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Meus 10 anos como escritor
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| Só lamento que o bendito WayBackMachine não tenha salvo os buttons do menu, daí ficam essas imagens bugadas kkk |
Eu já sei onde isso vai dar: vocês me zoando, dizendo que eu sou velho. Mas o que eu posso fazer? São 10 anos de estrada, tendo passado pelos mais variados cantos me esforçando pra ter minhas histórias lidas e alguma alma bondosa dizer: "Ei, até que você é gente".
Não vamos mentir. Escritores, mesmo amadores como eu, precisam "publicar" as histórias em algum lugar. A própria palavra já diz tudo: tornar público, expor para outras pessoas. Buscamos reconhecimento, queremos alguém que nos dê a confirmação de que nosso esforço valeu a pena. Não dá pra negar.
Muita coisa aconteceu nesse tempo, e eu quero compartilhar com vocês.
Antes do início, o primeiro contato com a escrita
Volto ao ano de 2005, onde para um trabalho de escola a professora de Produção de Texto pediu para que cada aluno "escrevesse um livro". Cara, eu conheço gente que escreveu livros e publicou de verdade. O Canas, que dispensa apresentações, e a Tsuki, pessoa fantástica que me ajudou muito na retomada desse blog após meu longo hiato de dois anos sem escrever, publicaram livros (respectivamente "Matéria: Espada de Madeira" e "Garnet: Labirinto de Sombras"), e cara... Aquele trabalho não foi nem perto disso kkkkkkkkkk Mas é óbvio, naquela época eu já sabia que a professora não estava falando sério. Era mais precisamente criar uma história curtinha, imprimir e encadernar.
Eu escrevi uma pequena trama de mistério policial, da qual não tenho muitas lembranças porque a professora simplesmente nunca me devolveu o trabalho e eu não tinha o backup da história no meu computador. Talvez ela tenha gostado demais da história e resolveu dar um perdido em mim (aham Shadow, senta lá). E essa foi a minha primeira experiência com escrita e criação de histórias, mas também foi a única pelos próximos anos que se passaram.
2009 - "Isso aqui se chama fanfic"
Eu estava no Ensino Médio. Tive uma perda na família dois anos antes, minha cabeça estava simplesmente em lugar nenhum. Não estudava pra nada, não queria procurar nada pra me profissionalizar, não tinha interesse em nenhuma atividade que pudesse me desenvolver como pessoa ou profissional. Eu só passava meus dias jogando videogame e indo pros treinos de futebol.
Nessa época eu tinha o canal Animax em casa, então quando eu o encontrei eu comecei a acompanhar alguns animes. Já tinha tido experiências com animes "fora do mainstream BR" quando acompanhei Fullmetal Alchemist e Hunter X Hunter pela RedeTV (o foda era ficar esperando terminar aqueles programas de igreja que os caras faziam cadeirante sair andando), e dali com o Animax eu comecei a assistir alguns outros como Death Note e Bleach, que pra mim eram coisas completamente desconhecidas e que só a galera underground sabia da existência. Eu nem imaginava o tamanho do universo de otakus fedidos que existia nos confins da internet.
Nesse ano de 2009 uma prima minha, que também curtia essa parada de ficar assistindo anime e tal, me mostrou um site chamado Fanfiction.net, onde um pessoal escrevia por hobbie o que chamavam de fanfics (ficções criadas por fãs), histórias de obras já existentes imaginadas por pessoas que gostavam daquela categoria. Mas ao contrário do que vocês devem estar imaginando agora, não é aqui que começa minha caminhada nesse mundo, porque nessa época eu larguei um belo de um foda-se para as tais fanfics kkkkkkkkkk Fora que eu sempre achei o Fanfiction.net um site bem feio e confuso de usar.
Foi um pouco mais pro final desse ano que eu a vi mexendo no Nyah e lendo algumas fics de Naruto. Esse site eu já achei mais legal e bem construído (O TEMPLATE DESSA ÉPOCA ERA BEM MELHOR QUE O ATUAL E TIRARAM ISSO DE MIM), mas as fics ainda não me criavam interesse.
Foi no verão seguinte que tudo começou a se desenhar
Janeiro de 2010. Fomos passar alguns dias numa casa de veraneio da minha madrinha. Fomos eu, minha mãe, minha irmã e essa nossa prima.
Estávamos conversando sobre animes novamente numa tarde lá, e aí ela trouxe mais uma vez o assunto das fanfics. Dessa vez ela estava lendo uma comédia muito popular no site na época chamada "L, o Psicólogo", um crossover com vários personagens de animes diferentes. E ela começou a contar algumas cenas engraçadas, até que fui me interessando pela história.
Eu não tinha internet em casa naquela época, mas queria ler. Minha prima então compilou todos os capítulos em um documento do Word e depois levou pra mim em um pendrive. Assim eu poderia ler sem precisar procurar um lugar onde acessar o site.
Eu chorei de rir com a história, devorei os capítulos em tempo recorde. E de repente eu, que nunca tive o hábito de leitura e até hoje não a considero uma de minhas principais atividades, estava extremamente interessado pelo universo das fics ao ponto de eu mesmo querer criar algo nesse estilo. Eu queria criar algo que fosse tão engraçado quanto "L, o Psicólogo". Mas nem passava pela minha cabeça publicar a história. Sempre fui muito tímido, eu não achava que seria uma boa experiência mostrar algo para todos e de repente ser julgado com gente dizendo que eu fiz um trabalho horrível. Fui escrevendo porque queria, e só pra mim.
Quando essa prima minha voltou em casa um dia eu disse que tinha tentado criar uma história daquele tipo, e mostrei a ela quase 20 capítulos que eu havia criado em pouco mais de uma semana. Era um lixo, era crossoverzão clichê com piadas nada originais e situações esdrúxulas totalmente nonsense. Mas éramos aborrecentes de 16 anos cheios de merda na cabeça, a gente sabia ser feliz com pouco e é verdade o que digo quando o aumento do nosso senso crítico tira a graça de muita coisa. Se um dia vocês vão ver aquilo? NUNCA! Mas foi ali que eu comecei, porque ela disse que curtiu a história e que eu deveria postar aquele plágio mal feito no Nyah.
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| Reação do Shadow relendo suas fics antigas |
Pois bem, dia 14 de Março de 2010, curiosamente também um sábado, eu publiquei o primeiro capítulo dessa vergonha alheia no Nyah. Levou uma semana até que eu começasse a ganhar leitores, mas quando aconteceu as coisas foram engrenando em uma crescente incrível.
Naquela época o Nyah possuía um sistema de RPG que detalhava o nível de cada usuário no site. Você ganhava experiência para subir de nível toda vez que publicava uma história ou comentava na de alguém.
O site era muito movimentado nessa época, e combinado a isso esse sistema de RPG que deixava todo mundo hypado pra upar a conta até o nível mais de 8000 era relativamente fácil ser lido e comentado por lá. O problema é que muita gente spammava comentários em tudo quanto é história só pra ganhar XP, e muito provavelmente muitos nem liam as histórias. Isso fica evidente com a quantidade de comentários (ou reviews, como eram chamados na época lá no Nyah) em que só se lia "KKKKKK ADOREI CONTINUA BJS", sem sequer mencionar algo da história. Por outro lado, era o que mantinha o movimento e era divertido, sem falar que os números de comentários bem ou mal ajudavam a história a atrair os olhares do público.
É, lá estava eu, sob o nick de "Alchemist" (fanboy de Fullmetal é foda, man) com minha humilde fic tendo conquistado mais de 300 comentários ao fim da primeira temporada que tinha 25 capítulos (uma média de 12 reviews por capítulo, o que era bom demais para o novato mongolóide aqui). Nas fics seguintes, onde eu já tinha alguns leitores consolidados, começaram a aparecer as tão desejadas e tão aguardadas recomendações. Se você está lendo isso e nunca fez parte do Nyah, só veio pelos blogs ou pelo Spirit, recomendação é uma ferramenta que existe lá até hoje, e é o maior troféu que você pode conseguir na sua história. Os comentários e favoritos não se comparavam nem de perto ao peso de uma recomendação no Nyah. Era a prova máxima de que você realmente despertou a admiração do leitor que a deu pra você. Era uma conquista de valor inestimável, e algumas delas começaram a aparecer nas minhas histórias. Para vocês terem uma ideia do quão foda é a recomendação, quando você manda alguma recomendação para uma história no Nyah (pelo menos na época era assim) ela não aparecia de imediato na história. Ela era mandada para a moderação do site analisar se era uma recomendação pertinente, se fazia sentido o que você estava apontando como o que você gostou da história. Isso ajudava a ferramenta a não ser utilizada por pessoas se passando por outras para fazer suas histórias ganharem status de forma artificial, ou mesmo autores desesperados trocarem recomendações por interesse. Era pra ser uma parada verdadeira, e eles se esforçavam para que a ferramenta de recomendações não fosse banalizada de alguma forma. Por isso era tão foda conseguir uma, porque provava pra todos que sua história despertou um sentimento verdadeiro em um leitor. E isso é do caralho!
Pokémon sempre fez parte da minha vida. Eu assisti o episódio de estreia na Cartoon Network quando o anime veio para o Brasil. Com 10 anos de idade ganhei meu primeiro GameBoy, e um tempo depois o Pokémon Crystal e o Pokémon Yellow. O pirralho já sonhava com Pokémon toda noite, imagina ganhar um jogo e viver sua própria jornada o que não fez com a cabeça do dito cujo!
Me apaixonei e me dediquei aos jogos ao ponto de ter parente meu falando que eu ia ficar doido se não tirasse a cara do videogame.
Só que depois de um tempo eu fui me afastando da franquia. O anime já não me despertava mais tanto interesse como antes, começava a ficar chato e repetitivo. Só que aí minha prima (a mesma, tinha que ser) trouxe um emulador de Nintendo DS pra mim. Instalei no PC e vi que uma das roms era o Pokémon Diamond. Eu nunca tinha visto nada de Sinnoh, eu nem mesmo sabia que essa geração existia, só pra vocês terem uma ideia de quanto tempo eu fiquei alheio à franquia! Comecei a jogar e a nostalgia foi batendo forte. Depois de um tempo eu me peguei pensando como seria uma fic de Pokémon. Não demorou muito até que eu fosse procurar as respostas. Onde? Isso mesmo, no Nyah. E eu descobri que a categoria de Pokémon de lá era praticamente outro universo!
A primeira fic que eu encontrei lá foi uma chamada "A Jornada Nyah", escrita pelo Lino New. Exatamente, o primeiro escritor de Aventuras em Hoenn. Mas a gente chega nessa parte da história depois. O que ocorre é que eu curti muito a história, achei maneiro demais o modelo de narrativa de uma jornada Pokémon em forma de fanfic. E se antes eu tinha as aventuras engessadas dos jogos onde sempre acontecia a mesma coisa, agora eu tinha campo aberto para fazer as coisas acontecerem do jeito que eu quisesse.
Comecei a trocar ideia com o Lino, até que ele me apresentou um grupo chamado "Ficwriters" no MSN, um grupão que reunia um porradeiro de gente. Depois teve uma briga, a galera saiu do grupo e duas horas depois se reconciliaram e criaram um novo chamado "New Ficwriters". É, foi desse jeito mesmo, acreditem.
E é aqui que as engrenagens começam a se mover para direções mais decisivas.
No NF, como a gente chamava o grupo, eu tinha bastante contato com o Lino e trocávamos muitas ideias. É um cara que foi parceirão durante todo o tempo que fiquei na categoria de Pokémon no Nyah, e juntos iniciamos uma fic, e o que seria minha primeira história na categoria de Pokémon chamada "Pokémon New Generation Journey", mas como havia uma fic conhecida chamada "Pokémon New Generation" nós resolvemos mudar o nome para apenas "Pokémon New Journey". Basicamente era uma jornada que se passava com o filho do Ash, 25 anos após a jornada dele. Paramos em Pewter.
Mas dali as coisas começariam a tomar outro rumo.
No final de 2010 tudo parecia se desenrolar tranquilamente na vida, tirando o fato de que o Nyah tinha dado uma loucura de mudar radicalmente o layout do site e entrar com regras mais rígidas de escrita, o que desagradou muita gente. Tentamos uma migração pro Spirit, mas na época eu achei o site bastante confuso e não quis continuar por lá. Migramos pro FFSol, mas também não durou muito tempo. A maioria do grupo voltou para o Nyah.
Em Fevereiro um dos membros do NF, Little Celebi, me mostrou uma coisa que eu nunca achei que fosse ver na minha vida: uma fic postada em um blog só pra ela. De início eu achei aquilo estranho, mas ele comentou que estava bolando um projeto ambicioso sobre várias fanfics, cada uma escrita por um autor responsável por uma região diferente. No começo eu fiquei um pouco desconfiado, nunca nem abri um blog na vida e tinha dúvidas a respeito da maneira como ele seria divulgado e encontrado. Mas eu não ia perder nada por tentar, então aceitei o desafio.
Dessa forma, três escritores desse grupo do Nyah formaram a Aliança Aventuras. O Celebi era o fundador e idealizador da equipe e assumiu Johto. O Lino assumiu Hoenn. E eu fiquei encarregado de Kanto. Com o passar do tempo foi feito o convite para que um quarto membro vindo daquele grupo se juntasse à equipe. Esse cara com quem eu nem falava na época, simplesmente trocamos ideia duas vezes durante todo o tempo que esse grupo existiu. Se eu voltasse no tempo e dissesse a mim mesmo que esse cara se tornaria um dos meus melhores amigos minha versão do passado teria dado risada e dito que era impossível. Canas assumiu Sinnoh e não a largou mais.
Depois de um tempo eu troquei de posição com o Lino. Ele foi pra Kanto e eu vim parar em Hoenn. A Aliança foi recebendo membros novos com o passar do tempo e a equipe foi crescendo. Eu fui conseguindo leitores aos poucos, tinha um ritmo de escrita bem razoável que me permitiu chegar a uma marca de 22 semanas postando capítulos de forma ininterrupta.
Dizer que a gente ficou famoso pode soar muito presunçoso da minha parte. Eu digo que o Canas ficou famoso, até porque os números que Sinnoh conquistou na época são a prova disso. A gente meio que pegou um reconhecimento de tabela porque estávamos na equipe, mas a cobrança era muita e não conseguíamos manter o ritmo na época.
Eu sabia que estava conseguindo crescer meu número de leitores, mas eu ficava "trancado" em AEH, só saindo dali para outros blogs da Aliança e eventualmente um ou outro cuja história eu acompanhava.
Mas certa vez o Lord, que entrou em Kanto após a saída do Lino, me convidou para ver algo que ele considerou (de forma certa até) que eu acharia interessante. Fomos até um blog antigo chamado Arena Pokémon onde ele me mostrou um tipo de RPG de jornada que eles faziam usando os famosos chats. Eis que entrei no chat com meu pseudônimo (assim que entrei em Hoenn eu já usava o nick de Shadow Zangoose), e prontamente algumas pessoas presentes começaram a me reconhecer e me receber muito bem por lá. Foi algo simples, mas impactante. Ali caiu a ficha de que algo estava acontecendo e a Aliança estava se tornando bem mais conhecida na comunidade de blogs.
O que era pra ser algo fantástico pra nós foi na verdade a razão de muita coisa que deu errado em seguida. Muita gente admirava o projeto da Aliança, e eventualmente receberíamos pedidos de entrada de vários escritores para fazer parte da equipe.
Quando um bando de garotos começa a chamar a atenção de uma comunidade, e ser admirado (porque a gente era, recebíamos mensagens de escritores e leitores sempre elogiando, desejando sucesso e pedindo para que continuássemos as histórias), chega uma hora que as coisas saem do controle. A gente se convence que não tem mais nada a aprender e se isola no castelo de vidro que é o nosso próprio ego.
Eu posso me orgulhar de nunca ter destratado um autor que tenha vindo pedir ajuda ou pra eu ler a história dele ou dela, ou um leitor que tenha vindo apenas conversar. Mas não significa que eu não tenha agido de forma idiota. Era um problema geral da Aliança. Nos isolamos como seres intocáveis, criamos o nosso clubinho fechado e deixamos de desfrutar de uma das experiências mais incríveis que poderíamos ter, que é simplesmente interagir com uma comunidade inteira.
Quando um grupo inteiro se julga no topo, eventualmente interesses começam a entrar em conflito, e cada um tenta defender seu ego do jeito que pode. Aliado a isso passamos a escrever para cumprir metas em vez de escrever por prazer. Toda semana tinha que ter capítulo novo. Isso cansa, e chega uma hora que a escrita deixa de ser um prazer.
No começo de 2014 eu dei a Aventuras em Hoenn por encerrada, com 55 capítulos postados do plot principal mais os especiais, entreguei o blog para o Canas e resolvi me aposentar do ramo das fics. E assim fiquei por bastante tempo, parado e sem fazer mais nada. Fui viver minha vida.
Mas em 2016 o novo escritor de Johto e novo líder da equipe, o Dento, esse arrombado íngua demente, começou a me encher o saco pra voltar pra Hoenn e terminar aquilo que eu tinha começado. Mas terminar algo que eu não gostava mais, que era a Aventuras em Hoenn do jeito que era, estava fora de cogitação.
Aceitei voltar a escreverpra ver se ele calava a boca, mas decidi que eu começaria a história do zero. Usaria a mesma base da Hoenn que eu escrevi durante tanto tempo, mas com adaptações de roteiro, algumas mudanças que eu julgava que tornariam a história mais dinâmica e o aproveitamento de elementos que vieram com os remakes Omega Ruby e Alpha Sapphire. Ah, e claro: minha escrita agora é bem melhor do que antes.
Quando tanto tempo se passa sem que você crie alguma coisa, a impressão que se tem é que o começo será do zero mesmo. Tudo que você tinha conquistado a respeito de leitores e tudo mais provavelmente teria desaparecido, e o esforço agora teria que ser dobrado para que pudesse voltar à estaca inicial.
Mas leitor da Aliança é um bicho tão incrível que parece que eles sentem o cheiro de algo acontecendo. Eu estava preparando o blog para a volta, deixando algumas postagens dos menus pré-prontas. Só que o imbecil que vos fala esqueceu de deixar o blog fechado enquanto fazia isso.
Tive a ajuda da equipe da Aliança, que estava renovada após os problemas internos que ocorreram no final de 2013 que ocasionou a saída de alguns membros e um desgaste enorme entre os remanescentes. E quanto aos leitores... Bem, eles vieram até o blog sabe-se lá o motivo e viram as atualizações. O pessoal ficou bem animado com a possibilidade de AEH estar voltando. E eu fiquei surpreso e ao mesmo tempo motivado, porque mesmo depois de tanto tempo fora após ter sumido e deletado tudo sem dar satisfação o que eu tinha construído antes não estava 100% perdido.
O grande desafio nessa volta era justamente escrever. Depois de 2 anos longe daquela rotina insana de produção de capítulos a gente perde totalmente o ritmo e o hábito da escrita. Eu mesmo nunca mais fui capaz de recuperar esse ritmo desde que voltei a escrever. Tanto é que estamos há tanto tempo de volta à ativa e ainda vou terminar a primeira temporada da história. Mas foi assim que pude perceber que na verdade os leitores não estavam ligando muito pra isso. Eles apoiavam a história do jeito que ela vinha sendo postada, mesmo com grandes hiatos entre um capítulo e outro, e assim a gente se toca que a pressão por capítulos semanais e produção intensa é tudo coisa da nossa cabeça. Eu estava impondo a mim essa rotina desgraçada.
Hoje demoro um pouco para fazer a história andar, mas escrevo quando estou me sentindo bem pra isso. E isso afeta positivamente a fic.
Começamos então a juntar os cacos. A comunidade de fics de Pokémon nos blogs estava completamente abandonada. Mas não desanimamos. Essa é a nossa casa. Começamos a correr atrás do pessoal das antigas, e aos poucos os contatos foram reaparecendo. Conseguimos erguer um grupo no Discord que hoje conta com quase 40 pessoas de Brasil e Portugal, e esse número continua subindo. Blogs antigos voltaram à ativa, velhos parceiros como a Neo Aliança ressurgiram e hoje estamos com uma comunidade pequena, porém unida, de blogs parceiros, apenas aguardando mais gente que queira fazer parte dessa bagunça.
Voltei ao Spirit em busca de novas histórias e dessa vez aprendi a navegar pelo site com mais facilidade. Percebi que a categoria de Pokémon lá estava enorme, enquanto a do Nyah parecia estar bem mais abandonada. Resolvi entrar de vez no site com dois propósitos em mente: postar AEH lá, sob o título de Trails of Destiny: Gateway to Hoenn, para tentar conseguir mais alguns leitores, e encontrar e ajudar leitores novatos, porque o começo no ramo das fanfics é foda, e eu vejo muita gente promissora desistindo antes da hora por falta de incentivo. Era um trabalho árduo. Quando a gente escreve por muito tempo e vai melhorando o nosso senso crítico também aumenta, e assim passamos a nos agradar com muito menos coisas. Se antes nos divertíamos com qualquer história, hoje corremos desesperadamente atrás de ler apenas o que consideramos bom. Mas o que é bom? Eu cheguei à conclusão de que bom é aquilo que nos diverte. E tem muita história divertida por aí. Às vezes a pessoa comete erros de escrita e furos de roteiro por ser inexperiente, mas lendo a história dela você percebe que ali existe um potencial escondido, e que esse escritor novato talvez só precise de outros leitores e escritores para trocar ideias e seu talento verdadeiro ser revelado. Por isso meu grande desafio foi justamente tentar ler as histórias com o senso crítico desligado, apenas para incentivar esses novatos, e com o tempo eles escreveriam novas histórias e aí a gente poderia começar a apontar algumas coisas a serem melhoraras, de pouco a pouco.
Mas não só de novatos vive o Spirit. Às vezes eu queria ler alguma história diferente que fosse de alto nível, a gente precisa de um combustível pra continuar lendo e escrevendo. E lá eu encontrei escritores fantásticos com histórias incríveis as quais eu comecei a ler e acompanhar. E já divulguei essa galera toda pro pessoal do Discord que também frequenta o Spirit. Em um outro momento onde me peguei na presunção de achar que não tinha mais muita coisa a aprender foi com esses escritores que consegui muitas dicas valiosas que me ajudaram muito a encontrar alguns caminhos para tornar a fic mais dinâmica e interessante. Outra prova de que o aprendizado nunca termina.
Se você leu até aqui, parabéns por aguentar esse veterano falando sobre sua caminhada. Não sei se compartilhar todos os meus erros e acertos ao longo desse tempo vai te ajudar em alguma coisa, mas obrigado pela atenção mesmo assim. Esse post é um dos mais importantes que já fiz.
Eu vou fazer alguns agradecimentos pontuais que sinto que são necessários, porque são de pessoas e grupos que fizeram parte dessa trajetória, que me ajudaram a chegar aos 10 anos de escrita ainda em atividade. Ontem mesmo eu comentava com o Canas que eu nunca imaginei que chegaria a essa marca podendo fazer um post no blog. Pra mim já estaria tudo abandonado e essa marca passaria despercebida.
Agradecendo primeiramente os escritores dos tempos do NF. Podemos não nos falar com tanta frequência hoje em dia, mas eu sei que a hora que eu der um oi vai ser como se nunca tivéssemos deixado de nos falar.
Meus parceiros de Aliança Aventuras, vocês são meus irmãos. A gente é foda, a gente já passou por tudo quanto é tipo de situação! Só bizarrice aconteceu quando estive com vocês, pessoalmente ou pela internet mesmo, mas foi muito bom! kkkkkkkkkkkkkkkkk
Ao povão do Discord, valeu por terem vindo fazer parte desse hospício! Qualquer um teria achado loucura nossa vontade de fazer os blogs voltarem a respirar, mas vocês vieram junto e fizeram muita diferença nessa retomada. Com um comentário extra para o Chinatsu, o artista genial responsável por dar vida a uma das personagens que mais curto escrever sobre. Termina logo sua HQ pra eu poder ler :)
Por fim os leitores. O mais importante eu quis deixar por último (se você está lendo isso e se encaixa em algum dos grupos acima, mas lê a minha história, fica suave que você está incluso aqui também). Aqueles que me acompanham desde o começo. Aqueles que passaram a me acompanhar na AEH nova. Aqueles que me receberam no Nyah e no Spirit. Aqueles que leram apenas um único capítulo de Hoenn e desapareceram. Você que é "leitor-fantasma", que só lê e não aparece. Todos vocês tiveram papel fundamental no que a AEH é hoje.
Canas, Dento, Vinnie e Angie. Os leitores mais antigos de AEH que estão na ativa acompanhando a história até hoje. Vocês são fodas!
Se você é um leitor da AEH antiga que sumiu e de repente de alguma forma está acessando esse post hoje, saiba que eu lembro de você. Ou pelo menos de 90% de vocês, porque eu fiz a burrice de deletar o blog todo daquela vez sem ter feito um backup dos comentários ç_ç
A todos os que estão comigo hoje, vocês são fodas. Tem hora que eu quero jogar essa porra toda pro alto de novo e ir embora viver minha vida, mas vocês não me deixam fazer essa idiotice de novo. É por causa de vocês que eu digo que eu vou terminar essa porra de uma vez.
Naquela época o Nyah possuía um sistema de RPG que detalhava o nível de cada usuário no site. Você ganhava experiência para subir de nível toda vez que publicava uma história ou comentava na de alguém.
O site era muito movimentado nessa época, e combinado a isso esse sistema de RPG que deixava todo mundo hypado pra upar a conta até o nível mais de 8000 era relativamente fácil ser lido e comentado por lá. O problema é que muita gente spammava comentários em tudo quanto é história só pra ganhar XP, e muito provavelmente muitos nem liam as histórias. Isso fica evidente com a quantidade de comentários (ou reviews, como eram chamados na época lá no Nyah) em que só se lia "KKKKKK ADOREI CONTINUA BJS", sem sequer mencionar algo da história. Por outro lado, era o que mantinha o movimento e era divertido, sem falar que os números de comentários bem ou mal ajudavam a história a atrair os olhares do público.
É, lá estava eu, sob o nick de "Alchemist" (fanboy de Fullmetal é foda, man) com minha humilde fic tendo conquistado mais de 300 comentários ao fim da primeira temporada que tinha 25 capítulos (uma média de 12 reviews por capítulo, o que era bom demais para o novato mongolóide aqui). Nas fics seguintes, onde eu já tinha alguns leitores consolidados, começaram a aparecer as tão desejadas e tão aguardadas recomendações. Se você está lendo isso e nunca fez parte do Nyah, só veio pelos blogs ou pelo Spirit, recomendação é uma ferramenta que existe lá até hoje, e é o maior troféu que você pode conseguir na sua história. Os comentários e favoritos não se comparavam nem de perto ao peso de uma recomendação no Nyah. Era a prova máxima de que você realmente despertou a admiração do leitor que a deu pra você. Era uma conquista de valor inestimável, e algumas delas começaram a aparecer nas minhas histórias. Para vocês terem uma ideia do quão foda é a recomendação, quando você manda alguma recomendação para uma história no Nyah (pelo menos na época era assim) ela não aparecia de imediato na história. Ela era mandada para a moderação do site analisar se era uma recomendação pertinente, se fazia sentido o que você estava apontando como o que você gostou da história. Isso ajudava a ferramenta a não ser utilizada por pessoas se passando por outras para fazer suas histórias ganharem status de forma artificial, ou mesmo autores desesperados trocarem recomendações por interesse. Era pra ser uma parada verdadeira, e eles se esforçavam para que a ferramenta de recomendações não fosse banalizada de alguma forma. Por isso era tão foda conseguir uma, porque provava pra todos que sua história despertou um sentimento verdadeiro em um leitor. E isso é do caralho!
Chega de crossovers! Onde entra Pokémon nessa história?
Pokémon sempre fez parte da minha vida. Eu assisti o episódio de estreia na Cartoon Network quando o anime veio para o Brasil. Com 10 anos de idade ganhei meu primeiro GameBoy, e um tempo depois o Pokémon Crystal e o Pokémon Yellow. O pirralho já sonhava com Pokémon toda noite, imagina ganhar um jogo e viver sua própria jornada o que não fez com a cabeça do dito cujo!
Me apaixonei e me dediquei aos jogos ao ponto de ter parente meu falando que eu ia ficar doido se não tirasse a cara do videogame.
Só que depois de um tempo eu fui me afastando da franquia. O anime já não me despertava mais tanto interesse como antes, começava a ficar chato e repetitivo. Só que aí minha prima (a mesma, tinha que ser) trouxe um emulador de Nintendo DS pra mim. Instalei no PC e vi que uma das roms era o Pokémon Diamond. Eu nunca tinha visto nada de Sinnoh, eu nem mesmo sabia que essa geração existia, só pra vocês terem uma ideia de quanto tempo eu fiquei alheio à franquia! Comecei a jogar e a nostalgia foi batendo forte. Depois de um tempo eu me peguei pensando como seria uma fic de Pokémon. Não demorou muito até que eu fosse procurar as respostas. Onde? Isso mesmo, no Nyah. E eu descobri que a categoria de Pokémon de lá era praticamente outro universo!
A primeira fic que eu encontrei lá foi uma chamada "A Jornada Nyah", escrita pelo Lino New. Exatamente, o primeiro escritor de Aventuras em Hoenn. Mas a gente chega nessa parte da história depois. O que ocorre é que eu curti muito a história, achei maneiro demais o modelo de narrativa de uma jornada Pokémon em forma de fanfic. E se antes eu tinha as aventuras engessadas dos jogos onde sempre acontecia a mesma coisa, agora eu tinha campo aberto para fazer as coisas acontecerem do jeito que eu quisesse.
Comecei a trocar ideia com o Lino, até que ele me apresentou um grupo chamado "Ficwriters" no MSN, um grupão que reunia um porradeiro de gente. Depois teve uma briga, a galera saiu do grupo e duas horas depois se reconciliaram e criaram um novo chamado "New Ficwriters". É, foi desse jeito mesmo, acreditem.
E é aqui que as engrenagens começam a se mover para direções mais decisivas.
No NF, como a gente chamava o grupo, eu tinha bastante contato com o Lino e trocávamos muitas ideias. É um cara que foi parceirão durante todo o tempo que fiquei na categoria de Pokémon no Nyah, e juntos iniciamos uma fic, e o que seria minha primeira história na categoria de Pokémon chamada "Pokémon New Generation Journey", mas como havia uma fic conhecida chamada "Pokémon New Generation" nós resolvemos mudar o nome para apenas "Pokémon New Journey". Basicamente era uma jornada que se passava com o filho do Ash, 25 anos após a jornada dele. Paramos em Pewter.
Mas dali as coisas começariam a tomar outro rumo.
Aliança Aventuras
No final de 2010 tudo parecia se desenrolar tranquilamente na vida, tirando o fato de que o Nyah tinha dado uma loucura de mudar radicalmente o layout do site e entrar com regras mais rígidas de escrita, o que desagradou muita gente. Tentamos uma migração pro Spirit, mas na época eu achei o site bastante confuso e não quis continuar por lá. Migramos pro FFSol, mas também não durou muito tempo. A maioria do grupo voltou para o Nyah.
Em Fevereiro um dos membros do NF, Little Celebi, me mostrou uma coisa que eu nunca achei que fosse ver na minha vida: uma fic postada em um blog só pra ela. De início eu achei aquilo estranho, mas ele comentou que estava bolando um projeto ambicioso sobre várias fanfics, cada uma escrita por um autor responsável por uma região diferente. No começo eu fiquei um pouco desconfiado, nunca nem abri um blog na vida e tinha dúvidas a respeito da maneira como ele seria divulgado e encontrado. Mas eu não ia perder nada por tentar, então aceitei o desafio.
Dessa forma, três escritores desse grupo do Nyah formaram a Aliança Aventuras. O Celebi era o fundador e idealizador da equipe e assumiu Johto. O Lino assumiu Hoenn. E eu fiquei encarregado de Kanto. Com o passar do tempo foi feito o convite para que um quarto membro vindo daquele grupo se juntasse à equipe. Esse cara com quem eu nem falava na época, simplesmente trocamos ideia duas vezes durante todo o tempo que esse grupo existiu. Se eu voltasse no tempo e dissesse a mim mesmo que esse cara se tornaria um dos meus melhores amigos minha versão do passado teria dado risada e dito que era impossível. Canas assumiu Sinnoh e não a largou mais.
Depois de um tempo eu troquei de posição com o Lino. Ele foi pra Kanto e eu vim parar em Hoenn. A Aliança foi recebendo membros novos com o passar do tempo e a equipe foi crescendo. Eu fui conseguindo leitores aos poucos, tinha um ritmo de escrita bem razoável que me permitiu chegar a uma marca de 22 semanas postando capítulos de forma ininterrupta.
A Era de Ouro da Aliança
Dizer que a gente ficou famoso pode soar muito presunçoso da minha parte. Eu digo que o Canas ficou famoso, até porque os números que Sinnoh conquistou na época são a prova disso. A gente meio que pegou um reconhecimento de tabela porque estávamos na equipe, mas a cobrança era muita e não conseguíamos manter o ritmo na época.
Eu sabia que estava conseguindo crescer meu número de leitores, mas eu ficava "trancado" em AEH, só saindo dali para outros blogs da Aliança e eventualmente um ou outro cuja história eu acompanhava.
Mas certa vez o Lord, que entrou em Kanto após a saída do Lino, me convidou para ver algo que ele considerou (de forma certa até) que eu acharia interessante. Fomos até um blog antigo chamado Arena Pokémon onde ele me mostrou um tipo de RPG de jornada que eles faziam usando os famosos chats. Eis que entrei no chat com meu pseudônimo (assim que entrei em Hoenn eu já usava o nick de Shadow Zangoose), e prontamente algumas pessoas presentes começaram a me reconhecer e me receber muito bem por lá. Foi algo simples, mas impactante. Ali caiu a ficha de que algo estava acontecendo e a Aliança estava se tornando bem mais conhecida na comunidade de blogs.
O que era pra ser algo fantástico pra nós foi na verdade a razão de muita coisa que deu errado em seguida. Muita gente admirava o projeto da Aliança, e eventualmente receberíamos pedidos de entrada de vários escritores para fazer parte da equipe.
Quando um bando de garotos começa a chamar a atenção de uma comunidade, e ser admirado (porque a gente era, recebíamos mensagens de escritores e leitores sempre elogiando, desejando sucesso e pedindo para que continuássemos as histórias), chega uma hora que as coisas saem do controle. A gente se convence que não tem mais nada a aprender e se isola no castelo de vidro que é o nosso próprio ego.
Eu posso me orgulhar de nunca ter destratado um autor que tenha vindo pedir ajuda ou pra eu ler a história dele ou dela, ou um leitor que tenha vindo apenas conversar. Mas não significa que eu não tenha agido de forma idiota. Era um problema geral da Aliança. Nos isolamos como seres intocáveis, criamos o nosso clubinho fechado e deixamos de desfrutar de uma das experiências mais incríveis que poderíamos ter, que é simplesmente interagir com uma comunidade inteira.
Quando um grupo inteiro se julga no topo, eventualmente interesses começam a entrar em conflito, e cada um tenta defender seu ego do jeito que pode. Aliado a isso passamos a escrever para cumprir metas em vez de escrever por prazer. Toda semana tinha que ter capítulo novo. Isso cansa, e chega uma hora que a escrita deixa de ser um prazer.
No começo de 2014 eu dei a Aventuras em Hoenn por encerrada, com 55 capítulos postados do plot principal mais os especiais, entreguei o blog para o Canas e resolvi me aposentar do ramo das fics. E assim fiquei por bastante tempo, parado e sem fazer mais nada. Fui viver minha vida.
Mas em 2016 o novo escritor de Johto e novo líder da equipe, o Dento, esse arrombado íngua demente, começou a me encher o saco pra voltar pra Hoenn e terminar aquilo que eu tinha começado. Mas terminar algo que eu não gostava mais, que era a Aventuras em Hoenn do jeito que era, estava fora de cogitação.
Aceitei voltar a escrever
Um novo começo
Quando tanto tempo se passa sem que você crie alguma coisa, a impressão que se tem é que o começo será do zero mesmo. Tudo que você tinha conquistado a respeito de leitores e tudo mais provavelmente teria desaparecido, e o esforço agora teria que ser dobrado para que pudesse voltar à estaca inicial.
Mas leitor da Aliança é um bicho tão incrível que parece que eles sentem o cheiro de algo acontecendo. Eu estava preparando o blog para a volta, deixando algumas postagens dos menus pré-prontas. Só que o imbecil que vos fala esqueceu de deixar o blog fechado enquanto fazia isso.
Tive a ajuda da equipe da Aliança, que estava renovada após os problemas internos que ocorreram no final de 2013 que ocasionou a saída de alguns membros e um desgaste enorme entre os remanescentes. E quanto aos leitores... Bem, eles vieram até o blog sabe-se lá o motivo e viram as atualizações. O pessoal ficou bem animado com a possibilidade de AEH estar voltando. E eu fiquei surpreso e ao mesmo tempo motivado, porque mesmo depois de tanto tempo fora após ter sumido e deletado tudo sem dar satisfação o que eu tinha construído antes não estava 100% perdido.
O grande desafio nessa volta era justamente escrever. Depois de 2 anos longe daquela rotina insana de produção de capítulos a gente perde totalmente o ritmo e o hábito da escrita. Eu mesmo nunca mais fui capaz de recuperar esse ritmo desde que voltei a escrever. Tanto é que estamos há tanto tempo de volta à ativa e ainda vou terminar a primeira temporada da história. Mas foi assim que pude perceber que na verdade os leitores não estavam ligando muito pra isso. Eles apoiavam a história do jeito que ela vinha sendo postada, mesmo com grandes hiatos entre um capítulo e outro, e assim a gente se toca que a pressão por capítulos semanais e produção intensa é tudo coisa da nossa cabeça. Eu estava impondo a mim essa rotina desgraçada.
Hoje demoro um pouco para fazer a história andar, mas escrevo quando estou me sentindo bem pra isso. E isso afeta positivamente a fic.
Começamos então a juntar os cacos. A comunidade de fics de Pokémon nos blogs estava completamente abandonada. Mas não desanimamos. Essa é a nossa casa. Começamos a correr atrás do pessoal das antigas, e aos poucos os contatos foram reaparecendo. Conseguimos erguer um grupo no Discord que hoje conta com quase 40 pessoas de Brasil e Portugal, e esse número continua subindo. Blogs antigos voltaram à ativa, velhos parceiros como a Neo Aliança ressurgiram e hoje estamos com uma comunidade pequena, porém unida, de blogs parceiros, apenas aguardando mais gente que queira fazer parte dessa bagunça.
Voltei ao Spirit em busca de novas histórias e dessa vez aprendi a navegar pelo site com mais facilidade. Percebi que a categoria de Pokémon lá estava enorme, enquanto a do Nyah parecia estar bem mais abandonada. Resolvi entrar de vez no site com dois propósitos em mente: postar AEH lá, sob o título de Trails of Destiny: Gateway to Hoenn, para tentar conseguir mais alguns leitores, e encontrar e ajudar leitores novatos, porque o começo no ramo das fanfics é foda, e eu vejo muita gente promissora desistindo antes da hora por falta de incentivo. Era um trabalho árduo. Quando a gente escreve por muito tempo e vai melhorando o nosso senso crítico também aumenta, e assim passamos a nos agradar com muito menos coisas. Se antes nos divertíamos com qualquer história, hoje corremos desesperadamente atrás de ler apenas o que consideramos bom. Mas o que é bom? Eu cheguei à conclusão de que bom é aquilo que nos diverte. E tem muita história divertida por aí. Às vezes a pessoa comete erros de escrita e furos de roteiro por ser inexperiente, mas lendo a história dela você percebe que ali existe um potencial escondido, e que esse escritor novato talvez só precise de outros leitores e escritores para trocar ideias e seu talento verdadeiro ser revelado. Por isso meu grande desafio foi justamente tentar ler as histórias com o senso crítico desligado, apenas para incentivar esses novatos, e com o tempo eles escreveriam novas histórias e aí a gente poderia começar a apontar algumas coisas a serem melhoraras, de pouco a pouco.
Mas não só de novatos vive o Spirit. Às vezes eu queria ler alguma história diferente que fosse de alto nível, a gente precisa de um combustível pra continuar lendo e escrevendo. E lá eu encontrei escritores fantásticos com histórias incríveis as quais eu comecei a ler e acompanhar. E já divulguei essa galera toda pro pessoal do Discord que também frequenta o Spirit. Em um outro momento onde me peguei na presunção de achar que não tinha mais muita coisa a aprender foi com esses escritores que consegui muitas dicas valiosas que me ajudaram muito a encontrar alguns caminhos para tornar a fic mais dinâmica e interessante. Outra prova de que o aprendizado nunca termina.
Ok, hora de terminar esse post logo...
Se você leu até aqui, parabéns por aguentar esse veterano falando sobre sua caminhada. Não sei se compartilhar todos os meus erros e acertos ao longo desse tempo vai te ajudar em alguma coisa, mas obrigado pela atenção mesmo assim. Esse post é um dos mais importantes que já fiz.
Eu vou fazer alguns agradecimentos pontuais que sinto que são necessários, porque são de pessoas e grupos que fizeram parte dessa trajetória, que me ajudaram a chegar aos 10 anos de escrita ainda em atividade. Ontem mesmo eu comentava com o Canas que eu nunca imaginei que chegaria a essa marca podendo fazer um post no blog. Pra mim já estaria tudo abandonado e essa marca passaria despercebida.
Agradecendo primeiramente os escritores dos tempos do NF. Podemos não nos falar com tanta frequência hoje em dia, mas eu sei que a hora que eu der um oi vai ser como se nunca tivéssemos deixado de nos falar.
Meus parceiros de Aliança Aventuras, vocês são meus irmãos. A gente é foda, a gente já passou por tudo quanto é tipo de situação! Só bizarrice aconteceu quando estive com vocês, pessoalmente ou pela internet mesmo, mas foi muito bom! kkkkkkkkkkkkkkkkk
Ao povão do Discord, valeu por terem vindo fazer parte desse hospício! Qualquer um teria achado loucura nossa vontade de fazer os blogs voltarem a respirar, mas vocês vieram junto e fizeram muita diferença nessa retomada. Com um comentário extra para o Chinatsu, o artista genial responsável por dar vida a uma das personagens que mais curto escrever sobre. Termina logo sua HQ pra eu poder ler :)
Por fim os leitores. O mais importante eu quis deixar por último (se você está lendo isso e se encaixa em algum dos grupos acima, mas lê a minha história, fica suave que você está incluso aqui também). Aqueles que me acompanham desde o começo. Aqueles que passaram a me acompanhar na AEH nova. Aqueles que me receberam no Nyah e no Spirit. Aqueles que leram apenas um único capítulo de Hoenn e desapareceram. Você que é "leitor-fantasma", que só lê e não aparece. Todos vocês tiveram papel fundamental no que a AEH é hoje.
Canas, Dento, Vinnie e Angie. Os leitores mais antigos de AEH que estão na ativa acompanhando a história até hoje. Vocês são fodas!
Se você é um leitor da AEH antiga que sumiu e de repente de alguma forma está acessando esse post hoje, saiba que eu lembro de você. Ou pelo menos de 90% de vocês, porque eu fiz a burrice de deletar o blog todo daquela vez sem ter feito um backup dos comentários ç_ç
A todos os que estão comigo hoje, vocês são fodas. Tem hora que eu quero jogar essa porra toda pro alto de novo e ir embora viver minha vida, mas vocês não me deixam fazer essa idiotice de novo. É por causa de vocês que eu digo que eu vou terminar essa porra de uma vez.
NEM QUE PRA ISSO EU LEVE MAIS 10 ANOS


















