companheiro Killer of Murder.

O Killer já é um velho conhecido da equipe. Eu nunca havia tido a oportunidade de conversar com ele, mas sabia quem era porque ele fazia parte do saudoso blog Arena Pokémon, que foi parceiro da Aliança por muito tempo. O fato é que ele já está há alguns dias no grupo, e já vi que é um cara muito daora. Inclusive eu li o primeiro capítulo que ele preparou pra AEK e vou dizer uma coisa: ficou muito bom! Se vocês tiveram crises de nostalgia com os anúncios de Let's Go Pikachu/Eevee, então a fic dele vai mandá-los de volta a 1996, com certeza!

Ao Killer fica meu desejo de boa sorte. Estaremos acompanhando as coisas em Kanto para garantir que você tenha tudo que for necessário para poder seguir com o projeto. Dessa vez a região onde tudo começou vai longe!

Se vocês tiverem a curiosidade de ver como ficou o blog de Kanto, é só clicar no slide da região. O Killer também deixou lá uma mensagem de boas vindas. No mais...

Gotta catch'em all!

PS: não tem nada a ver com Kanto, mas o Canas e o Dento estavam comentando algo sobre Sinnoh. Por que vocês não dão uma passada lá amanhã? Acho que vai ter coisa boa por lá também.

Temos um mistério!

A imagem em si não tem nenhum significado, só achei que ia ficar legal mesmo.
Esse título ficou muito Scooby-Doo, mas enfim...

Estava eu tranquilo essa semana me atualizando nas histórias que andei lendo lá no Spirit e quando voltei pro grupo da Aliança no Discord vi uma comoção por parte de algumas pessoas a respeito de algo bom chegando. No início achei que era relacionado a algum evento ou filme novo, porque geralmente quando a emoção toma conta deles assim é por algo desse tipo. Só que... Dessa vez estava diferente. Não sei como explicar melhor.

O que sei é que depois que me explicaram eu vi que é coisa boa! Boa mesmo! E acredito que vocês vão gostar. E nisso vocês devem estar se perguntando:

O que será que é?
Bem, isso eu não estou autorizado a contar pra vocês, sob ameaça de demissão inclusive, mas o que posso dizer é que sexta vocês vão ficar sabendo (até colocarei um post aqui revelando o que é). Mas pra ajudar a passar o tempo até lá, que tal um jogo? Uma caça ao tesouro, de repente?

O Canas andou espalhando umas pistas por aí. Será que vocês são capazes de encontrá-las e juntar as peças do quebra-cabeças até o meio-dia de sexta? Veremos. Mas sinceramente, tá fácil!

Então até sexta!
Eu sou horrível em criar mensagens enigmáticas...

Notas do Autor - Capítulo 10


Se vocês estavam pensando que eu ia deixar AEH entrar em mais um hiato de 1 ano... Bem, a teoria de vocês tinha embasamento histórico sim, MAS NÃO DESSA VEZ!

Meus caros, que capítulo difícil de sair! Não sei quantas vezes abri o Word para poder escrevê-lo e fiquei encarando a tela sem conseguir digitar uma letrinha que fosse. Muito tempo sem escrever contests, então eu já imaginava que ia tomar um prejuízo. Mas não achei que fosse ser tão complicado.

Bem, nesse capítulo em particular eu tenho que agradecer a duas pessoas que me ajudaram a construir algumas apresentações, e são conhecidos de vocês kkkk São o Lord Aurum e o Dento. O primeiro me ajudou criando a apresentação do Ruby, e o segundo deu uma contribuição na apresentação do Ruby e criou a apresentação do Wally. Era justamente a parte do capítulo onde eu estava tendo dificuldades. Depois de rever os modelos das apresentações eu consegui criar a apresentação da Emily — e não foi por isso que ela venceu, isso já estava planejado kkkkk Tanto que avisei a eles que Ruby e Wally perderiam a competição nesse primeiro momento. Mas mesmo assim fica aqui os créditos e meus agradecimentos. Sem eles talvez este capítulo ainda não estivesse pronto.

E fechamos 10 capítulos, olha só! Eu costumo sempre brindar com o Canas quando uma meta de dezena é atingida. Sei lá, é uma sensação boa quando você alcança os múltiplos de 10. Na Hoenn antiga eu consegui esse feito cinco vezes. Na nova não sei quantas vezes vou festejar esse tipo de marca, mas é porque eu não sei quantos capítulos a história vai ter. Mas não muda o fato de que pretendo ir até o fim desta vez!

Agora é rumo a Dewford! Mas antes daremos uma pausa para a Camila enfrentar seu primeiro desafio na Batalha da Fronteira. É, meus amigos, finalmente ela vai entrar em cena. E se me lembro bem ela ainda não batalhou nessa versão nova da história. Hehehe, hora de vocês verem do que ela é capaz.

Obrigado a todos que sempre voltam para ler, mesmo com todas as dificuldades com relação a frequência de capítulos. O voto de confiança de vocês é mais do que o suficiente para que eu continue com a história.

Antes de fechar essas notas eu tenho mais dois avisos!

1 - As fics Aventuras em Johto e Aventuras em Hoenn começaram a ser postadas no Spirit também. Se algum de vocês tiver conta e preferir ler por lá, fiquem à vontade. Mas lá no site só os capítulos da história principal serão postados. Aqui no blog vocês continuarão tendo a vantagem do conteúdo extra (especiais, fichas de personagens, etc).

2 - A Aliança agora tem um grupo no Discord! Lá temos alguns autores da equipe e alguns leitores participando. Trocamos ideia sobre as histórias sempre, e lá vocês vão ter mais facilidade para saber o que se passa nos bastidores (por que um capítulo atrasou, ou se tem alguma novidade vindo), qualquer atualização vocês vão saber logo de cara, sem precisar ficar esperando aparecer alguma coisa por aqui. A gente dá preferência para a galera que frequenta os blogs e comenta bastante, porque são rostos que a gente já conhece, então temos mais segurança em colocar no grupo e manter o ambiente bem amigável. Caso tenham interesse, podem mandar um e-mail para mim (está na página de contato), para o Canas (você encontra na página de contato de Sinnoh) ou para o Dento (endereço está na página da Área do Leitor em Johto).

Acho que é isso que tenho para dizer essa semana. Espero que tenham gostado do capítulo, e aguardo os comentários de vocês dizendo o que acharam.

Ah, e o capítulo 11 está fluindo rápido! Esse não vai demorar!

Até lá! õ/

Capítulo 10

Avante, nova geração!


O público começava a lotar o Contest Hall de Rustboro. A competição que ali aconteceria em instantes simbolizava o início daquela temporada, onde coordenadores de todos os cantos do mundo competiam para coletar cinco fitas e se classificar para o Grande Festival. Ruby estava sentado em um banco dentro de um camarim onde os competidores se preparavam. 

Olhava para baixo, entrelaçando os dedos das mãos enquanto suas pernas chacoalhavam de ansiedade. Havia tido treinamentos proveitosos com Camila, e as anotações que fizera sobre seus dois Pokémons o ajudou a identificar alguns problemas. Descobriu que seu Treecko o obedecia normalmente em batalhas, mas mostrava muita resistência na hora de fazer apresentações artísticas. Skitty era hiperativa, e por conta disso muitas vezes acabava não prestando atenção nos seus comandos. 

Não tinha mais tempo para corrigir os problemas ou tentar uma solução alternativa, mas identificar o que poderia dar errado já era um começo. No entanto, isso não mudava o fato de que era sua primeira experiência real competindo. O medo de fracassar o consumia. Tentava conter sua respiração angustiada, mas sem sucesso. A tensão já havia tomado conta de sua mente.

Talvez eu deva me trocar logo — pensou, já se levantando para ir ao vestuário.

Assim que começou a caminhar Ruby esbarrou em uma garota que passava por ele, derrubando algumas coisas que ela carregava consigo. Antes que pudesse pedir desculpas o garoto foi rapidamente repreendido pela outra. 

— Você é cego, por acaso? 

Ele em um primeiro momento pareceu não assimilar a pergunta, mas após alguns segundos organizando os pensamentos finalmente questionou. 

— Falou comigo? 

— Está me vendo dirigir a palavra a mais alguém? — a menina parecia cada vez mais estressada.

Ruby abriu um sorriso de canto, já percebendo a situação, e não economizou em seu habitual sarcasmo, que ele usava muito para perturbar pessoas que lhe faltavam com a educação. 

— Primeiro você me pergunta se eu sou cego, e agora se eu estou enxergando... Me desculpe senhorita, mas eu não estou te compreendendo. 

— Não sou do tipo que vai responder suas ironias, seu idiota — a garota rapidamente trombou propositalmente seu ombro com o de Ruby, afastando-o de forma grosseira. — Sai da frente!

Ruby acompanhava com o olhar a garota em direção a um vestuário enquanto ostentava um sorriso triunfante, mas foi desperto de seus pensamentos ao ouvir uma voz já conhecida lhe dirigindo a palavra. 

— Fazendo novas amizades, pelo visto — dizia Wally, que havia acabado de entrar no local. — Você não mudou nada. 

— O que você faz aqui? — Ruby perguntou, tentando em vão disfarçar a surpresa. 

— Eu vim competir. 

— Você não ia disputar a Liga? Você nunca me disse que se tornaria coordenador!

— Disputar a Liga não me impede de participar de contests. Eu acabei me interessando há pouco tempo, mas não te contei porque queria fazer essa surpresa hoje. 

— Que ótimo, essa foi a pior notícia do dia — o garoto agora ria enquanto falava em tom de brincadeira. — Você conhece meu estilo de coordenar, só por isso eu já estou ferrado! Não sei nada sobre você. 

Wally riu da maneira como Ruby tornava a situação um grande drama pessoal. Ele repousou a mão em um dos ombros do amigo, tomando a atenção da conversa para si. 

— Posso saber de suas preferências, mas não sei como você fez para adaptá-las aos seus parceiros de equipe. Além disso, é óbvio que você amadureceu desde aquela época. Não é possível que suas qualidades não estejam mais refinadas hoje.

— Você tenta ser modesto, mas sempre acaba sobressaindo. Já não basta o trabalho que você vai dar pra Sapphire, e agora veio me tirar meu sono também... 

— Isso é coisa da sua cabeça. Não estou aqui pra ser melhor que ninguém, eu faço por gostar mesmo. Vamos dar o nosso melhor!

• • •

Camila e Sapphire tentavam passar pelo meio da multidão que tomava conta do saguão do Contest Hall. Com muita dificuldade elas conseguiram encontrar um espaço mais aberto. Tão logo chegaram no local, as meninas respiraram fundo, como se tivessem acabado de se desprender de uma jaula submersa. 

— É possível que caiba tanta gente aqui dentro? Parece que o prédio vai transbordar! — dizia Camila. 

— Eu não sei, mas talvez seja uma boa ideia a gente ir para a arena agora — Sapphire observava com atenção os arredores para encontrar a porta que dava acesso às arquibancadas. — Ou a gente pode acabar ficando sem lugar para sentar. 

— Essas festinhas são tão populares assim por aqui?

— Nem te conto. As meninas da escola onde eu estudava só pensavam nisso. Tanto é que eu andava com os garotos mesmo, porque elas diziam que eu era uma troglodita por preferir batalhas. Como se eu me importasse. Na hora que o prédio estiver caindo aos pedaços eu posso me salvar sozinha, enquanto elas esperam por seus heróis. 

Sapphire então teve sua atenção presa quando viu uma bela mulher caminhando para uma área de acesso à arena. Era alta e tinha cabelos loiros. Vestia-se como uma dama da alta sociedade, exibindo um sofisticado vestido roxo. Várias pessoas tentavam se aproximar dela, mas alguns seguranças em volta a protegiam do assédio dos fãs.

— Onde foi que eu já vi aquela mulher antes? — a menina questionou, falando bem baixo. 

— Sei lá, mas ela é linda — disse Camila. — Parece até uma rainha.

• • •

Ruby já estava pronto para sua apresentação. Ele usava um traje bastante chamativo, cuja cor predominante era um vermelho bem forte. Dessa vez não usava sua habitual touca branca, mas seus cabelos estavam propositalmente bagunçados para dar um ar provocativo ao garoto. Em suas mãos havia alguns balões vazios, que provavelmente seriam cheios na hora de sua apresentação.

Ele olhava a sala de espera dos competidores a procura de Wally. Não havia sinal do amigo ainda, então ele resolveu se sentar e ficar esperando. Foi surpreendido quando a mesma garota de antes se sentou ao seu lado, agora vestida de forma diferente. As roupas mais estilosas de antes agora davam lugar a um delicado vestido de época, de cor levemente rósea e com alguns detalhes em branco, combinando com um penteado mais antiquado que a fazia parecer uma boneca de pano. A única coisa que faltava nela para isso era a simpatia, substituída pela mesma expressão emburrada de mais cedo. 

O menino não conseguia ignorar o atrito que havia tido com ela algum tempo antes, então não foi capaz de esconder o desconforto. 

— Perdeu alguma coisa? 

— Você é o dono desse sofá, por acaso? — a garota rebateu de forma ríspida.

• • •

A multidão já tomava conta das arquibancadas do Contest Hall, de modo que não fosse possível ver nenhuma cadeira vazia. Era comum algumas pessoas pegarem lugar encostadas nas grades de proteção das passagens superiores da arena, mas logo eram retiradas de lá pelos seguranças, para que não houvesse riscos de acidentes que pudessem prejudicar a organização do evento. 

Ao centro da arena estava o palco onde seriam realizadas as apresentações. Logo em uma das beiradas havia uma mesa elegante com três assentos, que provavelmente seriam ocupados pelos jurados da competição. 

O público cessou as conversas no mesmo instante em que uma mulher se dirigiu até o palco principal. Aparentava ter por volta de trinta anos de idade e possuía vestes até modernas, mas sem perder o toque de elegância. Ela segurava um microfone em uma das mãos, enquanto a outra levava uma espécie de cartão de onde ela tirava as informações pertinentes ao evento. 

— Senhoras e senhores, presentes na arena ou nos assistindo de toda Hoenn! Estamos ao vivo aqui no Contest Hall de Rustboro para dar início à temporada de contests desse ano! — a mulher pronunciava cada palavra mantendo o mesmo nível de entusiasmo para contagiar a platéia, tendo sido provavelmente treinada para isso. — Meu nome é Harriet, e eu serei a locutora desse grande espetáculo que começará em alguns minutos! 

Em seguida três pessoas entraram no palco e caminharam em direção a mesa dos jurados. Cada um se sentou em um dos lugares, sendo acompanhados dos aplausos do público presente.

— Gostaria de apresentar ao público os jurados dessa temporada! O primeiro, já conhecido por todos, é o grande Frederick Shearer! 

A multidão aplaudia com intensidade um homem que se levantou de seu assento na mesa dos jurados. Seu cabelo loiro que já começava a perder a cor e algumas rugas leves no rosto denunciavam que já possuía pelo menos cinquenta anos de idade. Apesar da seriedade, Frederick sorriu de forma serena, cumprimentou o público com uma reverência digna de um lorde e por fim sentou-se novamente.

Os coordenadores que iriam competir podiam acompanhar os acontecimentos do palco através de um televisor instalado na sala de espera. Ruby observava atento o aparelho, a fim de conhecer os jurados que decidiriam se ele avançaria de fase ou não, enquanto a menina ao seu lado, a mesma com quem vinha discutindo há alguns minutos, parecia apreensiva. 

— Tanta gente mais gentil para ser jurado e colocam justo esse cara... 

— O que tem ele? — Ruby questionou. 

— Você não conhece o Frederick Shearer? Sinceramente, o que você tá fazendo aqui? Ele é uma lenda das décadas passadas, um dos maiores coordenadores que Hoenn já viu. Dizem que ele é uma boa pessoa, mas como jurado de contest ele não tem piedade nenhuma.

Ruby engoliu seco. Era seu primeiro teste e já teria que passar por uma prova de fogo, tendo como grande obstáculo um ex-coordenador de alto nível julgando cada movimento que ele fosse fazer no palco. Dúvidas começaram a brotar em sua mente. 

Eu devia ter me preparado melhor... — pensou o garoto, mas logo sacudiu a cabeça como se negasse aquelas palavras. Não era hora de demonstrar incertezas.

— A segunda pessoa a julgar a competição de hoje também é uma personalidade muito importante em Hoenn — Harriet anunciava entusiasmada. — Recebam Glacia, integrante da Elite 4 de nossa região, a treinadora do tipo gelo mais poderosa que esse mundo já viu! 

A dama de vestido roxo jogou seus cabelos dourados para trás e levantou-se devagar. Em seguida, segurou as laterais do vestido e fez uma reverência para a platéia. Sentou-se de novo em seu lugar, e trouxe o microfone da mesa para perto. 

— Será um enorme prazer acompanhá-los nessa temporada. Muitos podem estar estranhando o fato de uma treinadora da Liga Pokémon estar em um contest, mas dou a minha palavra de que não vou desapontá-los. Meus julgamentos serão precisos e criteriosos com os jovens coordenadores que teremos nesta temporada, e no que depender de mim apenas os melhores conquistarão seus objetivos. 

— A Glacia é uma espectadora assídua dos contests e do Grande Festival desde que era uma garotinha — a locutora agora explicava. — Seus conhecimentos a respeito de coordenação Pokémon são muito maiores do que vocês imaginam! Ou achavam coincidência ela ser conhecida por batalhar com tanta elegância na Liga? 

Sapphire estava de queixo caído. Nem em seus maiores sonhos imaginaria em encontrar um membro da Elite tão próximo a ela. Por um momento pensou que estar naquele Contest Hall valeu a pena. Não conseguia mais prestar atenção em nada do que acontecia. Apenas um sorriso estampava sua face como uma criança eufórica, imaginando se haveria alguma possibilidade de falar com Glacia pessoalmente após o fim do contest.

Na sequência Harriet deu continuidade à introdução do contest. Explicou que a pessoa designada para ocupar o terceiro cargo de jurado da competição estava ausente por problemas de saúde, mas não se aprofundou em detalhes. Apenas disse aos espectadores que na próxima competição eles descobririam quem é. E assim, após um resumo de como funcionaria o concurso, virou-se para as câmeras de televisão e chamou os comerciais.

• • •

A fim de não ser engolido pela ansiedade Ruby decidiu caminhar um pouco pela sala de espera. Mas o local não era tão espaçoso, então pouco adiantou. Por vezes desejava não estar ali. Tudo seria muito mais fácil se apenas acompanhasse Sapphire e Camila em viagem. Provavelmente já teriam até saído da cidade. Mas agora não tinha mais volta. Mesmo que pedisse para ir embora sua desistência seria anunciada publicamente, o que seria uma vergonha ainda maior do que qualquer derrota que pudesse sofrer.

Andava inquieto, de um lado para o outro. O traje, antes confortável, começava a parecer mais quente. Procurava por algum lugar que ficasse na reta de um ventilador, pois não queria entrar para se apresentar com marcas de transpiração. Foi desperto de seu transe apenas quando sentiu o toque de uma mão em seu ombro direito. Se tranquilizou ao virar para trás e descobrir que se tratava de Wally, que trajava um terno básico.

— Você está quase passando mal. Aqui — o amigo então lhe estendeu uma garrafa de água. — Eu também estou nervoso, mas de que vai adiantar entrar em pânico? 

— É o nosso primeiro contest — Ruby pegou a garrafa, mas não a abriu. — Estou com um pouco de medo de as coisas não saírem como o planejado. Acho que não treinei o suficiente.

Ruby começou a soltar um riso baixo de nervosismo. Wally apenas o encarava com um semblante de preocupação. 

— Se a Eliza me visse agora, ela teria vergonha. 

— Não, não teria — Wally segurou firme os dois ombros de Ruby, quase o forçando a olhar em seus olhos. — Relaxa, você está se punindo antes da hora. Isso sim vai atrapalhar a sua apresentação. Só fica calmo, e quando for chamado vai lá e faz o que você sabe. 

O menino então soltou seu amigo e parou para coçar seus cabelos esverdeados. 

— Você sempre foi esperto, vai saber se virar se alguma coisa acontecer. Para com essa falta de confiança e faz o seu melhor. Se não der certo é só treinar mais. Eu estou aqui porque aprendi muita coisa andando com você naquela época. Se você mostrar tanta desconfiança em si mesmo, então eu vou começar a pensar que aprendi tudo errado desde o começo!

Ruby aos poucos foi se acalmando. Wally suspirou aliviado ao ver que havia conseguido tirar o amigo do estado de pânico. 

— Ruby, você se lembra do Billy? 

— O "Big Billy"? Aquele garoto enorme que roubava o dinheiro de todo mundo no intervalo, me chamava de marica por gostar de contests e dizia que seria um treinador que superaria o Lance? Muito obrigado por me lembrar que esse troglodita imbecil existe. 

— Mas era exatamente isso que eu ia te dizer. Ele vivia te zoando por querer ser coordenador, mas naquele dia que recebemos a visita do Professor Elm na escola e ele nos deixou batalhar com alguns Pokémons você deu uma surra no Billy. 

— Tsc, qualquer um teria dado. Me pergunto se aquele Ursaring fedido conseguiu ser alguém na vida. Como treinador ele mostrou que é mais imprestável do que eu imaginava. Não que como pessoa ele também não seja...

Os dois riram com as lembranças. Os problemas daquela época agora pareciam tão banais que chegavam a ser cômicos. 

Ruby agora mostrava um sorriso confiante, o que de certa forma também incentivava Wally. Se antes havia dúvidas contaminando a atmosfera daquela sala, agora tinham a velha amizade da infância para que se sentissem mais capazes. 

— Estou mais tranquilo agora — disse Ruby. — Talvez fosse só coisa da minha cabeça mesmo. 

— Qualquer seja o resultado de hoje, será um bom aprendizado para nós dois.

Ambos então tiveram sua atenção atraída quando Harriet anunciou a volta das transmissões do evento. Alguns organizadores entraram na sala de espera e sinalizaram que o evento estava prestes a começar. Os coordenadores presentes de imediato se colocaram em estado de alerta, aguardando o momento de serem chamados.

— Sei que vocês já não estão se aguentando de ansiedade, então vamos dar início logo às apresentações! — Harriet vibrava cada vez mais com a chegada das apresentações. — A primeira coordenadora a se apresentar será Emily! 

Os olhares de todos procuravam a pessoa chamada na sala. Ruby notou que se tratava da garota com quem havia se estranhado anteriormente e apenas a acompanhou com o olhar enquanto ela se dirigia ao palco, sendo recebida com os aplausos do público. 

— De acordo com a ficha que tenho em mãos, a jovem Emily vem da cidade de Mauville e está competindo pela primeira vez — dizia Harriet. — Que incomum iniciarmos a temporada com a apresentação de uma estreante! Emily, boa sorte e dê o seu melhor!

A garota fez uma breve reverência para o público e iniciou sua apresentação lançando para o palco uma Pokéball de onde saiu um Volbeat. Alguns presentes ficaram curiosos com a escolha incomum da coordenadora, que esboçou um sorriso de canto ao perceber que já começava a atrair a atenção das pessoas. 

— Comece com o Double Team!

O pequeno inseto parou no ar por um instante, aumentando a própria concentração para em seguida começar a criar réplicas dele próprio ao redor do palco. Algumas crianças esboçavam euforia, mas o público mais velho não parecia se impressionar, visto que se tratava de uma técnica comum, bastante usada nas apresentações. Frederick e Glacia permaneciam observando da mesa de jurados, sem esboçar qualquer expressão diferente. 

— Calma gente, estou só começando — Emily sussurrou. 

A coordenadora em seguida fez um sinal para os assistentes de palco, indicando para que fizessem o que havia sido combinado antes da apresentação. No mesmo instante as claraboias do Contest Hall foram fechadas e as luzes de todo o salão apagadas, deixando tudo na mais completa escuridão. Alguns sussurros de curiosidade eram ouvidos vindo das arquibancadas, até que a voz de Emily ganhou destaque novamente. 

Moonlight!

O Volbeat original voou até o centro do palco e concentrou suas energias mais uma vez. Porém, o que se viu em seguida foi uma reprodução da lua cheia trazendo uma iluminação noturna para o palco. Mesmo sendo uma projeção as pessoas se impressionavam com o realismo da ambientação ali criada, e aguardavam o que seria o clímax daquele espetáculo. 

— Agora use o Tail Glow!

Os vários Volbeats ao redor do palco iluminaram suas caudas e iniciaram uma dança sincronizada. Alguns outros voavam por cima do público, ampliando a imersão das pessoas que assistiam a apresentação. 

Quando a dança cessou e o palco retornou à sua iluminação original, apenas Emily estava ali com seu único Volbeat pendurado em seu ombro. Os aplausos sonoros eram a confirmação de que pelo menos o público a menina e seu companheiro inseto haviam conseguido impressionar. Faltava apenas os jurados.

— Por um momento me vi decepcionado pela senhorita recorrer a uma técnica tão comum quanto o Double Team, mas o que se viu em seguida foi uma agradável surpresa! — Frederick fez então uma breve pausa, ajeitando os óculos. — Não consigo acreditar que foi a sua primeira apresentação. Acho que a Harriet está mentindo. 

O comentário final do lendário coordenador arrancou risos dos espectadores, assim como da própria locutora. Emily agradeceu com um enorme sorriso no rosto, por saber o quão difícil era impressionar o jurado que havia acabado de lhe aprovar. Virou-se então para Glacia, que mantinha seu semblante sereno como sempre.

— Na minha introdução eu disse que seria bem criteriosa com os competidores desse contest. E logo de primeira os organizadores me presenteiam com uma coordenadora com tanto potencial que eu serei obrigada a me contradizer em meu primeiro veredicto. Você foi maravilhosa, meus parabéns.

Emily agradeceu aos dois jurados, fez um último aceno à platéia e caminhou de volta para a sala de espera com um ar triunfante. Ao passar por Ruby ela olhou de relance para o garoto com um sorriso debochado, como se o convidasse a fazer algo no mínimo do mesmo nível. O garoto agora voltava a ficar tenso, percebendo que não teria apenas que competir contra suas próprias limitações, mas sim superar outros coordenadores provavelmente tão qualificados quanto a que havia acabado de se apresentar.

Pouco mais de uma hora se passou desde então. Os coordenadores faziam suas apresentações, e muitos deles já recebiam sua reprovação imediatamente após o fim das exibições. Frederick e Glacia não faziam questão de esconder a insatisfação com os movimentos mais banais e combinações que não faziam o menor sentido para eles. Mesmo alguns competidores que eram aplaudidos pelo público foram duramente criticados.

Era chegada a vez de Ruby. Os joelhos do garoto quase desmontaram quando ouviu seu nome ser chamado ao palco, por mais que Harriet mantivesse o tom de voz simpático de sempre.

Ele atravessou o corredor de acesso à arena, segurando os balões que agora cheios exibiam formato de corações, e quando se viu na área central foi recebido por aplausos pelos dois lances de arquibancadas cheias. Não seria surpresa se ali houvesse pelo menos duas mil pessoas, além de todos os que estavam assistindo pela televisão.

— Que recepção calorosa para o Ruby, um dos vários estreantes presentes aqui hoje! — Harriet exaltava o coordenador novato, o que só lhe deixava ainda mais aflito. — Conta pra gente, Ruby. É verdade que você veio da região de Johto? 

O menino respirou fundo para ganhar algum tempo e se preparar para não acabar gaguejando na resposta. 

— Sim, é verdade. Mais precisamente da cidade de Violet. Mas a minha família veio morar em Petalburg há um tempo. 

— Que interessante! Sejam bem-vindos a Hoenn, Ruby e família que com certeza está nos assistindo agora! Boa sorte, e mostre o que você tem de melhor!

O garoto sacou sua Pokéball e após encará-la por um instante a arremessou de forma elegante para o palco. 

— Muito bem Skitty, é a sua vez! 

A pequena criatura felina entrou em cena fazendo uma pequena acrobacia antes de aterrissar com suavidade no chão, onde permaneceu olhando a platéia com sua expressão travessa. Começou então a lamber uma de suas patas, arrancando alguns suspiros do público.

Ruby logo soltou os balões que estava segurando, e os mesmos ficaram a flutuar livremente no palco. O garoto, que aos poucos começava a perder a timidez, abriu um sorriso discreto, 

— Utilize o Attract para mandar os balões para a platéia!

Skitty liberou pequenas porções de energia com formato de corações vermelhos para acertar os balões no palco. A precisão com que o movimento era executado encantava os espectadores, que naquele momento viam os balões flutuarem sobre suas cabeças.

Sing

Com a ordem de Ruby sua pequena parceira iniciou uma canção bela e peculiar. A melodia lenta e pacífica causava na platéia uma sensação de relaxamento. Alguns até esboçavam feições de sono seguidos de curtos bocejos. Ao mesmo tempo, notas musicais multicoloridas vagavam pela arena se juntando aos balões e aos corações oriundos do Attract. O coordenador gesticulava com os braços como um regente guiando uma orquestra.

— Hora de mudar o ritmo. Disarming Voice!

A canção de Skitty continuava, porém a sonoridade antes terna agora era mais elevada e aguda, parecendo carregar desta vez um pouco de aflição. Novos corações surgiam no palco, porém com um tom de cor róseo. O canto se tornava cada vez mais alto e dramático, e quando chegou ao seu ápice os balões estouraram espalhando um véu de brilho de cor branca e aroma perfumado pelo palco, causando no público e nos jurados um misto de sensações confortantes. 

Percebendo que havia dominado a apresentação, Ruby sorriu e direcionou seu olhar para Skitty, que entendeu prontamente o sinal que seu mestre lhe fez ao assentir com a cabeça. O garoto retirou de um dos bolsos da jaqueta de couro uma esfera branca, que nada mais era do que uma bomba de ar com uma pequena porção de brilho embutida. 

Ruby arremessou a esfera para o alto e ordenou o movimento final. Skitty saltou e acertou um Tackle, fazendo a bomba de ar explodir e liberar uma nova camada brilhante que tomou conta do palco. Por fim, a felina se colocou acima da cabeça do garoto e os dois reverenciaram o público, que respondeu com aplausos fervorosos.

Após os espectadores se acalmarem, os jurados enfim puderam dar suas opiniões. Ruby estava pronto para descobrir se sua apresentação foi o suficiente para agradar Frederick e Glacia.

— A Skitty é adorável. Vocês se saíram muito bem, mas sinto que ainda há algo faltando — comentou Glacia. 

— Se me permite, acho que sei o que é — Frederick tomou a frente. — A apresentação foi bela e bem planejada. No entanto, um conselho que dou a você é deixar que a Skitty apareça um pouco mais. Vocês dividiram muito a atenção em palco, e o foco dos contests devem ser sempre os Pokémons. Nós coordenadores somos apenas guias que os ajudam a brilhar. 

Glacia e Frederick trocaram olhares, e a treinadora da Elite assentiu com a cabeça. 

— Estou de acordo. É isso mesmo. Mas destaco por outro lado o excelente trabalho que você fez com sons e aromas aliados ao espetáculo visual. Esse trabalho com diferentes sensações foi o grande diferencial da sua apresentação, o que a fez sair um pouco do comum. Parabéns por ter feito algo assim em sua primeira exibição.

Ruby agradeceu os jurados e fez um último cumprimento antes de deixar o palco. Caminhava pelos corredores um pouco mais tranquilo. Não sabia se seria o suficiente para conquistar o primeiro lugar, mas sabia que tinha se saído bem melhor que muitos outros competidores. 

Ao atravessar a porta da sala de espera notou que Wally sorria satisfeito. Emily o encarou por um momento, mas quando Ruby percebeu ela na mesma hora desviou o olhar.

— Você foi ótimo! — Wally comemorava como se fosse uma vitória dele próprio. — Com uma apresentação dessas eu não duvido que você pelo menos fique entre os primeiros! 

— Não sei, os jurados apontaram algumas falhas — Ruby coçava a cabeça ao mesmo tempo que exibia um sorriso sem graça. — Mas é verdade que as coisas saíram bem melhor do que eu esperava. Eu tive um pouco de receio de que a Skitty acabasse se distraindo com alguma coisa.

— Basta continuar treinando que esses problemas vão desaparecer com o tempo. 

— Bem que você podia me passar algumas dicas, já que é um treinador que vai competir na Liga Pokémon.

A intenção de Ruby era apenas a de descontrair o ambiente, e isso podia ser notado em seu tom de brincadeira. Porém, ele logo percebeu que Wally não estava rindo. Não só isso, como vários dos coordenadores presentes encaravam ambos com um misto de surpresa e desconfiança. Alguns dos olhares inclusive demonstravam até certo desprezo.

— O que deu nessa gente? 

— Você meio que... — Wally tentava encolher a cabeça entre os ombros. — Tocou em um assunto delicado.

O garoto puxou seu amigo pelo braço, levando-o para um canto mais isolado do local. Assim que foi solto, Ruby olhou mais uma vez para os demais coordenadores. A maioria já havia voltado suas atenções para outras coisas, enquanto alguns conversavam entre si por vezes olhando de relance para a dupla e lançando olhares de julgamento. 

— Não me lembro bem de como era a relação entre treinadores e coordenadores lá em Johto, mas aqui em Hoenn não é das melhores — pontuou Wally, mantendo um tom de voz mais discreto. 

— O que quer dizer? 

— Você sabe que os contests tiveram origem em Hoenn, não é? Por isso alguns coordenadores daqui parecem ter algum tipo de necessidade de afirmar superioridade. Não sei como é pra dizer a verdade, mas treinadores são quase odiados por eles.

Ruby não teve tempo de dizer mais nada, pois nos segundos que se seguiram Harriet fez a chamada para que Wally fosse se apresentar. Seu amigo engoliu seco, e tentava conter o tremor involuntário, quase imperceptível, que tomava conta de seu corpo.

Wally sentia seus ombros e seu peito pesarem. Sentia que as crises de asma, da qual tanto havia lutado para se livrar, poderiam voltar a qualquer momento. Retirou de um dos bolsos de sua camisa um inalador, que carregava consigo para o caso de emergências, mas após um breve instante o colocou de volta. Apertou os punhos e ergueu a cabeça, chamando para si todos os olhares e comentários de julgamento que lhe eram direcionados. 

Caminhou em direção à porta de acesso, e não havia percebido que um coordenador estava encostado na parede logo ao lado, como se aguardasse sua vinda. 

— Espero que aprenda que contests não são para a "ralé" — o rapaz tinha malícia em seu sorriso, como se já esperasse por alguma reação de submissão de seu alvo. 

— Então por que não vai embora? — ambos foram surpreendidos ao ouvir a voz de Ruby, que apareceu de forma repentina logo atrás. — Sua apresentação foi tão vazia mesmo. Com essa falta de criatividade e um conteúdo tão superficial nas apresentações, eu sinceramente não sei o que você faz aqui ainda. Realmente acredita que vai vencer o contest, ou só está fazendo hora extra mesmo?

O garoto rapidamente substituiu o sorriso debochado por um olhar furioso na direção de Ruby, mas não respondeu. Ele apenas caminhou para outro lugar deixando os dois amigos na porta. 

— Nossa, às vezes eu queria ter essas respostas como você — Wally comentou, ainda observando o rapaz que havia tentado lhe tirar do sério. 

— Sabe como é, essa gente que fica colocando pressão costuma ter um ego muito inflado — dizia Ruby. — Então não fica tão difícil achar um ponto fraco. Agora vai lá e aproveite a sua apresentação! 

Bastou um empurrão para que Wally fosse direto para o corredor. Ruby assistia o amigo caminhar em direção ao palco enquanto tentava esconder um sentimento de culpa por ter revelado a "vida dupla" dele para tantos adversários.

Ao chegar ao final do corredor Wally parou. De onde estava já era possível ver alguns lances de arquibancadas. A quantidade de pessoas intimidava, por mais que tentasse criar coragem. Ele respirou fundo e enfim subiu as escadas que davam acesso ao palco. Sentiu o chão tremer devido a platéia que o ovacionava em sua entrada. Sabia a diferença entre as batalhas de ginásio em arenas vazias para uma competição que sempre recebia tanto público, repleto de surpresas. Com certeza seria um bom treino para lidar com a pressão dos espectadores, tanto no Grande Festival como na Liga Pokémon, as duas competições que almejava disputar.

Caminhou até o centro do palco já segurando a Pokéball, que quando lançada revelou ao público um Surskit. O pequeno Pokémon inseto deslizou com graciosidade pelo palco, arrancando alguns aplausos e olhares curiosos para si. 

— Muito bem, chegou a hora. Comece com o Sweet Scent!

Surskit espalhou pela arena um aroma doce e suave que enfeitiçou todos os presentes. Olhando para a platéia, Wally via os sorrisos encantados do público para o seu pequeno Pokémon. O garoto começava a ficar mais relaxado. 

— Brilhe com Water Sport!

O pequeno Pokémon criou uma imensa barreira de água e envolveu-se com ela, desaparecendo dos olhos atentos de todos. 

Bubble!

Algumas bolhas saíram do meio da barreira de água que se erguia cada vez mais para o alto. A cada vez que elas colidiam com as cortinas de água eram destruídas formando múltiplos arcos-íris por todo o teatro, levando o público ao delírio. Frederick e Glacia trocaram olhares surpresos e comentaram entre si a respeito da cena. 

Wally estava preparado para o golpe final. Apertou os punhos e sorriu confiante. 

— Finalize com o Quick Attack!

Surskit acelerou o passo. Rápido, pequeno e leve, tinha todos os fatores necessários para que subitamente desaparecesse do chão, pulando e subindo em direção ao teto, estourando as bolhas do golpe anterior, fazendo-as explodir em milhares de gotículas coloridos e umidificados que caíam sobre a platéia como uma suave garoa refrescante. 

O público o ovacionava de pé. Surskit pousou na cabeça de seu treinador e juntos agradeceram os animados e fervorosos aplausos recebidos. Do camarim, Ruby aplaudia o amigo. Wally realmente mostrara que tinha talento também como coordenador. Era a hora de receber a avaliação dos jurados.

— Eu tenho experiência em técnicas do tipo gelo e você demonstrou bastante domínio em algumas do tipo aquático — Glacia pontuou, demonstrando serenidade na voz. — Acho que estamos bem próximos no quesito identificação. Sua apresentação foi muito agradável, mesmo com técnicas simples você foi criativo e conquistou o público com um bom aspecto visual. Simplicidade também é uma virtude para mentes criativas. Mas embora não seja o caso, eu alerto para que você não se apegue muito a isso, para que em outras ocasiões essa simplicidade não corra o risco de ser confundida com desleixo. Mas você foi muito bem.

— As colocações da Glacia a respeito da simplicidade foram perfeitas — disse Frederick. — Foi uma apresentação muito bem guiada, seu Surskit se movimenta com elegância, mas acho que ainda é possível surpreender mais no final. Vou deixar isso como um desafio para você cumprir no próximo contest. Mas ainda assim eu lhe dou os parabéns pela ótima performance.

— E essa foi a apresentação final do contest de hoje, protagonizada por Wally da cidade de Verdanturf! — Harriet tomou para si a atenção do público. — Faremos agora uma breve pausa enquanto nossos jurados decidem qual foi a melhor apresentação do dia, para que possamos premiar o vencedor de Rustboro, o contest de abertura da temporada desse ano!

De volta à sala de espera, Wally foi recebido por Ruby em um raro momento de euforia. Sentiu uma enorme satisfação, tendo ficado realmente feliz em ver que surpreendeu seu melhor amigo, mais até do que ficou com os elogios dos jurados. Os adversários ainda o encaravam sem muito agrado, mas já era possível perceber um pouco mais de respeito nos olhares de alguns.

Minutos se passaram, mas a sensação era a de que aquele momento custava a ir embora. A aflição atingia todos os competidores. Cada espectador agora estava curioso para saber se seu coordenador favorito conseguiria a vitória. A espera só terminou quando Harriet e os jurados retornaram ao centro do palco para anunciar os resultados finais.

— Agradecemos pela paciência, senhoras e senhores — disse a locutora, que agora mostrava um envelope para todos. — Permitam-me dizer uma coisa antes de revelarmos o resultado definitivo deste contest. O que está escrito aqui dentro é algo que eu nunca presenciei, nem como espectadora, nem como locutora, função que já ocupo há dez anos. São momentos como este que me fazem ter orgulho de poder levar a todos vocês o quanto contests são competições emocionantes. Aqui dentro temos três nomes, do primeiro ao terceiro lugar, e os três possuem uma característica peculiar.

A curiosidade e a tensão aumentavam a cada frase enigmática de Harriet. Ninguém sabia o que estava acontecendo. Algumas pessoas cochichavam na platéia, trocando o que consideravam ser pistas e formulando teorias mirabolantes sobre o desfecho daquele evento. 

Na sala de espera Ruby e Wally olhavam para a tela sem sequer piscar os olhos. Emily jazia encostada em uma parede. Tentava se fazer parecer tranquila, mas a verdade é que apertava os braços com força a fim de evitar a tremedeira. 

Das arquibancadas, Sapphire e Camila observavam com atenção cada momento do anúncio do vencedor. Torciam para que Ruby conquistasse o primeiro lugar, e pareciam até mesmo entusiastas de longa data das competições de coordenação.

— Muito bem — Harriet enfim abriu o envelope, iniciando a contagem regressiva para o ápice daquele contest. — Em terceiro lugar está Ruby, da cidade de Violet, e sua Skitty! 

Os aplausos tomaram conta do local. Wally olhou sem graça para o amigo, mas percebeu que ele sorria com enorme satisfação. Ruby caminhou satisfeito até o palco para receber os cumprimentos de Harriet e dos jurados, e também para saudar o público. Apesar de toda a insegurança que teve que enfrentar no início, o garoto soube enfrentar as dificuldades e conquistar o terceiro lugar em sua estréia. Um resultado que pode não ter muito valor para alguns, mas que para ele era um grande passo de entrada para a sua carreira.

— Em segundo lugar, da cidade de Verdanturf, Wally e Surskit! 

Foi a vez do menino de cabelos esverdeados subir ao palco. Ele tinha um sorriso aberto em seu rosto e parou ao lado de Ruby. Os dois trocaram olhares motivados, sabendo que cada um deles estava ali devido a ajuda mútua que prestaram. A cooperação nos momentos de dificuldade os fizeram mais fortes e confiantes, e a recompensa por aquilo estava justamente em poderem se ver entre os melhores daquela tarde.

— E o momento mais esperado, hora de anunciar quem venceu o Contest de Rustboro! — Harriet fez uma breve pausa, uma vez que aplausos foram ouvidos. — Eu havia comentado que os três primeiros tinham algo em comum, não é mesmo? Pois aí está. Tanto como Ruby e Wally, a pessoa que conquistou o primeiro lugar também é um estreante. E isso é um motivo de grande alegria, pois mostra que a nova geração veio com tudo para tomar o seu lugar entre os grandes coordenadores de Hoenn! Recebam com aplausos, vinda de Mauville, Emily e Volbeat! Os vencedores desta competição!

Emily caminhou para dentro do palco acenando para o público e exibindo um sorriso carinhoso. Ruby tinha vontade de rir só de pensar em como aquela menina agia nos bastidores, mas teve todo o cuidado para não criar uma situação constrangedora naquele momento.

A menina recebeu um aperto de mão de Glacia e de Frederick, sendo que este logo em seguida lhe entregou a Fita que simbolizava a conquista daquele Contest, e um passo a menos para se classificar para o Grande Festival a ser realizado no final daquele ano. O público ovacionava os três primeiros colocados com aplausos intensos, mostrando que concordavam com a presença de cada um deles naquele lugar. Os jovens coordenadores sentiam uma sensação de plenitude, de que haviam cumprido suas missões ali. Seja vencer o Contest, ou simplesmente aprender sobre eles para poder obter resultados melhores da próxima vez.

• • •

Algumas horas mais tarde Ruby e Wally estavam no refeitório do Centro Pokémon da cidade, acompanhados de Sapphire e Camila. As meninas já haviam lhes parabenizado pelo ótimo desempenho no contest, e os incentivavam dizendo que as vitórias viriam nas próximas tentativas.

— Eu me sinto no paraíso! — Ruby se espreguiçou recostado no banco da mesa enquanto esticava os braços para cima. — Sinto como se tivesse tirado um peso enorme das costas. 

— Também me sinto aliviado agora — Wally concordou. — Mas devemos prestar mais atenção, porque a partir de agora estaremos em evidência como "os novatos que chegaram com tudo". 

Os garotos fizeram um high five, ao mesmo tempo em que riam de forma descontraída. 

— Ele já não parece mais o Ruby medroso de hoje cedo — Camila resolveu puxar assunto com Sapphire enquanto os outros dois não prestavam atenção em mais nada. 

— Eu prefiro que ele fique assim — a menina respondeu sorrindo. — Ele tenso daquela maneira já tava me incomodando. Amanhã vamos precisar acordar cedo para estocar os suprimentos. Então a gente vai poder seguir para Dewford. Aliás, o primeiro local da Batalha da Fronteira que você quer visitar fica no caminho, não é? 

— Exatamente! Você e o Ruby já tiveram diversão demais nessa cidade. Agora é a minha vez de chutar umas bundas!

A estadia em Rustboro caminhava para suas últimas horas. Dali em diante os pensamentos de Sapphire, Ruby e Camila estariam voltados para Dewford e para a batalha contra um dos Cérebros da Fronteira que a terceira teria no caminho. O menino não conseguiu a vitória em seu primeiro contest, mas o aprendizado no fim das contas foi positivo. Finalmente era chegado o momento de se despedir da metrópole e caminhar em direção aos próximos destinos.

FIM DO CAPÍTULO 10

   

Roxanne


Roxanne é a líder do ginásio da cidade de Rustboro, combinando sua função com o cargo de professora na Academia Pokémon da cidade, que é responsável por preparar aspirantes a treinadores para o futuro. É uma mulher jovem, porém possui grande maturidade e uma atitude séria para lidar com diversas situações, chegando algumas vezes a passar uma impressão de severidade. No entanto, é uma pessoa compreensiva e sente prazer em ajudar os treinadores mais jovens a descobrirem os caminhos para evoluir. Gosta de aplicar testes rígidos aos seus desafiantes, pois acredita que assim ela consegue extrair o verdadeiro potencial dos mesmos ao forçá-los a se adaptarem em situações de adversidade, sendo essa busca por resiliência o principal foco de seu ginásio. Se tratando de sua vida pessoal, é uma pessoa bastante reservada, evitando sempre que possível os holofotes apesar de sua fama como uma das líderes mais difíceis. Enfrentar o seu ginásio é literalmente ter que lidar com uma pedreira.

O método de seleção de desafiantes para o seu ginásio envolve a aplicação de uma prova teórica, onde os treinadores precisam mostrar que dominam os conhecimentos básicos da profissão. Do contrário, não são considerados aptos a enfrentá-la. Roxanne é uma treinadora que sempre prezou por conhecimento, tomando-o como uma característica fundamental para quem quer alcançar patamares maiores. Por isso sempre foi uma devoradora de livros. Possui um interesse por história, que combinou perfeitamente com o fato de ela utilizar Rock-type como especialidade.

Primeira aparição:

Capítulo 6 - O Bosque Petalburg

Especiais:

A Gym Leader's Life

Equipe:

 


Nomes da equipe:

Sten (Geodude): palavra que significa "pedra" em algumas línguas nórdicas.

Hans (Nosepass): referência a Hans Christian Ørsted, cientista dinamarquês que deu contribuições importantes no estudo do Electromagnetismo.

Líderes de Ginásio

Art by: Zeiphyr

Os líderes de ginásio são treinadores de alto nível selecionados para avaliar a capacidade dos treinadores que decidem desafiar a Liga Pokémon. Suas responsabilidades vão muito além de providenciar batalhas aos seus desafiantes como simples obstáculos para se chegar ao objetivo final. Eles também são conhecidos por transmitir conhecimentos e passar para os treinadores suas filosofias, objetivando torná-los mais preparados e maduros para enfrentar grandes desafios. Muitas vezes eles não recebem a importância que merecem, mas nem por isso deixam de realizar seu trabalho com a excelência esperada de alguém que ocupa este cargo.

Abaixo você pode conferir as fichas de cada líder de ginásio de Aventuras em Hoenn. Basta clicar no líder que você deseja para ser direcionado para sua página.


Notas do Autor - Capítulo 9


E assim encerramos uma etapa de 5 capítulos postados de forma rápida — quatro pertencentes ao plot principal e um especial. Agora daremos uma pequena parada por duas razões. A principal é que estou me encaminhando para o final da faculdade, e por conta disso acabei ficando sobrecarregado. A outra razão consiste em eu ganhar tempo para produzir outro volume de capítulos que possam ser lançados em sequência. Cheguei à conclusão de que Hoenn caminha melhor assim do que se eu ficar lançando um capítulo a cada década. Eu fico mais produtivo sabendo que tenho conteúdo pronto para postar por bastante tempo.

O capítulo 9 serviu para recolocar o trio nos eixos depois da batalha de ginásio, além de dar início ao processo de evolução do Ruby trazendo uma nova integrante para o time dele e fazendo-o dar seus primeiros passos na relação com o Jeff. Camila também ganhou uma nova integrante no seu time, que era justamente a Mudkip que Birch deixou aos cuidados de Sapphire. E também aproveitei para introduzir o Wally na história. Eu queria muito trabalhar com ele, mas ainda não tinha encontrado uma brecha para colocá-lo. Lembram que nos primeiros capítulos foi mencionado um amigo de infância do Ruby que se mudou para Hoenn antes dele? Alguns leitores ficaram curiosos e me perguntaram, e aí está! É o próprio Wally!

Agora estamos nos aproximando do primeiro contest do Ruby. Faz muito tempo desde a última vez que escrevi um capítulo de contest, e sinceramente eu não sei bem como eu vou fazer este ainda. Mas vou dar tempo ao tempo, e aos poucos as coisas vão clareando.

Capítulo 9

Velho amigo

A leste de Rustboro estava localizada a Rota 116, uma estrada de terra no pé da montanha que abrigava o Túnel Rusturf, que recebia esse nome por ligar as cidades de Rustboro e Verdanturf.  Além da vista do grande morro a paisagem era cercada por farta vegetação, o que tornava a vista ainda mais incrível. O tempo era ótimo, um sol forte brilhava, mas o vento corria suave pelo caminho refrescando os viajantes que lá se aventuravam.


Sapphire descansava de sua batalha de ginásio enquanto Camila tentava ajudar Ruby a se entender com seu Pokémon. O menino liberou o Treecko, que tão logo saiu da Pokéball já se virou de costas para o seu treinador. No entanto ele acabou ficando de frente para Camila, que o observou por um momento e deu um sorriso tentando se aproximar dele.

— Que bonitinho! Oi pequenino, como vai? — ela estendeu a mão, mas não obteve resposta do lagarto.

O que essa mina tem na ideia? Ela é doida? — pensou Jeff olhando para ela sem entender nada.

— Os iniciais de Hoenn são uns amores — disse Camila. — Pelo menos o Torchic e o Treecko. Eu ainda não vi o de água.

Sapphire então se lembrou do Mudkip que seu pai tinha lhe dado. Ela havia prometido que encontraria um treinador confiável para cuidar dele. E que cuidaria dele até lá, coisa que não fez.

— Camila, eu tenho uma boa e uma má notícia.

— O que aconteceu? — perguntou a garota confusa.

— A boa notícia é que eu tenho o inicial de água comigo.

— Sério? Isso é fantástico! — Camila então vibrou de emoção, até se lembrar que nem tudo seria tão bom quanto ela imaginava. — Espera, e a ruim?

Sapphire abriu um sorriso sem graça, pois hesitava bastante para admitir seu completo descuido.

— Então... A má notícia é que eu esqueci que ele estava comigo. Tipo, desde que eu e o Ruby saímos da cidade onde recebemos nossos iniciais.

Ruby por um momento quis rir, mas logo percebeu que era tão culpado por aquela situação quanto Sapphire. Ela podia ser descuidada por natureza, mas ele é quem mantinha a ordem no grupo com seu senso de organização e compromisso. Não só isso, mas ter em posse um Pokémon que estava há dias sem receber cuidados e sequer comida era um problema muito sério.

Camila prontamente correu até onde estavam suas coisas, abriu sua mochila e de dentro dela sacou alguns itens com bastante pressa.

— Está esperando o que? Libere o Pokémon logo!

Sapphire jogou a Pokéball do Mudkip, e quando ele se materializou estava deitado no chão, imóvel e com as patas para cima. Não esboçava nenhuma reação. Os três jovens observavam a pequena criatura com um misto de preocupação e nojo, já assumindo que o pior havia acontecido.

— Então... — Ruby resolveu quebrar o silêncio. — Morreu?

Camila aproximou-se cuidadosamente do Mudkip, e tentou tocá-lo com um graveto.

— Waaaaaaaaaaah — o Pokémon repentinamente grunhiu.

— DIVINO ARCEUS QUE ME PROTEGE DO PERIGO! — a garota jogou o graveto para cima e correu para trás de Ruby.

— Acho que está vivo... — disse o garoto enquanto tentava soltar seus ombros das mãos de Camila.

Sapphire rapidamente providenciou água para a criaturinha. Camila revirou a sua mochila procurando por ração, e assim conseguiram alimentar o pequeno anfíbio antes que a situação se agravasse.

Além de Jeff, Dan e Olivia estavam fora das Pokéballs de seus treinadores. O Torchic permanecia isolado, e não dava muita ideia por mais que Olivia tentasse alguma aproximação.

— Relaxa, doçura — o Treecko a envolveu em um de seus braços. — Esse mané é meio biruta das ideias! Vem dar uma volta com o Jeff que eu garanto sucesso.

— Dan, me ajuda... 

Dan respirou fundo, já sem paciência, e resolveu dar fim àquele incômodo. 

— Olivia, não enche. E você — ele então voltou sua atenção para Jeff. — Deixa ela em paz.

Dan caminhou para outro lugar, largando os dois Pokémons de planta sem entender nada. 

— Vai entender, bicho temperamental — Jeff sussurrou.

Após estabilizar a situação de Mudkip, Camila também resolveu liberar os Pokémons que tinha consigo. Ruby e Sapphire se surpreenderam ao ver uma enorme Nidoqueen, que tinha junto consigo um Venomoth. Eram as formas finais de suas linhas evolutivas, o que confirmava que Camila era uma treinadora mais experiente. Os dois, no entanto, apenas se isolaram dos demais, ficando juntos em outro canto da área. 

— São um pouco fechados no começo, mas conforme forem conhecendo vocês melhor eles vão ficar mais à vontade — disse a treinadora enquanto terminava de guardar suas coisas.

Camila então caminhou até o Mudkip e o virou novamente com a barriga para cima. Ruby e Sapphire não entenderam a atitude estranha da menina, até que ela segurou as patas traseiras do Pokémon aquático. 

— Espera um minuto — disse Ruby já fazendo uma expressão de desgosto. — O que você pensa que está fazendo? 

— Já disse que tenho o objetivo de conciliar as carreiras de treinadora e criadora? Pois bem, estou fazendo meu trabalho. 

Camila abriu vagarosamente as patas do Pokémon, deixando seus dois companheiros de viagem perplexos com a cena. 

— Você é doente por acaso? — Sapphire indagou de forma desesperada. 

— Doente eu não sou não, mas olha só. Esse Mudkip é menina! 

— Que constrangimento! — Ruby bateu na própria testa.

— Relaxa, gente! Eu só queria saber o sexo dela. O que vocês pensaram que eu ia fazer?

— A gente pode mudar de assunto? — Sapphire implorava.

Art by: ZandraArt
Sapphire então ouviu algo se mexendo por trás dos arbustos. Imediatamente ela chamou Olivia para perto de si, e caminhou devagar para averiguar a fonte daquela movimentação. Afastou-se de Ruby e Camila, e quando chegou perto do lugar de onde vinha o som, deparou-se com uma criatura peculiar.

Era um pequeno ser quadrúpede, com bastante pelos. Sua coloração era marrom por todo o corpo exceto a ponta da cauda e em volta do pescoço, que possuíam uma coloração mais próxima a creme. Suas orelhas eram compridas e estavam erguidas, sinal de que a criatura estava tentando prestar atenção em algo.

— Quem diria que eu ia encontrar um Eevee logo aqui? — Sapphire sorriu e logo fez um sinal para sua Shroomish se preparar para entrar em combate. — Parece que hoje é o meu dia de sorte!

Sapphire então mostrou-se para o pequeno Pokémon, mas se surpreendeu ao ver que na mesma hora um garoto da sua faixa de idade apareceu do outro lado. Ele possuía um aspecto frágil, e não parecia ser grande coisa. Seus cabelos verdes eram um pouco bagunçados, e suas roupas eram bem fechadas, o que fazia a menina se perguntar como ele não sofria com o calor de Hoenn.

O menino não demorou muito a perceber que Sapphire tinha a intenção de pegar o Eevee para ela, e logo entrou em desespero.

— Por favor, me deixe explicar! — ele chamou sua atenção. — Eu sei que o Eevee é um Pokémon raro, e você está tentando capturar, mas eu estou perseguindo ele desde o começo da rota! Eu sou um treinador novato, e ainda estou tentando montar o meu time para enfrentar o meu primeiro ginásio...

Enquanto se encaravam os dois sequer notaram que o Eevee havia sumido de vista. Sapphire sequer sabia o que dizer naquela situação, pois nunca imaginou que um dia tivesse que lidar com algo parecido. Foi salva de ter que improvisar uma frase quando Ruby e Camila chegaram logo atrás.

— Sapphire, o que aconte... — Ruby interrompeu a própria fala ao se surpreender com o garoto a sua frente, e então sussurrou — Ah não...

— Ruby, que bom ver você! — o menino correu para cumprimentar o moreno. — Quem diria que eu ia encontrar você aqui? 

Camila e Sapphire observavam a cena curiosas, e olhavam para Ruby como quem esperava uma explicação. Sentindo que não tinha escolha, o garoto resolveu apresentá-las o seu conhecido. 

— Meninas, este é o Wally. Um amigo meu de lá de Johto. Mas ele já mora aqui em Hoenn há um bom tempo — ele virou-se para o menino, e resolveu ignorar o fato de que ele parecia ligeiramente desconfortável. — Wally, estas são Sapphire e Camila, duas treinadoras que conheci há pouco tempo e que estão viajando junto comigo.

As meninas o cumprimentaram, e Wally apenas acenou com a cabeça de forma tímida. Antes que o menino pudesse dizer algo, ele olhou a sua volta, dando por falta de algo.

— Onde foi parar aquele Eevee?

• • •

Drake estava em sua sala no prédio da Elite, verificando alguns documentos sem tirar os olhos do mesmo. O retrato na parede trazia de volta tempos antigos, onde ele ainda jovem posava ao lado de seus Pokémons segurando um troféu. Lembrava com satisfação daqueles tempos, e agora apenas contava os dias para se aposentar. Queria terminar a sua carreira por cima, mantendo seu renome como um dos treinadores mais temidos de Hoenn.

Despertou de seu transe ao ouvir batidas na porta. As pessoas que lá trabalhavam sabiam que o velho não gostava de ser incomodado, logo ele imaginou que poderia ser algo importante.

— Entre. 

Da porta surgiu Wallace, o que imediatamente fez Drake se levantar de onde estava sentado para prestar o devido cumprimento.

— Não precisa disso tudo, Drake — explicou Wallace. — Por que não me trata com menos formalidade? 

— Porque um tratamento tão íntimo não combina com o cargo que o senhor ocupa.

— Sinceramente, você gostava de ser tratado como um ser superior quando era o Campeão? 

Drake fez um breve silêncio. Parecia não ter como contra-argumentar Wallace. O homem então caminhou de volta ao local onde estava, sentou-se e colocou os pés cruzados acima da mesa. Abriu uma garrafa de licor e lá ficou. 

— Eu odiava essa porcaria — ele então abaixou a aba de seu chapéu, de forma que seus olhos não pudessem mais ser vistos. 

— Eu prefiro você assim — disse Wallace. — Apesar de eu não achar adequado beber no trabalho... 

— Bom, nada é perfeito.

Wallace apenas riu. Drake podia não ter os melhores modos, mas era um homem bastante competente, e sua lealdade à Elite era inquestionável. Mas o Campeão logo mudou sua expressão para uma mais séria.

— O que eu vim falar com você é um assunto um pouco delicado. É uma tarefa que eu preciso que você faça. 

— Não pode ser outro membro? — o velho questionou. 

— Acredito que isso é mais do seu interesse.

Drake decidiu deixar o desleixo de lado, e se acertou em sua cadeira para ouvir com mais atenção o que Wallace tinha a dizer. O mais jovem jogou para trás seus cabelos azulados e explicou a situação. 

— Recebi um contato dos draconids. A líder da tribo me informou que a Guardiã desapareceu, e que provavelmente isso está mais para uma fuga do que um sequestro.

— Eu não sei, mas isso pode se tornar um problema muito sério se não for resolvido logo. Eu sei que você tem um passado com os draconids, então por isso eu pensei que você estaria mais apto a realizar essa tarefa, que é buscar a Guardiã e levá-la de volta em segurança para sua tribo.

Drake massageava as têmporas de forma agressiva. Era visível a condição de estresse sob o qual havia se colocado. Apesar de já ter ouvido histórias de uma herdeira do posto de Guardião desobediente, não imaginava que a situação pudesse chegar a um ponto tão crítico.

— Com certeza não foi sequestro. Essa garota tem um parafuso a menos. 

— Vai atrás dela? — perguntou Wallace. 

— E que escolha eu tenho? Não posso deixar essa menina andando por aí. Ela deve ficar com os draconids, ou pode haver um desequilíbrio na ordem natural das coisas. Quando o garoto que venceu a Liga vem nos desafiar?

— Na sexta-feira. 

— Então diga aos draconids para aguardarem até lá. Assim que resolvermos esse problema eu vou iniciar as buscas.

• • •

O trio estava sentado no mesmo local de antes, mas agora acompanhados por Wally. O menino fazia diversas perguntas a Ruby, ao mesmo tempo que explicava o que mudou desde que chegou a Hoenn. Há muito tempo não se viam, e ele queria colocar a conversa em dia.

— Me diz uma coisa — Ruby agora mantinha um tom de preocupação. — Como sua família deixou você sair em uma jornada, e sozinho ainda por cima? Porque você sabe...

— Se está falando da minha asma, eu já consegui me tratar. Óbvio que ainda não tenho tanta saúde quanto outras pessoas por conta do tempo que levei me tratando, mas hoje eu estou livre de riscos.

Wally então tirou uma Pokéball de seu bolso e a acionou, revelando uma pequena criatura que ele trazia consigo. Era um Ralts, Pokémon nativo da região de Hoenn, porém encontrado em outros lugares. 

— Estive em Petalburg para te visitar quando soube que havia vindo pra cá, mas seu pai me disse que você já havia partido dois dias antes. Ele me ajudou a capturar este Ralts e fazer dele meu primeiro Pokémon, já que o laboratório de Littleroot estava sem nenhum que pudesse ser entregue a um treinador iniciante. 

— Ele parece ser interessante — Ruby analisava o pequeno Pokémon de cima a baixo, estudando cada detalhe. 

— Ele é bem calmo, mas tem algumas habilidades interessantes. É do tipo psíquico. 

— Mas você pegou a sua licença de treinador? — Sapphire questionou. — Sem ela você não pode reservar quartos de graça no Centro Pokémon, por exemplo. 

— Sim, como eu já tinha o Ralts comigo o tio Norman me levou até o laboratório para tirar a licença. Lá eles me falaram sobre você também. Disseram que tinha partido junto com o Ruby. 

— Está mais para o contrário — disse o coordenador expressando lamentação. — A ideia foi dela. 

— Mas você queria, do contrário não teria aceitado — Sapphire rebateu.

O garoto acenou positivamente com a cabeça, enquanto dava um sorriso sincero. Wally compreendia que seu amigo estava preocupado, embora ele jamais admitisse isso.

— Agora uma coisa que me deixou curiosa foi o fato de você estar perseguindo um Eevee — comentou Camila. — Até onde eu sabia eles não habitavam Hoenn. 

— O fluxo migratório de treinadores de várias regiões tem aumentado nos últimos anos — Sapphire explicava, tomando para si a atenção dos três. — Da mesma forma que muitos treinadores daqui saem para disputar as ligas de outras regiões, muitas pessoas de longe estão vindo competir na Liga de Hoenn. Devido a isso algumas espécies de outros lugares acabaram proliferando por aqui. Há dez anos realmente não existiam Eevees em Hoenn, hoje eles são bem comuns nessa rota. 

— Eu ouvi falar nisso — disse Wally. — De qualquer forma eu ainda não desisti dele. Só tenho o Ralts por enquanto, e preciso montar uma equipe forte para começar a coletar minhas insígnias.

Sapphire ao ouvir aquilo ficou animada. Já conseguia imaginar Wally como futuro adversário na Liga Pokémon.

— Quer dizer que vai competir na Liga então?

— Sim, estou em Rustboro para enfrentar o ginásio da Roxanne e conseguir minha primeira insígnia — disse o menino.

Sapphire sorriu disfarçadamente, caminhou até sua mochila e de lá tirou seu case de insígnias. Abriu o objeto e mostrou a Insígnia da Pedra que havia conquistado.

— Isso aqui é uma lembrancinha de quando fui ao ginásio ontem — a garota estufava o peito orgulhosa.

— Uau, então você já conseguiu derrotar a Roxanne? — Wally estava maravilhado, não tirava os olhos daquela insígnia brilhante. — Sapphire, você parece ser uma treinadora incrível.

— Ah, isso não foi nada!

— Essa garota precisa de um chá de humildade — Ruby resmungou, fazendo Camila rir.

A conversa se estendeu por mais alguns minutos, quando Wally se levantou e pegou suas coisas. 

— Preciso voltar a procurar aquele Eevee. Mas se vocês estiverem hospedados no Centro Pokémon nós podemos nos ver mais tarde. Boa sorte no treinamento de vocês.

Wally se despediu dos três viajantes e voltou para dentro da mata a procura do Pokémon que havia escapado. Sapphire voltou a se recostar no tronco de alguma árvore para aproveitar o seu dia de folga, enquanto Camila e Ruby começavam a acertar os problemas que o menino possuía para que ele pudesse iniciar seus treinamentos para o contest que aconteceria em poucos dias.

O garoto se colocou frente a frente com seu Treecko, que não parecia muito animado para interagir naquele momento. Ruby olhou para Camila, que acenou de forma positiva, e então voltou sua atenção para o pequeno réptil, estendendo a mão para ele.

— Sei que não começamos muito bem, e eu ainda não sei o motivo, mas estou disposto a conhecer você melhor para que possamos entender melhor um ao outro. O que me diz?

Jeff observou seu treinador por um breve momento, até que cedeu e apertou a mão dele com sua pata dianteira, indicando uma breve trégua.

— Ótimo, parece que temos um começo — afirmou Camila. — Me diz uma coisa, você só tem o Treecko mesmo?

— Sim, apenas ele.

— Então acho que está na hora de ampliar sua equipe.

Os dois começaram a procurar algum Pokémon que pudesse se encaixar na equipe de Ruby. Eles foram para dentro das árvores, tendo que encarar a grama cuja altura batia em suas cinturas. O garoto estava bastante desconfortável com aquela situação, pois temia que pudesse ser atacado por alguma criatura mais agressiva.

— E se tiver algum Pokémon venenoso esperando para dar o bote? 

— Não existem Pokémons venenosos nessa rota, seu fresco! — Sapphire berrou da beira da estrada. — Agora vai logo fazer o seu trabalho e completa esse time!

— Não foi ela que disse que não existiam Eevees aqui antes? E agora existem! — o garoto resmungava. — Eu não tenho plano de saúde, quero ver o que ela vai fazer pra poder pagar minha internação. 

— Fica calmo, Ruby — Camila tentava passar segurança ao amigo. — Eu sei como lidar com essa mata mais fechada. Não vou deixar nada de ruim acontecer, confia em mim.

Ainda contrariado Ruby deu a mão a Camila, que o puxou para dentro dos arbustos. Sutilmente a menina deixou que o amigo caminhasse na frente enquanto ela segurava um galho quebrado. Com um sorriso maligno a garota passou levemente a ponta do objeto entre as pernas do menino, que deu o berro mais alto que podia, se agarrando à primeira árvore que apareceu em sua frente. 

— CAMILA, ALGUMA COISA PASSOU ENTRE AS MINHAS PERNAS! — ele estava em pânico, agarrando a árvore com força como se fosse sua própria mãe.

A menina então começou a rir, e logo mostrou o objeto que segurava. Ruby ficou vermelho, tanto de vergonha como de raiva, arrancou o galho da mão da amiga e o quebrou com o joelho. 

— Muito engraçado! Vocês não amadurecem mesmo!

— Desculpa, não deu pra evitar! — disse a garota enquanto gargalhava com a cena.

— Você vai me ajudar ou não? 

— Ok, ok, não precisa de tanto estresse!

Poucos passos foram dados para a frente, até que Ruby parou de forma brusca e se virou para Camila esbravejando novamente.

— Eu já falei pra parar!

Camila com uma expressão confusa em seu rosto apenas levantou os braços, mostrando que não havia mais nada em suas mãos, no mesmo momento em que o garoto sentiu novamente algo se arrastando entre suas pernas.

Ao notar que a menina não tinha culpa de nada, Ruby correu desesperado de volta para a estrada, dando berros de socorro que assustaram Sapphire. Camila veio logo atrás, também preocupada com o que poderia haver ali.

— O que aconteceu? — Sapphire se levantou com o susto.

— Alguma coisa realmente passou pelas minhas pernas! — Ruby berrava enquanto se escondia atrás da amiga.

— O que aconteceu? — Camila saiu dos arbustos preocupada. — Ruby, se isso for alguma vingancinha sua eu vou te dar uma surra!

— Eu não estou brincando, droga! Passou algum bicho perto de mim, eu tenho certeza!

Logo atrás dos dois surgiu um pequeno Pokémon felino, de pelagem rosada e um sorriso travesso. A criatura correu para perto de Ruby e começou a se esfregar nas pernas do garoto, acariciando-o. 

— Nossa, que monstro — disse Sapphire com tom de ironia, enquanto Camila tentava segurar o riso. — Esse aí com certeza deve ser venenoso. Chamem as autoridades!

Ruby caminhou para o outro lado da estrada, mas o pequeno Pokémon o seguia. Não importa aonde fosse, não conseguia se livrar da criaturinha inconveniente. Já estava prestes a perder a paciência. 

— O que eu faço? 

— Aceite o seu destino, agora você é a mamãe desse Skitty — Sapphire se satisfazia a cada oportunidade de zombar do garoto.

— Skitty, é? — Ruby agora olhava o pequeno ser de cima, sendo encarado de volta. 

O garoto pegou o Pokémon e o ergueu sobre sua cabeça. Ficava olhando a cara travessa que sorria para ele, e logo sorriu de volta. 

— Até que você é uma fofura. Vai ser uma grande estrela de contests! 

— Vai ficar com ele? — indagou Sapphire. 

— Ela — Camila interrompeu a conversa, ajeitando os óculos. — É menina. 

— Camila, você já cogitou se internar em um hospício? — Ruby agora a olhava com cara de nojo, ignorando os argumentos dela de que aquilo era "ciência". — Sim, eu acho que vou ficar com ela.

O garoto paparicava bastante a pequena Skitty, causando surpresa nas meninas. Afinal, ainda não o tinham visto se dando tão bem com um Pokémon antes. Era provável que a vitória de Sapphire no ginásio de Rustboro tivesse causado algum impacto nele, o deixando motivado a melhorar também.

— Notou algo de diferente nele? — Sapphire perguntou. 

— Sim, e acho que podemos tirar proveito disso — Camila sorria ao analisar o afeto quase instantâneo do menino com sua nova companheira. — Podemos usar essa personalidade mais aberta da Skitty para criar uma ponte entre o Ruby e o Treecko.

— Acha que ela e o Treecko vão se dar bem? 

— Acredito que sim.

Começava a entardecer quando resolveram voltar para Rustboro. Ruby teve um primeiro dia de treinos voltado para construir uma relação inicial com seu time, especialmente no sentido de eliminar a desconfiança que havia entre ele e o Treecko. Camila o auxiliava, passando sua experiência como treinadora para que ele pudesse entender que tipo de abordagem funcionaria melhor em cada situação.

Ao chegar ao Centro Pokémon os três entregaram seus Pokémons aos cuidados da enfermaria, e subiram para os quartos que haviam reservado. Após um banho revigorante Ruby desceu até o refeitório do local, enquanto as meninas ainda se arrumavam. Já era noite quando chegou ao saguão. Wally estava entrando naquele exato momento.

— Boa noite, Ruby. 

— Boa noite — ele respondeu com um aceno. — Como foi o treinamento durante a tarde? 

— Foi muito proveitoso. Sinto que estou quase preparado para enfrentar o ginásio. Ainda vou ter que ficar na cidade mais uma semana, pois perdi a última prova de seleção. Mas pelo menos já consegui ampliar a minha equipe, e estamos começando a nos entender melhor. 

Wally sacou uma Pokéball dos bolsos e a mostrou para Ruby. Era o Eevee que ele havia passado o dia procurando. Tinha conseguido a captura já no final do dia, mas estava feliz por ter sido um bom treinamento de resistência para o menino e seu Ralts.

— Já tem em mente para qual evolução você vai treiná-lo?

— Ainda não. Prefiro que seja algo para eu e ele decidirmos juntos. Mas tenho certeza de que vamos chegar a um consenso. Até porque eu vou dar prioridade à vontade dele. Meu dever como treinador é adaptar o time para que todos os membros se sintam confortáveis para batalhar do jeito que gostam.

Aquelas palavras ficaram presas na cabeça de Ruby. Wally tinha razão. Talvez a melhor coisa que pudesse fazer era dar aos seus Pokémons a liberdade de se expressarem, e tentar desenvolver as estratégias de acordo com suas preferências. Era o que Camila vinha dizendo a ele há algum tempo, mas ainda não tinha assimilado essa necessidade. Se der ouvidos aos seus companheiros de equipe, pode ser que o oposto também comece a acontecer.

— Wally, graças a você eu acho que comecei a entender algumas coisas que estavam me causando dúvidas — Ruby colocou as mãos nos ombros do amigo, mostrando um brilho confiante em seus olhos. — Talvez agora eu tenha a solução para meu maior problema!

— Bom... De nada, eu acho...

O garoto desejou boa noite ao seu amigo e caminhou de volta para seu quarto. Lá chegando, pegou de dentro de sua mochila um caderno onde começou a fazer algumas anotações. Assim ficou até tarde da noite, quando caiu no sono sem ao menos preparar a cama para dormir.

E assim passou o resto da noite, abraçado ao caderno e com um sorriso triunfante no rosto, como quem agora tinha respostas que poderiam ditar o início de uma escalada que só poderia dar bons frutos no futuro. Ruby agora sabia bem o que fazer, e só precisava dali em diante encontrar a melhor maneira de fazer aqueles pensamentos se tornarem realidade.

Ele só precisava trabalhar para tornar a vitória possível. Estava começando a descobrir como pensar como um coordenador. Dali em diante seria aliar essas ideias a trabalho duro para obter sucesso. O contest que se aproximava já não era tão assustador quanto antes.

FIM DO CAPÍTULO 9

  

- Copyright © 2013 - 2018 Aventuras em Hoenn - Shadow - Powered by Blogger - Designed CanasOminous -