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Ava's Demon



 E, mais uma vez, a primeira coisa que me puxou foi o traço. Vi um desenho aqui e outro acolá nas minhas idas ao tumblr, então, quando achei a webcomic, pensei por quê não? (aliás, o design do site também é genial e muito atrativo, por dar a impressão que você manuseia um livro)



 Com um ritmo rápido – um quadro por cada página –, a história me conquistou sem que eu me desse conta. Despejando muitos acontecimentos com poucas informações, logo estava presa no suspense de entender o que estava acontecendo. E, conforme o enredo se desenrola – ou talvez se enrole ainda mais seria uma definição melhor –, os personagens vão te conquistando (bem, a maioria ao menos, porque tem uma que nem a mãe pra amar).



 Ava’s Demon acompanha Ava Ire, uma garota de 16 anos que desde pequena é atormentada por um espírito que apenas ela vê – o que a faz ser tachada de maluca quando acaba reclamando em voz alta com essa insuportável companhia. Para piorar, esse espírito pode possuí-la, mesmo que por poucos segundos, a fazendo destruir qualquer possibilidade de socialização. E Ava estava mais uma vez sofrendo as consequências disso quando o planeta onde estava foi atacado. Por engano – ou talvez por destino –, ela consegue escapar na nave de um estranho, e de repente sua vida passa a girar em torno de uma missão (quase) impossível.





 Aliás, podemos falar sobre a Ava? Podemos falar sobre essa pobre bbza, cuja vida foi destruída em cada pequeno detalhe que poderia ser, mas que ainda continua de pé e tentando prosseguir? Eu realmente me afeiçoei a um bom número dos personagens já apresentados, mas Ava é com quem mais me preocupo. Ela tem muitos problemas, inclusive um psicológico frágil devido a todos os inconvenientes que esse espírito causou, mas possui um coração nobre e gentil. Ela consegue se preocupar com alguém que nem se importa com ela, acreditam?


 Enfim, não há muito mais que eu possa falar sem começar a entregar spoilers, mas espero de coração que vocês deem uma chance a essa história (link aqui). Mas, ah, estejam avisados: não recomendo para cardíacos. Todo final de postagem (todo mesmo, sempre, 100%) é um suspense pior que o outro. Essa autora levou o conceito de cliffhanger* a um novo nível.
 (apesar do que possa parecer, ela é um amorzinho <3 inclusive, ela está acompanhando as novidades da nova geração de Pokémon como a gente, e já se manifestou sendo #TeamPopplio)



*cliffhanger – literalmente, “se segurando na beira do precipício”. Quando um capítulo termina em uma cena tensa, cativando a audiência a se manter na espera do próximo.

Always Human




Se tem algo que não me atrai numa narrativa, esse algo é romance. Adoro histórias que tenham romance em seu meio, mas, se for o foco, eu simplesmente reviro os olhos e ignoro.

A não ser que seja uma história muito bem escrita – e que, no fundo, não seja exclusivamente romance.

E foi assim que Always Human me capturou.



Eu achei meio por acaso. Estava atrás de algumas fanarts korrasami quando encontrei o tumblr da autora, e, nele, tinha o link para a história. Já encantada pelo traço dela, pensei "por que não?"

Aliás, podemos falar sobre essa obra de arte que é o traço dela? Tem momentos que fico parada num quadro não por estar lendo-o, mas para admirar a imagem mesmo.







Bem, sobre a história em si. Always Human se passa em um ambiente futurista, onde os humanos fazem uso de “mods”, que promovem diversas facilidades e mesmo necessidades, desde mudar a cor de um cabelo até prevenção de uma doença. Nele, vemos Sunati e seu encontro com Austen, alguém com uma síndrome que a impede de usar os mods. Como diria a sinopse da própria autora, “Uma história sobre nanobôs, engenharia genética e duas garotas se apaixonando. Não importa quanto a tecnologia nos mudar, sempre seremos humanos”.

É uma história suave, com um ritmo fácil de acompanhar e enredo fácil de te cativar. Porque não é apenas uma história de amor. Há um grande profundidade na personalidade de ambas as protagonistas, e cada capítulo te ajuda a entender um pedacinho novo delas. Elas, de fato, são muito humanas. Elas tem qualidades, tem defeitos, acertam, erram, tem pensamentos diferentes, gostos únicos... Você se sente próximo a elas, e até se identifica (eu mesma me vejo demais na Sunati). E isso torna os diálogos reais. Não é um simples “eu te amo”; é “eu quero conhecer você melhor, mesmo suas falhas, até que a garota que eu veja seja quem você é de verdade”.

E um dos pontos mais fortes, algo que me ganha com facilidade: Representatividade. Já começa que a história gira em torno de um casal lésbico, né? Mas não para por aí. Já fomos apresentados a um personagem agender*, e, em uma das atualizações recentes, descobrimos uma aro/ace** (meu coraçãozinho ace pulou de alegria <3 ).

Aliás, infelizmente, ainda não achei nenhum lugar que traduzisse, mas as falas em geral são curtas e simples, então não precisa de nenhum nível avançado de Inglês para compreender (e sempre existe google tradutor para quebrar um galho né).

Enfim, espero que tenham curtido essa recomendação, e se encantem com essa singela história tanto quanto eu <3




*agender – pessoa que não se identifica com nenhum gênero (em Inglês, você pode usar o pronome “they” como singular nesse caso)

**aro – abreviatura para "aromantic" (arromântico, traduzindo), pessoa que não sente atração romântica
ace – abreviatura para "asexual" (assexual), pessoa que não sente atração sexual 

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