Jet


Jet é um Taillow que se uniu à equipe de Sapphire na Rota 104, quando ela e seus companheiros de viagem seguiam em direção a Dewford. No entanto, as histórias de ambos já haviam se cruzado outras duas vezes antes da batalha que decidiu a entrada dele no time, uma vez que ele adorava importunar a menina em seus momentos de paz nas estradas ao redor de Petalburg.

Tem uma personalidade vibrante, e por vezes é debochado e demasiadamente autoconfiante, o que o faz se atrapalhar em algumas ocasiões. Costuma encarnar uma personalidade heroica, atendendo pelo nome de El Falco.

Primeira aparição:

Capítulo 1 - Boas-vindas acidentais

Curiosidades:

• Na AEH antiga, Taillow pertencia à equipe de Ruby, que posteriormente o deu para Sapphire. Agora na versão nova da história ele já é capturado pela menina;

• O nome Jet é uma referência ao personagem Jet the Hawk, do jogo Sonic Riders, enquanto o apelido El Falco remete ao personagem Falco Lombardi, da série de jogos Star Fox. No entanto, nenhum dos dois personagens teve sua personalidade reproduzida no Taillow;

• O "portunhol fluente" de Jet nada mais é do que uma tentativa do personagem de passar a imagem de galã de novela, embora não tenha tanto sucesso nisso.

Notas do Autor - Capítulo 11


Olá pessoal, como vocês estão?

Bem, pra ser sincero eu não tenho muita coisa pra dizer hoje. Tivemos aí a volta da história com um capítulo de ligação, e também o fechamento da primeira ponta solta que foi essa rivalidade entre a Sapphire e o Jet (a ficha dele, inclusive, sai na quarta-feira).

Depois de tantos capítulos imensos, finalmente um com menos de 3000 palavras! Não aguentava mais trazer aquelas monstruosidades pra vocês, sei que a maioria fica com um pouco de preguiça de ler kkkkkk Mas prometo que vou me esforçar para não termos mais nada do tamanho do capítulo 10.

Com relação aos próximos capítulos, o 12 está pronto. E assim que o 13 estiver a data dos dois será divulgada. Pode ser já na sexta que vem, pode ser depois. Depende de como as coisas vão fluir.

Bem, acho que por hoje é só. Qualquer dúvida pode mandar um comentário que eu respondo. :)


Capítulo 11

Acerto de contas


O sol fraco e a brisa gelada davam o tom da manhã que se iniciava em Rustboro. Com itens estocados para seguir viagem o trio formado por Sapphire, Camila e Ruby já se preparava para deixar a cidade em direção ao sul, visando pegar uma embarcação até Dewford.

Estavam em frente ao Centro Pokémon da cidade, onde haviam passado a noite. Wally estava com eles, para que pudessem se despedir de maneira apropriada. 

— É uma pena não poder seguir com vocês, mas ainda tenho alguns assuntos a tratar aqui em Rustboro — disse o rapaz. — Minha batalha no ginásio acontecerá no fim dessa semana. Sapphire, se não quiser que eu te alcance é melhor apertar o passo. Ontem eu posso ter passado o dia com o Ruby, mas não pense que eu esqueci que você também é uma rival. 

— Não se preocupe, não vou te desapontar — Sapphire esboçava um sorriso travesso enquanto batia continência, mas sua postura era desleixada demais para ser levada a sério.

Ruby foi quem se aproximou de Wally para encerrar aquele encontro. O garoto estendeu a mão para o amigo para que pudessem selar um último cumprimento antes de se separarem. 

— Se eu chegar ao Grande Festival e não te encontrar lá não vou te perdoar. Mesmo assim não espere por minha ajuda, porque o próximo contest será meu. 

— Não conte com isso — Wally ria com os desafios do amigo.

Os garotos apertaram as mãos com força. Wally ainda fez um aceno para Sapphire e Camila e ficou observando enquanto os três caminhavam em direção à saída da cidade. Realmente não tinham tempo a perder. Saindo ao amanhecer, era possível que até o fim do dia eles chegassem à entrada do Bosque Petalburg. 

Quando o trio desapareceu de sua vista, Wally entrou no Centro Pokémon. Ao chegar ao saguão principal, notou que uma menina descia as escadas. Logo a reconheceu, era ninguém menos que Emily, vencedora do contest que ele havia disputado no dia anterior. Ela também pareceu reconhecê-lo, e ficou sem jeito ao ver que o garoto lhe direcionou um aceno.

• • •

Algumas horas se passaram até que o trio conseguisse concluir a travessia pelo vasto bosque. Ao se verem do lado de fora daquela muralha de árvores eles sentiam a luz solar agredir seus olhos. Ruby retirou um mapa de dentro da mochila, e começou a verificar os locais para onde deviam seguir. Camila e Sapphire se aproximaram e também começaram a olhar. 

— Certo, estamos indo em direção ao sul — o garoto dizia sem tirar os olhos do mapa. — Mas se me lembro bem da primeira vez que passamos aqui, se seguirmos nessa direção vamos acabar em uma praia. Como vamos fazer a partir daí? 

— Eu ouvi dizer que há um velho que mora naquela área que faz um serviço de transporte para quem quer chegar a Dewford por esse lado da região — respondeu Sapphire. — Podemos ver quanto ele cobra. Talvez em três pessoas a gente consiga um desconto.

— Você acha que esse serviço é confiável? 

— Ruby, nós três somos treinadores. Se ele tentar alguma coisa a gente resolve nocauteando ele ou coisa do tipo. 

— Mas aí quem vai pilotar o barco? — Camila interveio. 

— A gente aprende na hora. 

— Vindo de você eu não sei se isso é uma brincadeira, ou se você está falando sério... — o garoto já demonstrava sinais de preocupação.

Ruby revirava o mapa de cima a baixo, passando por cada parte das rotas que levariam a Dewford. Porém, ele notava a falta de alguns detalhes importantes. 

— Camila, você disse que a primeira instalação da Batalha da Fronteira fica no caminho para Dewford, certo? Onde, exatamente? 

— Segundo as informações da organização do torneio o primeiro Cérebro da Fronteira está em uma ilha na Rota 105 — a menina respondeu. 

— Estranho, porque essas ilhas não parecem ser do tipo que usariam para construir um prédio importante. 

— Meu pai já fez algumas pesquisas nessas ilhas e disse que lá não tem nada — Sapphire comentou, ainda observando o mapa.

Continuaram caminhando por mais um tempo pela estrada, até que resolveram fazer uma pausa ao notarem que se aproximavam do meio-dia. Os jovens se agruparam em uma área de gramado baixo e ali se sentaram para poder comer, colocando também seus Pokémons para tomar um pouco de ar puro. Ruby começou a espremer algumas oran berries em copos que eles levavam consigo, enquanto Camila pegava alguns feijões enlatados para ferver em um fogão improvisado com uma fogueira e um suporte para as latas. 

— Nem vem, não vou comer isso! — a voz fanha de Ruby por ter seu nariz tapado fez as meninas rirem. — Feijão enlatado é nojento, e fede! 

— Nisso eu concordo — dizia Sapphire abrindo um pacote de batatinhas. 

Ruby direcionou o olhar para a companheira de viagem, vidrado no pacote que ela segurava. 

— Me dá unzinho — o garoto quase lacrimejava.

— Vai comprar. 

— O que aconteceu com seu “espírito aventureiro”, de comer só o que a natureza nos dá? 

— Não lembro disso não. 

Ruby quase teve um surto ao sentir o cheiro do feijão que chegava próximo ao seu rosto com uma colher que Camila segurava enquanto fazia bico. 

— A prinxejinha vai comer naum? Olha o aviãojinhu... 

— Eu devia ter ficado em casa... Pra sempre!

Sapphire ria ao ver Ruby sendo torturado pelo cheiro do feijão, mas o sorriso foi tirado de seu rosto ao ver que seu pacote de batatinhas não estava mais onde havia deixado. A menina ficou em silêncio profundo, o que fez Camila e Ruby a olharem com curiosidade. 

— Aconteceu alguma coisa? — indagou Camila. 

— Minhas batatinhas. Sumiram.

Ruby abriu um largo sorriso. Pela primeira vez em muito tempo o karma estava atuando a seu favor. Ele estava se contendo ao máximo para não dar risada da situação de Sapphire, que havia perdido aquilo que se recusou a dividir. 

— QUEM PEGOU MINHA BATATA? 

Os três se atentaram para uma batatinha que caiu no chão entre eles, parecendo ter vindo de cima. Quando viraram sua cabeça para o alto foi possível ver uma criatura nos galhos de uma árvore com o pacote. Com uma das patas ele pegava as batatas aos poucos e comia. Sapphire tinha uma expressão de desgosto como quem já conhecia aquele ser travesso, e a maneira como Ruby olhava para ambos dava a entender que uma batalha campal estava prestes a começar. 

— Que bonitinho! — disse Camila. — Que espécie é essa?

— É um Taillow — Sapphire respondeu já acenando para Dan, que estava por perto. — E vai por mim, de bonitinho esse aí só tem a cara. 

A menina fez com que seu Torchic logo entrasse em cena. O pintinho voltou-se para ela com uma clara expressão de má vontade, como quem estava sendo forçado a fazer aquilo. 

— Eu sei que você ainda não está muito disposto a colaborar comigo, mas eu acho que essa batalha em particular tem a ver com a nossa dignidade. 

A expressão de Dan mudou na mesma hora de viu o Taillow debochado que tinha lhe passado a perna um tempo atrás. As memórias do dia em que foi feito de bobo vieram à tona, e agora ele se esforçava para não sair atacando de uma vez, pois esta era a sua vontade.

Hola, mi amigo! — o Taillow o saudou com um cumprimento carregado de ironia. — Já faz algum tempo, não? Diga-me, já conseguiu tirar toda a areia dos seus olhos? 

— Já, da mesma forma que vou tirar esse sorriso da sua cara — Dan se esforçava para não rir em nervosismo. 

— Ora, ora, você agora fala com muito mais determinação que antes. Será que eu te incentivei? Ou só está feliz em me ver de novo? 

— Eu estou feliz, claro! Fiquei te devendo uma depois daquele dia. 

Ruby não compreendia o motivo pelo qual Sapphire havia usado o Torchic. Para ele seria quase um suicídio tentar batalhar com um Pokémon do qual não se podia esperar total obediência. 

— Tem certeza, Sapphire?

— Essa é uma batalha que eu acredito que ele quer resolver também. 

— Diga-me, nobre rival, como se chama? — indagou a ave. 

— Dante. E não te dei essa moral toda pra ficar se considerando um rival meu. 

— Hoho, você não tem cara de Dante. Bem, você é quem deveria ser grato por eu permitir que seja considerado meu rival. Eu sou o Taillow mais rápido e imprevisível desses bosques! Pode me chamar de El Falco

— Isso é sério?

— Putz, esse aí é lelé da cuca! — disse Jeff caindo na gargalhada logo em seguida. — Foi desse cara aí que você tomou um pau? 

— Obrigado pelas palavras de apoio... 

Dan e El Falco se encaravam, cada um se segurando para não ser o primeiro a fazer um ataque descuidado. Eles eram oponentes já familiarizados entre si, o que tornava a batalha um pouco mais estratégica, dando desvantagem para quem resolvesse se mexer primeiro.

Sapphire tentava manter a calma. Sabia bem da capacidade daquela pequena criatura de passar a perna quando menos se espera. Porém eram ela e seu Torchic que precisavam recuperar a honra, e por isso não havia outra escolha a não ser dar o primeiro ataque. 

— Torchic, não vamos dar aberturas para ele desta vez — a garota já preparava seu primeiro comando. — Comece com o Scratch

Dan correu em direção ao seu adversário, saltando por cima dele enquanto armava suas garras para desferir o ataque. O Taillow apenas ergueu a visão para o Torchic e sorriu com certo tom de deboche. Assim que Dan fez o movimento de aterrissagem, El Falco se esquivou ao se impulsionar para trás e o golpe desferido contra si acabou por partir o galho da árvore onde ele estava.

Bueno, você ficou mais forte! Permita-me mostrar o que sei fazer também! 

O pequeno ser voador de imediato criou ilusões de si próprio, que foram cercando Dan até que ele se confundisse a ponto de não conseguir identificar o verdadeiro. 

— E essa agora? — resmungou o Torchic, tentando se manter em estado de alerta para um possível golpe furtivo. 

Double Team? — indagou Sapphire. — Em que nível está essa praga? Torchic, use o Ember em larga escala, mude a direção das brasas para tentar acertar o máximo deles possível! 

Muy lento! — Falco desviou da rajada de brasas com facilidade e com velocidade acertou um golpe com seu bico em Dan, que caiu dando cambalhotas para trás.

O Taillow pousou em outro galho fazendo uma pose heróica ao tapar parcialmente o rosto com uma de suas asas como se fosse uma capa. 

— Não vai pensando que só você melhorou desde a última vez que nos vimos, niño. Eu também estou em constante desenvolvimento de minhas habilidades. Sou o ser mais rápido dessa área, você não vai conseguir me alcançar do jeito que está agora. 

— Não enche! — Dan aos poucos se levantava, ainda atordoado com a pancada que sofrera antes. — Eu vou fazer você engolir esse seu orgulho hoje mesmo! 

— Heh, me gusta su determinación.

Ao comando de Sapphire, Dan estufou o peito para lançar uma nova rajada de brasas contra seu oponente, porém o mesmo alçou vôo para se esquivar mais uma vez. A garota abriu um sorriso de canto, parecendo ter previsto o que acabara de acontecer. 

— Torchic, segure o golpe! Em vez disso, se impulsione para saltar até ele e aplique um Scratch

Como ordenado, o pequeno Pokémon de fogo avançou em um salto até ficar frente a frente com o Taillow atacando-o em cheio com suas garras, o que fez com que ele perdesse o equilíbrio e fosse ao chão pela primeira vez naquela batalha. Dan pousou em cima de El Falco, prendendo a ponta de suas asas. Dessa vez não cairia no truque com a areia.

— Agora, Ember! — Sapphire gritou esticando um de seus braços para a frente com o punho cerrado. 

O disparo de brasas a queima-roupa foi o bastante para deixar o Taillow bastante prejudicado. O ar confiante do Pokémon voador agora dava lugar a um semblante irritado. 

— Isso dói, seu desgraçado... 

— Começou a falar normal agora? Onde foi parar aquele seu alter ego irritante? 

— Acredite em mim, você vai preferir ter continuado lidando com ele.

De repente El Falco abriu suas asas e as mesmas se enrijeceram enquanto emitiam uma aura de energia que dava a sensação de que estavam brilhando com intensidade. Dan se posicionou em estado de alerta, pois sabia que aquele ataque viria com a força de alguém que tinha seu orgulho abalado. Ele manteve-se de prontidão, aguardando as orientações de Sapphire. 

— Torchic, cuidado! Ele está armando um Wing Attack. Mantenha a guarda e espere pela aproximação. 

Assim que o Taillow se atirou em direção de Dan para realizar o ataque, Sapphire decidiu colocar em prática sua estratégia para finalizar aquela batalha de uma vez por todas. 

Sand Attack!

Dante foi ágil o bastante para usar suas patas para lançar areia do chão direto contra os olhos do oponente momentos antes do ataque ser executado. El Falco freou de forma brusca, incomodado com sua visão danificada. Sapphire ordenou que Dan se movimentasse para as costas do Taillow para dar o golpe final. 

— Dessa vez sou eu quem decide o fim da batalha! — Dan sussurrou para Falco. 

Ember! — comandou a treinadora. 

El Falco foi alvejado com uma última, porém não menos poderosa rajada de brasas. Sem se aguentar de pé, o Taillow fez uma última revelação antes do fim do combate. 

— Você ganhou meu respeito. Meu nome verdadeiro é Jet — e caiu nocauteado. 

— Pra que usar apelido se o cara já tem um nome legal? — ponderou Jeff. 

— Jeff, cala a sua boca — falou Dan, já exausto.

Sapphire abriu sua bolsa e começou a mexê-la por dentro com rapidez. Dela retirou uma Pokéball vazia e logo a arremessou contra o Taillow desacordado. O aparelho tragou o Pokémon voador para seu interior e, após alguns espasmos, emitiu um sinal sonoro confirmando o sucesso na captura. A menina agora tinha um novo membro na equipe.

A garota caminhou até a Pokéball e a recolheu do chão, exibindo para seus companheiros de viagem um sorriso satisfeito. Como possuidora de uma insígnia, ela não podia mais se deixar ser feita de boba por Pokémons selvagens. 

— Você me deu muito trabalho, agora vai ter que compensar me ajudando a ficar mais forte. — ela disse para a Pokéball. 

Em seguida ela olhou de relance para Ruby, pensando em como aquele Taillow havia sido o responsável pela primeira vez que eles se encontraram. 

— Hã, o que foi? — perguntou o menino ao perceber que estava sendo observado. 

— Nada — Sapphire soltou um sorriso. — Eu estava lembrando de algumas coisas, só isso.

A menina guardou a Pokéball consigo e assim os três continuaram sua caminhada em direção ao sul, onde esperam pegar um transporte que os levará até Dewford, passando antes pela ilha onde está demarcado o primeiro desafio de Camila na Batalha da Fronteira. 

Animados, eles continuaram seguindo em frente, tentando conter a ansiedade para começar a explorar as primeiras áreas da famosa costa de Hoenn.

FIM DO CAPÍTULO 11

  

Falando sobre a continuidade da história


Fala, pessoal!

Desde o comecinho de Junho eu não faço um post desses de avisos, e desde mil novecentos e Vovó Mafalda (leia-se Janeiro de 2017) eu não faço esse tipo de post para falar sobre AEH. Acontece que temos um Discord agora que reúne autores e leitores da Aliança, então as informações ficam mais fáceis de passar por lá. Mas pra galera que ainda não entrou no grupo eu vou trazer algumas informações (se quiserem é só se conectarem ali pelo widget do blog ou me mandar um e-mail ou comentário se quiser tirar dúvidas de como criar conta e acessar o grupo).

Bom, o último capítulo que tivemos por aqui foi em Maio, e antes dele tivemos uma boa sequência de 5 capítulos entre Fevereiro e Março. Não, a história não parou. As coisas aqui ficaram um pouco corridas por causa dos estudos, mas agora que a poeira baixou eu vou retomar com os capítulos. Como deixei avisado ali na lateral do blog nessa última semana, o capítulo 11 está pronto, e agora acrescento que o 12 está mais ou menos na metade no momento em que escrevo esse post (domingo). Quando ele for publicado (quarta) provavelmente o 12 estará pronto e eu já estarei avançando com o 13 (BIRL).

A sequência de capítulos que se iniciou em Fevereiro, como comentei acima, se deu porque em vez de postar um capítulo pronto eu resolvi esperar para deixar outros também prontos. A história estava tendo hiatos longos, então essa coisa de postar um capítulo a cada 2 séculos não estava dando muito certo. Então eu deixei 4 capítulos prontos e enquanto eles estavam sendo postados deu tempo para deixar um quinto concluído também. E eu acho que deu certo fazer isso, porque mesmo com a longa pausa vocês puderam aproveitar de uma sequência de semanas com conteúdo sendo postado aqui com frequência.

No caso do capítulo 10, ele foi postado de forma isolada porque eu pretendia fazer isso de novo, mas o 11 acabou emperrando porque tive que priorizar a faculdade. Eu poderia tê-lo deixado guardado para postar em sequência com essa reserva nova que estou formando, mas acabei ficando com receio do blog ficar muito tempo sem conteúdo novo (e na época eu não estava esperando a reviravolta lá de Aventuras em Kanto, que aconteceu logo no mês seguinte). No fim das contas foi até bom eu ter liberado o 10 logo, porque ele fechou o arco de Rustboro, então agora entramos em uma nova etapa da história que é o trajeto até Dewford. Coloquei os capítulos do 11 ao 13 como um mini-arco, que vocês vão entender o centro dele conforme forem lendo, então assim que o 13 estiver pronto (ou pelo menos na sua reta final) eu vou divulgar as datas de postagem. Se tudo correr certo teremos um mês de Outubro bem movimentado por aqui, mas não dou certeza ainda porque preciso deixar tudo preparado. Mas estou otimista.

Então eu planejo dar essa sequência de postagens do capítulo 11 ao 13 e depois fazer a mesma coisa com os capítulos seguintes, que serão do arco de Dewford. Acho que separar esses grupos de capítulos em mini-arcos acaba dando certo tanto pra mim quanto pra vocês, não acham?

Bem, era só isso que eu tinha a dizer por enquanto. As coisas estão indo bem, eu não morri e não fiquei desmotivado. Foi puramente um problema com disponibilidade de tempo mesmo, mas estou quase terminando esses três capítulos para trazê-los pra vocês.

Obrigado pela paciência e pela compreensão, pessoal. Em breve estarei aqui com o capítulo 11. Não precisam se dar o trabalho de ficar olhando a página de capítulos todos os dias. Quando eu for divulgar as datas de postagem eu vou deixar o cronograma resumido ali acima do menu lateral, como sempre faço.

Até qualquer hora! õ/


Rivais



Wally é amigo de infância de Ruby, mas mudou-se de Johto para Hoenn alguns anos antes. Por muito tempo não conseguiu sair em jornada devido ao fato de ser asmático. Mas agora já está tratado, e conseguiu seu primeiro Pokémon de Norman quando foi procurar por Ruby em Petalburg.

É tímido e pacífico, mostrando-se desconfortável em qualquer situação que possa ocasionar algum problema, mas ao mesmo tempo é bastante positivo, sabendo demonstrar confiança quando sabe que é capaz de fazer algo. Por ter grande curiosidade na vida de treinador como um todo, optou por competir tanto na Liga Pokémon quanto no Grande Festival, combinando as vocações de treinador e coordenador e, portanto, se tornando um rival tanto para Sapphire quanto para o próprio Ruby, respectivamente.

Primeira aparição:


Equipe:

  

De volta às origens!


Saudações, amigos!

Depois de ter feito um mistério bem meia-boca na quarta-feira estamos de volta para dizer o que todos já sabiam! Ou pelo menos os mais atentos sabiam e saíram espalhando pra todo mundo...

É com muito prazer que anunciamos o retorno da região de Kanto à lista de regiões preenchidas da Aliança Aventuras! Dessa vez ela estará sob o comando do nosso companheiro Killer of Murder.

O Killer já é um velho conhecido da equipe. Eu nunca havia tido a oportunidade de conversar com ele, mas sabia quem era porque ele fazia parte do saudoso blog Arena Pokémon, que foi parceiro da Aliança por muito tempo. O fato é que ele já está há alguns dias no grupo, e já vi que é um cara muito daora. Inclusive eu li o primeiro capítulo que ele preparou pra AEK e vou dizer uma coisa: ficou muito bom! Se vocês tiveram crises de nostalgia com os anúncios de Let's Go Pikachu/Eevee, então a fic dele vai mandá-los de volta a 1996, com certeza!

Ao Killer fica meu desejo de boa sorte. Estaremos acompanhando as coisas em Kanto para garantir que você tenha tudo que for necessário para poder seguir com o projeto. Dessa vez a região onde tudo começou vai longe!

Se vocês tiverem a curiosidade de ver como ficou o blog de Kanto, é só clicar no slide da região. O Killer também deixou lá uma mensagem de boas vindas. No mais...

Gotta catch'em all!

PS: não tem nada a ver com Kanto, mas o Canas e o Dento estavam comentando algo sobre Sinnoh. Por que vocês não dão uma passada lá amanhã? Acho que vai ter coisa boa por lá também.

Temos um mistério!

A imagem em si não tem nenhum significado, só achei que ia ficar legal mesmo.
Esse título ficou muito Scooby-Doo, mas enfim...

Estava eu tranquilo essa semana me atualizando nas histórias que andei lendo lá no Spirit e quando voltei pro grupo da Aliança no Discord vi uma comoção por parte de algumas pessoas a respeito de algo bom chegando. No início achei que era relacionado a algum evento ou filme novo, porque geralmente quando a emoção toma conta deles assim é por algo desse tipo. Só que... Dessa vez estava diferente. Não sei como explicar melhor.

O que sei é que depois que me explicaram eu vi que é coisa boa! Boa mesmo! E acredito que vocês vão gostar. E nisso vocês devem estar se perguntando:

O que será que é?
Bem, isso eu não estou autorizado a contar pra vocês, sob ameaça de demissão inclusive, mas o que posso dizer é que sexta vocês vão ficar sabendo (até colocarei um post aqui revelando o que é). Mas pra ajudar a passar o tempo até lá, que tal um jogo? Uma caça ao tesouro, de repente?

O Canas andou espalhando umas pistas por aí. Será que vocês são capazes de encontrá-las e juntar as peças do quebra-cabeças até o meio-dia de sexta? Veremos. Mas sinceramente, tá fácil!

Então até sexta!
Eu sou horrível em criar mensagens enigmáticas...

Notas do Autor - Capítulo 10


Se vocês estavam pensando que eu ia deixar AEH entrar em mais um hiato de 1 ano... Bem, a teoria de vocês tinha embasamento histórico sim, MAS NÃO DESSA VEZ!

Meus caros, que capítulo difícil de sair! Não sei quantas vezes abri o Word para poder escrevê-lo e fiquei encarando a tela sem conseguir digitar uma letrinha que fosse. Muito tempo sem escrever contests, então eu já imaginava que ia tomar um prejuízo. Mas não achei que fosse ser tão complicado.

Bem, nesse capítulo em particular eu tenho que agradecer a duas pessoas que me ajudaram a construir algumas apresentações, e são conhecidos de vocês kkkk São o Lord Aurum e o Dento. O primeiro me ajudou criando a apresentação do Ruby, e o segundo deu uma contribuição na apresentação do Ruby e criou a apresentação do Wally. Era justamente a parte do capítulo onde eu estava tendo dificuldades. Depois de rever os modelos das apresentações eu consegui criar a apresentação da Emily — e não foi por isso que ela venceu, isso já estava planejado kkkkk Tanto que avisei a eles que Ruby e Wally perderiam a competição nesse primeiro momento. Mas mesmo assim fica aqui os créditos e meus agradecimentos. Sem eles talvez este capítulo ainda não estivesse pronto.

E fechamos 10 capítulos, olha só! Eu costumo sempre brindar com o Canas quando uma meta de dezena é atingida. Sei lá, é uma sensação boa quando você alcança os múltiplos de 10. Na Hoenn antiga eu consegui esse feito cinco vezes. Na nova não sei quantas vezes vou festejar esse tipo de marca, mas é porque eu não sei quantos capítulos a história vai ter. Mas não muda o fato de que pretendo ir até o fim desta vez!

Agora é rumo a Dewford! Mas antes daremos uma pausa para a Camila enfrentar seu primeiro desafio na Batalha da Fronteira. É, meus amigos, finalmente ela vai entrar em cena. E se me lembro bem ela ainda não batalhou nessa versão nova da história. Hehehe, hora de vocês verem do que ela é capaz.

Obrigado a todos que sempre voltam para ler, mesmo com todas as dificuldades com relação a frequência de capítulos. O voto de confiança de vocês é mais do que o suficiente para que eu continue com a história.

Antes de fechar essas notas eu tenho mais dois avisos!

1 - As fics Aventuras em Johto e Aventuras em Hoenn começaram a ser postadas no Spirit também. Se algum de vocês tiver conta e preferir ler por lá, fiquem à vontade. Mas lá no site só os capítulos da história principal serão postados. Aqui no blog vocês continuarão tendo a vantagem do conteúdo extra (especiais, fichas de personagens, etc).

2 - A Aliança agora tem um grupo no Discord! Lá temos alguns autores da equipe e alguns leitores participando. Trocamos ideia sobre as histórias sempre, e lá vocês vão ter mais facilidade para saber o que se passa nos bastidores (por que um capítulo atrasou, ou se tem alguma novidade vindo), qualquer atualização vocês vão saber logo de cara, sem precisar ficar esperando aparecer alguma coisa por aqui. A gente dá preferência para a galera que frequenta os blogs e comenta bastante, porque são rostos que a gente já conhece, então temos mais segurança em colocar no grupo e manter o ambiente bem amigável. Caso tenham interesse, podem mandar um e-mail para mim (está na página de contato), para o Canas (você encontra na página de contato de Sinnoh) ou para o Dento (endereço está na página da Área do Leitor em Johto).

Acho que é isso que tenho para dizer essa semana. Espero que tenham gostado do capítulo, e aguardo os comentários de vocês dizendo o que acharam.

Ah, e o capítulo 11 está fluindo rápido! Esse não vai demorar!

Até lá! õ/

Capítulo 10

Avante, nova geração!


O público começava a lotar o Contest Hall de Rustboro. A competição que ali aconteceria em instantes simbolizava o início daquela temporada, onde coordenadores de todos os cantos do mundo competiam para coletar cinco fitas e se classificar para o Grande Festival. Ruby estava sentado em um banco dentro de um camarim onde os competidores se preparavam. 

Olhava para baixo, entrelaçando os dedos das mãos enquanto suas pernas chacoalhavam de ansiedade. Havia tido treinamentos proveitosos com Camila, e as anotações que fizera sobre seus dois Pokémons o ajudou a identificar alguns problemas. Descobriu que seu Treecko o obedecia normalmente em batalhas, mas mostrava muita resistência na hora de fazer apresentações artísticas. Skitty era hiperativa, e por conta disso muitas vezes acabava não prestando atenção nos seus comandos. 

Não tinha mais tempo para corrigir os problemas ou tentar uma solução alternativa, mas identificar o que poderia dar errado já era um começo. No entanto, isso não mudava o fato de que era sua primeira experiência real competindo. O medo de fracassar o consumia. Tentava conter sua respiração angustiada, mas sem sucesso. A tensão já havia tomado conta de sua mente.

Talvez eu deva me trocar logo — pensou, já se levantando para ir ao vestuário.

Assim que começou a caminhar Ruby esbarrou em uma garota que passava por ele, derrubando algumas coisas que ela carregava consigo. Antes que pudesse pedir desculpas o garoto foi rapidamente repreendido pela outra. 

— Você é cego, por acaso? 

Ele em um primeiro momento pareceu não assimilar a pergunta, mas após alguns segundos organizando os pensamentos finalmente questionou. 

— Falou comigo? 

— Está me vendo dirigir a palavra a mais alguém? — a menina parecia cada vez mais estressada.

Ruby abriu um sorriso de canto, já percebendo a situação, e não economizou em seu habitual sarcasmo, que ele usava muito para perturbar pessoas que lhe faltavam com a educação. 

— Primeiro você me pergunta se eu sou cego, e agora se eu estou enxergando... Me desculpe senhorita, mas eu não estou te compreendendo. 

— Não sou do tipo que vai responder suas ironias, seu idiota — a garota rapidamente trombou propositalmente seu ombro com o de Ruby, afastando-o de forma grosseira. — Sai da frente!

Ruby acompanhava com o olhar a garota em direção a um vestuário enquanto ostentava um sorriso triunfante, mas foi desperto de seus pensamentos ao ouvir uma voz já conhecida lhe dirigindo a palavra. 

— Fazendo novas amizades, pelo visto — dizia Wally, que havia acabado de entrar no local. — Você não mudou nada. 

— O que você faz aqui? — Ruby perguntou, tentando em vão disfarçar a surpresa. 

— Eu vim competir. 

— Você não ia disputar a Liga? Você nunca me disse que se tornaria coordenador!

— Disputar a Liga não me impede de participar de contests. Eu acabei me interessando há pouco tempo, mas não te contei porque queria fazer essa surpresa hoje. 

— Que ótimo, essa foi a pior notícia do dia — o garoto agora ria enquanto falava em tom de brincadeira. — Você conhece meu estilo de coordenar, só por isso eu já estou ferrado! Não sei nada sobre você. 

Wally riu da maneira como Ruby tornava a situação um grande drama pessoal. Ele repousou a mão em um dos ombros do amigo, tomando a atenção da conversa para si. 

— Posso saber de suas preferências, mas não sei como você fez para adaptá-las aos seus parceiros de equipe. Além disso, é óbvio que você amadureceu desde aquela época. Não é possível que suas qualidades não estejam mais refinadas hoje.

— Você tenta ser modesto, mas sempre acaba sobressaindo. Já não basta o trabalho que você vai dar pra Sapphire, e agora veio me tirar meu sono também... 

— Isso é coisa da sua cabeça. Não estou aqui pra ser melhor que ninguém, eu faço por gostar mesmo. Vamos dar o nosso melhor!

• • •

Camila e Sapphire tentavam passar pelo meio da multidão que tomava conta do saguão do Contest Hall. Com muita dificuldade elas conseguiram encontrar um espaço mais aberto. Tão logo chegaram no local, as meninas respiraram fundo, como se tivessem acabado de se desprender de uma jaula submersa. 

— É possível que caiba tanta gente aqui dentro? Parece que o prédio vai transbordar! — dizia Camila. 

— Eu não sei, mas talvez seja uma boa ideia a gente ir para a arena agora — Sapphire observava com atenção os arredores para encontrar a porta que dava acesso às arquibancadas. — Ou a gente pode acabar ficando sem lugar para sentar. 

— Essas festinhas são tão populares assim por aqui?

— Nem te conto. As meninas da escola onde eu estudava só pensavam nisso. Tanto é que eu andava com os garotos mesmo, porque elas diziam que eu era uma troglodita por preferir batalhas. Como se eu me importasse. Na hora que o prédio estiver caindo aos pedaços eu posso me salvar sozinha, enquanto elas esperam por seus heróis. 

Sapphire então teve sua atenção presa quando viu uma bela mulher caminhando para uma área de acesso à arena. Era alta e tinha cabelos loiros. Vestia-se como uma dama da alta sociedade, exibindo um sofisticado vestido roxo. Várias pessoas tentavam se aproximar dela, mas alguns seguranças em volta a protegiam do assédio dos fãs.

— Onde foi que eu já vi aquela mulher antes? — a menina questionou, falando bem baixo. 

— Sei lá, mas ela é linda — disse Camila. — Parece até uma rainha.

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Ruby já estava pronto para sua apresentação. Ele usava um traje bastante chamativo, cuja cor predominante era um vermelho bem forte. Dessa vez não usava sua habitual touca branca, mas seus cabelos estavam propositalmente bagunçados para dar um ar provocativo ao garoto. Em suas mãos havia alguns balões vazios, que provavelmente seriam cheios na hora de sua apresentação.

Ele olhava a sala de espera dos competidores a procura de Wally. Não havia sinal do amigo ainda, então ele resolveu se sentar e ficar esperando. Foi surpreendido quando a mesma garota de antes se sentou ao seu lado, agora vestida de forma diferente. As roupas mais estilosas de antes agora davam lugar a um delicado vestido de época, de cor levemente rósea e com alguns detalhes em branco, combinando com um penteado mais antiquado que a fazia parecer uma boneca de pano. A única coisa que faltava nela para isso era a simpatia, substituída pela mesma expressão emburrada de mais cedo. 

O menino não conseguia ignorar o atrito que havia tido com ela algum tempo antes, então não foi capaz de esconder o desconforto. 

— Perdeu alguma coisa? 

— Você é o dono desse sofá, por acaso? — a garota rebateu de forma ríspida.

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A multidão já tomava conta das arquibancadas do Contest Hall, de modo que não fosse possível ver nenhuma cadeira vazia. Era comum algumas pessoas pegarem lugar encostadas nas grades de proteção das passagens superiores da arena, mas logo eram retiradas de lá pelos seguranças, para que não houvesse riscos de acidentes que pudessem prejudicar a organização do evento. 

Ao centro da arena estava o palco onde seriam realizadas as apresentações. Logo em uma das beiradas havia uma mesa elegante com três assentos, que provavelmente seriam ocupados pelos jurados da competição. 

O público cessou as conversas no mesmo instante em que uma mulher se dirigiu até o palco principal. Aparentava ter por volta de trinta anos de idade e possuía vestes até modernas, mas sem perder o toque de elegância. Ela segurava um microfone em uma das mãos, enquanto a outra levava uma espécie de cartão de onde ela tirava as informações pertinentes ao evento. 

— Senhoras e senhores, presentes na arena ou nos assistindo de toda Hoenn! Estamos ao vivo aqui no Contest Hall de Rustboro para dar início à temporada de contests desse ano! — a mulher pronunciava cada palavra mantendo o mesmo nível de entusiasmo para contagiar a platéia, tendo sido provavelmente treinada para isso. — Meu nome é Harriet, e eu serei a locutora desse grande espetáculo que começará em alguns minutos! 

Em seguida três pessoas entraram no palco e caminharam em direção a mesa dos jurados. Cada um se sentou em um dos lugares, sendo acompanhados dos aplausos do público presente.

— Gostaria de apresentar ao público os jurados dessa temporada! O primeiro, já conhecido por todos, é o grande Frederick Shearer! 

A multidão aplaudia com intensidade um homem que se levantou de seu assento na mesa dos jurados. Seu cabelo loiro que já começava a perder a cor e algumas rugas leves no rosto denunciavam que já possuía pelo menos cinquenta anos de idade. Apesar da seriedade, Frederick sorriu de forma serena, cumprimentou o público com uma reverência digna de um lorde e por fim sentou-se novamente.

Os coordenadores que iriam competir podiam acompanhar os acontecimentos do palco através de um televisor instalado na sala de espera. Ruby observava atento o aparelho, a fim de conhecer os jurados que decidiriam se ele avançaria de fase ou não, enquanto a menina ao seu lado, a mesma com quem vinha discutindo há alguns minutos, parecia apreensiva. 

— Tanta gente mais gentil para ser jurado e colocam justo esse cara... 

— O que tem ele? — Ruby questionou. 

— Você não conhece o Frederick Shearer? Sinceramente, o que você tá fazendo aqui? Ele é uma lenda das décadas passadas, um dos maiores coordenadores que Hoenn já viu. Dizem que ele é uma boa pessoa, mas como jurado de contest ele não tem piedade nenhuma.

Ruby engoliu seco. Era seu primeiro teste e já teria que passar por uma prova de fogo, tendo como grande obstáculo um ex-coordenador de alto nível julgando cada movimento que ele fosse fazer no palco. Dúvidas começaram a brotar em sua mente. 

Eu devia ter me preparado melhor... — pensou o garoto, mas logo sacudiu a cabeça como se negasse aquelas palavras. Não era hora de demonstrar incertezas.

— A segunda pessoa a julgar a competição de hoje também é uma personalidade muito importante em Hoenn — Harriet anunciava entusiasmada. — Recebam Glacia, integrante da Elite 4 de nossa região, a treinadora do tipo gelo mais poderosa que esse mundo já viu! 

A dama de vestido roxo jogou seus cabelos dourados para trás e levantou-se devagar. Em seguida, segurou as laterais do vestido e fez uma reverência para a platéia. Sentou-se de novo em seu lugar, e trouxe o microfone da mesa para perto. 

— Será um enorme prazer acompanhá-los nessa temporada. Muitos podem estar estranhando o fato de uma treinadora da Liga Pokémon estar em um contest, mas dou a minha palavra de que não vou desapontá-los. Meus julgamentos serão precisos e criteriosos com os jovens coordenadores que teremos nesta temporada, e no que depender de mim apenas os melhores conquistarão seus objetivos. 

— A Glacia é uma espectadora assídua dos contests e do Grande Festival desde que era uma garotinha — a locutora agora explicava. — Seus conhecimentos a respeito de coordenação Pokémon são muito maiores do que vocês imaginam! Ou achavam coincidência ela ser conhecida por batalhar com tanta elegância na Liga? 

Sapphire estava de queixo caído. Nem em seus maiores sonhos imaginaria em encontrar um membro da Elite tão próximo a ela. Por um momento pensou que estar naquele Contest Hall valeu a pena. Não conseguia mais prestar atenção em nada do que acontecia. Apenas um sorriso estampava sua face como uma criança eufórica, imaginando se haveria alguma possibilidade de falar com Glacia pessoalmente após o fim do contest.

Na sequência Harriet deu continuidade à introdução do contest. Explicou que a pessoa designada para ocupar o terceiro cargo de jurado da competição estava ausente por problemas de saúde, mas não se aprofundou em detalhes. Apenas disse aos espectadores que na próxima competição eles descobririam quem é. E assim, após um resumo de como funcionaria o concurso, virou-se para as câmeras de televisão e chamou os comerciais.

• • •

A fim de não ser engolido pela ansiedade Ruby decidiu caminhar um pouco pela sala de espera. Mas o local não era tão espaçoso, então pouco adiantou. Por vezes desejava não estar ali. Tudo seria muito mais fácil se apenas acompanhasse Sapphire e Camila em viagem. Provavelmente já teriam até saído da cidade. Mas agora não tinha mais volta. Mesmo que pedisse para ir embora sua desistência seria anunciada publicamente, o que seria uma vergonha ainda maior do que qualquer derrota que pudesse sofrer.

Andava inquieto, de um lado para o outro. O traje, antes confortável, começava a parecer mais quente. Procurava por algum lugar que ficasse na reta de um ventilador, pois não queria entrar para se apresentar com marcas de transpiração. Foi desperto de seu transe apenas quando sentiu o toque de uma mão em seu ombro direito. Se tranquilizou ao virar para trás e descobrir que se tratava de Wally, que trajava um terno básico.

— Você está quase passando mal. Aqui — o amigo então lhe estendeu uma garrafa de água. — Eu também estou nervoso, mas de que vai adiantar entrar em pânico? 

— É o nosso primeiro contest — Ruby pegou a garrafa, mas não a abriu. — Estou com um pouco de medo de as coisas não saírem como o planejado. Acho que não treinei o suficiente.

Ruby começou a soltar um riso baixo de nervosismo. Wally apenas o encarava com um semblante de preocupação. 

— Se a Eliza me visse agora, ela teria vergonha. 

— Não, não teria — Wally segurou firme os dois ombros de Ruby, quase o forçando a olhar em seus olhos. — Relaxa, você está se punindo antes da hora. Isso sim vai atrapalhar a sua apresentação. Só fica calmo, e quando for chamado vai lá e faz o que você sabe. 

O menino então soltou seu amigo e parou para coçar seus cabelos esverdeados. 

— Você sempre foi esperto, vai saber se virar se alguma coisa acontecer. Para com essa falta de confiança e faz o seu melhor. Se não der certo é só treinar mais. Eu estou aqui porque aprendi muita coisa andando com você naquela época. Se você mostrar tanta desconfiança em si mesmo, então eu vou começar a pensar que aprendi tudo errado desde o começo!

Ruby aos poucos foi se acalmando. Wally suspirou aliviado ao ver que havia conseguido tirar o amigo do estado de pânico. 

— Ruby, você se lembra do Billy? 

— O "Big Billy"? Aquele garoto enorme que roubava o dinheiro de todo mundo no intervalo, me chamava de marica por gostar de contests e dizia que seria um treinador que superaria o Lance? Muito obrigado por me lembrar que esse troglodita imbecil existe. 

— Mas era exatamente isso que eu ia te dizer. Ele vivia te zoando por querer ser coordenador, mas naquele dia que recebemos a visita do Professor Elm na escola e ele nos deixou batalhar com alguns Pokémons você deu uma surra no Billy. 

— Tsc, qualquer um teria dado. Me pergunto se aquele Ursaring fedido conseguiu ser alguém na vida. Como treinador ele mostrou que é mais imprestável do que eu imaginava. Não que como pessoa ele também não seja...

Os dois riram com as lembranças. Os problemas daquela época agora pareciam tão banais que chegavam a ser cômicos. 

Ruby agora mostrava um sorriso confiante, o que de certa forma também incentivava Wally. Se antes havia dúvidas contaminando a atmosfera daquela sala, agora tinham a velha amizade da infância para que se sentissem mais capazes. 

— Estou mais tranquilo agora — disse Ruby. — Talvez fosse só coisa da minha cabeça mesmo. 

— Qualquer seja o resultado de hoje, será um bom aprendizado para nós dois.

Ambos então tiveram sua atenção atraída quando Harriet anunciou a volta das transmissões do evento. Alguns organizadores entraram na sala de espera e sinalizaram que o evento estava prestes a começar. Os coordenadores presentes de imediato se colocaram em estado de alerta, aguardando o momento de serem chamados.

— Sei que vocês já não estão se aguentando de ansiedade, então vamos dar início logo às apresentações! — Harriet vibrava cada vez mais com a chegada das apresentações. — A primeira coordenadora a se apresentar será Emily! 

Os olhares de todos procuravam a pessoa chamada na sala. Ruby notou que se tratava da garota com quem havia se estranhado anteriormente e apenas a acompanhou com o olhar enquanto ela se dirigia ao palco, sendo recebida com os aplausos do público. 

— De acordo com a ficha que tenho em mãos, a jovem Emily vem da cidade de Mauville e está competindo pela primeira vez — dizia Harriet. — Que incomum iniciarmos a temporada com a apresentação de uma estreante! Emily, boa sorte e dê o seu melhor!

A garota fez uma breve reverência para o público e iniciou sua apresentação lançando para o palco uma Pokéball de onde saiu um Volbeat. Alguns presentes ficaram curiosos com a escolha incomum da coordenadora, que esboçou um sorriso de canto ao perceber que já começava a atrair a atenção das pessoas. 

— Comece com o Double Team!

O pequeno inseto parou no ar por um instante, aumentando a própria concentração para em seguida começar a criar réplicas dele próprio ao redor do palco. Algumas crianças esboçavam euforia, mas o público mais velho não parecia se impressionar, visto que se tratava de uma técnica comum, bastante usada nas apresentações. Frederick e Glacia permaneciam observando da mesa de jurados, sem esboçar qualquer expressão diferente. 

— Calma gente, estou só começando — Emily sussurrou. 

A coordenadora em seguida fez um sinal para os assistentes de palco, indicando para que fizessem o que havia sido combinado antes da apresentação. No mesmo instante as claraboias do Contest Hall foram fechadas e as luzes de todo o salão apagadas, deixando tudo na mais completa escuridão. Alguns sussurros de curiosidade eram ouvidos vindo das arquibancadas, até que a voz de Emily ganhou destaque novamente. 

Moonlight!

O Volbeat original voou até o centro do palco e concentrou suas energias mais uma vez. Porém, o que se viu em seguida foi uma reprodução da lua cheia trazendo uma iluminação noturna para o palco. Mesmo sendo uma projeção as pessoas se impressionavam com o realismo da ambientação ali criada, e aguardavam o que seria o clímax daquele espetáculo. 

— Agora use o Tail Glow!

Os vários Volbeats ao redor do palco iluminaram suas caudas e iniciaram uma dança sincronizada. Alguns outros voavam por cima do público, ampliando a imersão das pessoas que assistiam a apresentação. 

Quando a dança cessou e o palco retornou à sua iluminação original, apenas Emily estava ali com seu único Volbeat pendurado em seu ombro. Os aplausos sonoros eram a confirmação de que pelo menos o público a menina e seu companheiro inseto haviam conseguido impressionar. Faltava apenas os jurados.

— Por um momento me vi decepcionado pela senhorita recorrer a uma técnica tão comum quanto o Double Team, mas o que se viu em seguida foi uma agradável surpresa! — Frederick fez então uma breve pausa, ajeitando os óculos. — Não consigo acreditar que foi a sua primeira apresentação. Acho que a Harriet está mentindo. 

O comentário final do lendário coordenador arrancou risos dos espectadores, assim como da própria locutora. Emily agradeceu com um enorme sorriso no rosto, por saber o quão difícil era impressionar o jurado que havia acabado de lhe aprovar. Virou-se então para Glacia, que mantinha seu semblante sereno como sempre.

— Na minha introdução eu disse que seria bem criteriosa com os competidores desse contest. E logo de primeira os organizadores me presenteiam com uma coordenadora com tanto potencial que eu serei obrigada a me contradizer em meu primeiro veredicto. Você foi maravilhosa, meus parabéns.

Emily agradeceu aos dois jurados, fez um último aceno à platéia e caminhou de volta para a sala de espera com um ar triunfante. Ao passar por Ruby ela olhou de relance para o garoto com um sorriso debochado, como se o convidasse a fazer algo no mínimo do mesmo nível. O garoto agora voltava a ficar tenso, percebendo que não teria apenas que competir contra suas próprias limitações, mas sim superar outros coordenadores provavelmente tão qualificados quanto a que havia acabado de se apresentar.

Pouco mais de uma hora se passou desde então. Os coordenadores faziam suas apresentações, e muitos deles já recebiam sua reprovação imediatamente após o fim das exibições. Frederick e Glacia não faziam questão de esconder a insatisfação com os movimentos mais banais e combinações que não faziam o menor sentido para eles. Mesmo alguns competidores que eram aplaudidos pelo público foram duramente criticados.

Era chegada a vez de Ruby. Os joelhos do garoto quase desmontaram quando ouviu seu nome ser chamado ao palco, por mais que Harriet mantivesse o tom de voz simpático de sempre.

Ele atravessou o corredor de acesso à arena, segurando os balões que agora cheios exibiam formato de corações, e quando se viu na área central foi recebido por aplausos pelos dois lances de arquibancadas cheias. Não seria surpresa se ali houvesse pelo menos duas mil pessoas, além de todos os que estavam assistindo pela televisão.

— Que recepção calorosa para o Ruby, um dos vários estreantes presentes aqui hoje! — Harriet exaltava o coordenador novato, o que só lhe deixava ainda mais aflito. — Conta pra gente, Ruby. É verdade que você veio da região de Johto? 

O menino respirou fundo para ganhar algum tempo e se preparar para não acabar gaguejando na resposta. 

— Sim, é verdade. Mais precisamente da cidade de Violet. Mas a minha família veio morar em Petalburg há um tempo. 

— Que interessante! Sejam bem-vindos a Hoenn, Ruby e família que com certeza está nos assistindo agora! Boa sorte, e mostre o que você tem de melhor!

O garoto sacou sua Pokéball e após encará-la por um instante a arremessou de forma elegante para o palco. 

— Muito bem Skitty, é a sua vez! 

A pequena criatura felina entrou em cena fazendo uma pequena acrobacia antes de aterrissar com suavidade no chão, onde permaneceu olhando a platéia com sua expressão travessa. Começou então a lamber uma de suas patas, arrancando alguns suspiros do público.

Ruby logo soltou os balões que estava segurando, e os mesmos ficaram a flutuar livremente no palco. O garoto, que aos poucos começava a perder a timidez, abriu um sorriso discreto, 

— Utilize o Attract para mandar os balões para a platéia!

Skitty liberou pequenas porções de energia com formato de corações vermelhos para acertar os balões no palco. A precisão com que o movimento era executado encantava os espectadores, que naquele momento viam os balões flutuarem sobre suas cabeças.

Sing

Com a ordem de Ruby sua pequena parceira iniciou uma canção bela e peculiar. A melodia lenta e pacífica causava na platéia uma sensação de relaxamento. Alguns até esboçavam feições de sono seguidos de curtos bocejos. Ao mesmo tempo, notas musicais multicoloridas vagavam pela arena se juntando aos balões e aos corações oriundos do Attract. O coordenador gesticulava com os braços como um regente guiando uma orquestra.

— Hora de mudar o ritmo. Disarming Voice!

A canção de Skitty continuava, porém a sonoridade antes terna agora era mais elevada e aguda, parecendo carregar desta vez um pouco de aflição. Novos corações surgiam no palco, porém com um tom de cor róseo. O canto se tornava cada vez mais alto e dramático, e quando chegou ao seu ápice os balões estouraram espalhando um véu de brilho de cor branca e aroma perfumado pelo palco, causando no público e nos jurados um misto de sensações confortantes. 

Percebendo que havia dominado a apresentação, Ruby sorriu e direcionou seu olhar para Skitty, que entendeu prontamente o sinal que seu mestre lhe fez ao assentir com a cabeça. O garoto retirou de um dos bolsos da jaqueta de couro uma esfera branca, que nada mais era do que uma bomba de ar com uma pequena porção de brilho embutida. 

Ruby arremessou a esfera para o alto e ordenou o movimento final. Skitty saltou e acertou um Tackle, fazendo a bomba de ar explodir e liberar uma nova camada brilhante que tomou conta do palco. Por fim, a felina se colocou acima da cabeça do garoto e os dois reverenciaram o público, que respondeu com aplausos fervorosos.

Após os espectadores se acalmarem, os jurados enfim puderam dar suas opiniões. Ruby estava pronto para descobrir se sua apresentação foi o suficiente para agradar Frederick e Glacia.

— A Skitty é adorável. Vocês se saíram muito bem, mas sinto que ainda há algo faltando — comentou Glacia. 

— Se me permite, acho que sei o que é — Frederick tomou a frente. — A apresentação foi bela e bem planejada. No entanto, um conselho que dou a você é deixar que a Skitty apareça um pouco mais. Vocês dividiram muito a atenção em palco, e o foco dos contests devem ser sempre os Pokémons. Nós coordenadores somos apenas guias que os ajudam a brilhar. 

Glacia e Frederick trocaram olhares, e a treinadora da Elite assentiu com a cabeça. 

— Estou de acordo. É isso mesmo. Mas destaco por outro lado o excelente trabalho que você fez com sons e aromas aliados ao espetáculo visual. Esse trabalho com diferentes sensações foi o grande diferencial da sua apresentação, o que a fez sair um pouco do comum. Parabéns por ter feito algo assim em sua primeira exibição.

Ruby agradeceu os jurados e fez um último cumprimento antes de deixar o palco. Caminhava pelos corredores um pouco mais tranquilo. Não sabia se seria o suficiente para conquistar o primeiro lugar, mas sabia que tinha se saído bem melhor que muitos outros competidores. 

Ao atravessar a porta da sala de espera notou que Wally sorria satisfeito. Emily o encarou por um momento, mas quando Ruby percebeu ela na mesma hora desviou o olhar.

— Você foi ótimo! — Wally comemorava como se fosse uma vitória dele próprio. — Com uma apresentação dessas eu não duvido que você pelo menos fique entre os primeiros! 

— Não sei, os jurados apontaram algumas falhas — Ruby coçava a cabeça ao mesmo tempo que exibia um sorriso sem graça. — Mas é verdade que as coisas saíram bem melhor do que eu esperava. Eu tive um pouco de receio de que a Skitty acabasse se distraindo com alguma coisa.

— Basta continuar treinando que esses problemas vão desaparecer com o tempo. 

— Bem que você podia me passar algumas dicas, já que é um treinador que vai competir na Liga Pokémon.

A intenção de Ruby era apenas a de descontrair o ambiente, e isso podia ser notado em seu tom de brincadeira. Porém, ele logo percebeu que Wally não estava rindo. Não só isso, como vários dos coordenadores presentes encaravam ambos com um misto de surpresa e desconfiança. Alguns dos olhares inclusive demonstravam até certo desprezo.

— O que deu nessa gente? 

— Você meio que... — Wally tentava encolher a cabeça entre os ombros. — Tocou em um assunto delicado.

O garoto puxou seu amigo pelo braço, levando-o para um canto mais isolado do local. Assim que foi solto, Ruby olhou mais uma vez para os demais coordenadores. A maioria já havia voltado suas atenções para outras coisas, enquanto alguns conversavam entre si por vezes olhando de relance para a dupla e lançando olhares de julgamento. 

— Não me lembro bem de como era a relação entre treinadores e coordenadores lá em Johto, mas aqui em Hoenn não é das melhores — pontuou Wally, mantendo um tom de voz mais discreto. 

— O que quer dizer? 

— Você sabe que os contests tiveram origem em Hoenn, não é? Por isso alguns coordenadores daqui parecem ter algum tipo de necessidade de afirmar superioridade. Não sei como é pra dizer a verdade, mas treinadores são quase odiados por eles.

Ruby não teve tempo de dizer mais nada, pois nos segundos que se seguiram Harriet fez a chamada para que Wally fosse se apresentar. Seu amigo engoliu seco, e tentava conter o tremor involuntário, quase imperceptível, que tomava conta de seu corpo.

Wally sentia seus ombros e seu peito pesarem. Sentia que as crises de asma, da qual tanto havia lutado para se livrar, poderiam voltar a qualquer momento. Retirou de um dos bolsos de sua camisa um inalador, que carregava consigo para o caso de emergências, mas após um breve instante o colocou de volta. Apertou os punhos e ergueu a cabeça, chamando para si todos os olhares e comentários de julgamento que lhe eram direcionados. 

Caminhou em direção à porta de acesso, e não havia percebido que um coordenador estava encostado na parede logo ao lado, como se aguardasse sua vinda. 

— Espero que aprenda que contests não são para a "ralé" — o rapaz tinha malícia em seu sorriso, como se já esperasse por alguma reação de submissão de seu alvo. 

— Então por que não vai embora? — ambos foram surpreendidos ao ouvir a voz de Ruby, que apareceu de forma repentina logo atrás. — Sua apresentação foi tão vazia mesmo. Com essa falta de criatividade e um conteúdo tão superficial nas apresentações, eu sinceramente não sei o que você faz aqui ainda. Realmente acredita que vai vencer o contest, ou só está fazendo hora extra mesmo?

O garoto rapidamente substituiu o sorriso debochado por um olhar furioso na direção de Ruby, mas não respondeu. Ele apenas caminhou para outro lugar deixando os dois amigos na porta. 

— Nossa, às vezes eu queria ter essas respostas como você — Wally comentou, ainda observando o rapaz que havia tentado lhe tirar do sério. 

— Sabe como é, essa gente que fica colocando pressão costuma ter um ego muito inflado — dizia Ruby. — Então não fica tão difícil achar um ponto fraco. Agora vai lá e aproveite a sua apresentação! 

Bastou um empurrão para que Wally fosse direto para o corredor. Ruby assistia o amigo caminhar em direção ao palco enquanto tentava esconder um sentimento de culpa por ter revelado a "vida dupla" dele para tantos adversários.

Ao chegar ao final do corredor Wally parou. De onde estava já era possível ver alguns lances de arquibancadas. A quantidade de pessoas intimidava, por mais que tentasse criar coragem. Ele respirou fundo e enfim subiu as escadas que davam acesso ao palco. Sentiu o chão tremer devido a platéia que o ovacionava em sua entrada. Sabia a diferença entre as batalhas de ginásio em arenas vazias para uma competição que sempre recebia tanto público, repleto de surpresas. Com certeza seria um bom treino para lidar com a pressão dos espectadores, tanto no Grande Festival como na Liga Pokémon, as duas competições que almejava disputar.

Caminhou até o centro do palco já segurando a Pokéball, que quando lançada revelou ao público um Surskit. O pequeno Pokémon inseto deslizou com graciosidade pelo palco, arrancando alguns aplausos e olhares curiosos para si. 

— Muito bem, chegou a hora. Comece com o Sweet Scent!

Surskit espalhou pela arena um aroma doce e suave que enfeitiçou todos os presentes. Olhando para a platéia, Wally via os sorrisos encantados do público para o seu pequeno Pokémon. O garoto começava a ficar mais relaxado. 

— Brilhe com Water Sport!

O pequeno Pokémon criou uma imensa barreira de água e envolveu-se com ela, desaparecendo dos olhos atentos de todos. 

Bubble!

Algumas bolhas saíram do meio da barreira de água que se erguia cada vez mais para o alto. A cada vez que elas colidiam com as cortinas de água eram destruídas formando múltiplos arcos-íris por todo o teatro, levando o público ao delírio. Frederick e Glacia trocaram olhares surpresos e comentaram entre si a respeito da cena. 

Wally estava preparado para o golpe final. Apertou os punhos e sorriu confiante. 

— Finalize com o Quick Attack!

Surskit acelerou o passo. Rápido, pequeno e leve, tinha todos os fatores necessários para que subitamente desaparecesse do chão, pulando e subindo em direção ao teto, estourando as bolhas do golpe anterior, fazendo-as explodir em milhares de gotículas coloridos e umidificados que caíam sobre a platéia como uma suave garoa refrescante. 

O público o ovacionava de pé. Surskit pousou na cabeça de seu treinador e juntos agradeceram os animados e fervorosos aplausos recebidos. Do camarim, Ruby aplaudia o amigo. Wally realmente mostrara que tinha talento também como coordenador. Era a hora de receber a avaliação dos jurados.

— Eu tenho experiência em técnicas do tipo gelo e você demonstrou bastante domínio em algumas do tipo aquático — Glacia pontuou, demonstrando serenidade na voz. — Acho que estamos bem próximos no quesito identificação. Sua apresentação foi muito agradável, mesmo com técnicas simples você foi criativo e conquistou o público com um bom aspecto visual. Simplicidade também é uma virtude para mentes criativas. Mas embora não seja o caso, eu alerto para que você não se apegue muito a isso, para que em outras ocasiões essa simplicidade não corra o risco de ser confundida com desleixo. Mas você foi muito bem.

— As colocações da Glacia a respeito da simplicidade foram perfeitas — disse Frederick. — Foi uma apresentação muito bem guiada, seu Surskit se movimenta com elegância, mas acho que ainda é possível surpreender mais no final. Vou deixar isso como um desafio para você cumprir no próximo contest. Mas ainda assim eu lhe dou os parabéns pela ótima performance.

— E essa foi a apresentação final do contest de hoje, protagonizada por Wally da cidade de Verdanturf! — Harriet tomou para si a atenção do público. — Faremos agora uma breve pausa enquanto nossos jurados decidem qual foi a melhor apresentação do dia, para que possamos premiar o vencedor de Rustboro, o contest de abertura da temporada desse ano!

De volta à sala de espera, Wally foi recebido por Ruby em um raro momento de euforia. Sentiu uma enorme satisfação, tendo ficado realmente feliz em ver que surpreendeu seu melhor amigo, mais até do que ficou com os elogios dos jurados. Os adversários ainda o encaravam sem muito agrado, mas já era possível perceber um pouco mais de respeito nos olhares de alguns.

Minutos se passaram, mas a sensação era a de que aquele momento custava a ir embora. A aflição atingia todos os competidores. Cada espectador agora estava curioso para saber se seu coordenador favorito conseguiria a vitória. A espera só terminou quando Harriet e os jurados retornaram ao centro do palco para anunciar os resultados finais.

— Agradecemos pela paciência, senhoras e senhores — disse a locutora, que agora mostrava um envelope para todos. — Permitam-me dizer uma coisa antes de revelarmos o resultado definitivo deste contest. O que está escrito aqui dentro é algo que eu nunca presenciei, nem como espectadora, nem como locutora, função que já ocupo há dez anos. São momentos como este que me fazem ter orgulho de poder levar a todos vocês o quanto contests são competições emocionantes. Aqui dentro temos três nomes, do primeiro ao terceiro lugar, e os três possuem uma característica peculiar.

A curiosidade e a tensão aumentavam a cada frase enigmática de Harriet. Ninguém sabia o que estava acontecendo. Algumas pessoas cochichavam na platéia, trocando o que consideravam ser pistas e formulando teorias mirabolantes sobre o desfecho daquele evento. 

Na sala de espera Ruby e Wally olhavam para a tela sem sequer piscar os olhos. Emily jazia encostada em uma parede. Tentava se fazer parecer tranquila, mas a verdade é que apertava os braços com força a fim de evitar a tremedeira. 

Das arquibancadas, Sapphire e Camila observavam com atenção cada momento do anúncio do vencedor. Torciam para que Ruby conquistasse o primeiro lugar, e pareciam até mesmo entusiastas de longa data das competições de coordenação.

— Muito bem — Harriet enfim abriu o envelope, iniciando a contagem regressiva para o ápice daquele contest. — Em terceiro lugar está Ruby, da cidade de Violet, e sua Skitty! 

Os aplausos tomaram conta do local. Wally olhou sem graça para o amigo, mas percebeu que ele sorria com enorme satisfação. Ruby caminhou satisfeito até o palco para receber os cumprimentos de Harriet e dos jurados, e também para saudar o público. Apesar de toda a insegurança que teve que enfrentar no início, o garoto soube enfrentar as dificuldades e conquistar o terceiro lugar em sua estréia. Um resultado que pode não ter muito valor para alguns, mas que para ele era um grande passo de entrada para a sua carreira.

— Em segundo lugar, da cidade de Verdanturf, Wally e Surskit! 

Foi a vez do menino de cabelos esverdeados subir ao palco. Ele tinha um sorriso aberto em seu rosto e parou ao lado de Ruby. Os dois trocaram olhares motivados, sabendo que cada um deles estava ali devido a ajuda mútua que prestaram. A cooperação nos momentos de dificuldade os fizeram mais fortes e confiantes, e a recompensa por aquilo estava justamente em poderem se ver entre os melhores daquela tarde.

— E o momento mais esperado, hora de anunciar quem venceu o Contest de Rustboro! — Harriet fez uma breve pausa, uma vez que aplausos foram ouvidos. — Eu havia comentado que os três primeiros tinham algo em comum, não é mesmo? Pois aí está. Tanto como Ruby e Wally, a pessoa que conquistou o primeiro lugar também é um estreante. E isso é um motivo de grande alegria, pois mostra que a nova geração veio com tudo para tomar o seu lugar entre os grandes coordenadores de Hoenn! Recebam com aplausos, vinda de Mauville, Emily e Volbeat! Os vencedores desta competição!

Emily caminhou para dentro do palco acenando para o público e exibindo um sorriso carinhoso. Ruby tinha vontade de rir só de pensar em como aquela menina agia nos bastidores, mas teve todo o cuidado para não criar uma situação constrangedora naquele momento.

A menina recebeu um aperto de mão de Glacia e de Frederick, sendo que este logo em seguida lhe entregou a Fita que simbolizava a conquista daquele Contest, e um passo a menos para se classificar para o Grande Festival a ser realizado no final daquele ano. O público ovacionava os três primeiros colocados com aplausos intensos, mostrando que concordavam com a presença de cada um deles naquele lugar. Os jovens coordenadores sentiam uma sensação de plenitude, de que haviam cumprido suas missões ali. Seja vencer o Contest, ou simplesmente aprender sobre eles para poder obter resultados melhores da próxima vez.

• • •

Algumas horas mais tarde Ruby e Wally estavam no refeitório do Centro Pokémon da cidade, acompanhados de Sapphire e Camila. As meninas já haviam lhes parabenizado pelo ótimo desempenho no contest, e os incentivavam dizendo que as vitórias viriam nas próximas tentativas.

— Eu me sinto no paraíso! — Ruby se espreguiçou recostado no banco da mesa enquanto esticava os braços para cima. — Sinto como se tivesse tirado um peso enorme das costas. 

— Também me sinto aliviado agora — Wally concordou. — Mas devemos prestar mais atenção, porque a partir de agora estaremos em evidência como "os novatos que chegaram com tudo". 

Os garotos fizeram um high five, ao mesmo tempo em que riam de forma descontraída. 

— Ele já não parece mais o Ruby medroso de hoje cedo — Camila resolveu puxar assunto com Sapphire enquanto os outros dois não prestavam atenção em mais nada. 

— Eu prefiro que ele fique assim — a menina respondeu sorrindo. — Ele tenso daquela maneira já tava me incomodando. Amanhã vamos precisar acordar cedo para estocar os suprimentos. Então a gente vai poder seguir para Dewford. Aliás, o primeiro local da Batalha da Fronteira que você quer visitar fica no caminho, não é? 

— Exatamente! Você e o Ruby já tiveram diversão demais nessa cidade. Agora é a minha vez de chutar umas bundas!

A estadia em Rustboro caminhava para suas últimas horas. Dali em diante os pensamentos de Sapphire, Ruby e Camila estariam voltados para Dewford e para a batalha contra um dos Cérebros da Fronteira que a terceira teria no caminho. O menino não conseguiu a vitória em seu primeiro contest, mas o aprendizado no fim das contas foi positivo. Finalmente era chegado o momento de se despedir da metrópole e caminhar em direção aos próximos destinos.

FIM DO CAPÍTULO 10

   

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