Notas do Autor - Capítulo 37

 

E com isso terminamos todos os compromissos em Verdanturf! No capítulo que vem só teremos uma pequena cena logo no começo e os protagonistas já vão pegar estrada, porque ainda tem uma região inteira pra explorar. Estamos quase chegando na metade da jornada, olha só!


A ideia nesse capítulo aqui era justamente avançar com alguns eventos que eu precisava ter já apresentados nessa altura da história. Primeiro, mais uma batalha pra Sapphire ir testando seu nível e tomando conhecimento de novas dificuldades. E também eu quis dar um foco maior pro lado treinador do Wally, já que até aqui só o vimos como coordenador por causa da sua maior afinidade com o Ruby. Mas temos que lembrar que ele também é potencialmente um adversário da Sapphire na Liga, então eu precisava mostrar alguma evolução dele (como treinador, não no sentido dos Pokémons, apesar de que acabou acontecendo também com a equipe inteira kkkkk).


Daí veio a ideia de unir o útil ao agradável e fazer os dois terem uma sessão de treino antes de se despedirem. Nos próximos capítulos a ação vai parar um pouco, e vamos começar a desenrolar algumas outras tramas que estavam engatilhadas. Tem evento importante da história prestes a acontecer, então fiquem atentos!


E é isso. Esta foi a segunda semana de postagem da nossa maratona até a sexta-feira de Carnaval. Seguimos para a próxima semana!


Até lá! õ/



Capítulo 37

 Teste de nivelamento

Art by: Kel-Del

O amanhecer em Verdanturf era tranquilo. A cidade já estava bem mais vazia depois do fim do contest no dia anterior. Após um café-da-manhã reforçado, Sapphire e Wally estavam na rua em frente à casa do garoto, acompanhados de Ruby, Zinnia e a família do segundo.


Enquanto Sapphire se alongava, Wally parecia contar as suas Pokéballs para definir que equipe ele utilizaria naquela batalha.


— Wally! — a menina o chamou, atraindo sua atenção. — Eu quero sentir como é batalhar contra um treinador com quatro insígnias. Então sem pegar leve comigo, ok?


O garoto deu um riso breve, como quem achava aquele pedido um absurdo.


— Como se eu tivesse alguma chance contra você que não fosse levando a sério. Eu é quem devia pedir isso, sabia? Três rounds de um contra um. De acordo?


— De acordo — Sapphire respondeu, terminando de alongar os braços.


Todos os presentes estavam empolgados com a batalha que viria. Até mesmo Ruby estava procurando focar bem, já que ele havia decidido aprender mais sobre batalhas. Ele queria cumprir a promessa que fez a Sapphire, ainda em Mauville.


Zinnia caminhou para perto dos treinadores. A draconid seria a juíza da batalha, a fim de manter o treinamento organizado. Quando os dois adversários se colocaram em seus lados do campo improvisado, o sinal foi dado para que a batalha começasse.


— Shroomish, você começa! — Sapphire lançou a pequena Pokémon cogumelo em campo, e as duas ficaram por aguardar qual seria o parceiro de Wally.


— Muito bem, em uma batalha contra a Sapphire nada melhor que começar com quem fez com que a gente se conhecesse — disse o garoto, sacando uma Pokéball. — Vamos, Umbreon!


Quando o feixe de luz da Pokéball cessou, foi revelada uma raposa de pelagem preta, cujo contraste destacava bem os anéis dourados que possuía em algumas partes do corpo. Seus olhos vermelhos tinham uma expressão serena, demonstrando que a criatura era bastante confiante.


— Nossa, ele é tão bonitinho! — exclamou Wanda, acompanhando a batalha.


— Como ele conseguiu um Umbreon? — Ruby questionou em tom de surpresa.


— Eles são tão raros assim? — a irmã de Wally perguntou.


— Eevee por si só já é um Pokémon raro, e para evoluí-lo para Umbreon é necessário um treinamento muito específico e complexo — o coordenador explicou. — E pensar que o Wally se planejou a esse ponto...


— Então aquele Eevee que você pegou lá perto de Rustboro evoluiu — disse Sapphire, começando a se deixar tomar pela empolgação. — Isso vai ser interessante. Shroomish, comece com Poison Powder!


— Umbreon, use o Feint Attack para se esquivar e golpear em sequência!


Antes que a nuvem de esporos chegasse ao Umbreon, ele se esquivou de uma forma que fez parecer que ele havia desaparecido diante dos olhos de Sapphire e Shroomish. Olivia tentava procurá-lo em meio àquela nuvem de toxinas, e nem reparou que a raposa já estava nas suas costas.


Só deu tempo de a criatura do tipo planta sentir o impacto de uma pancada perfeitamente encaixada, a arremessando um pouco para frente. Nenhuma das duas espécies se destacava pela velocidade, mas naquele confronto em específico a diferença era visível em favor do noturno.


— Desse jeito eu vou ter problemas — murmurou a Shroomish, ainda se levantando. Ela teve sua atenção atraída por Sapphire, que passou uma orientação rápida para o próximo passo. — Entendi, vou tirar proveito disso.


O Umbreon de Wally permaneceu observando os movimentos de sua adversária, atento a qualquer possível ameaça. Ele entrou em estado de alerta ao perceber o mesmo padrão de movimento de Olivia, indicando que ela tentaria usar o Poison Powder novamente.


Quando a cortina de esporos veio, ele saltou para o lado esquerdo para se esquivar, mas foi pego de surpresa ao sentir algo se prendendo ao seu corpo em vários pontos. Especialmente em uma das patas dianteiras e uma das orelhas, onde sentia até a sua circulação sanguínea ficando um pouco mais presa. Ao pousar no chão, um rápido olhar o fez perceber que algumas plantas pequenas eram as responsáveis por aquela sensação, o que o deixou desconfiado.


Suas preocupações se confirmaram quando sentiu uma pontada forte vinda das regiões onde aquelas plantas estavam agarradas, seguido de uma sensação incômoda de formigamento, enquanto Olivia parecia se recuperar um pouco da pancada que havia recebido.


Leech Seed! — exclamou Wally. — Vocês usaram o Poison Powder como distração, enquanto o objetivo real era esse! Como sabia que o Umbreon ia se esquivar pra esquerda?


— Apostei que esse seria o padrão de movimento dele depois do Feint Attack, e pedi que a Shroomish mirasse as ervas daninhas naquela direção.


— O Feint Attack é difícil de acompanhar com os olhos. Como você conseguiu enxergar?


— Eu não enxerguei — disse a menina, deixando o garoto ainda mais surpreso. — Eu só usei o campo a meu favor.


Wally fez uma rápida varredura no campo de batalha, até que percebeu que o chão de terra batida denunciava suas ações. O lado direito da Shroomish, a esquerda no ponto de vista dela, era o único que tinha marcas das patas do Umbreon no chão. Na tentativa de serem furtivos, ambos foram traídos pelo próprio terreno onde a batalha se desenrolava.


— Francamente... — o garoto deu um riso de incredulidade. — Não entenda isso como um comentário pra te desmerecer, você sabe que eu te respeito muito. Mas eu nunca imaginei que um treinador que só tem três insígnias pudesse ter um nível de percepção tão alto. É como se você tivesse sido criada na natureza!


— Será que eu fui? — Sapphire retrucou em um tom descontraído. — Um dia eu te conto o segredo. Shroomish, Headbutt!


— Já que é pra mexer com o terreno, então que assim seja! Umbreon, Sand Attack!


Umbreon deu uma patada no chão, atirando um pouco de areia na direção de Olivia, que foi forçada a parar o ataque. Com a visão prejudicada, a Shroomish não teve outra opção, senão ficar no mesmo lugar tentando se livrar do incômodo.


— Droga! — praguejou Sapphire, lamentando a oportunidade perdida.


Confuse Ray!


Com o comando de Wally, Umbreon disparou um feixe de energia na direção de sua oponente, que teve um impacto direto sobre os sentidos dela, a deixando desorientada. Sapphire viu a sua situação começar a sair do controle, mas não tinha muito a ser feito, senão contar com a sorte.


Giga Drain!


Sem compreender as orientações de sua treinadora em virtude do estado de confusão, Olivia cambaleou para o lado e acertou outro Headbutt, desta vez na cerca de ferro que protegia um canteiro de flores na rua, causando danos apenas a si própria. Wally, sem querer dar nenhuma brecha para suas adversárias se recuperarem, apenas se apressou a finalizar aquele primeiro confronto.


Feint Attack mais uma vez!


O golpe derradeiro foi dado, finalizando Olivia, que agora estava inconsciente. Zinnia declarou a vitória de Umbreon, que rapidamente foi trazido de volta para a Pokéball por Wally, após um breve agradecimento. Sapphire também recolheu sua Shroomish.


— Você fez um ótimo trabalho. Vamos ter mais sorte na próxima — disse a menina, guardando a Pokéball de Olivia e sacando a seguinte. — Muito bem, Wally. Você saiu na vantagem, mas não pense que a batalha está resolvida. Eu tenho um carinha aqui que não batalha faz um tempo. Ele tá doido pra voltar à ativa. Taillow, sua vez!


Lançado ao campo, o pequeno pássaro se posiciona para a batalha, já demonstrando um semblante de triunfo enquanto aguarda seu adversário.


— Então esse é o seu famoso Taillow? — Wally deu um sorriso. — O Brawly me falou pra tomar cuidado com ele.


— Ah, é? Então depois eu vou ter que tirar uma satisfação com ele por estar revelando pros meus rivais as cartas que eu tenho na manga — Sapphire sorria triunfante, ela tinha plena confiança de que seu parceiro a ajudaria a retomar a igualdade na batalha.


Wally riu com a reação da rival, e trouxe a campo seu Masquerain. Ruby ficou surpreso ao vê-lo naquela forma, ainda se lembrava do pequeno Surskit contra quem havia competido no contest em Rustboro. Os Pokémons de Wally estavam evoluindo bem rápido. Ele claramente estava mais adiantado, pelo menos em questão de poder de fogo.


Ao entrar em campo, a mariposa se colocou em posição de ataque frente ao Taillow, numa pose que destacava suas antenas peculiares que lembravam os olhos de um predador agressivo. O parceiro de Sapphire não conseguiu deixar de se sentir coagido ao ser recebido por aquela aura tão hostil.


— Tentando me intimidar, amigo? — Jet indagou, levando certo deboche em seu tom. — Saiba que no es muy fácil me deixar inseguro. Vai ter que se esforçar mais do que isso.


— Será mesmo? — o Masquerain rebateu. — Pois me parece que já funcionou.


— Taillow é uma espécie com bom ataque e velocidade — disse Wally. — O Masquerain tem uma habilidade especial chamada Intimidate, capaz de cortar pela metade o poder de ataque do oponente quando ele entra em campo. Com isso eu anulo um dos principais atributos que tornam o seu Taillow tão problemático. Isso praticamente cobre o dano mais efetivo que ataques do tipo voador teriam no Masquerain.


— Você realmente veio preparado — disse Sapphire, num misto de empolgação e nervosismo. — Mas não fique contando que só isso vai nos fazer recuar! Taillow, comece com o Quick Attack!


Jet pegou impulso e fez um voo a toda velocidade na direção de Masquerain, tentando um ataque direto. Sapphire estranhou o fato de Wally não ter comandado uma evasiva de seu Pokémon, mas o garoto parecia bem tranquilo, sabendo que o ataque não causaria um dano muito grande. Quando o Taillow se aproximou o bastante, a estratégia foi revelada.


— Masquerain, use o Scary Face!


Lançando um olhar penetrante para Jet, o Masquerain conseguiu frear um pouco o ataque, ainda que não completamente. O Quick Attack ainda foi executado, mas apenas empurrou o Pokémon inseto alguns passos para trás. Sapphire notou algo estranho acontecendo com o Taillow, já tendo uma sensação ruim sobre aquilo.


— Uma técnica para reduzir a velocidade do oponente, não é? — a menina indagou. — Esse round vai ser um saco mesmo.


— A melhor forma de assegurar uma batalha tranquila é anulando os pontos fortes do seu adversário — Wally respondeu. — Esse é o Taillow que conseguiu vencer aquele Makuhita tenso do Brawly, afinal.


Sapphire não respondeu. Mantinha a boca fechada pra esconder que estava rangendo os dentes, enquanto pensava em como sair daquela situação. Wally, por sua vez, resolveu não esperar pela garota, e continuou suas ações para finalizar aquela batalha logo.


— Masquerain, Stun Spore!


— Taillow, use o Double Team enquanto se esquiva!


Jet desviou para o lado enquanto criava réplicas suas no campo de batalha. As imagens se assemelhavam a hologramas, mas eram reproduzidas pela própria habilidade do pássaro. Os esporos de Masquerain cessaram sem fazer nenhum efeito, e o inseto ficou visivelmente desconfortável com tantos clones de seu adversário o encarando de várias direções diferentes.


Focus Energy! — Sapphire aproveitou a condição favorável do Taillow para tentar compensar a perda de status.


— Use o Quick Attack em qualquer um deles! — Wally ordenou, com Masquerain em seguida acertando um dos clones.


Sapphire, se aproveitando do tempo ganho, ordenou que Jet executasse um Quick Attack em Masquerain. Com todos os clones replicando o movimento, a mariposa não soube definir de onde vinha o verdadeiro e acabou por ser atingida por um golpe crítico.


Wally, pela primeira vez na batalha, estava com um semblante mais preocupado. Conseguia julgar que, pelo nível do Taillow, um ataque crítico compensaria quase oitenta por cento do poder de ataque perdido com o Intimidate do Masquerain. Receber mais alguns iguais àquele poderia ser problemático. Pior ainda no caso de um ataque super efetivo. O garoto respirou fundo, tentando manter a cabeça tranquila. Se desesperar naquele momento não ajudaria em nada.


— Masquerain, vamos tentar manter a calma. Faça um ataque amplo com o Air Slash!


A rajada cortante de ar foi disparada pela pressão exercida pelas asas de Masquerain, acertando Jet e mais dois dos clones. Com sua velocidade prejudicada, o Taillow não foi capaz de se esquivar e foi arremessado para trás, caindo logo a frente de Sapphire.


— A situação do Taillow é bem complicada de reverter — disse Ruby. — Ele ficou muito tempo sem batalhar por ter quebrado a asa na batalha contra o Brawly.


— Entendo, ele está mesmo parecendo sem ritmo — comentou Zinnia, que estava logo ao lado, mas sem tirar os olhos da batalha que estava arbitrando. — A Sapphire vai ter que levar isso em consideração nos próximos treinamentos se quiser que ele esteja em condições quando a gente chegar em Lavaridge.


Taillow conseguiu se levantar com dificuldades, mas se colocou de prontidão para continuar a batalha. Wally aguardava paciente a próxima jogada de Sapphire, não queria deixar que sua pressa para finalizar a batalha se tornasse uma oportunidade para sua adversária.


A menina olhou para seu parceiro, que a direcionou um olhar assertivo, a fazendo entender que ele ainda conseguiria prosseguir. Mais tranquila, Sapphire gesticulou esticando a mão para frente, enfatizando sua ordem de ataque.


Quick Attack novamente!


— Desvie e tente o Air Slash! — Wally ordenou.


— Pare o ataque e desvie!


Mesmo com a velocidade física reduzida, Jet ainda conseguia pensar rápido. O pássaro executou o comando de sua treinadora e interrompeu sua ação, apenas se esquivando do ataque de Masquerain a tempo de evitar o que poderia ter sido um verdadeiro estrago. Todos os presentes, até mesmo Wally, se impressionaram com a agilidade do pequeno Taillow, e se imaginavam como seria o desempenho dele com sua velocidade original.


— Diminuir a velocidade dele realmente foi a melhor decisão que eu tomei nesse round — Wally comentou. — Se ele estivesse cem por cento, nem mesmo o Masquerain conseguira pegá-lo. E olha que ele também é muito rápido.


— Eu sei bem o que você quer dizer. Você nem imagina o trabalho que eu tive pra capturar esse carinha — Sapphire riu. — Mas a gente ainda não mostrou tudo que a gente sabe! Taillow, Aerial Ace!


Taillow pegou impulso para trás para carregar um ataque, e investiu com toda a velocidade que tinha contra Masquerain. Wally, no entanto, abriu um sorriso de canto como se esperasse por aquele momento.


— Nós também temos nossa carta na manga — disse o garoto, deixando Sapphire com uma expressão de alerta. — Contra-ataque diretamente! Aqua Jet!


O inseto se envolveu em água e, logo em seguida, disparou como um míssil contra seu oponente. Os ataques colidiram, levantando a poeira do chão de terra e bloqueando a visão. Tudo que Sapphire e Wally conseguiram sentir naquele momento foi um pouco de água espirrando contra os dois, e logo ficaram em apreensão, esperando a poeira baixar para conseguirem enxergar o desfecho daquele confronto.


Quando a visibilidade foi recuperada foi possível ver que Taillow estava nocauteado, com Masquerain se mantendo consciente, ainda que com certo custo. Zinnia seguiu o protocolo e comunicou o fim do confronto.


— Taillow está sem condições de continuar a batalha! Masquerain vence o round. Dois rounds a zero, vitória de Wally!


Ambos retornaram seus parceiros. Wally sorria satisfeito, enquanto Sapphire tinha uma expressão mais contrariada, mas ainda assim sem nenhuma hostilidade.


— Bem, fazer o quê? — disse a garota, tendo que admitir o resultado. — Fiz o que deu.


— Não quer continuar? — Wally perguntou.


— Como assim? Você venceu.


— Sim, mas combinamos que seriam três rounds. Ainda quero testar seu Combusken. E pelo menos é uma chance de você não ir embora perdendo de zero — o garoto riu com seu último comentário.


Sapphire sorriu, aceitando a provocação do rival. A menina sacou a Pokéball de seu principal companheiro de equipe, e vendo que sua sugestão foi aceita Wally fez o mesmo.


E em poucos segundos ambos estavam de volta às suas posições, com o campo sendo ocupado por Dan e por um Kirlia, demonstrando que toda a equipe de Wally estava evoluída.


— Oh, então finalmente estamos enfrentando a equipe da senhorita Sapphire — o Kirlia comentou, deixando o Combusken confuso. — Você deve ser o Dante, estou certo?


— Sim, eu mesmo... — o frango ainda estava desconfiado com a abordagem daquela criatura.


— Eu gostaria de me apresentar apropriadamente, mas eu não possuo um nome ainda. Peço desculpas.


— Ah sim, o Jeff me contou sobre isso depois que vocês batalharam em Slateport — o Combusken começou a alongar as asas. — Ele também me contou que você não é tão inofensivo quanto parece, então não vai achando que vai me pegar de surpresa tão fácil.


— Bem, eu vou levar isso como um elogio — o Pokémon fada sorria satisfeito. — Eu evoluí recentemente, mas não tive muito tempo para testar minhas novas capacidades. Conto com você para me dar um bom desafio.


— Não me leve a mal, cara, mas se eu fosse você eu tomaria mais cuidado com o que pede — disse Dan antes de começar a correr para cima do seu oponente.


O avanço do Combusken fez com que Kirlia subisse a guarda, já se preparando para o ataque. A comando de Wally, o menor uniu as mãos em um gesto semelhante ao de uma meditação, evocando uma aura mística em torno de seu corpo, com mais intensidade ao redor de sua cabeça. Era a técnica Calm Mind, focada em elevar seus atributos especiais.


O ataque de Dan, como previsto pela dupla, foi um Double Kick, que devido à tipagem de dupla resistência de Kirlia, só fez um quarto do seu efeito potencial. Sapphire, no entanto, não parecia surpresa com o ocorrido. Ela ordenou aquele ataque de forma propositada como um teste inicial, para forçar Wally a colocar suas primeiras fichas na mesa. E como ela suspeitava, o garoto prosseguiu com sua estratégia de manipulação de status, mas dessa vez focada em fortalecer seu parceiro ao invés de enfraquecer o oponente, como havia sido no round anterior.


— Não vai pensando que eu não estou atenta dessa vez para sua estratégia — disse a garota. Já vou iniciar a contramedida logo. Dante, Focus Energy!


Assim que Dan se colocou em estado de concentração Wally já sabia o que vinha. Sem querer perder mais tempo, o garoto ordenou que Kirlia usasse Confusion para tentar tomar a dianteira. Sabendo que seu adversário era também do tipo lutador, aquela seria a medida mais efetiva.


O Combusken, tendo conseguido terminar seu movimento a tempo, conseguiu logo em seguida se esquivar, se afastando até sair do raio de ação do ataque de Kirlia. A criatura feérica ergueu o olhar para o seu oponente, deixando escapar uma expressão de surpresa, mesmo que breve.


— Se mantenha de prontidão, vamos aguardar o movimento deles — Sapphire sussurrou para seu parceiro. — Nos outros dois rounds eu me ferrei tentando tomar a iniciativa, dessa vez é ele quem vai correr atrás da gente.


Wally logo percebeu a intenção de Sapphire. Para ele, Sapphire havia feito uma boa escolha, percebendo que o ponto forte do garoto era contra-atacar de acordo com o comportamento de seus adversários. Ele não se sentia muito confortável tomando as ações sem saber o que esperar em seguida, mas estava ali justamente para aprender a lidar com a rival que julgava ter mais potencial para ter destaque na Liga Pokémon.


— Vamos, Kirlia! Tente o Confusion novamente!


— Saia do raio de alcance de novo! — Sapphire ordenou, com Combusken executando a evasiva com sucesso. — Avance na direção dele e use o Sand-Attack!


Dan, com um impulso forte, deu um salto na direção de Kirlia. Na aterrissagem, deu um chute forte no chão, atirando um jato de areia diretamente no rosto do oponente.


O pequeno Pokémon fada, atordoado com areia nos olhos, não conseguia mais distinguir as direções. Nem conseguia identificar onde estava o Combusken, pois os gritos de Wally perguntando se estava tudo bem disfarçavam as ações do frango.


Sapphire rapidamente identificou a janela de oportunidade que havia sido aberta e resolveu não perder tempo.


— Dante, hora de usar a nossa nova arma! Ataque com Flame Charge!


Dan entrou em estado de concentração, e todos perceberam que logo o Combusken começou a se envolver em chamas. Quando tomou a forma de uma enorme labareda, ele disparou em alta velocidade na direção de Kirlia, acertando-lhe um chute direto que o jogou vários metros para trás, o levando inclusive para fora dos limites do campo de batalha improvisado.


Wally soltou uma exclamação ao ver o membro mais forte de sua equipe abatido. Tentava entender onde havia errado, se de repente as duas vitórias nos rounds anteriores o fizeram, mesmo que de forma subconsciente, subestimar o famoso ás do time de Sapphire, ou se ele só era realmente muito mais poderoso que a média.


Os parentes de Wally aplaudiam. Ruby estava boquiaberto com o confronto que havia presenciado, e em seus pensamentos se perguntava se era possível chegar perto daquele nível caso continuasse treinando. Até mesmo Zinnia fora pega de surpresa, tanto que por um momento se esqueceu da sua posição de árbitra e quase não fez o protocolo de finalização da batalha.


Após o anúncio final da draconid, ambos retornaram seus parceiros para as Pokéballs. Wally estava impressionado com o nível de Dan, mas isso não foi o bastante para animar Sapphire, que estava pensativa sobre as falhas que precisaria cobrir nos seus próximos treinamentos.


— Caramba, esse seu Combusken realmente é forte! Kirlia é disparado meu Pokémon mais experiente, e mesmo assim ele conseguiu derrotá-lo — disse o menino com um sorriso eufórico.


— Mas não muda o fato de que eu perdi pra você. Ainda preciso treinar bastante para chegar no nível de um treinador com quatro insígnias.


— Bom, eu usei força máxima e levei a batalha bem a sério — disse Wally. — Acredito que a Flannery vai te desafiar em um nível próximo disso, já que você está pretendendo pegar a sua quarta insígnia.


— O ginásio dela foi o quarto que você desafiou? — a menina perguntou.


— Não, o quarto foi o do tio Norman. O dela foi o terceiro. Mas olha, sem querer criar muita expectativa... Não precisa se preocupar tanto. Eu me sinto até um pouco mal em comentar isso, mas ela é... Fraca.


— Fraca? — Ruby questionou. — Como pode um líder de ginásio oficializado pela Liga ser fraco?


— Eu não sei — Wally respondeu. — Mas ouvi boatos de que a própria Liga já está em cima dela. O que posso dizer é que a impressão que ela passou durante a nossa batalha é de quem não sabia muito bem o que estava fazendo. Meio impulsiva, sabe?


Sapphire ficou refletindo por um tempo sobre o que Wally havia lhe contado. Parecia ser uma notícia boa demais para ser verdade ter um líder tão fraco a ponto de fazer o desafio parecer uma insígnia de graça. Foi quando Zinnia colocou a mão no ombro da mais nova e fez um alerta.


— De toda forma é bom você treinar bastante no caminho e levar a batalha a sério. Se esse boato que o Wally ouviu for verdadeiro, sobre a Liga estar fazendo pressão, pode apostar que ela vai querer vir pro tudo ou nada. É bom não se descuidar. Ela ainda é uma líder de ginásio, afinal.


— Sim, eu já pensei nessa possibilidade — disse a menina, assentindo — Vamos ter que intensificar os treinos. Não quero dar sorte pro azar.


— Bom, de qualquer forma acho que já podemos dar nosso treino de hoje por encerrado, certo? — Wally estendeu a mão para Sapphire. — Foi uma ótima batalha. Fazia tempo que eu estava querendo te enfrentar.


Sapphire sorriu e devolveu o cumprimento. Mesmo com a derrota, ela havia conseguido ter uma noção melhor do quanto precisaria melhorar para merecer a próxima insígnia. Ainda havia muito chão pela frente, mas pelo menos já não era um terreno totalmente desconhecido.


— Você realmente é bom — disse a garota. — Mas não espere vida fácil da próxima vez. Ainda vou querer minha revanche.


— Quando quiser, seu pedido é uma ordem — o garoto respondeu aos risos.


Com o fim daquele treino, o grupo conclui todos os compromissos que tinham a fazer em Verdanturf. A partir da manhã seguinte, poderiam retomar a estrada e seguir em direção ao norte da região, onde Sapphire teria um novo desafio no ginásio de Lavaridge, e em seguida um novo contest para Ruby disputar em Fallarbor.


A estrada, mais uma vez, seria companheira daquele trio ambicioso.


FIM DO CAPÍTULO


  


Notas do Autor - Capítulo 36

 


Este é o primeiro de uma série de capítulos que teremos lançados em sequência até o Carnaval! Cansei de deixar os capítulos na reserva. Não adianta ter reserva se eu não uso com medo de esgotá-la kkkkkkkkkk Então estamos aí tirando esse atraso.

De repente nessas últimas duas semanas me deu um surto de inspiração que eu simplesmente produzi loucamente em um curto período de tempo. Eu já tinha esse capítulo pronto, o 38 e uma parte do 37. De repente, finalizei o 37, escrevi o 39 em uma noite e o 40 já está prosseguindo bem, apesar de estar num ritmo mais lento. Mas até o Carnaval ele fica pronto, confiem!

Falando sobre o capítulo 36, este era um que eu queria postar logo, desde que ficou pronto. A reviravolta na história da Miriam que vimos uns dois capítulos atrás começa a tomar rumo, e aqui já deu pra ver que ela realmente não tá pra brincadeira. O Jiro deu uma sacudida na cabeça dela, pra reorganizar as ideias da garota. Veremos como ela vai ficar agora que ela realmente parece ter mais noção do que quer.

Enfim, eu sempre acabo gostando das aparições da Miriam, é uma personagem muito tranquila e fácil de trabalhar. Me sinto mais leve escrevendo os capítulos com ela. Acho que por ser uma personagem 100% original, isso me faz sentir mais liberdade pra explorar várias camadas dela. Por mais que Ruby e Sapphire tenham algumas peculiaridades nessa história, eles ainda são baseados nos personagens do mangá, então acabo tendo que prestar atenção para não fugirem muito da essência deles. Mas não é como se eu já não tivesse cozinhando umas ideias insanas que podem dar muito errado ou muito certo. Vamos ver kkkkkkk

Até as próximas semanas! õ/


Capítulo 36

 Retomar o que foi perdido


A batalha feroz que se seguia no ginásio de Rustboro estava próxima de seu desfecho. A Nidoqueen de Miriam conseguiu segurar os ataques de quase todo o time de Roxanne, mas havia sido derrotada pelo recém-evoluído Probopass da líder.


A desafiante se encontrava em uma encruzilhada. Suas opções restantes eram muito arriscadas. Venomoth se fosse acertado por um golpe do tipo pedra não resistiria, ainda mais por vir de um Pokémon do mesmo tipo. Zangoose não tinha nenhum golpe que pudesse ser efetivo, e Mudkip ainda estava abaixo do nível.


Ela decidiu por sacar a Pokéball de Shin. Apesar do risco elevado, ainda era sua melhor escolha naquele momento.


— Por favor, tome cuidado — ela sussurrou para a Pokéball antes de lançar seu companheiro a campo.


A mariposa se materializou na arena, com a enorme bússola o encarando para ver como seu novo adversário agiria. Mas Shin era igualmente paciente.


— Então você é o Hans? — o Venomoth perguntou. — Não é à toa que você conseguiu derrotar Maggie. Você é bom mesmo.


— Então já ouviu falar de mim? — o Probopass perguntou, curioso.


— Um velho amigo que batalhou contra vocês uns meses atrás nos contou sobre sua força. Sabemos que você é experiente. Mas eu sou bem paciente, não ache que vai tirar vantagem de uma impulsividade que eu não tenho, diferente da Maggie e do Dante.


— Então foi o Dante quem te contou sobre mim... — disse o Pokémon rocha relembrando sua batalha contra o time de Sapphire. — Estive com ele há algumas semanas. Ele agora é um Combusken e parece bem mais forte e maduro do que quando eu o conheci.


— Então ele evoluiu... É bom saber que eles estão ficando mais fortes, nós queremos batalhar contra eles na Liga. E pra isso o primeiro passo é te derrubar aqui e agora.


— Então venha, estou esperando. Você pode não ser impulsivo como os outros, mas não muda o fato de que é você quem precisa da insígnia.


Shin conseguia notar que o Probopass era lento. Mesmo assim tinha informações suficientes sobre Hans para saber que aquilo pouco importava, ou melhor, só era motivo para ser mais cauteloso do que o normal. Sua intuição dizia para manter distância. Miriam parecia pensar o mesmo, então ela logo deu o comando para que o Venomoth usasse o Psychic.


Mesmo tendo conseguido lançar Hans para longe e golpeá-lo com toda a força arremessando-o no chão, Shin não percebeu que seu adversário aguentou o ataque e ao mesmo tempo colocou seu plano em prática. Foi ao sentir pequenas vibrações vindas do chão que o inseto conseguiu se esquivar voando para o outro lado, enquanto rochas brotavam do solo no entorno de onde ele estava antes. Um segundo mais tarde e ele teria sido pego pelo Rock Tomb, o golpe assinatura do membro mais poderoso do time de Roxanne.


A líder de ginásio não teve nem tempo de aceitar que seu plano final falhou. O Venomoth fez um voo rasante ao redor de Hans, banhando-o com um manto de esporos que fez a criatura rochosa perder a consciência. Pego pelo Sleep Powder, não tinha mais nada a se fazer naquela altura. Mais um ataque com Psychic foi suficiente para finalmente romper aquela muralha que se colocava entre os desafiantes e sua primeira insígnia.


Quando o juiz da batalha finalizou o confronto, tanto Roxanne quanto Miriam retornaram seus parceiros. A líder caminhou até a mais nova já com a insígnia em mãos, e cumprimentando a desafiante com uma sutil reverência a entregou o objeto.


— Por você ter andado junto com a Sapphire naquela época eu acabei acreditando que você também era iniciante. Estranhei quando você disse que não precisava nivelar os times, mas agora entendo a razão. A força dos seus companheiros é assustadora.


— Eu já achava você uma excelente treinadora quando a vi enfrentar a Sapphire, mas eu realmente não estava esperando que fosse ser tão difícil assim. Não é de se admirar que muitos sequer conseguem se classificar pra Liga.


— Obrigada pelos elogios. Acredito que com essa capacidade que você tem, não terá problemas enfrentando os outros líderes.


Enquanto Miriam e Roxanne terminavam a conversa dentro da arena, uma outra pessoa acabava de chegar na porta do ginásio. O rapaz de cabelos pretos mostrou na portaria o atestado de aprovação que havia tido no exame de admissão.


— Muito bem, deixa eu conferir aqui no sistema... — a recepcionista do ginásio pesquisava nas planilhas os dados do desafiante. — Ok, acho que encontrei. Vince, é isso mesmo?


— Sim — disse o rapaz, em seu tom seco habitual, deixando a mulher desconfortável.


— Certo... Vou comunicar a sua chegada à senhorita Roxanne. Ela acabou de terminar um confronto. Provavelmente você vai precisar esperar alguns minutos para que ela possa encaminhar seu time para a recuperação, mas assim que possível ela irá atendê-lo para que possam prosseguir com o seu desafio.


Vince fez apenas um breve aceno com a cabeça, indicando que havia compreendido todas as informações. Ele agarrou a alça transversal de sua mochila e caminhou até a porta que dava para a arena.


Ao virar o corredor ele trombou com Miriam. O impacto forte entre os ombros dos dois treinadores foi o suficiente para tirar o garoto do sério.


— Presta atenção, porra! — a agressividade do seu tom de voz já subia. — Tá olhando pra onde?


Miriam sentiu uma veia no seu pescoço pulando. Ela tinha um ponto fraco: não lidava muito bem com grosseria. A garota, que até então estava sorridente com a conquista de sua insígnia, tão rápido fechou a cara e começou a encarar aquele garoto arrogante como se lhe desse uma sentença de morte.


— Tá pensando que é quem pra falar assim comigo, moleque? — sem se intimidar, ela andou de volta até Vince até que os dois ficassem frente a frente e com seus rostos próximos, olho a olho, numa competição para ver quem se sentia intimidado primeiro.


— Então vai vir pra cima mesmo? — o volume da voz do rapaz diminuiu, mas Miriam sabia que aquilo não era um sinal de que ele estava cedendo, e sim de que estava se segurando para não explodir. — A sua sorte é que minha batalha com a líder de ginásio está agendada para agora, senão eu ia te destruir aqui mesmo.


— Não seja por isso — disse a garota, mantendo o mesmo tom. — Termina aí a sua batalha que eu vou te esperar lá fora. E aí a gente vai ver quem vai ser destruído.


• • •


A batalha durou pouco mais de quarenta minutos. Vince saía pela porta da frente, ainda com a insígnia na mão e um sentimento de triunfo. Mas o garoto se surpreendeu ao ver que Miriam ainda o aguardava na entrada do ginásio. Ele pensava que a garota aproveitaria a oportunidade para fugir, mas lá estava ela, olhando-o fixamente como se estivesse focada em uma presa.


— Você tem até o final da tarde para recuperar seu time no Centro Pokémon. A gente se encontra aqui no início da noite.


— Não vai ser necessário — Vince largou a mochila no chão, próxima a ele, já sacando sua Pokéball. — Tenho um Pokémon que ainda não batalhou. Podemos fazer um contra um, já vai ser o suficiente pra você se arrepender de não ter sumido quando teve a chance.


— O único favor que eu te peço é que você faça pelo menos o mínimo pra me convencer de que você não é só conversa — Miriam sacou sua Pokéball enquanto dava um suspiro. — Tem certeza de que quer um contra um?


— Certeza — falou o rapaz, sacando sua Pokéball. — É só o que eu preciso pra te ensinar a não desafiar alguém com quem você não é capaz de lidar. Houndour, saia!


O canino preto tomou forma ao ser chamado por seu treinador, já preparado em posição de ataque. Miriam observou o Pokémon que estava em sua frente. Apenas com um breve olhar a garota já conseguiu deduzir que, apesar de estar na sua forma inicial, ele era bem treinado.


— Mudkip, vamos!


Ao sair de sua Pokéball, Niani se colocou de prontidão para a batalha. Era evidente que ela estava mais preparada do que das últimas vezes, o que sinalizava que o treinamento estava começando a dar frutos.


Vince, por sua vez, não parecia nem um pouco preocupado. Mesmo que Miriam e Mudkip tivessem a vantagem em decorrência da tipagem da pequena anfíbia, para o rapaz aquilo não era suficiente para desbalancear a batalha em desfavor dele.


— Inicie com Smog! — ao ser comandado, Houndour disparou uma nuvem de gases poluentes na direção de sua oponente.


Ao comando de Miriam, Mudkip desviou com certa dificuldade, conseguindo escapar do ataque de última hora. Vince não poupou esforços e, sem deixar que elas se recuperassem da primeira investida, comandou novamente na intenção de pressioná-las mantendo uma ofensiva constante.


Feint Attack!


O canino avançou contra a Mudkip, fazendo movimentos esquivos numa tentativa de confundi-la. A estratégia se mostrou bem-sucedida, pois em dado momento Houndour conseguiu manipular sua oponente para que mirasse em um possível caminho, quando na verdade ele a atacou por outro.


Pega com a guarda baixa, Niani foi arremessada para perto de sua treinadora, que não tinha uma expressão nada amigável.


— Droga, ele é muito bom... — murmurou a garota. — Cuidado, Mudkip! Ele tá vindo de novo!


— Ataque com Bite!


— Fique onde está e use o Water Gun diretamente nele!


O disparo foi certeiro, e a corrente de água bateu com força contra o peito de Houndour, fazendo-o recuar sentindo o dano causado pela pressão do golpe. Tendo afastado seu oponente por um instante, Mudkip conseguiu se levantar a postos para continuar a batalha.


Apesar do ataque ter sido bastante efetivo, Vince não pareceu se abalar. Para ele, aquela tinha sido uma jogada de sorte de Miriam, que no desespero procurou a maneira mais rápida de fugir daquela situação. Ele conseguia ditar o ritmo da batalha, e isso o fazia ter a consciência de que estava no controle.


— Mudkip, temos que aproveitar que finalmente conseguimos sair da pressão dele — Miriam passava as instruções para sua parceira. — Ele ataca impondo pressão para não nos dar tempo de raciocinar. Os Pokémons dele conseguem fazer isso com rapidez porque são bem treinados e possuem padrões e sequências de movimentos bem decoradas. Se a gente baixar a guarda de novo, a coisa vai ficar feia...


Niani assentia, mostrando que estava atenta à sua treinadora. Miriam sorriu satisfeita. A nova dieta que ela havia passado para a pequena Pokémon aquática, feita para estimular a atividade cerebral dela, estava surtindo efeito.


— Nossa vez de fazer pressão. Use o Mud-Slap!


Vince percebeu o tamanho do risco que Houndour corria ao ser atingido por aquele golpe. Além do canino ser frágil ao golpe, o efeito colateral que ele poderia causar era o que mais o preocupava. Para sua sorte, seu companheiro era ágil, não tendo problemas para executar o comando de evasiva, evitando o disparo de lama.


Water Gun! — Miriam tentava dar o troco à pressão que havia sofrido pouco antes.


O novo jato de água acertou Houndour no exato ponto para onde ele se esquivou, acertando-o com uma pressão enorme. O cão foi derrubado e arrastado pelo chão por pouco mais de dois metros, fazendo com que Vince pela primeira vez naquela batalha perdesse seu semblante mais calmo. Mas ele não iria ceder naquele momento. O garoto respirou fundo e não deu nenhum comando, apenas aguardando para ver o que Miriam faria.


Tackle, rápido! Antes que ele se levante!


E foi justo quando Mudkip chegou a certa distância que Vince tomou sua ação.


— Desvie agora! Vá para as costas dela!


— Merda, ele esperou pelo ataque! — Miriam deixou escapar seus pensamentos, incrédula.


Quando Houndour chegou ao ponto cego de Mudkip, Vince sorriu triunfante. Era a sua melhor oportunidade naquela batalha, mesmo considerando o tempo em que ele empurrou Miriam contra a parede. Aquela chance não poderia ser desperdiçada.


Fire Fang!


Houndour fincou suas presas na nuca de Niani, que deu um guincho breve e agudo devido à dor.


— Agora você vai ter o que merece — disse o Houndour para sua oponente, sem soltá-la da mordida.


Niani tentou sacudir o corpo, mas não conseguia se soltar do Houndour. Miriam estava atônita, beirando o desespero ao pensar no dano que poderia ter sido causado. Como se já não bastasse a mordida em si, que já tinha sido forte, ainda tinha o fato de ter deixado uma queimadura séria na região atingida. Um verdadeiro estrago.


— Mudkip, aguenta firme! — gritou a treinadora.


— Ainda... não! — a anfíbia resmungava enquanto tentava resistir.


Vince não entendeu quando a submissão parou de repente. Houndour largou a Mudkip e se afastou, como se tivesse sentido algo estranho. Ninguém compreendeu o que estava ocorrendo até que a pequena criatura aquática ficasse envolta por uma luz branca ofuscante. Do pouco que conseguia enxergar, Miriam apenas identificava a silhueta mudando de forma e crescendo em tamanho.


Sua companheira estava mais alta, com uma fisionomia mais forte, e agora era bípede. Niani havia acabado de evoluir.


Miriam encarava perplexa a nova forma de sua companheira. Havia começado a treiná-la há pouco tempo, e por isso nem percebeu o quanto ela tinha avançado. A treinadora acreditava que a Marshtomp estar treinando com companheiros de time mais fortes que ela tenha acelerado o processo.


Mud Shot... — Miriam tinha consigo uma PokéDex que possuía desde sua primeira jornada, ainda em Kanto, que havia atualizado para introduzir as espécies de Hoenn desde sua chegada. — Vamos tentar, então. Marshtomp, ataque com Mud Shot!


— Desvie, Houndour! Feint Attack!


— Ele vai aparecer atrás de você! Agarra ele!


Assim que o canino chegou ao ponto cego de Niani, a Marshtomp se virou rápido para segurá-lo com os braços. Miriam cerrou o punho numa vibração discreta, acreditando que a tática tinha sido um sucesso. Vince, no entanto, não perdeu a calma com a anulação do ataque de Houndour, e continuou a comandar seu ataque.


Fire Fang!


Houndour fincou suas presas flamejantes em um dos braços da Marshtomp, que apesar de ser resistente àquele tipo de golpe ainda soltou um grunhido baixo de dor. Mas, ainda assim, ela não largava seu oponente. Só o faria quando Miriam a ordenasse.


Water Gun!


O jato de água disparado contra Houndour, além da alta pressão, ainda o acertou a queima-roupa. Daquela distância e preso, não havia como desviar. Ele havia sido derrotado.


Vince sacou a Pokéball de Houndour e o retornou. Em seguida, saiu sem dizer nada. Miriam também não estava focada o bastante no garoto para aproveitar a chance de provocá-lo. A garota apenas correu na direção de sua parceira, a envolvendo em um abraço, e logo em seguida se soltando depois de ser repreendida pela companheira por não ter prestado atenção e tocado no local onde havia a queimadura.


— Ai, desculpa! Eu esqueci! — mesmo assim, Miriam colocou as mãos nos ombros da Marshtomp e a encarou com um sorriso radiante. — Mas você foi incrível! Nosso treinamento está começando a dar resultado! Desse jeito não vai demorar muito até que você consiga participar com a gente da Batalha da Fronteira, Niani!


Um breve silêncio se fez no local. As duas ficaram se encarando de perto, olho a olho, sem entender muito bem o que havia acontecido. Niani parecia ter levado um susto, enquanto Miriam a olhava com cara de paisagem.


— Por que eu te chamei assim? — indagou a garota. — Será que eu fiquei doida? E por que eu tenho a sensação de que esse é o seu nome? Marshtomp, seu nome é Niani?


A Marshtomp balançou a cabeça de forma positiva, confirmando a pergunta de sua treinadora. Miriam pareceu mais confusa ainda.


— E como eu soube disso?


— Porque você conseguiu ligar sua mente à dela.


Miriam se levantou em um pulo, assustada com a fala repentina de uma criança que a observava. Quando parou para observá-la, notou que se tratava de um garoto que estava sentado em um dos bancos da praça do ginásio. Ele não era alto, de modo que enquanto estava sentado seus pés sequer tocavam o chão. Ele encarava Miriam com um sorriso sereno, enquanto balançava as pernas.


— Como assim, “ligar a mente”?


O garoto pulou do banco e ficou de pé. Miriam continuou agachada, pois assim ela conseguia se manter na altura do menino. Ele continuou sua explicação.


— Quando um treinador e seu Pokémon criam um vínculo de confiança muito forte, é possível ambos compartilharem seus pensamentos. Como você ainda não tinha percebido nada do tipo, eu posso dizer que o estágio de interconexão de vocês duas é inicial. Você descobriu o nome dela dessa forma.


Miriam arregalou os olhos por um breve momento, parecendo surpresa com aquela revelação. Ela nunca imaginou que algo daquele tipo fosse possível. O menino continuava com a mesma expressão suave. Mas a mais velha fechou sua expressão, agora emburrada.


— Você tá me zoando, né? Olha, menino, eu não quero parecer grossa, mas eu preciso voltar ao Centro Pokémon. Niani tá exausta da batalha que tivemos agora e eu preciso levar ela pra se tratar... E eu disse o nome dela de novo.


— Uma pena, realmente — disse o garoto, com as mãos para trás, enquanto se balançava com as próprias pernas. — Você ia achar interessante que uma conhecida sua adquiriu essa capacidade há pouco tempo.


— Conhecida minha?


— Sim, essa habilidade é raríssima. Só treinadores com muito potencial a possuem. Tanto é que só existiam dois treinadores ainda vivos aqui em Hoenn com essa capacidade. A Roxanne, que você acabou de enfrentar, e o ex-Campeão Drake. No entanto, sua amiga Sapphire conseguiu fazer a interconexão com Dante, o Combusken dela, faz pouco menos de um mês.


Miriam sentiu seu coração quase subir a garganta. Ela voltou a olhar para o garoto, com uma expressão realmente assustada.


— Como você conhece a Sapphire e como sabe que a gente se conhece?


— Eu a vi pela primeira vez em Dewford. E vi que você estava junto dela e mais um garoto da mesma idade.


— E como sabe o nome dela?


— Do mesmo jeito que sei o seu, Miriam. Mas isso é segredo, ainda vai demorar até eu poder te contar.


Miriam não podia estar mais desconfiada. Se tinha uma coisa que trabalhar na Polícia Internacional a tinha ensinado, era a suspeitar de civis que conseguiam dados de outras pessoas com aquela facilidade. Mas sabia que não podia tomar nenhuma medida precipitada. O que estava ao seu alcance naquele momento era apenas vigiar aquela criança misteriosa.


— Já que sabe o meu nome, se importaria de me dizer o seu?


— Claro, seria muito rude de minha parte te negar esse pedido. Pode me chamar de Jiro.


A garota cerrou os olhos, já nem escondia mais a desconfiança. O menino permanecia com a mesma serenidade de quando havia se apresentado, inabalável.


— Nome antigo, hein... — disse a menina. — E bem arrumadinho. Você é de alguma família tradicional daqui?


— Um dia eu te conto, mas hoje ainda é cedo.


— Já vai embora?


— Sim, tenho mais coisas a fazer. Mas não precisa ficar nervosa com o fato de eu saber sobre você e a Sapphire. Eu não vou fazer mal a nenhuma de vocês. Não somos inimigos.


Quando Jiro já se virava para ir embora, Miriam o chamou mais uma vez.


— Espere! Tenho mais uma dúvida.


— Sim?


— Supondo que seja verdade todo esse lance de ligar nossas mentes, ainda tem uma contradição. Niani é uma companheira de equipe recente. Por que eu desenvolvi essa conexão com ela, enquanto minha Nidoqueen e meu Venomoth, que estão comigo há muito mais tempo e estiveram do meu lado quando eu mais precisei, ainda não possuem essa ligação comigo?


Jiro a encarou por um instante. O sorriso sereno do menino agora dava lugar a uma expressão curiosa, pois ele estava intrigado com a vontade de Miriam de saber mais sobre aquele assunto. O menino deu um suspiro, já mostrando para a treinadora que talvez a resposta que viria não fosse do agrado dela.


— Porque isso depende do quanto o treinador está aberto a entender o coração de seus Pokémons. Nidoqueen e Venomoth estiveram sempre ao seu lado. Mas você esteve ao lado deles?


Aquela pergunta acertou Miriam como um soco na boca do estômago. A garota por um momento tentou retrucar, mas sentiu que ia gaguejar e se manteve quieta.


— Miriam, me escute. O que te impediu de criar essa ligação com a Nidoqueen e o Venomoth foi você se fechando. Alguma coisa no seu passado que tenha mexido com a sua cabeça a fez perder a confiança em si própria, ou até mesmo a confiança neles. Não sei o que pode ter sido. Mas a verdade é que ultimamente você tem progredido, você está resolvendo as pendências do passado e retomando o que foi perdido. Por isso você conseguiu estabelecer esse laço com Niani primeiro. Você esteve mais aberta à ela.


Jiro então se virou para ir embora de vez. Já caminhando para a saída da praça, o garoto parou, e ainda de costas para Miriam fez sua última fala.


— Mas a boa notícia é que a primeira ligação é a mais difícil. Agora que você se conectou à Niani, a tendência é que com os outros seja mais fácil. Mas tudo depende de você.


— Entendi — Miriam então fez uma última pergunta. — E você sabe os nomes da Nidoqueen, do Venomoth e do Zangoose?


— Sei sim — disse o garoto. — Mas não vou te contar, até porque te atrapalharia. É quando você descobrir os nomes deles que você vai saber que suas mentes estão ligadas. Agora eu vou indo, mas vamos nos encontrar em breve. Até lá, continue fazendo o que você tem feito.


— E o que seria?


Jiro deu um último sorriso.


— Resolver o que você deixou em aberto. O que mais seria?


E assim o menino caminhou de volta às ruas da grande Rustboro, deixando Miriam a observá-lo curiosa, até que ele desaparecesse em meio à multidão.


• • •


Após deixar seus parceiros sob os cuidados da enfermaria, Miriam se dirigiu à cafeteria que funcionava no prédio para poder comer alguma coisa. Devido ao dia cheio, sua última refeição havia sido o café da manhã antes de sair para batalhar contra Roxanne, mas o outro imprevisto que teve logo em seguida acabou tomando seu tempo e atenção pelo resto do dia.


Faminta, a menina pegava de tudo um pouco para poder suprir todas as suas necessidades, desde as reais como os nutrientes até as mais banais, como seu desejo quase incontrolável de comer alguma fritura, uma sensação de recompensa que ela julgava merecer depois de suportar aquele dia pesado.


Levou a sua bandeja até uma das mesas vazias, que ficava próxima a um televisor suspenso na parede. De início, Miriam não deu muita bola ao que estava passando naquele momento, só viu que parecia ser algum evento ou competição por conta do aspecto de arena do local cercado por arquibancadas lotadas por um público eufórico. Se era algum torneio ou algo do tipo ela não queria saber. Aliás, não queria saber de batalhas por um bom tempo dali em diante.


Mas aos poucos a garota percebeu que os olhares de todos ali estavam voltados para a transmissão, e sem conseguir conter a curiosidade em saber o que estava deixando aquelas pessoas tão vidradas, ela naturalmente se convenceu a prestar atenção ao que estava ocorrendo. Até que percebeu que era um Contest.


Ela reconheceu de imediato a coordenadora que se apresentava naquele momento, pois era a mesma que havia visto em Rustboro, que saiu vencedora no primeiro Contest que Ruby havia disputado. E por falar em Ruby...


— Será que ele está competindo nesse aí? — Miriam sussurrou seus pensamentos enquanto pegava um sanduíche para dar uma mordida. — Esses dois fazem falta...


As apresentações transcorriam um coordenador de cada vez. Miriam notou que uma garota em particular, chamada Vivi Winstrate, tinha vários admiradores. Muito se comentava sobre ela ter estreado na temporada anterior e ter tido ótimos resultados, ainda que por muito pouco não tenha conseguido se classificar para o Grande Festival. Até por isso a treinadora logo entendeu que aquela menina se tratava de uma espécie de estrela em ascensão, e que isso se refletia na popularidade dela que fazia até mesmo a maioria dos presentes naquele refeitório tão longe do evento reagirem com euforia, entre suspiros e vibrações, ao vê-la em ação.


E foi pouco depois da apresentação de Vivi que o momento que Miriam tanto aguardava chegou. A garota se apoiou com os dois braços na mesa para se levantar com rapidez e assistir de pé a apresentação de Ruby.


— Esse garoto...


Miriam ouviu uma voz comentar sobre a aparição de Ruby no contest, e quanto se virou viu que se tratava de Vince, que estava sentado numa mesa próxima. Já desconfiada, a menina resolveu tirar a prova se aquilo era apenas coincidência.


— Você conhece ele?


Vince olhou de relance para Miriam, desconfiado com a repentina curiosidade da garota. Ainda que estivesse sem paciência para puxar conversa, também não se sentia à vontade para provocá-la de novo.


— Não, eu só lembro de ter visto ele quando estive em Mauville pouco tempo atrás. Isso porque eu dei uma surra no time da menina que anda com ele. Foi uma das batalhas mais entediantes que eu tive. Ela apareceu querendo bancar a heroína e eu acabei com aquele time meia boca dela. Fico triste por aqueles Pokémons terem uma treinadora que não dá nem pra chamar de medíocre...


A fala de Vince foi interrompida por um soco na mesa, logo a sua frente, que fez os pratos e utensílios que ali estavam darem um pequeno salto e fazer uma barulheira que chamou a atenção dos presentes. Quando o garoto se virou para cima, viu que aquele braço pertencia a Miriam, que o encarava com um olhar furioso.


— Cuidado com o que você fala deles dois. Você já sabe o que acontece quando tenta arrumar problema comigo, mas se der um pio sobre eles a próxima vez que eu tiver que te educar eu não vou me prender dentro das regras. Eu vou te machucar de verdade.


— Não é porque você me venceu uma vez que eu vou ter medo de você, garota. Tá se achando muito.


Querendo evitar conflito dentro do Centro Pokémon, Miriam apenas deu uma bufada e saiu de perto de Vince. Voltou a se sentar onde estava antes, pois o mais importante para ela era acompanhar a apresentação de Ruby. Ainda que acreditasse que tanto ele quanto Sapphire não gostariam de vê-la tão cedo, a menina ainda nutria certo afeto pelos dois. Sabia que era culpa dela a situação que se criou em Slateport, e por isso não os culpava. Apenas torcia para que o tempo cicatrizasse aquelas feridas.


Miriam foi a única a berrar no refeitório quando a vitória de Ruby foi decretada, atraindo alguns olhares desconfiados dos fãs de Vivi e Emily. Os olhos dela brilhavam ao ver que aquele garoto tímido e sem confiança estava começando a mostrar seu potencial. E ela tinha o ajudado a dar o primeiro passo. Vince só revirou os olhos, sem muita paciência para a empolgação da garota.


Já em seu quarto, ao anoitecer, Miriam organizava a sua bolsa com os suprimentos de viagem, a fim de deixá-la pronta para ir embora de Rustboro logo cedo. Quando a menina se deitou na cama, com os braços cruzados apoiando a cabeça, ficou encarando o teto por um breve momento. Sua cabeça mal tinha controle de seus pensamentos. Ainda pensava naquele contest que havia assistido poucas horas antes.


Se eu conheço bem aqueles dois, eles vão deixar pra sair de Verdanturf amanhã... — pensou.


Miriam se levantou de repente, pegando seu PokéNav que estava na mesinha ao lado da cama. A garota digitou rapidamente no aparelho ao abrir um navegador e acessou o site do Comitê do Grande Festival. Procurou pelos coordenadores cadastrados até chegar ao perfil de Ruby. Ao ver que o garoto tinha duas fitas, Miriam acessou a página do cronograma da temporada para ver o próximo contest de nível 2, e onde seria disputado.


— Fallarbor... Droga, acabei de vir de lá. Mas pelo menos ainda falta bastante tempo para ele acontecer. Talvez eu consiga dar um pulo em Petalburg, desafiar o ginásio de lá e voltar... Será que vai dar tempo?


Miriam se sentou novamente na cama e respirou fundo. Ela se perguntava se era razoável fazer aquilo que ela estava pensando, ou se estava sendo inconveniente. Mas lembrou das palavras de Jiro no encontro com ele mais cedo. “Resolver o que ficou em aberto” e “retomar o que foi perdido” eram as falas que martelavam na cabeça da menina. Ainda conseguia ouvi-las com a voz do garoto, como se ele estivesse ao seu lado. E então ela decidiu que deveria agir.


— Depois ficaria ruim ir pra Dewford. Enfrentar o ginásio de lá ou o de Petalburg, vou ter que escolher um dos dois... Enfrentar ambos ia me atrasar muito, eu não chegaria a tempo do contest em Fallarbor. Preciso voltar lá de qualquer forma porque tem um Cérebro da Fronteira perto.


Ela desligou seu PokéNav e ficou a encarar o chão pensando na melhor opção que tinha. Mas uma coisa era certa: ela estava decidida a voltar pra Fallarbor para se encontrar com Ruby e Sapphire.


— Eles podem pensar de mim o que quiserem, mas eu vou até eles falar o que sinto sobre essa situação toda. Eu só quero que as coisas voltem a ficar bem. E já sei pra onde ir.


• • •


Briney estava varrendo o chão da sua cabana, num raro momento em que o velho se propunha a limpar aquela bagunça característica do seu refúgio. Sua atenção só foi cortada quando ele ouviu batidas fortes e rápidas na porta. Seja quem fosse, estava com pressa.


O ex-marinheiro a princípio ficou desconfiado. As batidas desesperadas nem sempre eram um bom sinal, e com seus anos de experiência na Marinha ele aprendeu a desconfiar de todos e tudo. Foi abrindo a porta devagar para se certificar de que não era nenhuma pessoa suspeita, mas se surpreendeu ao ver quem era.


— Miriam? O que você tá fazendo aqui?


— Tenho uma missão que só você pode me ajudar a cumprir, Capitão — a garota então puxou uma boa quantidade de dinheiro de seu bolso. — Bota bastante gasolina nesse barco que eu preciso chegar em Dewford pra ontem!


FIM DO CAPÍTULO 36


  


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