Hoenn Café, capítulo novo e desafio especial

Boa tarde, meus caros!
As últimas semanas têm sido corridas por conta da faculdade, mas ontem mesmo preparei com a Tsuki um cronograma para as próximas 3 semanas aqui no blog. Vou falar brevemente sobre isso e abordar os temas que vocês viram no título da postagem. Sem mais delongas, vamos lá!
Discussão do Hoenn Café
Eu cheguei a mencionar o tema, não sei se foi nas notas do autor do último capítulo, ou se eu cheguei a mencionar no próprio post de abertura do Café, mas para quem ainda não sabe o tema será sobre os 3 tipos preferidos de Pokémon de cada um. Não só isso, mas a pessoa também deverá listar 3 Pokémons para cada tipo que ela colocar na lista.
Sobre a data, o post já está pronto e a publicação do mesmo será nessa sexta-feira, dia 1º de Julho! O horário é o de sempre: meio-dia no horário de Brasília.
Preparem suas listas, porque eu creio que essa discussão vai longe!
A história
O capítulo 4 já está pronto, e o 5 está em andamento. Quero conseguir me adiantar nesse capítulo, e dependendo de como as coisas fluírem na semana que vem já tenho a definição se o capítulo 4 vai ou não estar disponível.
Desafio especial para os leitores
Agora em Julho teremos o Anime Friends 2016, evento que será realizado na cidade de São Paulo. Para este ano, a Aliança Aventuras está realizando um desafio aos leitores que estiverem presentes no evento no dia 16 — o sábado da segunda semana: eu, o Canas, a Star e a Zyky estaremos no evento, cada um portando seu Nintendo 3DS. Quem passar por perto com um 3DS e o Street Pass ligado poderá receber nossos avatares na Praça Mii. Só lembrando que tem uma cambada de gente que leva o 3DS pra lá, então boa sorte. Será que conseguem nos encontrar? ( ͡° ͜ʖ ͡°)
Bem, acho que é isso que tenho a dizer por enquanto. Desejo a todos uma boa semana, e nos vemos no Hoenn Café de sexta! õ/
Protagonistas
![]() |
| Art by: infinitedge2u |

Ruby é um garoto que viveu a maior parte de sua vida em Violet, na região de Johto, mas aos 16 anos acabou se mudando para Hoenn quando seu pai, Norman, foi chamado para assumir o ginásio de Petalburg como líder.
Ele tem uma personalidade reservada na maior parte do tempo, e entre várias características se destaca seu gosto por organização. Lugares bagunçados o deixam nervoso a ponto de ficar mal-humorado de uma hora para a outra. É um pouco quieto, devido ao seu jeito fechado, mas isso não significa que seja anti-social. Costuma se relacionar bem com as poucas pessoas que acabam se aproximando. Resolveu se tornar coordenador, mas o motivo que o levou a essa escolha ainda não foi revelado.
Fatos sobre o personagem:
• É bastante sistemático e tem mania de organização;
• Devorador de livros;
Primeira aparição:
Capítulo 1 - Boas-vindas acidentais


Fatos sobre o personagem:
• É bastante sistemático e tem mania de organização;
• Devorador de livros;
Primeira aparição:
Capítulo 1 - Boas-vindas acidentais
Fitas:
Equipe:

Se há um adjetivo que certamente descreve Sapphire, este é desastrada. É uma menina gentil e com espírito aventureiro, mas sua falta de atenção pode ser preocupante. Está sempre tropeçando, caindo ou atraindo qualquer outro tipo de tragédia.
Viveu no vilarejo de Littleroot durante toda sua vida, o que a tornou uma pessoa mais conectada à natureza. Prefere o ar livre, e por vontade de conhecer a região de Hoenn decidiu largar o laboratório de Birch, seu pai, para se aventurar como treinadora, sendo que decidiu seguir por este caminho por também querer um novo objetivo em sua vida.
Fatos sobre a personagem:
• Desastrada, está sempre tropeçando e caindo por aí;
• Viciada em batatinhas;
Primeira aparição:
Capítulo 1 - Boas-vindas acidentais
Insígnias:
Miriam é uma treinadora oriunda da região de Kanto, mais precisamente da cidade de Vermilion. Já mais experiente que Ruby e Sapphire, decidiu viajar para a região de Hoenn para enfrentar a Batalha da Fronteira, uma competição de alto nível onde não são permitidos treinadores iniciantes. Trouxe consigo apenas dois Pokémons, pois seu interesse em aliar as carreiras de treinadora e criadora lhe despertou a curiosidade para conhecer as espécies que habitam a região.
Chegou a Hoenn carregando consigo um nome falso, que usava para disfarce em uma operação como estagiária da Polícia Internacional. Após a revelação de sua identidade real a menina se desligou da polícia e passou a seguir pra valer sua carreira como treinadora.
Fatos sobre a personagem:
• Fã nº 1 de Surge, líder de ginásio de Vermilion;
• Quando criança era chamada de "Miri" pelas amigas, mas poucas informações são sabidas a respeito da origem desse apelido;
Primeira aparição:
Capítulo 2 - Artimanhas do destino

Fatos sobre a personagem:
• Desastrada, está sempre tropeçando e caindo por aí;
• Viciada em batatinhas;
Primeira aparição:
Capítulo 1 - Boas-vindas acidentais
Insígnias:

Equipe:
![]() |
| Art oficial da personagem criada por Diego Chinatsu |
Chegou a Hoenn carregando consigo um nome falso, que usava para disfarce em uma operação como estagiária da Polícia Internacional. Após a revelação de sua identidade real a menina se desligou da polícia e passou a seguir pra valer sua carreira como treinadora.
Fatos sobre a personagem:
• Fã nº 1 de Surge, líder de ginásio de Vermilion;
• Quando criança era chamada de "Miri" pelas amigas, mas poucas informações são sabidas a respeito da origem desse apelido;
Primeira aparição:
Capítulo 2 - Artimanhas do destino
Símbolos da Fronteira:

Insígnias:
Equipe:
Notas do Autor - Capítulo 3

ALOLA! Quero dizer, ALOHA! õ/
Ok, esse trocadilho ficou uma porcaria. Vamos ao que interessa...
Chegamos ao terceiro capítulo! Como eu já tinha mencionado em outros posts, e até mesmo respondendo a alguns comentários que vocês me mandaram no capítulo passado, finalmente pudemos ver um pouco de estrada. Já estava na hora de sentir o cheiro das estradas de terra — eu ia dizer "cheiro do mato", mas vocês poderiam interpretar de outra forma, e aqui em AEH não fazemos esse tipo de apologia, hehehe.
Sobre os iniciais, acho que já estava meio na cara que o Torchic ia ficar com a Sapphire, né? O Treecko eu mantive com o Ruby, assim como na fic antiga. E Mudkip também terá o seu momento de brilhar, pra quem curte essa bolota azul mais que os outros dois, fiquem despreocupados!
Essa pergunta é mais para os leitores das antigas: notaram que eles agora têm uma personalidade melhor definida? É, meus amigos, isso tem a ver com a dificuldade da qual andei me queixando tanto no capítulo 4 — esperem e verão. Mas as coisas fluíram numa boa. Chega a ser irônico, porque o bloqueio criativo que eu estava prevendo aconteceu justamente em outra cena! Mas já está tudo resolvido. O capítulo está pronto, e tive a aprovação dos meus revisores Dento e Tsuki! Ele virá em breve, e espero ter feito certo nessa cena. Estou apostando nela.
Por fim, vamos falar sobre a Zinnia.
Ela é uma personagem que me chamou muito a atenção quando eu joguei o Alpha Sapphire. Esse jeito esquisitão dela, e a história da tribo dos draconids. Acho que isso passou despercebido pra muita gente que jogou — vejo que muitas pessoas não deram a mínima pra história dela, e só jogaram o Delta Episode pra pegar o Rayquaza e o Deoxys, e destravar os Mirage Spots.
Eu fiz leves alterações na história, para que ela possa se adequar ao enredo de AEH. Mas tem ainda uma peculiaridade: vai ser uma história paralela! Isso mesmo, é como se fosse uma segunda Aventuras em Hoenn, de um outro ponto de vista que estivesse fora das batalhas e contests, e terá a Zinnia como protagonista. É um side plot, e eu pretendo trazer outros, e ficar brincando de entrelaçá-los ao longo da jornada. Acho que vai trazer uma dinâmica diferente à história, e ao mesmo tempo a oportunidade de aproveitarmos várias aventuras ao mesmo tempo, dando um descanso nos personagens para que eles não fiquem "sobrecarregados", ou sendo utilizados em excesso.
Ela será peça-chave no roteiro principal, que é uma fusão de todos esses plots. Então atentem-se aos movimentos dessa personagem, porque ela pode revelar brechas interessantes sobre o futuro de AEH!
Bem, acho que por hoje é só. Espero que tenham gostado do capítulo, e muito obrigado a quem está acompanhando a história! O feedback de vocês tem sido crucial para eu saber onde posso continuar investindo e onde posso fazer melhoras.
Até a segunda discussão do Hoenn Café, que está próxima! Vejo vocês lá! õ/
Ok, esse trocadilho ficou uma porcaria. Vamos ao que interessa...
Chegamos ao terceiro capítulo! Como eu já tinha mencionado em outros posts, e até mesmo respondendo a alguns comentários que vocês me mandaram no capítulo passado, finalmente pudemos ver um pouco de estrada. Já estava na hora de sentir o cheiro das estradas de terra — eu ia dizer "cheiro do mato", mas vocês poderiam interpretar de outra forma, e aqui em AEH não fazemos esse tipo de apologia, hehehe.
Sobre os iniciais, acho que já estava meio na cara que o Torchic ia ficar com a Sapphire, né? O Treecko eu mantive com o Ruby, assim como na fic antiga. E Mudkip também terá o seu momento de brilhar, pra quem curte essa bolota azul mais que os outros dois, fiquem despreocupados!
Essa pergunta é mais para os leitores das antigas: notaram que eles agora têm uma personalidade melhor definida? É, meus amigos, isso tem a ver com a dificuldade da qual andei me queixando tanto no capítulo 4 — esperem e verão. Mas as coisas fluíram numa boa. Chega a ser irônico, porque o bloqueio criativo que eu estava prevendo aconteceu justamente em outra cena! Mas já está tudo resolvido. O capítulo está pronto, e tive a aprovação dos meus revisores Dento e Tsuki! Ele virá em breve, e espero ter feito certo nessa cena. Estou apostando nela.
Por fim, vamos falar sobre a Zinnia.
Ela é uma personagem que me chamou muito a atenção quando eu joguei o Alpha Sapphire. Esse jeito esquisitão dela, e a história da tribo dos draconids. Acho que isso passou despercebido pra muita gente que jogou — vejo que muitas pessoas não deram a mínima pra história dela, e só jogaram o Delta Episode pra pegar o Rayquaza e o Deoxys, e destravar os Mirage Spots.
Eu fiz leves alterações na história, para que ela possa se adequar ao enredo de AEH. Mas tem ainda uma peculiaridade: vai ser uma história paralela! Isso mesmo, é como se fosse uma segunda Aventuras em Hoenn, de um outro ponto de vista que estivesse fora das batalhas e contests, e terá a Zinnia como protagonista. É um side plot, e eu pretendo trazer outros, e ficar brincando de entrelaçá-los ao longo da jornada. Acho que vai trazer uma dinâmica diferente à história, e ao mesmo tempo a oportunidade de aproveitarmos várias aventuras ao mesmo tempo, dando um descanso nos personagens para que eles não fiquem "sobrecarregados", ou sendo utilizados em excesso.
Ela será peça-chave no roteiro principal, que é uma fusão de todos esses plots. Então atentem-se aos movimentos dessa personagem, porque ela pode revelar brechas interessantes sobre o futuro de AEH!
Bem, acho que por hoje é só. Espero que tenham gostado do capítulo, e muito obrigado a quem está acompanhando a história! O feedback de vocês tem sido crucial para eu saber onde posso continuar investindo e onde posso fazer melhoras.
Até a segunda discussão do Hoenn Café, que está próxima! Vejo vocês lá! õ/
Capítulo 3
Caminhos a serem trilhados
Sapphire acordou assustada com o som agudo do despertador tocando. A menina, que havia passado a última noite em claro planejando os detalhes finais para a sua partida em jornada, estava debruçada na
cama, com sua roupa casual toda amarrotada. Ela abriu os olhos devagar, lutando
contra suas próprias pálpebras, naquele momento pesadas como um
Rhyperior. Ainda recuperando a lucidez, olhou para os lados com uma expressão
vaga e exausta, sem se dar conta da importância daquele dia.
Quando
se viu consciente, deu um salto desesperado da cama. Dez da manhã. Muito além
do que era o combinado para que ela estivesse no laboratório de seu pai. Correu
depressa para o banheiro, onde tomou uma ducha rápida para se livrar do sono.
Pegou uma roupa mais leve, arrumou os seus cabelos prendendo-os com um laço
vermelho, que lhe atribuía uma aparência mais inocente. Escovou os dentes
rapidamente e desceu as escadas como um míssil. Ou melhor, como uma bola. Na
correria ela trançou as próprias pernas, levando um tombo violento. Apenas um
berro foi ouvido antes do baque surdo que quase fez tremer o chão, tamanha foi
a força da queda.
—
Sapphire, você está bem? — perguntou Cecilia, vindo ao encontro da filha com
uma expressão preocupada. — Você se machucou?
—
Por sorte não, mas agora não posso falar! Estou muito atrasada! TCHAU!
—
Espere, e o café da — só então Cecilia se deu conta de que a menina já tinha
desaparecido da casa — manhã?
A
garota disputava corrida com o vento, pensando apenas em chegar o mais rápido
possível. Após cruzar algumas casas, ela enfim chegou ao laboratório de Birch,
a maior construção daquele pequeno vilarejo. Ela deu um empurrão na porta, que
bateu de forma brusca na parede assustando os presentes, entre os quais estavam
Birch, Ruby e alguns assistentes de pesquisas. O pai da menina deu um longo
suspiro em negação.
—
Sapphire, era para você estar aqui há duas horas — disse o cientista. —
Aconteceu algo?
—
Beeeeem, eu acho que perdi a hora — respondeu a garota com um sorriso travesso,
tentando disfarçar a falta de ar. — Espero que não estejam irritados comigo.
O
cientista balançou a cabeça negativamente, mas resolveu não questionar. Apenas
voltou sua atenção para o que precisava ser feito: dar aos dois tudo o que era
necessário para que pudessem sair em jornada estando bem preparados. O homem
caminhou até uma mesa distante, deixando naquele local dois jovens curiosos.
Quando retornou, trazia consigo uma maleta e um pequeno aparelho em tamanho de
bolso. Ele entregou o dispositivo nas mãos de sua filha.
—
Acredito que você já sabe o que é isso — disse, mostrando um sorriso.
—
É claro que eu sei — respondeu Sapphire, ainda curiosa. — Não me diga que eu
sou “a escolhida”.
—
Eu tive muito trabalho para construir essa Pokédex. Precisei da ajuda de Samuel
Oak, senão eu sequer teria terminado esse aparelho. É parte do meu projeto
trazer a grande invenção dele para a nossa região e ajudar os treinadores
daqui, mas para isso seria preciso coletar um bom nível de informações. Por
isso a guardei e tive tanto rigor na hora de escolher quem iria carregá-la por
Hoenn, e agora vi em você a escolha certa. Fico feliz em ter aguardado. Afinal,
quem melhor que minha filha para levar para mim algo tão importante pelo
continente inteiro sem me fazer perder a tranquilidade?
—
Quando eu morava em Violet, alguns treinadores possuíam uma Pokédex, mas essa é
a primeira vez que vejo uma tão de perto — analisou Ruby, sem tirar os olhos
curiosos do dispositivo.
Logo
em seguida Birch pegou a maleta e a colocou com cuidado em cima da mesa onde
eles estavam. Desfez as duas travas, revelando três Pokéballs dentro dela. Elas
brilhavam com intensidade, refletindo a luz vinda das lâmpadas acesas do
laboratório, mostrando que estavam perfeitamente lustradas e bem cuidadas. O cientista
sorriu, bem como Ruby e Sapphire, esta última já a ponto de transbordar de
euforia.
—
Aqui estão três Pokémons especiais, conhecidos por serem excelentes para
treinadores que estão começando.
Birch
liberou os três monstrinhos para que Sapphire e Ruby pudessem avaliar as
escolhas. O primeiro era um pequeno lagarto verde com a cauda mais
escura e uma coloração vermelha que ia da barriga até a parte de baixo de sua
boca. Seus grandes olhos amarelos observavam o local com certa estranheza, parecendo
um pouco surpreso em ver um cenário diferente do habitual. O segundo era um
anfíbio de cor azulada, com a barriga e a cauda em tons mais claros. Acima da
cabeça, que mantinha uma expressão de curiosidade, surgia uma espécie de
crista, e em cada bochecha uma barbatana de cor amarelada. Por último, um
pintinho de penugem alaranjada, exceto pelas asas e crista amarelas. Possuía um
olhar desconfiado, e parecia não querer socializar muito.
—
Estes são Treecko, Mudkip e Torchic — disse Birch. — São, respectivamente, dos
tipos planta, água e fogo.
Os
jovens olhavam animados para as pequenas criaturinhas. Eles analisavam cada
um, tendo em mente que aquela escolha seria para a vida toda. Sapphire foi a
primeira a se manifestar.
—
Acho que vou ficar com o Torchic — disse a menina. — Ouvi dizer que eles são
bem fortes, especialmente quando evoluem.
—
Nesse caso acho que vou ficar com o Treecko — falou Ruby. — Digamos que ele tem
uma beleza exterior diferenciada, parece ser bem forte e, por ser um Pokémon do
tipo planta, provavelmente tem uma lista de possíveis ataques muito belos. Com
certeza me ajudará nos contests.
O
pequeno Treecko pareceu irritado ao ouvir o comentário do garoto, mas sequer
teve tempo de reagir, e já foi recolhido de volta à Pokéball, bem como o
Torchic. Birch, no entanto, coçou a barba por alguns segundos, parecendo
preocupado.
—
Só preciso dizer a vocês uma coisa. Escolheram Pokémons por parecerem mais
fortes. Isso é um erro bastante comum no começo. O certo é que vocês procurem
as personalidades deles, as características. Pokémons são como nós, cada um com
suas peculiaridades, e só aqueles que conseguem ver o que está atrás da cortina
de seus corações podem compreendê-los, e assim se tornar grandes treinadores.
Entenderam?
Ruby
e Sapphire não pareciam ter compreendido bem as palavras do professor, mas
assentiram de forma a não fazer transparecer suas dúvidas. Birch ainda parecia
desconfiado, mas decidiu não forçar o lado dos jovens. Aquele era um momento
emblemático em suas vidas, e a euforia de ter o primeiro Pokémon era algo que
todos os aspirantes a treinador deveriam poder desfrutar um dia.
Birch
recolheu Mudkip para a Pokéball, e ficou encarando a esfera em sua mão. Ele
ainda a olhava com uma expressão não muito feliz, mas ao ter uma ideia pôde se
sentir mais aliviado. O pesquisador caminhou até sua filha, ainda um pouco pensativo.
— Sapphire, eu vou te pedir mais um favor — o homem então abriu um bolso na lateral da mochila da menina, onde enfiou a Pokéball contendo a criatura aquática —
Quero que leve Mudkip com você também.
—
Espera um pouco — Sapphire o interrompeu. — Achei que não fosse ético dar dois
Pokémons para um treinador iniciante. Digo, alguns podem ter, mas já tendo feito a captura ou ganhado antes. Eu não posso receber dois de um professor.
—
Não estou te dando o Mudkip — Birch riu, um pouco sem
graça. — Só que também não posso ficar com este Pokémon. Estamos lotados de trabalho pra fazer e não vai sobrar tempo pra cuidar dele até aparecer um treinador novato. Nesse caso, quero que leve Mudkip para encontrar alguém apropriado.
—
Tá dizendo pra eu decidir se algum treinador é digno de receber esse Mudkip?
Sapphire
estava incrédula. Por muitas vezes ela viu seu pai realizando este tipo de
tarefa, mas isso não significava que ela tinha noção de como avaliar tais
atributos. Birch, por outro lado, tinha confiança de que a menina saberia
realizar este trabalho de forma correta.
O
homem apenas afagou os cabelos da filha, bagunçando-os de forma a tirar o laço
que os prendiam. Sapphire fez uma cara emburrada, enquanto Birch ria com a
filha.
—
Você vai ter certeza quando encontrar o treinador certo.
• • •
No
Centro Pokémon de Oldale, uma menina repousava sentada a uma das mesas do
refeitório. Ela aparentava estar bem descansada, indicando que havia acabado de
acordar. À sua frente, na mesa, jazia uma xícara de café quente. Ela se mantinha recostada no sofá de couro, mexendo a bebida com uma pequena colher
de açúcar.
Ela
pegou um panfleto de sua mochila, e começou a ler devagar. Era um informativo
sobre uma grande competição que estava prestes a começar em Hoenn, conhecida
como Batalha da Fronteira. Era um evento simbolizando uma parceria entre as
regiões de Kanto e Hoenn, e naquele ano a segunda seria a sede da competição.
Os
olhos passeavam de linha a linha, colhendo algumas informações sobre o evento,
tais como período inscrição, modelo de competição, dentre outros detalhes. Ela
estava tão centrada no panfleto que sequer notou a aproximação de uma das
enfermeiras do local, que estava cuidando da recepção naquele dia.
—
Senhorita Miriam — disse a enfermeira, fazendo a menina tomar um susto e dar um
salto do sofá. — Já foi chamada três vezes.
—
Sério? — ela indagou em tom de surpresa. — Mil perdões! Eu estava completamente
distraída! Aconteceu alguma coisa?
—
Na verdade eu só vim informá-la que seus Pokémons já estão liberados.
A
menina sorriu ao receber a notícia. Seu destino era a cidade de Rustboro, mas ela já tinha passado alguns dias caminhando sem descanso pelas estradas, e por isso uma
parada era necessária ao encontrar uma cidade como Oldale. Agora que seus
companheiros estavam revigorados, era hora de partir.
Miriam caminhou até o balcão de recepção, onde recebeu suas Pokéballs de volta. Pediu
mais algumas informações sobre o trajeto até o seu próximo destino, Petalburg,
e enfim saiu pelas portas do hospital. Caminhou um pouco em direção à rota, mas
logo deu uma parada, fazendo uma cara de dúvida. Sentia que estava se
esquecendo de algo.
—
O PANFLETO! — e saiu correndo de volta para o Centro Pokémon.
• • •
Alguns
últimos detalhes foram acertados para que finalmente Ruby e Sapphire pudessem
partir. Dado certo tempo, eles já estavam em frente à rota de saída de
Littleroot e o próximo destino seria Oldale. Pararam uma última vez, deixando
que a brisa fresca corresse à frente, e resolveram seguir.
Eles
caminhavam pela rota tranquilos, porém depois de alguns minutos Ruby percebeu que havia algo errado com Sapphire, que parecia sentir algum incômodo. O garoto não sabia ao certo o que estava se
passando, talvez o nervosismo de poder sair em jornada estivesse afetando a sua
companheira de estrada. Ele fez menção de tocar no ombro dela, mas percebeu um
recuo brusco por parte da garota, seguido de um gemido de dor.
—
Onde você se machucou? — perguntou o garoto.
—
Do que você tá falando? Eu não tô machucada! — Sapphire fez cara de
desentendida, tentando ainda disfarçar a dor.
—
Não tem como esconder. Sua cara denuncia claramente.
Sapphire
deu um suspiro. Sabia que naquela altura já não era mais possível esconder de
Ruby a dor que sentia. Era seu braço direito que doía, e ela resolveu abrir o
jogo.
—
Eu acabei caindo da escada lá em casa hoje cedo — disse, exibindo um sorriso
sem graça enquanto coçava a parte de trás da cabeça. — Mas só começou a doer
agora...
— Caiu da escada!? — o garoto arregalou os olhos. — Senta aí agora mesmo! Temos que ver como está o seu braço! Esse tipo de queda é muito sério!
Ruby
imediatamente fez com que a menina se sentasse em um tronco de árvore próximo à
estrada de terra, e de dentro de sua mochila retirou um kit de primeiros
socorros. Ao perguntar onde doía, Sapphire sinalizou a região do cotovelo, e o
garoto prontamente utilizou um spray para amenizar o incômodo. Em seguida,
retirou algumas faixas, e enrolou o braço da menina com elas, apertando o
curativo com um nó em seguida, o que a fez resmungar baixo.
—
Precisa apertar tanto? — questionou Sapphire.
—
É apenas para firmar o seu braço, assim você não fica mexendo muito ele enquanto se recupera.
Os
dois descansaram após o breve tratamento. Ruby respirou fundo, recuperando o
fôlego após o trabalho de imobilizar o braço de sua amiga. Sapphire ainda
sentia um desconforto por conta de seu braço estar praticamente imobilizado
pelas faixas que o apertavam, mas a dor já começava a desaparecer por conta do
efeito do spray.
—
Acabamos de sair e você já está gastando os suprimentos médicos? — disse o
menino com um ar de preocupação. — Desse jeito vamos morrer em poucas
semanas...
—
Deixa de ser dramático! — Sapphire resmungou. — No máximo não teríamos
curativos para alguns machucados.
—
O que poderia nos causar uma infinidade de infecções — Ruby fez uma pausa com
uma expressão beirando o desespero. — Aí vem a parte onde a gente morre.
Os
dois então riram, enquanto permaneciam sentados no tronco jogado. Eles não
tinham pressa para cruzar a estrada. Estavam aproveitando cada momento daquele
novo estilo de vida, que os acompanharia por um bom tempo a partir daquele dia.

O
clima era agradável. Um sol ameno indicava que o tempo não traria complicações
naquele dia, então eles poderiam viajar sem preocupações. Oldale também não era
tão longe, então qualquer surpresa inesperada e eles teriam um abrigo no Centro
Pokémon. Mas naquele momento só queriam mesmo era sentir o espírito de
aventureiros nascer em suas almas.
—
Por que não aproveitamos esse descanso para conhecer os nossos novos amigos? —
Sugeriu Sapphire, retirando a Pokéball de Torchic do bolso.
—
Tem razão. Acho que é a oportunidade perfeita — concordou Ruby.
Os
dois liberaram seus Pokémons escolhidos, e se animaram para uma apresentação. O
que eles não esperavam era uma recepção bem indiferente de Treecko e Torchic. O
réptil lançava um olhar nada amigável para Ruby, enquanto Sapphire não
conseguia se aproximar do pequeno inicial de fogo, que se retraía de forma
desconfiada.
—
Eles não deveriam ser de espécies amigáveis? — questionou Ruby, claramente com
medo de chegar perto de seu Pokémon.
—
Mas eles são — respondeu Sapphire. — Será que estão chateados com alguma coisa?
Os
dois caminharam para lados distintos, mas ao mesmo tempo se afastando de seus
treinadores. Ruby fez menção de retornar Treecko para a Pokéball, mas foi
impedido por Sapphire.
—
Deixa eles pegarem um pouco de ar livre — disse a garota. — Talvez isso melhore
o humor dos dois.
• • •
“Do solo surgiu o grandioso titã
terrestre. Do oceano emergiu o majestoso imperador dos mares. E estes
batalharam de forma devastadora durante dias, disputando a hegemonia, o domínio
de nosso planeta. Um queria expandir os continentes. O outro queria cobrir tudo
com água. E dos céus desceu o guardião de todos nós, e acalmou os dois
monstros.
Alguns anos se passaram, e nosso
povo continuava cultuando Lord Rayquaza como o salvador de nossa raça, até que
os sacerdotes previram a destruição vinda dos mesmos céus de onde nosso grande
rei viera. Seria um castigo divino? Ou um destino reservado para nós? Não,
nenhum. Acreditávamos fortemente que era apenas um acidente, que nada daquilo
seria oriundo de uma força superior, senão a da própria natureza.
Canalizamos a energia de nosso
povo em um único membro de nossa tribo. Este se dirigiu até os mares distantes
do sul e de lá utilizou todo o poder que lhe foi concedido para implorar ao
grande salvador por mais uma intervenção divina. E ele veio. Mais uma vez
estávamos salvos.
Este homem que concentrou o poder
de nosso povo ficou responsável por passar as histórias de Lord Rayquaza para
as gerações mais jovens, e por isso ficou conhecido como o Guardião da
Tradição. Este título é o mais importante de nossa cultura milenar, e é
passado de geração em geração para os jovens que são escolhidos para receberem
a dádiva do poder do grande dragão celestial.”
—
E agora é chegada a sua vez, minha querida neta — dizia uma velha senhora para
uma garota de aparentemente vinte anos de idade, que estava sentada à sua
frente com uma feição de desdém.
—
Está dizendo que um suposto deus onipotente que nos salvou de um apocalipse de
meteoros decidiu sem motivos aparentes que eu vou deter a responsabilidade de
coletar o “poder” — a garota fez sinal de aspas — da nossa tribo e salvar o
planeta junto com ele caso aconteça algum problema? Conta outra.
A
velha imediatamente levantou-se em fúria, puxou um leque de dentro de suas
vestes e o usou para golpear com força a cabeça de sua neta, que apenas soltou
um baixo gemido de dor.
—
Mostre respeito pela história de seu povo, garota! E basta de blasfêmias! Acha
que eu tive a brilhante ideia de colocar VOCÊ para um cargo tão importante? Foi
agraciada com um dom divino, mostre um pouco de maturidade! Já está na hora de
você crescer, Zinnia!
A
garota revirou seus grandes olhos pretos, parecendo não se importar muito com o
sermão de sua avó. Zinnia era uma menina de boa criação, mas não gostava de
carregar o peso de uma responsabilidade tão grande. Por isso acabava agindo de
forma infantil, numa última tentativa desesperada de não precisar levar uma
vida cheia de regras. Em vão.
—
Tsc, balela! Estão querendo me aprisionar sob o pretexto de que eu agora sou
responsável por decorar uma mísera lenda e sair contando pra todo mundo que eu
encontrar pela frente. Suave, eu saio espalhando a historinha de vocês. Só não
me faça passar o resto dos meus dias parada igual uma estátua, esperando
acontecer alguma porcaria qualquer que a gente nem sabe o que vai ser!
Zinnia
então virou as costas para a sua avó, que a encarava com uma expressão de
desgosto. A garota não disse mais nada. Apenas bufou e saiu pela porta da casa
de sua parente. Ela caminhou pela rota próxima a seu vilarejo, onde deitou-se
numa rocha plana e ficou a observar as nuvens.
Ela
fazia parte da tribo dos draconids, um povo nativo da região de Hoenn, que
guardava grandes histórias, mas também grandes segredos, o que só fazia as
pessoas se sentirem mais atraídas por sua cultura peculiar. No entanto, Zinnia
não parecia se empolgar com sua raça, e a pressão de ser a escolhida para
carregar o título de Guardiã da Tradição só a deixava ainda mais tensa.
Uma
pequena criatura apareceu próxima à menina. Era rosada, com as pontas das
orelhas e pés amarelas. Tinha uma expressão indecifrável, mas Zinnia parecia
entendê-la muito bem. Era sua companheira Whismur, que a menina nomeou como
Aster. Zinnia a recolheu para perto de si, onde ficaram por horas apenas
apreciando o céu de sua terra.

—
Draconids, Rayquaza, profecia... Eu vou é embora daqui — dizia para si
própria. — Eu tenho o direito de viver a minha vida da forma que eu quiser, e
ninguém vai me impedir por causa de uma religião idiota!
FIM DO CAPÍTULO 3
Atualização dos bastidores

Beleza, meus caros?
Vamos aqui falar um pouco sobre como andam as coisas por aqui, o progresso da fic, o novo post do Hoenn Café que está a caminho, e um pouco aí da vida. As postagens cessaram um pouco? Sim, mas isso não quer dizer que eu estive ausente.
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| Realidade paralela onde vocês leitores são a Jessie e eu o Pidgeotto: "Vai trabalhar, vagabundo!" |
Minha vida vai muito bem, obrigado. Me dei bem em umas provas na faculdade que estavam exigindo um pouco da minha atenção — aquela sensação de você olhar as notas e se deparar com um belo 9 em uma matéria que você achava que ia levar bomba, acho que todo ser humano na face da Terra deveria ter o direito de experimentar essa sensação incrível pelo menos uma vez na vida. O trabalho vai caminhando como sempre, mas essa semana estou na expectativa porque vai ter salário — essa parte nem dá pra comemorar muito, pois na primeira semana metade dele já vai embora pagando contas, especialmente o cartão de crédito que segue com uma faca apontada no meu pescoço por conta de uma peça nova que precisei comprar para o computador.
Em casa, tudo normal. Bem, é isso. Estresse sempre vai ter, e nesses últimos dias tenho me irritado bastante com algumas coisas, mas de modo geral está bom. Sou tão positivo que a própria raiva que senti em um desses momentos estressantes eu consegui usar para escrever uma cena do capítulo 4, que acredito que vocês vão achar legal.
E falando na história, vamos a ela!
O capítulo 4 foi complicado de escrever. Desde os meus primeiros posts mais impessoais, como este, que venho fazendo desde que reabri o blog, eu tenho dito que eu enfrentaria dificuldades com ele por conta de um tipo de história que eu ia estrear nele, e que eu não estava acostumado a escrever. Espero ter feito algo legal, mas estou confiante.
Por incrível que pareça, essa cena eu até concluí com rapidez. O que veio depois foi um bloqueio criativo, no qual eu tive que sentar e analisar possibilidades para o que mais poderia aparecer no capítulo. Então tive aí essa pequena demora em terminá-lo. Eu pretendia postar o capítulo 2 só depois de ter o 4 concluído, mas como eu vi que ia demorar um pouco, eu acabei lançando logo para não deixá-los em uma espera muito longa. O capítulo 5, no entanto, já acredito que será mais fácil, pois ele vai reaproveitar algumas coisas de um capítulo da AEH antiga — sim, o que o Canas mencionou em AES recentemente é verdade, sobre eu ter a AEH antiga salva aqui nos meus arquivos. Uma vantagem disso é que eu vou ganhar mais tempo para planejar a continuidade do plot principal.
Para terminar, um aviso sobre o próximo post do Hoenn Café: vamos listar nossos tipos preferidos de Pokémon, e citar os 3 preferidos que temos em cada um desses tipos! Então vão pensando bem nas escolhas. Quero ver novamente boas listas como as que apareceram na primeira discussão!
Acho que é isso.
AH, QUASE ME ESQUECI!
Sexta-feira, dia 3 de Maio, lanço o novo capítulo! Horário de sempre (meio-dia no horário de Brasília). Fiquem ligados!
Nos vemos! õ/
Notas do Autor - Capítulo 2

E aí, pessoal? Tudo certo?
Eu gostaria de pedir desculpas pelo atraso na postagem das notas, pois esse fim de semana foi corrido devido a uma prova que fiz ontem (domingo). Mas cá estamos para falar um pouco sobre essa segunda parte da nossa história.
Se o primeiro capítulo foi apenas uma forma de introduzir os protagonistas e uni-los, agora foi a vez de concluir com o desfecho desse encontro entre ambos. Ruby e Sapphire agora estão formalmente apresentados um ao outro, e daí decidiram partir juntos em jornada. Agora vimos a conclusão dessa parte inicial da aventura — ainda nem é uma aventura, Shadow idiota! Do próximo capítulo em diante eles já partem em jornada, e isso não chega a ser um spoiler, porque acredito que vocês não aguentariam outro capítulo sem ver as rotas... Até porque eu já mostrei tudo que era necessário nesse começo, então insistir em ficar em Petalburg e Littleroot daqui pra frente seria apenas encheção de linguiça.
Tivemos também a aparição de uma personagem nova dessa vez. Ela não estava no primeiro capítulo, e acredito que os leitores mais antigos saberão identificá-la apenas pela descrição dada no trecho onde ela é apresentada. Mas aos leitores mais novos, não se preocupem, pois já no próximo capítulo revelaremos um pouco mais sobre ela.
Curiosidade:
Vocês sabiam que este capítulo deu exatas 4000 palavras no Word? Nem eu acreditei! kkkkk
Enfim, agora estamos a ponto de ver Ruby e Sapphire conhecerem seus primeiros parceiros de aventura. O próximo capítulo também servirá de abertura para uma história paralela, e acredito que vocês vão se interessar pela grande estrela dessa. É uma personagem que estou desenvolvendo com muito cuidado, porque ela vai ter uma importância muito grande quando as duas histórias — a dela e a principal — se cruzarem. Conseguem adivinhar quem seria?
Enfim, vou terminando as notas por aqui. Espero que tenham curtido esse capítulo. É, eu sei. Ele ficou um pouco grande para os meus padrões, mas eu realmente estava com a inspiração a mil quando o escrevi.
Fiquem na paz, amigos! õ/
Capítulo 2
Artimanhas do destino
As primeiras horas da manhã em
Petalburg eram de tranquilidade. Aos poucos, as pessoas saíam de
suas casas para seus afazeres enquanto o pequeno comércio local começava a
abrir suas portas. De dentro do Centro Pokémon saíam os treinadores que lá
haviam passado a noite, uma vez que o lugar oferecia um número limitado de
quartos para hospedar viajantes gratuitamente, e por isso eram tão disputados
quanto os hotéis da região.
A casa da família de Ruby também
despertava. Norman estava acordado desde as cinco horas. O novo líder de ginásio
de Hoenn levava uma vida bem regrada, e por isso tinha alguns costumes incomuns
à maioria das pessoas. Por conta disso, seu filho acabou tomando para si este
costume, embora ele levantasse um pouco mais tarde. Naquele momento o homem
retornava à casa após a caminhada que fazia pela manhã, todos os dias sem
falta. Dali ele foi direto tomar um banho frio para se livrar do calor que
estava sentindo. Logo em seguida, voltou para o lugar naquela casa onde tem
estado quase todas as horas dos seus últimos dias: o ginásio.
Passadas duas semanas de sua mudança,
o cenário já estava claramente diferente. Faltava apenas colocar o novo tatame,
e Norman já poderia receber seus primeiros desafiantes. O seu ginásio sempre
foi muito requisitado pelos viajantes, uma vez que os confrontos contra
especialistas em Pokémons normais tinham fama de serem desafiadores. Whitney em
Johto e Lenora em Unova eram exemplos claros de experts no uso daquele tipo, e
agora Norman queria também colocar seu nome nesse seleto grupo. Hoenn passava
por uma reformulação no plantel de líderes de ginásio, e além de Norman outros
novatos também estavam dando as caras a partir daquela temporada. Isso só deixava
o homem ciente do quanto deveria se preparar, pois seu status de novato entre
os líderes poderia lhe trazer inúmeros treinadores com sede de vitória, achando
que seria um desafio fácil enfrentar alguém inexperiente.
Dentro de casa Ruby descia as
escadas, e viu que sua mãe dormia sentada no sofá da sala de estar. Em cima da
mesinha que havia entre o móvel e a televisão, um notebook com a tela aberta,
porém apagada. Provavelmente estava sendo usado à noite quando Helena dormiu e
acabou por ficar sem bateria. Ela trabalhava remotamente para a Devon Corp, uma das maiores multinacionais do
mundo, e o horário da madrugada era quando ela tinha mais tranquilidade para
fazer tudo. Ruby sorriu ao ver a situação de sua mãe, dormindo completamente
jogada ao sofá como se nada mais importasse. Apenas pegou a coberta que estava
no chão e a usou para cobrir Helena.
— Acho que hoje eu posso preparar o
café.
• • •
A porta dos fundos de uma pequena
casa em Littleroot se abria. De lá saiu Sapphire, recém acordada. A menina se
apoiou na cerca que demarcava a propriedade de sua família, e lá ficou a
apreciar o cheio de terra molhada, percebendo que havia chovido durante a
madrugada. Algumas nuvens em leve tom de cinza ainda passavam pelo céu, mas o
azul já era predominante. Ela parecia tranquila, e nem se lembrava do que havia
acontecido há exatas duas semanas.
De dentro da casa saiu, logo em
seguida, um homem de altura média, aparência robusta, mas com uma expressão simpática.
Seu nome era Birch, e não só era o cientista mais renomado em Hoenn se tratando
de estudos sobre Pokémons, como também compartilhava com sua filha Sapphire o
fascínio pela natureza. Isso o levou a investir sua vida na tranquilidade de
Littleroot, pois achava as grandes cidades muito estressantes, e gostava de
trabalhar em paz.

— Eu gosto quando chove durante a
madrugada. As folhas ficam mais verdes pela manhã — observou o homem, fitando
as inúmeras árvores que cercavam o pequeno vilarejo.
— Às vezes me pergunto que tipo de
coisa a natureza nos reserva ao longo de Hoenn... — comentou Sapphire, ainda
despertando.
A expressão da menina mudou de uma
hora para a outra. Sapphire ficou séria, e Birch logo notou algo de diferente
com sua filha. Alguns pensamentos confusos rodeavam a cabeça dela, e aos poucos
conseguia ver o que era.
— Tenho sentido um vazio
ultimamente, como se alguma coisa estivesse faltando — comentou a menina.
— Tem alguma ideia do que poderia
ser? — indagou Birch, reconhecendo que precisava dar espaço para a sua filha.
— Acredito que sim.
Sapphire ficou calada por um
momento. Birch decidiu que era melhor deixá-la falar quando se sentisse bem.
Não conseguia esconder o quanto gostava da filha que tinha. Além de
inteligente, era bonita. Não se vestia como uma dama, tampouco se comportava
como uma. Mas era justamente aquele jeito que o fascinava, fazendo-o sentir
orgulho de poder ser pai. Ela parecia ter medo de dizer o que estava pensando,
e por isso tentava pensar numa maneira de dizer aquilo sem causar um choque no
homem.
A menina deu um rápido suspiro,
recobrando a consciência, e ajeitou uma mecha dos seus cabelos, que voavam
sobre seu rosto por causa da brisa que ali corria. Ela se afastou da cerca, e se virou de frente para o seu pai. Era a hora de dizer a ele qual o seu
objetivo de vida.
— Eu tenho muito orgulho do que
você faz, e posso dizer que amo trabalhar no laboratório te ajudando com as
pesquisas de campo — ela fez uma pausa. — Mas eu acredito estar precisando de
algo novo. Preciso de uma nova experiência, algo diferente. Quero testar pelo
menos essa possibilidade antes de assumir que sei o que realmente quero para
minha vida.
— Eu entendo perfeitamente, minha
pequena joia — disse Birch, mostrando um sorriso sincero. — Fico muito feliz
que você tenha falado isso para mim. Nunca foi minha intenção prendê-la ao meu
laboratório. Você veio por conta própria. Como pesquisador, fico triste em
perder uma ajuda tão grande, mas como pai eu quero é que você seja livre para
escolher o que te faz mais feliz. O que pretende fazer?
Sapphire se sentiu aliviada ao
ouvir aquilo. Sabia que podia contar com seu pai para tudo. Ele era mais jovem
do que boa parte dos renomados professores Pokémon, mas o fato de ser jovem não o deixava menos sábio.
Birch sabia muito bem usar as palavras, e ainda assim era bem sincero, deixando
bem claro que jamais teria coragem de esconder nada de ninguém, tampouco de sua
filha.
Mais confiante com o apoio paterno,
Sapphire estufou o peito e pronunciou sua vontade:
— Quero sair em jornada por Hoenn,
e tentar a carreira como treinadora!
Birch surpreendeu-se ao ouvir
aquilo. Jamais passou pela sua cabeça que sua filha pudesse se tornar uma
treinadora. Não que ele achasse que ela não tinha a vocação para isso, mas por
outro lado também nunca demonstrou interesse. Pelo menos não até aquele dia.
— É um caminho bem difícil — disse
o homem, agora sério. — Está mesmo decidida a seguir com isso?
— Sim. Eu sempre tive esse
interesse, mas achava que não iria longe. Mas com o passar do tempo, as
pesquisas que tenho feito pra você me trouxeram um bom conhecimento, que posso
usar a meu favor nesse ponto de partida. E com a Liga Pokémon se
reestruturando, acredito que nesse ano teremos uma boa competição. Até mesmo o
Ginásio de Petalburg está reabrindo!
Birch parou por um instante,
ponderando sobre a decisão da filha. Para ele era uma informação inesperada, e
por isso precisava processá-la com calma. Ele sempre quis ver Sapphire no topo,
e a carreira de treinadora, apesar de árdua, poderia lhe dar isso. O homem
sorriu, e sequer olhou para a menina. Apenas continuou observando as folhas das
árvores, mas foi bem claro em sua opinião.
— Você nunca foi do tipo que tomava
decisões sem ter certeza. Eu gosto disso em você — falou Birch. — Se quer mesmo
seguir como uma treinadora, você terá todo o meu apoio. Só peço que me dê
alguns dias para que eu possa ver como te ajudar nesse começo, certo?
— SIM, CLARO! — berrou Sapphire, dando um breve abraço em seu pai logo em seguida. — Eu sabia que
podia contar com você! Eu sempre soube! Você tem o tempo que for necessário.
Sua ajuda é muito bem-vinda!
— Fico feliz em ouvir isso — Birch
então resolveu mudar de assunto. — E já que você mencionou o ginásio de
Petalburg, tenho que te avisar uma coisa.
— O que seria?
— O novo líder é um amigo meu de
longa data. Eu o conheci durante uma viagem a Johto. E ele nos convidou para
jantar na casa dele esta noite. Já até avisei a sua mãe. Então escolha uma
roupa mais arrumada para podermos causar uma boa impressão. Já é bom para que
você conheça um adversário.
Sapphire ficou animada com a
notícia. Conhecer um líder de ginásio era a última coisa que se passava em sua
cabeça após decidir partir em jornada como treinadora. Para ela, esse tipo de
coisa iria demorar um pouco a acontecer, mas pelo visto o os ventos do destino
sopravam a seu favor naquele dia.
— Ah, e mais uma coisa! — Birch se
lembrou. — Ele tem um filho, e é da sua idade. Pode ser que vocês se tornem
amigos.
• • •
Um navio atracava no cais do porto
de Slateport. De dentro dele, descia uma multidão de turistas que de lá
partiriam para os mais distintos pontos turísticos de Hoenn. Porém, uma pessoa
em particular estava ali com um objetivo mais sério. Era uma garota jovem,
alta, de cabelos escuros e lisos. Seus
olhos verdes e curiosos observavam cada canto daquele novo mundo onde acabara
de desembarcar.
Ela deu um suspiro e tirou a alça
de sua bolsa de cima de seu ombro, colocando-a no chão, próxima aos seus pés.
De dentro dela, tirou um mapa da região onde agora estava, e começou a procurar
seu próximo destino.
— Hm... Eu preciso ir para
Rustboro... — dizia a menina, revirando o mapa, chegando a colocá-lo virado
para baixo. — O caminho mais rápido é por Oldaaa... Como é? Ah, Oldale! E pelo
visto tem mais cidades no caminho também. Terei mais chances de parar para
descansar e repor os suprimentos.

Ela então se dirigiu com rapidez ao
pequeno mercado de rua da cidade, famoso no mundo todo por vender iguarias da
região, bem como itens para treinadores a preços bem mais acessíveis. Foi
passando de tenda em tenda, estocando os itens necessários para seguir viagem
até seu próximo destino.
Quando se viu pronta, tomou caminho
para a Rota 110. À sua frente estava uma região nova, e sequer imaginava o que
a aguardava do outro lado daquele mar de árvores. Ela respirou fundo, tomou
coragem e enfim partiu rumo ao imprevisível futuro.
• • •
Já anoitecia quando Birch e sua
família chegavam a Petalburg. Sapphire mantinha a euforia desde cedo, já que
estava prestes a conhecer um líder de ginásio que poderia vir a enfrentar em pouco tempo. Passados alguns minutos estavam em frente ao ginásio da
cidade, onde também se situava a residência de Norman e sua família. A frente
era imponente, já que a primeira cena que recebia os visitantes era a do
ginásio. Sapphire fitou a construção quase hipnotizada com a aura poderosa que
aquele local emanava. Foi trazida de volta à realidade por seu pai, já a
chamando para entrar após terem sido recebidos por Helena.
Passaram por um curto corredor do
lado direito do ginásio, chegando à entrada da casa que ficava logo ali. No
caminho era possível ver um jardim bem cuidado. A sala de estar os aguardava do
outro lado das paredes, e a organização da casa era o grande trunfo da família
de Norman para causar uma boa impressão à família de Birch. Helena os acomodou
no sofá da sala, enquanto eles esperavam que Norman finalmente aparecesse. E
depois de alguns minutos o líder desceu as escadas, indo direto cumprimentar
seu velho amigo.
— Que bom vê-lo novamente, Birch! —
cumprimentou Norman. — Sejam bem-vindos à minha casa. Fico feliz em finalmente
conhecer sua família.
— O prazer é todo meu, Norman —
Birch sorriu em resposta. — Estas são Cecilia, minha esposa, e Sapphire, minha
filha. Aliás, fui pego de surpresa hoje de manhã quando ela me disse que
começaria a carreira como treinadora esse ano.
Norman fitou a menina com
curiosidade. Para ele era sempre inspirador conhecer treinadores jovens que
estavam iniciando suas carreiras. Era como se os jovens lhe trouxessem de volta
a euforia e o gosto pelas batalhas e pela vida típica de um treinador. E o fazia
lembrar-se de sua nostálgica jornada, quando era adolescente.
— Sério? Que ótimo! — disse o
homem. — Sapphire é o seu nome, não é? Quantos anos você tem?
— Atualmente dezesseis — Respondeu a
menina, ainda um pouco ansiosa por estar conversando com um dos líderes de
ginásio de Hoenn — É um prazer te conhecer pessoalmente!
— Interessante, você tem a mesma
idade do nosso filho — Helena comentou. — Ele já deve estar descendo. Aposto
que vocês vão acabar se dando bem.
Não demorou muito tempo para que
alguns passos fossem ouvidos do andar superior da casa. Na medida em que o
barulho se aproximava, todos já se preparavam para assumir seus lugares na mesa
de jantar. Então Ruby finalmente apareceu, e logo se uniu a seus pais. Birch e
Cecilia sorriam ao cumprimentar o garoto, que por sua vez retribuía o gesto
gentilmente.
— Então você é o filho do Norman —
comentou Birch. — É um prazer conhecê-lo, Ruby.
— O prazer é todo meu, Professor
Birch — disse Ruby, apertando a mão do homem. — É uma honra conhecer um
pesquisador tão relevante.
— Será que você herdou do seu pai
os genes para batalhas? — brincou o cientista. — Se for o caso, acredito que
você tenha um futuro promissor como treinador.
— O Ruby tem bastante conhecimento
em batalhas, mas acho que a praia dele é outra — comentou Norman.
— Mesmo? — Birch indagou curioso. —
E qual seria?
O menino pareceu animado em poder
contar a todos os presentes o seu grande objetivo. Mas na medida em que reparava em
cada visitante na sala, seus olhos estacionaram na menina ali presente.
Rapidamente sua cabeça começou a embaralhar os pensamentos, trazendo à tona
todas as lembranças do que havia ocorrido duas semanas antes.
Sapphire notou a reação de Ruby, e
logo se deu conta de onde tinha ido parar. De todas as casas que havia na
cidade de Petalburg, tinha que ser justamente aquela. A garota começou a ficar
trêmula, mesmo que quase imperceptivelmente. O tempo congelou para aqueles dois
jovens, estranhos um ao outro. As memórias ficavam cada vez mais claras, como
se tudo estivesse acontecendo novamente.
Porém, quando o garoto ameaçou
falar alguma coisa, ele rapidamente foi interrompido por Birch.
— Ruby? Aconteceu algo?
— Oi? Digo, não! De modo algum! — o
menino então riu, coçando a parte de trás da cabeça.
— Você estava para me contar qual é
o seu grande objetivo, e de repente parou.
— Ah, sim! Claro! — Ruby estufou o
peito com toda a pompa, e com orgulho fez o seu pronunciamento. — Minha meta é
me tornar um coordenador conceituado, e se possível vencer o Grande Festival!
Foi uma das razões pelas quais eu gostei de vir morar em Hoenn.
Birch riu, pois não imaginava que
ouviria aquela resposta. Aquele era um dia onde o homem realmente estava sendo
surpreendido pelos mais jovens.
— Seu garoto definitivamente é
diferente de você, Norman! – disse o pesquisador. — Ruby, isso é ótimo! As competições
entre coordenadores exigem uma grande capacidade de raciocínio e criatividade,
além das habilidades em batalhas. Os top coordenadores são pessoas muito
respeitadas em todos os cantos de Hoenn, afinal, essas competições nasceram aqui!
— Eu sei que é um caminho árduo,
mas os contests sempre foram minha grande paixão! Eu tenho certeza de que eu
posso fazer parte disso!
Ruby então voltou sua atenção para
Sapphire, lançando um olhar desconfiado que só a deixou ainda mais tensa.
Naquele momento Helena chamava todos para se sentarem à mesa, e os dois permaneceram
calados. A conversa entre os mais velhos alternava os mais variados assuntos,
mas os dois seguiam com o foco completamente diferente. Ruby permanecia
encarando a menina, que tentava desviar o olhar numa tentativa em vão de se ver
livre da pressão que ele exercia. Era como se ela estivesse sob um julgamento
final, ou algo bem próximo disso.
A fim de se ver livre do
desconforto, Sapphire terminou o único prato que comeria naquela noite e pediu
licença para ir ao jardim pegar um pouco de ar. Conforme os minutos se
passavam, a menina não voltava. Com isso, tanto os pais dela quanto os de Ruby
começaram a estranhar a situação.
— Será que ela está passando mal? —
perguntou Cecilia.
— Querem que eu vá ver se ela está bem?
— Helena se ofereceu.
Ruby então se levantou da cadeira,
e se dirigiu à porta que dava para o lado de fora da casa.
— Eu já terminei de comer — disse o
menino. — Podem ficar tranquilos, eu vou ver o que aconteceu.
Ruby chegou ao jardim na lateral da
casa, mas percebeu que ali não havia ninguém. O garoto seguiu até a parte da
frente, onde ficava a entrada do ginásio de seu pai, e lá finalmente encontrou
Sapphire parada, encarando o local. Ela parecia não ter percebido a sua
presença, então ele se aproximou. Quando a menina notou que já não estava mais
sozinha acabou se assustando novamente. Mas Ruby fez questão de amenizar a
tensão que havia entre os dois.
— Não precisa ficar com medo —
disse ele. — Não é como se eu fosse um Ursaring selvagem, ou algo do tipo. Também não
pretendo contar a ninguém sobre o que aconteceu naquele dia.
Sapphire respirou fundo em sinal de
alívio. Ruby parecia bem sincero com suas palavras, então a menina resolveu dar
a ele um voto de confiança.
— Eu estava com medo de você acabar
contando. Acho que isso causaria um constrangimento aos meus pais, o que faria
eu me sentir horrível. Eles não têm culpa se eu sou uma completa desastrada.
— Você não parecia estar perdida —
comentou Ruby, recostando-se em um dos pilares da entrada do ginásio com um sorriso debochado. — Como veio
parar no meu quintal?
— É uma longa história. Mas posso
te garantir que nunca foi minha intenção invadir sua casa, ou criar qualquer
confusão. Por isso eu saí correndo, pois eu queria que aquilo fosse esquecido o
mais rápido possível.
— Naquele dia eu estava chegando de
mudança. Acha que eu iria me esquecer que no meu primeiro dia morando aqui em
Hoenn uma garota estranha acabou dentro do meu quintal sabe-se lá por quê?
Sapphire riu com o comentário do
menino. Ruby era bem articulado com as palavras, mas sabia ser descontraído e
possuía um humor discreto, o que não podia ser visto claramente por sua feição
externa passar a imagem de um garoto fechado. Ele então estendeu sua mão,
propondo um cumprimento.
— Bem, acho que podemos agora
corrigir aquela apresentação louca. Eu me chamo Ruby.
— Meu nome é Sapphire — disse a
menina ao retribuir o gesto.
— Parece que nossos pais tiveram a
mesma grande ideia ao nos dar nossos nomes, não é mesmo?
Sapphire deu alguns passos para o
lado e se recostou em outra pilastra de modo a ficar frente a frente com Ruby. Ela já não tentava mais encolher a cabeça entre os ombros, e suas mãos estavam juntas não por timidez ou nervosismo, mas como um sinal de que a menina estava mais à vontade.
— Então você quer se tornar
coordenador? Por que essa escolha?
— Digamos que eu tenho quem me
inspire — o menino respondeu.
— Eu decidi iniciar como treinadora
— Sapphire então comentou. — Podemos nos ajudar nesse caso, já que temos a
mesma pretensão, só que em objetivos diferentes.
Ruby voltou seu olhar para a
menina. Estava curioso para saber onde ela queria chegar. Sapphire mantinha um
sorriso travesso estampado em seu rosto, como se estivesse se divertindo com o
fato do menino estar confuso.
— Você não faz ideia do que eu tô
falando, não é mesmo?
— Para ser sincero, nem um pouco —
Ruby coçou a cabeça, exibindo um sorriso sem graça.
— Se você vai tentar vaga no Grande
Festival, tem que conseguir as premiações dos contests menores primeiro. Para
isso, você tem que ir até as cidades-sede. Você vai ter que pegar a estrada,
assim como eu.
— Bem, isso eu sei — disse o
menino. — Mas aonde você quer chegar? Não consigo pensar em como dois objetivos
diferentes podem nos fazer ajudar um ao outro.
Sapphire balançou a cabeça em
negação. A ingenuidade de Ruby era quase preocupante.
— O que eu quero dizer é que
deveríamos viajar juntos. Podemos ajudar um ao outro, pelo menos na parte de
treinamento, e dividir algumas despesas.
— Oh, parece uma boa ideia! — disse
Ruby. — Estou de acordo.
Os jovens então ouviram a
aproximação de duas pessoas. Eram Norman e Birch, e pareciam contentes em estar
ali. O líder de ginásio manteve-se em seu lugar, enquanto o pesquisador se
aproximou dos dois que ali estavam.
— Então quer dizer que nem
iniciaram suas jornadas, mas já decidiram formar uma equipe? — analisou Birch.
— Isso é ótimo! Viagens em conjunto são sempre mais divertidas.
— Não vamos viajar para nos
divertir — disse Sapphire. — Temos objetivos sérios para alcançar.
— Entendo, entendo. Bem, nesse caso
eu tenho uma boa notícia. Um contato que eu tenho me ligou no fim da tarde, e
está me enviando três Pokémons raros. Eu pretendia pedir a Sapphire que
escolhesse um companheiro para partir em viagem, e já que o Ruby está indo
junto, também vou deixar que escolha um.
Ruby ficou surpreso com a notícia
que acabara de receber. Ele queria se tornar um coordenador, mas sequer tinha
ideia de quando isso aconteceria. O menino abriu um largo sorriso, demonstrando
que aceitaria a proposta sem pensar duas vezes.
— Eu... Eu não tenho o que dizer —
disse o garoto, ainda espantado. — Isso é sério?
— Muito sério! — Birch respondeu
rindo. — Por que eu mentiria para você?
— Quando o meu pai diz que vai
pegar um Pokémon raro, ele tá falando sério! — disse Sapphire, tocando o ombro
de Ruby.
— Eu estava esperando que eles
chegassem na semana que vem. Porém eu conversei com a pessoa que os consegue
para mim, e ele disse que tinha uns reservados para essa ocasião — explicou o
cientista. — Eles devem chegar em três dias.
Norman se aproximou de Ruby para
poder lhe passar algumas informações. Por um minuto os dois trocaram olhares. O
pai mantinha uma expressão serena, porém era possível perceber que estava
sentindo orgulho naquele momento. Ruby não teve dificuldades para perceber
isso, e retribuiu com um sorriso.
— Acho que você deve começar logo
essa caminhada. Ouvi dizer que as inscrições para o Grande Festival começarão
na semana que vem — o homem então voltou sua atenção para Sapphire. — O mesmo
vale para a Liga Pokémon. Vocês dois precisam se organizar depressa.
Tanto Ruby quanto Sapphire
assentiram. Aquele era o momento em que a estrada para seus objetivos começava
a ganhar o pavimento necessário para que enfim pudessem partir. Aquela noite
marcava o cruzamento de dois sonhos distintos, e de lá sairia um só caminho
para abrigar duas histórias. Quis o destino que um encontro anterior pregasse
uma peça nos futuros aventureiros.
No entanto, apesar da introdução
peculiar, tudo levava a crer que Ruby e Sapphire construiriam uma boa amizade
durante o tempo viajando juntos. O que os aguardava pela frente era uma
incógnita, e só o tempo seria capaz de dizer que tipo de coisas eles
encontrariam ao cruzar as estradas da vasta região de Hoenn. Mistérios,
pessoas, dentre as quais estão amigos e rivais, novos lugares, novas histórias.
Olhavam para o céu para buscar inspiração nas estrelas, e conseguiam ali
enxergar o caminho livre para uma aventura quase interminável. Não era mais a
hora de ter dúvidas ou medo. Ambos estavam dominados pela confiança e força de
vontade e, apesar da inexperiência, estavam famintos para aprender tudo que
fosse possível.
Aquele era apenas o começo de seus
sonhos. Era a hora, enfim, de transformá-los em metas. Era a hora, enfim, de
alcançá-los. Era a hora de conquistar a glória, de estar entre os maiores, de
ter seus nomes lembrados pelas próximas gerações.
Conhecer aquele mundo que os
rodeava nunca pareceu tão atrativo.































