Notas do Autor - Capítulo 5

![]() |
| OLÁ, GENTE BONITA! *---* |
Por fim temos a batalha entre o Dan e esse Taillow terrível que fica azucrinando a vida da pobre Sapphire. Vocês conseguem facilmente notar que eu mudei um pouco o estilo de batalha, e isso foi um dos fatores que mais contribuiu para o atraso na produção do capítulo. Eu tinha a vontade de fazer a batalha acontecer do POV dos Pokémons, e para que isso fosse possível eu precisaria cortar alguns fatores clássicos em fanfics de Pokémon que acabariam prejudicando a dinâmica desse tipo de cena: os grunhidos, que eu já não usava mais desde a AEH antiga, e também as falas dos treinadores dando as ordens. Aquela primeira da Sapphire mandando o Torchic usar o Ember foi apenas para fazer a transição de POV para que vocês não tivessem aquele choque ou até mesmo a confusão de saber sob qual perspectiva a história estava sendo contada a partir daquele ponto. Então deu pra manter as descrições normais que eu sempre fazia, só que sem essas duas coisas que eu citei. Até conversei bastante com o Canas sobre esse tipo de batalha, já que ele está bem mais familiarizado com esse estilo do que eu. Por isso essa batalha inicial foi pequena. Foi apenas um teste, então podem ser bem sinceros sobre o que acharam dela, para que eu possa analisar se há algo que possa ser corrigido ou melhorado futuramente. E se esse Taillow vai voltar... Bom, aí só conferindo para saber!
Acho que é isso. No mais, eu espero que todos tenham um ótimo ano de 2017. Sei que estou um pouco atrasado para dizer isso, mas como não nos vemos há um bom tempo eu só tive essa oportunidade agora.
Valeu, meu povo! õ/
Capítulo 5
Pequena grande tormenta
Zinnia
caminhava a passos lentos pela encosta do Monte Chimney. Já fazia pouco mais de
uma semana desde que a garota deixou sua vila, objetivando não se envolver com as
crenças de seu povo, e muito menos com a responsabilidade de ser a Guardiã da
Tradição, responsável por passar às gerações posteriores as lendas e o
folclore dos draconids. Após deixar seu lar, era notável o bom humor da garota,
que agora tinha um enorme peso removido de suas costas. Nunca havia
experimentado a liberdade antes, estando sempre à disposição de suas obrigações
como herdeira do título de Guardiã, e agora finalmente poderia conhecer o
mundo.
Aster
caminhava ao lado de sua treinadora, que andava pelas estradas de terra olhando
para cima, apreciando as nuvens como de costume. Foi então que a garota virou
seu olhar para o lado, fitando o pico da enorme montanha. Um sorriso de canto
se fez em Zinnia, como se uma ideia acabasse de surgir em sua cabeça.
—
Aster, o que acha de explorarmos o topo daquela montanha? — indagou.
A
pequena Whismur acenou de forma positiva, e assim a dupla mudou
sua rota para dentro da área do Monte Chimney.
Com o
passar do tempo, a subida ficava cada vez mais lenta. O ar se tornava rarefeito,
e a vegetação estranhamente parecia perder sua coloração viva, dando lugar a
uma paisagem melancólica, coberta por uma fina camada do que pareciam cinzas.
Zinnia estava intrigada com aquele fenômeno, até que se deu conta de que ela
estava no famoso vulcão adormecido da região de Hoenn, do qual só havia ouvido
falar.
Continuava
subindo, sem hesitar. Aster agora descansava pendurada em suas costas, já que
não tinha forças para aguentar uma caminhada tão rigorosa. Depois de quase três
horas elas estavam no topo. Zinnia abriu os braços e respirou fundo, deixando
que o vento gélido da altitude a tocasse de forma suave. Em seguida, começou a
caminhar por lá, explorando cada canto daquele local exuberante e misterioso,
onde poucos se atreviam a se aventurar.
Contemplava
a vista magnífica que tinha para quase toda a região, desde a área montanhosa
de Fallarbor, passando pelas praias de Slateport e indo até a vasta floresta
que alojava a cidade de Fortree. Tantos lugares que nunca teve a chance de
conhecer, mas que agora eram destinos certos para a nova exploradora. Aquela
vista privilegiada inflava seu ego, fazendo com que se sentisse a dona daquele
mundo.
Porém,
a menina se assustou e logo se escondeu atrás de uma rocha ao ouvir o que
pareciam ser passos humanos. Vários deles. Trajavam vestes rubras, todos
encapuzados e com feições sérias em seus rostos. Não se sabia ao certo quem ou
o que eram, mas pareciam ter ido àquele local com objetivos mais sérios que a
draconid. Uma garota aparentando ter a mesma faixa de idade de Zinnia tomou a
frente do grupo, e com um aparelho começou a fazer análises no local onde se
encontravam.
— A
atividade sísmica está baixa. O vulcão aparentemente está adormecido.
— Courtney,
tem certeza de que as previsões estão corretas? — questionou um homem, se
aproximando. — Tudo que tínhamos até aqui foram nada mais que suposições. Acho
difícil de acreditar que o Monte Chimney despertaria de uma hora para a outra.
— Não
estamos falando de uma simples atividade sísmica natural, Tabitha. Isso se
trata de um poder oculto guardado há milênios logo abaixo de Hoenn, e que
nenhum humano se atreveu a tentar descobrir o que era.
— E
que poder seria este?
— O
lendário ancião, Groudon — respondeu Courtney de forma séria. — Aquele que
domina todas as terras. Um dos membros da tríade sagrada de nosso continente.
Zinnia,
que ouvia atentamente a conversa, logo fez uma cara de desprezo. Antes
interessada nos rumos da conversa, a garota pareceu se decepcionar ao ouvir o
nome de uma criatura lendária, que ela acreditava ser apenas parte do folclore
do continente.
— Tsc,
lá vem... — sussurrou para si mesma. — Como se não bastasse a minha tribo,
existem outros bandos de lunáticos espalhados pelo mundo. Eu vou dar o fora
daqui, antes que eles me encontrem e comecem a ficar pregando pra cima de mim.
Assim
que ameaçou dar o primeiro passo, um tremor leve pôde ser
sentido logo abaixo dos seus pés. Zinnia parou por um momento e instintivamente
olhou para baixo, como se tentasse encontrar algo que poderia ter causado
aquele fenômeno.
Em
seguida, um abalo mais forte fez com que o grupo fosse ao chão, enquanto Zinnia
se agarrou firme a uma pedra para manter o equilíbrio, com Aster se apoiando em um dos ombros da garota para não cair também. Uma fissura surgiu
revelando um enorme poço de lava vulcânica, e o barulho intenso do chão se
abrindo soava como o rugido infernal de uma criatura das mais densas
profundezas do solo.
Quando
os tremores cessaram, os presentes na montanha restabeleceram o equilíbrio.
Courtney aproximou-se devagar da imensa cratera que havia aparecido, e assim
que lançou seu olhar para dentro daquele abismo um sorriso vitorioso surgiu em
sua face.
— O
mestre precisa saber disso!
—
Isso... Não pode ser real — murmurou Tabitha, incrédulo. — Esta pode ser a
realização de todos os objetivos da Team Magma!
Zinnia
contornou a cratera, procurando se distanciar dos outros para não ser notada.
Quando alcançou determinado ponto, ela se voltou para o mesmo local que os membros
do estranho grupo, e olhou para dentro. Sua feição na mesma hora se alterou
para um misto de incredulidade e medo. A draconid começou a suar frio, sem
saber o que fazer naquele momento. Por um instante até pensou em voltar para
casa, tamanho era o pavor daquela cena.
— Que merda tá acontecendo aqui?
• • •
Ruby e
Sapphire caminhavam com tranquilidade pela Rota 102, e a cidade de Petalburg já
estava a apenas alguns minutos de distância. A euforia dos jovens com o novo
estilo de vida parecia interminável, e a cada passo dado era como se fosse o
primeiro rumo ao futuro desconhecido.
Por um
instante resolveram parar para um descanso. Algumas árvores frutíferas estavam
por perto, e decidiram comer ali para economizar dinheiro quando chegassem à
cidade. Sapphire havia prometido a si mesma que a partir do momento em que
estivesse com o seu primeiro Pokémon ela não mais dependeria de comodidades,
então passar em qualquer lugar para almoçar estava fora de cogitação, para
desapontamento de Ruby.
— Você
é uma sovina! — o garoto estava sentado em uma pedra, com o rosto sendo
sustentado pelas duas mãos e apoiando-se nos joelhos. Suas bochechas cheias de
ar tornavam mais engraçada a sua feição emburrada.
— O
que aconteceu com o seu espírito aventureiro? — riu a menina. — Se está
reclamando das berries estarem sujas, eu trouxe bastante água para lavá-las
muito bem. Ou você acha que eu seria o tipo de pessoa que comeria poeira da
estrada?
— Já
deu! Para de falar e me passa essa fruta logo! — ele então pegou com uma das
mãos uma oran berry arremessada por Sapphire e começou a murmurar seu
descontentamento enquanto mastigava. — Eu tenho que aturar isso agora... Que
mal faria uma última refeição decente, se a gente vai passar os próximos meses
andando no meio do mato? E minha casa é logo ali... A gente ia comer de graça!
Sapphire
ria a cada chilique de seu novo parceiro de estrada. Ela se divertia ainda mais
com a presença de outra pessoa durante as viagens, pois sentia que o tempo
passava mais rápido, e teria alguém com quem poderia compartilhar todas as experiências
que estavam por vir.
— Tudo
bem, eu não vou te impedir. Se quiser voltar pro colo da mamãe, esta é sua
última chance. Mas depois que sairmos de Petalburg não tem mais volta.
Ruby
engasgou ao ouvir aquele comentário. O garoto arqueou uma das sobrancelhas, e
fitou Sapphire com um olhar mortal.
— O
que está insinuando?
— Que
você é um mimadinho — a menina colocou as duas mãos na cintura e se curvou de
forma que sua cara debochada ficasse na altura dos olhos de Ruby. — Aposto que
foi criado em apartamento.
—
Provocação barata não vai funcionar comigo, já vou avisando — Ruby tentava
disfarçar o aborrecimento.
Sapphire
continuou rindo, mas logo se virou para o outro lado e foi arrumar as coisas.
Enquanto estava agachada organizando os objetos que carregava em sua mochila,
ela sentiu algo bater em sua cabeça, causando uma dor desagradável. Após
massagear o local atingido, a garota procurava pelo chão a sua volta o que
poderia ter sido, até que se deparou com uma pequena pedra. A menina sentiu seu
sangue ferver, pegou o objeto e se dirigiu até Ruby.
—
Então é assim que você responde a uma brincadeira? — perguntou, segurando a
pedra em sua mão. — Perdeu o juízo, por acaso? Isso podia ter me machucado de verdade!
— Do
que está falando agora? — o garoto indagou, demonstrando estar confuso.
—
DISSO! — Sapphire então mostrou a pedra a Ruby. — Como você atira uma pedra na
cabeça de outra pessoa? Infantil!
— Ei,
espera um pouco! Eu não joguei nada em você! Não vem me acusar!
—
Estamos só nós dois aqui! Quem mais poderia ter feito isso?
Bastou
a pergunta de Sapphire para que outra pedra acertasse sua nuca. A garota olhou
sem graça para Ruby, que agora a encarava com um sorriso cínico.
— Acho
que você tem um novo “amigo” — disse o menino, enfatizando a última palavra com
certa ironia.
Sapphire
se virou para trás e viu um velho conhecido repousando nos galhos de uma árvore
próxima. O mesmo mantinha um sorriso travesso, como se estivesse tentando
provocar a menina.
— Era
só o que me faltava... — sussurrou Sapphire, cerrando os punhos. — Ruby, parece
que vamos ficar aqui por mais um tempinho. Isso pode demorar.
— Como
queira, senhorita — o garoto então foi se recostando no pé de outra árvore. —
Vou tirar um cochilo enquanto você se resolve com seu amiguinho.
Quem
importunava Sapphire era ninguém menos que o Taillow que ela estava perseguindo pouco mais de duas semanas atrás, no dia em que conheceu Ruby. Ela se mantinha
alerta para qualquer travessura do seu rival, mas sua vontade mesmo era de
correr para cima dele como se não houvesse amanhã e esganá-lo até a morte para
se vingar do constrangimento que ele havia feito a menina passar naquele dia.
— Vou
fazer você se arrepender de ter voltado até mim, seu pássaro estúpido!
Uma
Pokéball foi lançada por Sapphire, revelando seu Torchic. Se da primeira vez a
menina estava sozinha, agora ela tinha um reforço para ajudá-la a vencer o seu
adversário.
— Ok
Torchic, vamos ver do que você é capaz. Utilize o Ember!
Ou
pelo menos deveria ser assim...
— O
que houve? — indagou a menina, agora curiosa. — No nível em que você está eu
tenho certeza que você sabe usar o Ember...
Torchic
então virou-se para Sapphire e soltou um suspiro, demonstrando claramente sua
má vontade.
— Acho
que entendi qual é o problema — sussurrou em tom de descontentamento.
Dan
estava de frente para Sapphire, a encarando com desconfiança. O Taillow que
estava do outro lado pareceu confuso sobre a situação que acabara de
presenciar.
— Isso
sim me impressionou — disse o pássaro. — Você não tem cara de quem faz o tipo
"rebelde". O que foi? Está tendo problemas com la niña?
Precisa de um tempinho para discutir a relação?
— Não
é da sua conta — Dan respondeu de maneira ríspida. — Além do mais, o tempo que
você desperdiça tagarelando poderia ser melhor aproveitado caso você fosse
embora, já que eu não tenho intenção de lutar.
— Você
fala como se eu não pudesse contra você. Que hilário!
O
diálogo entre os dois foi interrompido quando Sapphire chamou por Dan
novamente.
— Eu
estou tentando formar uma boa equipe — disse a menina. — Se não me ajudar a
trazer o Taillow para nós, então vai sobrar mais trabalho para você fazer.
— Tsc,
odeio admitir, mas ela está certa — murmurou Dan. — Não vou ficar fazendo
trabalho escravo aqui sozinho.
—
Ahora sí! As coisas estão ficando interessantes — comentou o Taillow com um
sorriso.
Uma
última troca de olhares entre os dois bastou para que Dan começasse a correr em
direção ao seu oponente. Com um salto para se colocar a uma altura superior a
do Taillow, ele desceu tentando golpeá-lo com as suas garras. Porém, o pássaro
foi ágil em evadir o primeiro golpe, e o momento da queda do Torchic abriu a
primeira brecha para que ele iniciasse o seu ataque. Bastou uma investida
direta para que se aproximasse o suficiente para o acertar com seu bico, o
arremessando alguns metros para trás.
Após
rolar no chão por alguns segundos Dan se reergueu, com uma expressão não muito
amigável. Sapphire berrava palavras desconexas atrás de si, o que só lhe tirava
a concentração. O Taillow ria da cena, percebendo claramente que estava lidando
com amadores.
—
Sério, chico, o entrosamento de vocês é comovente!
— Cala
a boca! — resmungou Dan, se levantando com dificuldades. — Vou tirar esse sorriso da sua cara, e também esse seu sotaque fake de Paldea!
Taillow
ainda observava a tentativa de seu adversário se manter concentrado, mas foi
surpreendido por uma reação rápida de Dan, que soltou uma rajada de brasas em
sua direção. Mesmo com dificuldade conseguiu desviar da maioria, mas acabou
sendo atingido em uma das asas, e logo caiu no chão. Dan o prendeu pelo peito
colocando uma de suas patas acima, como forma de dominá-lo para terminar o
serviço.
—
Xeque-mate.
— Hoje
não, meu chapa!
Com
uma de suas asas, o Taillow conseguiu jogar um amontoado de areia em cima de
Dan, atrapalhando sua visão. Com dificuldades levantou voo até o galho de uma
árvore próxima. Antes de fugir, porém, fez um último cumprimento.
—
Obrigado pela diversão, amigo! Espero que possamos resolver isso algum dia. Hasta la vista!
Quando
Dan terminou de tossir e conseguiu limpar sua visão, percebeu que o Taillow já
havia ido embora, e junto de si só restava uma Sapphire sem reação, enquanto
Ruby ria da mesma por ter fracassado em sua tentativa de captura.
—
Dane-se a garota! Da próxima vez vou fritar esse passarinho pela minha dignidade! —
murmurou antes de, enfim, ser trazido de volta para sua Pokéball.
• • •
Um
homem misterioso mantinha-se sentado à sua mesa enquanto revisava alguns
documentos, até que a tranquilidade de sua sala foi rompida pelo barulho da
porta se abrindo. De lá surgiu uma bela jovem, com um sorriso arrogante. Ela
adentrou a sala com seu jeito único de caminhar, sedutor de maneira quase
proposital, como se quisesse atrair a atenção de todos e tudo para seus
incomparáveis atributos físicos.
—
Courtney? O que faz aqui tão rápido? — indagou o homem, ajeitando seus óculos
para enxergar melhor a visitante. — Achei que só voltaria no final do dia.
—
Digamos que a expedição ao Monte Chimney não correu como o planejado, mas saiu
melhor do que esperávamos — ela então jogou de maneira relaxada alguns papéis
sobre a mesa. — Aqui está o relatório da operação. Acho que vai encontrar
coisas interessantes aí dentro.
O
homem começou a ler a papelada com calma, como era esperado de alguém cuja face
já era marcada pelas leves rugas da meia-idade. Enquanto folheava de forma
sutil o relatório, Courtney aguardava pacientemente à frente da mesa, sem
perder o sorriso vitorioso. Foi então que ela viu seu superior colocar os
papéis de volta à mesa e, com os cotovelos acima da mesa e as mãos entrelaçadas,
esboçou um sorriso triunfante.
— Você
fez um excelente trabalho.
Atualizações e avisos sobre o blog!

É, eu prometi publicar esse aviso amanhã, mas fiquei com pressa de esclarecer tudo logo, kkkkk
Esses últimos meses realmente não saíram como o esperado, mas acalmem-se! Eu não morri ainda! Vou tentar explicar de forma bem rápida o que ocorreu durante esse tempo em que o blog ficou congelado (sim, eu sei que eu disse que não teríamos prazos para a atualização da fic, mas mesmo assim ela ficou parada por tempo demais).
O que ocorreu foi simplesmente uma queda de motivação mesmo. Nada com relação à história, mas sim com a minha vida pessoal. A rotina tem me cansado um pouco, e confesso que estou acumulando muito estresse com o meu emprego — a ponto de querer matar alguém. A faculdade também, apesar de ter tido essa parada de final de ano, já não é mais aquele incentivo de algo novo, e por mais que eu tente evitar isso acaba passando para todas as outras coisas que eu faço, mesmo aquelas que faço por prazer. E com Hoenn não foi diferente.
Além dessa exaustão afetar a história, ela mesma teve seus pequenos problemas em particular. Chegou a hora de implementar de vez uma mudança que eu pensei muito para essa nova versão da história, e confesso que faltou um pouco de autoconfiança para fazer com que elas fossem colocadas em prática. Isso também atrasou um pouco as coisas. E não foi como se eu tivesse deixado de lado a história. Pelo contrário, passei vários dias abrindo o capítulo, lendo e relendo tudo que eu tinha feito até aqui, escrevendo cenas de capítulos futuros para não correr o risco de perdê-las caso as deixasse guardadas apenas na memória, etc. Além disso, eu ainda ficava um bom tempo, várias vezes, olhando para o capítulo novo sem saber como proceder com ele. Conversei muito com o pessoal da equipe, esperando que uma troca de ideias pudesse me dar uma luz sobre o que eu poderia fazer ou improvisar para poder seguir em frente, mas esses resultados demoraram a sair. Então peço humildemente desculpas por terem esperado todo esse tempo.
MAS VAMOS PARAR COM A PALHAÇADA, PORQUE ESSE POST NÃO É PRA DEIXAR VOCÊS NA BAD!
Exatamente, meus caros! Eu consegui dar meus pulos por aqui, e aos poucos consegui retomar a linha de raciocínio! O capítulo 5 está pronto, faltando apenas a revisão da Tsuki (que me ajuda a verificar se ele possui alguns errinhos e essas coisas) para que ele seja postado na sexta-feira! Isso mesmo, ESTA SEXTA! Dia 20 de Janeiro! Horário de sempre, meio-dia no horário de Brasília!
E não pensem que esses meses todos só renderam um único capítulo! O sexto pode não ter ficado pronto ainda, mas já temos um especial devidamente escrito! Ele está salvo em rascunho aqui mesmo no blog, apenas aguardando a deixa para ser publicado! Ele não virá exatamente depois do quinto, que é o próximo, porque ele tem uma importância estratégica na história, e é parte de um projeto que estou trazendo para cá, com o aval do nosso velho amigo Canas! Inclusive já mando um spoiler aqui: esse especial tem fanart dele. ( ͡° ͜ʖ ͡°)
Bom, com relação à história acho que é só isso por enquanto. Se vocês verificarem na página de capítulos, vão perceber que alguns títulos foram divulgados também, mesmo ainda não tendo começado a serem escritos (apenas o 6 por enquanto já está em andamento).
E vou deixar aqui uma ideia boa para aumentarmos a dinâmica por aqui. Se vocês tiverem alguma sugestão para o Hoenn Café, podem me mandar por e-mail (o mesmo que está na página de Contatos). Vou abrí-lo uma vez por semana, para me certificar de quaisquer mensagens que vocês me mandem. Sim, também estou sem ideias por enquanto, mas também é uma forma de vocês poderem participar mais das coisas por aqui, não é? Então no fim das contas todo mundo se diverte!
Acho que é isso. Gostaria de agradecer pela paciência de vocês, e até sexta! õ/
Pokémon Sun e Moon atendeu as nossas expectativas?

Eu juro que tinha voltado a escrever, mas Alola chegou atropelando minha vida de uma forma que eu já não consigo mais fazer coisas normais da minha rotina, porque o jogo está me prendendo tanto que eu não consigo nem descrever!
Sim, meus caros, eu consegui o Pokémon Sun já na data do lançamento — e isso vai me custar um fim de ano bem mais apertado do que já estava, de modo que já dá vontade de chorar só de saber que não tive como aproveitar a Black Friday esse ano — e tenho que dizer que o jogo me impressionou muito! Eu realmente não levei muita fé com as notícias, até fazia piadas sobre alguns Pokémons... Não, pera, eu faço as piadas em todas as gerações mesmo. De qualquer forma, os anúncios não conseguiam me deixar naquela mesma hype de tempos passados, e a demo eu achei tão fraca que isso contribuiu para que eu nem quisesse comprar o jogo logo de cara.
Mas um amigo me incentivou a dar uma chance a Alola, para jogarmos juntos e tudo mais, e aí que eu vi que a realidade era bem diferente do que eu esperava. Alola me surpreendeu muito! Pontos negativos existem, claro, como em todas as gerações. Mas a quantidade de pontos positivos é fora do normal! Então este Hoenn Café será dedicado a falar sobre isso, já que nosso amigo Doritos me concedeu a permissão para falar um pouco sobre Sun e Moon pra vocês. Mas até por direito dele, que detém o cargo de escritor da região, eu não vou me aprofundar em detalhes, e sequer mostrar as grandes surpresas do jogo, já que ele está preparando algo muito interessante para vocês.
O que farei aqui é um pouco diferente. Se lembram do primeiro post do Hoenn Café? Foi justamente sobre o lançamento da sétima geração. Nele eu listei 5 coisas que eu esperava rever no jogo, e pedi para que vocês fizessem o mesmo nos comentários. Pois bem, aqui eu vou dizer se essa minha lista teve todos os seus itens atendidos, fazer um breve comentário sobre cada um e ainda enumerar alguns pontos que eu não esperava ou queria, mas que assim mesmo me agradaram.
Sendo assim, eu já aviso a vocês:
É PROVÁVEL QUE A SEGUIR VOCÊS LEIAM ALGUMAS INFORMAÇÕES QUE PODEM CONSIDERAR SPOILERS, ENTÃO DAQUI PRA FRENTE É POR CONTA E RISCO DE VOCÊS!
Então vamos começar!
1 - Customização dos personagens

Ok, a essa altura do campeonato vocês provavelmente já sabem que eu estou satisfeito. Se fosse apenas isso já era o suficiente. Sim meus caros, a geração de Alola trouxe de volta a possibilidade de customização de roupas e cortes de cabelo que vimos em Kalos e que tinha se perdido em ORAS. Não só isso, como um dos pontos que mais enfatizei no meu post anterior foi o de permitirem que tirássemos o chapéu do personagem, o que na sexta geração ainda não era possível. É possível agora usar até um chamativo par de óculos! Diferente dos rumores que correram por aí, eu não acho que a variedade de roupas seja maior que a de Kalos. Pelo contrário, parece ter menos possibilidades, mas temos que levar em conta que a moda era uma das marcas registradas da sexta geração. E a possibilidade de tirar o chapéu, embora não haja muitos penteados (pelo menos para os personagens masculinos, já as femininas eu não sei), abre novas possibilidades. Então eu fiquei muito satisfeito.
Expectativa atendida? SIM!
2 - Soaring the Sky!
Não, esta mecânica não está presente na nova geração. Porém, isso não é motivo para críticas, já que ela realmente acabou não sendo necessária, e vou explicar o motivo: agora existe um item chamado Ride Pager, que você usa para invocar Pokémons especiais que podem desempenhar diversas funções fora de batalha. O primeiro, que apareceu na demo, é o Tauros. Ele pode quebrar rochas que estejam no seu caminho, ou seja, ele desempenha a função que seria do HM Rock Smash. Isso mesmo! Os HMs se tornaram TMs que você pode remover do seu moveset sem precisar de um move deleter, e suas funcionalidades fora de batalha agora foram designadas aos Pokémons que você adiciona ao seu Ride Pager. E como vocês já devem estar imaginando, há um Pokémon para executar a função do Fly, mas não vou dizer qual é. Vou deixar que vocês descubram, hehehe...
Resumindo, minha expectativa com a volta do Soaring the Sky era justamente a de não precisar carregar um Pokémon com Fly na equipe, o que atrapalhava um pouco o meu deslocamento com a equipe do competitivo. Mas com o Ride Pager essa preocupação minha não existe mais. A única desvantagem é que não conseguimos ver a cena épica de nosso personagem sobrevoando os céus da região, mas acho que também não caberia no jogo (que está muito grande, por sinal).
Expectativa atendida? SIM!
3 - Novas mega-evoluções
É amigos, eis a parte chata do post. Não tivemos novas mega evoluções na sétima geração. Tudo bem que a intenção deles era dar um destaque maior aos Z-moves, e novas megas poderiam atrapalhar um pouco nisso. Mas ainda não vejo motivo para deixar totalmente de lado algo que fez tanto sucesso e renovou a franquia que já era muito criticada pela repetitividade. Isso não significa que não vamos ter as megas na nova geração. Ao que parece, teremos acesso a elas após zerar o jogo. Mas é evidente que alguns Pokémons que mereciam uma mega tenham ficado apenas na vontade mesmo, como Flygon, Milotic, Slowking e Dragonite, entre outros.
Expectativa atendida? Não!
4 - Um story-mode mais difícil
Ter pesadelos com líderes de ginásio horrendos de fortes parecia ser algo que ficou no passado. Mas na verdade... Ficou mesmo, porque Alola não tem líder de ginásio, Sigert idiota. Porém, o jogo aparenta estar um pouco mais difícil que as versões anteriores. Eu realmente perdi as batalhas de primeira contra o Ilima e o Kukui. Os kahunas são realmente fortes, e se você não tiver cuidado com o que está fazendo em batalha você simplesmente perde antes que se dê conta. Não chega a ser um nível de jogabilidade infernal como foi o Pokémon Yellow, por exemplo, mas pelo menos já deu para notar que o jogo entrou na contramão do caminho que percorria antes, de deixar os jogos cada vez mais fáceis. Isso foi animador, pois criou toda uma expectativa para concluir a história logo e fazer o jogador provar para si próprio que conseguia sobressair naquele nível mais desafiador. A Elite 4 permaneceu fácil, mas ainda assim ficou mais forte que a de Kalos, especialmente se tratando da batalha final contra o Kukui. Está no nível de dificuldade ideal? Ainda não, mas eu vou dar os créditos assim mesmo porque eu simplesmente não acreditava que o jogo teria sua dificuldade aumentada com relação à geração anterior.
Expectativa atendida? Sim!
5 - Chega de rivais amigáveis!
Ok, aqui eu vou precisar explicar tudo com calma, pois foi uma situação inusitada. Eu mencionei no primeiro post que eu estava farto dos rivais amiguinhos que vinham aparecendo nas gerações anteriores, e de fato Alola trouxe um rival interessante nesse sentido, que é o Gladion. A história dele é muito legal, e no fim das contas você acaba revendo o conceito que você tinha dele quando o conheceu. Mas em contrapartida temos o Hau, que é tudo aquilo que eu disse que detestaria ver de novo nos jogos. E no fim das contas eu gostei muito do Hau, muito mesmo! Apesar de eu considerá-lo um rival bem fraquinho, ele é um personagem cativante, e você passa a gostar dele no jogo mesmo ele dando aqueles ataques de alegria típicos de um bobão qualquer. Ele consegue ser divertido assim, e acho que isso se deve ao fato de que a personalidade dele foi muito melhor trabalhada do que a do Wally, por exemplo (muito embora eu ache que isso tenha sido corrigido nos remakes). O Hau não se tornou um personagem seco, mesmo sem ter uma história profunda. É apenas um garoto que tem o mesmo sonho que você, e vai além porque quer um dia poder superar seu avô, o kahuna Hala. Então justamente esse balanceamento entre o companheiro Hau e o badass Gladion dá um toque diferente na maneira como você lida com seus rivais no jogo. Ainda mais quando eles se juntam. Hau e Gladion juntos protagonizam muitas cenas hilárias por causa das diferenças entre suas personalidades. E no fim o Gladion vira seu amigo também! E mesmo assim não deixa de ter essa personalidade fria e pose de cara legal. Os rivais de Sun e Moon me agradaram muito!
Expectativa atendida? Sim!
Agora uma lista de coisas que eu não estava esperando, mas que acabei gostando bastante!
Z-moves: no início eu achei que seria algo completamente esquisito, ainda mais por causa daquelas poses estranhas que seu personagem tem que fazer para poder ativar o poder do z-crystal, mas com o tempo eu percebi que é uma ferramenta bem interessante. Se por um lado você já praticamente sabe qual é a mega-evolução que seu adversário vai usar, um z-move se torna mais complexo de ser descoberto, porque qualquer Pokémon tem a possibilidade de usá-los!
Ride Pager: nada menos que um sonho que se tornou realidade. Os HMs acabaram! Agora em vez de limitar os movesets de Pokémons que gostamos de usar durante o ingame, podemos chamar por Pokémons que executam estas tarefas sem que eles precisem estar nos nossos times. Alguns HMs viraram TMs normais, como o Fly, e torço para que a Game Freak nunca pense em voltar atrás com essa ideia.
História: se você é como eu e evitou consumir qualquer tipo de mídia falando sobre a nova geração para que pudesse aumentar a hype, então pode comemorar, pois essa atitude será muito bem recompensada! A história do jogo é incrível, fora o fato de que ela tem cada plot twist que te deixa até com dor de cabeça! Estejam atentos a todos os detalhes! Não deixem escapar nada, ou quando perceberem já poderá ser tarde demais e a história vai te engolir por completo!
Cenários: não, eu não estou me referindo ao upgrade gráfico, mas sim ao ambiente onde a história se passa mesmo. Não é segredo para ninguém que Alola é uma região inspirada no Hawaii, e como tal ela cumpriu o seu papel de nos trazer cenários deslumbrantes, dignos de um verdadeiro arquipélago paradisíaco. Cada rota e cada cidade, tanto de dia quanto à noite, são de uma beleza de tirar o fôlego! E não sei dizer o que eles fizeram, mas os locais do jogo possuem uma capacidade de imersão tremenda! Você sente como se aquela jornada fosse realmente sua, e não de um carinha qualquer que tem o mesmo nome que você. Você se sente dentro do jogo (o que também é muito de responsabilidade da história)!
Trilha sonora: Masuda se superou! Que trilha sonora épica! Especialmente as que vão chegando para o final, como a do Monte Lanakila e a dos altares onde você enfrenta os Pokémons lendários. As músicas logo no começo da jornada, que dão aquela pitada havaiana no jogo, tudo ficou fantástico! Sem comparações, e olha que eu duvidava que fossem trazer algo tão épico quanto Kalos nesse quesito.
Diversidade de Pokémons selvagens: o jogo pegou uma coisa que tínhamos visto em Kalos, e fez ainda melhor! Podemos encontrar uma gama enorme de Pokémons de outras gerações, e montar nossos times de mil formas diferentes! Pokémon Sun e Moon é um jogo que pode agradar até mesmo os mais ferrenhos genwunners — mas nós que gostamos ou respeitamos as gerações novas certamente ainda somos bem mais felizes...
Rotas aquáticas: eu vou confessar uma coisa para vocês. Se tem algo que eu realmente odeio em Hoenn, é a quantidade exagerada de água que existe para atravessarmos. E Alola, por incrível que pareça, não repetiu esse erro! Na verdade, acho que nenhuma região repetiu, e até Hoenn ficou mais light nesse quesito. Talvez eles tenham aprendido depois de RSE. Alola tem sim locais que só podem ser acessados com o Pokémon designado para nadar no seu Ride Pager, mas são travessias extremamente curtas. Para ir de uma ilha a outra você simplesmente pega uma balsa no porto ou usa o seu Pokémon voador no Ride Pager.
Conclusão
Pokémon Sun e Moon é um jogo que certamente deixou todo mundo no hype. Porém, eu não me senti impressionado com os anúncios, e ainda achei a demo horrível — tanto é que nem tentei me atentar às datas dos eventos, só peguei o Greninja e alguns itens lá. Mas o jogo me impressionou mais do que eu poderia esperar, com uma história fantástica, cenários maravilhosos e uma trilha sonora espetacular, além, é claro, de ter cumprido 4 das 5 expectativas que eu havia listado no primeiro Hoenn Café. Fico feliz de ter conseguido jogar desde a data do lançamento, mesmo que não pretendesse comprá-lo logo de cara, e posso afirmar que de minha parte ele está aprovado!
Agora vem a parte de vocês. Vejam suas respostas lá no primeiro post, confiram os pontos que vocês desejavam para o jogo e respondam aqui se eles foram cumpridos ou não. E digam também pontos que vocês gostaram do jogo mesmo estando fora da lista que vocês criaram.
Eu aprovei o jogo. E vocês?
Ava's Demon
E, mais uma vez, a
primeira coisa que me puxou foi o traço. Vi um desenho aqui e outro acolá nas
minhas idas ao tumblr, então, quando achei a webcomic, pensei por quê não?
(aliás, o design do site também é genial e muito atrativo, por dar a impressão que você manuseia um livro)
Com um ritmo rápido –
um quadro por cada página –, a história me conquistou sem que eu me desse
conta. Despejando muitos acontecimentos com poucas informações, logo estava
presa no suspense de entender o que estava acontecendo. E, conforme o enredo se
desenrola – ou talvez se enrole ainda mais seria uma definição melhor –, os personagens
vão te conquistando (bem, a maioria ao menos, porque tem uma que nem a mãe pra
amar).
Ava’s Demon acompanha Ava Ire, uma garota de 16 anos que desde pequena é atormentada por um espírito que apenas ela vê – o que a faz ser tachada de maluca quando acaba reclamando em voz alta com essa insuportável companhia. Para piorar, esse espírito pode possuí-la, mesmo que por poucos segundos, a fazendo destruir qualquer possibilidade de socialização. E Ava estava mais uma vez sofrendo as consequências disso quando o planeta onde estava foi atacado. Por engano – ou talvez por destino –, ela consegue escapar na nave de um estranho, e de repente sua vida passa a girar em torno de uma missão (quase) impossível.
Ava’s Demon acompanha Ava Ire, uma garota de 16 anos que desde pequena é atormentada por um espírito que apenas ela vê – o que a faz ser tachada de maluca quando acaba reclamando em voz alta com essa insuportável companhia. Para piorar, esse espírito pode possuí-la, mesmo que por poucos segundos, a fazendo destruir qualquer possibilidade de socialização. E Ava estava mais uma vez sofrendo as consequências disso quando o planeta onde estava foi atacado. Por engano – ou talvez por destino –, ela consegue escapar na nave de um estranho, e de repente sua vida passa a girar em torno de uma missão (quase) impossível.
Aliás, podemos falar sobre a Ava? Podemos falar sobre essa pobre bbza, cuja vida foi destruída em cada pequeno detalhe que poderia ser, mas que ainda continua de pé e tentando prosseguir? Eu realmente me afeiçoei a um bom número dos personagens já apresentados, mas Ava é com quem mais me preocupo. Ela tem muitos problemas, inclusive um psicológico frágil devido a todos os inconvenientes que esse espírito causou, mas possui um coração nobre e gentil. Ela consegue se preocupar com alguém que nem se importa com ela, acreditam?
Enfim, não há muito mais que eu possa falar
sem começar a entregar spoilers, mas espero de coração que vocês deem uma
chance a essa história (link aqui). Mas, ah, estejam avisados: não recomendo para cardíacos.
Todo final de postagem (todo mesmo, sempre, 100%) é um suspense pior que o
outro. Essa autora levou o conceito de cliffhanger* a um novo nível.
(apesar do que possa parecer, ela é um amorzinho <3 inclusive, ela está acompanhando as novidades da nova geração de Pokémon como a gente, e já se manifestou sendo #TeamPopplio)
*cliffhanger –
literalmente, “se segurando na beira do precipício”. Quando um capítulo termina
em uma cena tensa, cativando a audiência a se manter na espera do próximo.
Dante

Dante, conhecido também como Dan, é um Combusken que se tornou o primeiro companheiro de equipe de Sapphire, ainda no início da jornada. Não é muito sociável, mas também demonstra não ser ruim com os outros.
Sua relação com Sapphire não começou de maneira muito boa, devido ao fato de que Dan aparenta ter certo receio de lidar com humanos. Outro problema que possuía ainda quando era um Torchic era sua prepotência, achando que poderia resolver tudo sozinho e fazendo pouco caso dos comandos de Sapphire. A partir de Mauville esses traços começam a desaparecer e a relação entre os dois começa a melhorar, permitindo que ele evoluísse durante a batalha no ginásio de Wattson.
Primeira aparição:
Capítulo 3 - Caminhos a serem trilhados
Evolução para Combusken:
Capítulo 25 - Iniciativa
Curiosidades:
• Dante foi o primeiro Pokémon de Aventuras em Hoenn a ter seu nome definido, e isso ocorreu ainda na versão antiga da história;
• Na época em que o nome foi escolhido, Shadow não pretendia trabalhar com o conceito de guildas, porém ele foi criado com o intuito de ser peça-chave de um projeto de interligação entre as histórias de Hoenn e Sinnoh;
• O nome Dante é inspirado no protagonista de Devil May Cry, embora a personalidade não tenha sido inspirada no mesmo;
• O apelido Dan surgiu na nova fase de Aventuras em Hoenn, pois o autor acredita que Dante é um nome muito exagerado para um Torchic, porém perfeito para um Blaziken;
Sua relação com Sapphire não começou de maneira muito boa, devido ao fato de que Dan aparenta ter certo receio de lidar com humanos. Outro problema que possuía ainda quando era um Torchic era sua prepotência, achando que poderia resolver tudo sozinho e fazendo pouco caso dos comandos de Sapphire. A partir de Mauville esses traços começam a desaparecer e a relação entre os dois começa a melhorar, permitindo que ele evoluísse durante a batalha no ginásio de Wattson.
Primeira aparição:
Capítulo 3 - Caminhos a serem trilhados
Evolução para Combusken:
Capítulo 25 - Iniciativa
Curiosidades:
• Dante foi o primeiro Pokémon de Aventuras em Hoenn a ter seu nome definido, e isso ocorreu ainda na versão antiga da história;
• Na época em que o nome foi escolhido, Shadow não pretendia trabalhar com o conceito de guildas, porém ele foi criado com o intuito de ser peça-chave de um projeto de interligação entre as histórias de Hoenn e Sinnoh;
• O nome Dante é inspirado no protagonista de Devil May Cry, embora a personalidade não tenha sido inspirada no mesmo;
• O apelido Dan surgiu na nova fase de Aventuras em Hoenn, pois o autor acredita que Dante é um nome muito exagerado para um Torchic, porém perfeito para um Blaziken;
Jeff

Jeff é um sujeito bem carrancudo, de temperamento instável. Mesmo calmo, possui uma tendência a explodir a qualquer momento. Foi o primeiro Pokémon a se juntar a Ruby, no entanto engana-se quem pensa que essa relação foi amor à primeira vista.
Jeff detesta contests, e logo que descobriu que Ruby era um coordenador já não quis sequer fazer contato visual com o mesmo. Ele se considera nascido para batalhar, e por isso não aceita participar de qualquer competição ou evento onde não possa mostrar sua força.
Curiosidades:
• O nome Jeff foi ideia de Doritos, autor de Aventuras em Alola, que possui nos jogos um Sceptile com o mesmo nome, que encaixou perfeitamente com a personalidade do Treecko da história;
• Jeff foi o terceiro Pokémon do elenco de Aventuras em Hoenn a ser nomeado, e mesmo assim foi o primeiro a ter sua personalidade bem definida;
• Treecko é o inicial favorito do Shadow nos jogos da terceira geração;
• Ele é Pokémon do Ruby desde a Aventuras em Hoenn antiga, no entanto não se sabe de onde surgiu a ideia de fazê-lo um odiador de contests na nova versão. A ideia, porém, foi bem aceita pela equipe da Aliança;
Notas do Autor - Capítulo 4

Cá estamos com mais um capítulo! Sim, este é o capítulo número 4 de Hoenn!
![]() |
| É TETRA, RAPÁ! |
Ok, não é como se fosse um grande feito, mas eu queria apenas mandar essa gif com essa referência, totalizando em uma piada sem graça. Porque se não tiver piada sem graça, não é coisa do Shadow!
Bem, aí está a surpresa que eu estava guardando pra este capítulo, e que me fez quebrar a cabeça para deixar apresentável. Jeff e Dan, dois carinhas completamente diferentes, mas que agora estão amarrados pela mesma história! Confesso que sem a ajuda do Dento eu não teria conseguido finalizar essa parte, então já deixo aqui meus agradecimentos.
Eles serão as cobaias de um experimento que farei na história. Dependendo de como vocês reagirem a isso, eu posso dar sequência ou então dar por encerrado e voltar tudo ao normal nos capítulos seguintes — só para constar, não estou falando de guildas.
E falando em guildas, essa dúvida passeou pelas mentes criativas de alguns de vocês. Bem, desde a AEH antiga eu vinha apresentando certa resistência com relação a isso, o que eu acho até que tenha deixado o Canas um pouco chateado comigo algumas vezes. Não é como se eu estivesse fazendo pouco caso dessa ideia, que eu particularmente curti muito — tanto é que se vocês acessarem a página principal do Fire Tales em Sinnoh, verão que o primeiro comentário lá é meu (puta comentário de narrador da Sessão da Tarde, mas vida que segue) — mas o grande problema é que eu não sabia como implementar isso em Hoenn. Confesso que a minha desconfiança para com a minha própria criatividade me deixou um pouco com medo, o que me tornou muito conservador quanto ao modo de escrita que eu seguia. E essa nova Hoenn tem me dado a oportunidade de abandonar esses medos, e assim apostar em novas fórmulas.
Se vai ter guilda? Ainda não sei, porque essa ideia de mostrar os Pokémons mais como personagens do que como mascotes foi feita para outra finalidade, mas também não vou negar isso agora. O futuro a Omastar pertence.
A Elite chegou! Falando assim até parece que a Sapphire obteve as 8 insígnias e destruiu na Liga, não é mesmo? Mas vocês já podem ver um pouco de cada personagem que será trabalhado nesse grupo. Tentei colocar personalidades bem destacadas em todos eles, embora alguns tenham se destacado mais que os outros, como os rabugentos Sidney e Glacia, hahaha! Mas cada um deles vai ter seus momentos, e quanto ao Wallace ser o Campeão, peço que se acalmem! Tanto os fãs do Steven quanto do Wallace. Ainda estamos no começo da história, e independente de quem for o Campeão, ambos terão grande importância no enredo. O posto de Campeão de Hoenn dessa vez vai ser um mero detalhe comparado ao que os dois realmente representam.
Acho que por hoje é isso, galera. O capítulo dessa vez veio com duas horinhas de atraso. É que como eu estava de folga no trabalho, eu acabei não resistindo e dormi até mais tarde, hahaha! Não me julguem! Aposto que na minha situação vocês fariam o mesmo!
Até a próxima!
Capítulo 4
Desentendimentos
— Eu
não acredito que vou ser treinado por um desses coordenadores frescos! —
esbravejou o lagarto, chutando uma pedrinha para longe. — EU! JEFF, O
INDOMÁVEL DAS TERRAS DE FALLARBOR, NÃO SOU POKÉMON FRU-FRU!
QUE ÓDIO!
O
pequeno Jeff tinha um temperamento bastante instável. Qualquer detalhe fora dos
seus planos já era o suficiente para o transformar em uma bomba-relógio. E se
tinha uma coisa que ele não suportava, com certeza eram os coordenadores. O
Treecko sempre foi adepto de batalhas à moda antiga, tinha uma personalidade
enérgica e se divertia com “porrada” gratuita. Mas quis o destino que
justamente ele acabasse no mundo dos contests.
Ele
caminhava de um lado para o outro, com as mãos para trás, ponderando sobre a
situação desagradável na qual havia se metido. Fugir era uma opção? Não
para ele. Se havia algo que Jeff detestava mais do que contests, era alguém
aceitar um rótulo de covarde. Não fugiria daquele problema. Preferia encontrar
uma solução, ainda que sua personalidade estressada às vezes atrapalhasse um
pouco o seu raciocínio.
Foi
então que ele notou a presença de outro Pokémon ali perto. Era um Torchic. Jeff
o encarou por alguns segundos, de forma curiosa.
—
Aquele ali deve ser o escolhido da garota — deduziu. — Vou ver qual é a dele.
O
pequeno Torchic estava isolado, sentado em uma pedra e olhando para o nada. O
Treecko se aproximou devagar e se sentou ao lado de seu novo companheiro de
jornada. Colocou na boca um pequeno galho de arbusto que encontrou no chão, e
com ele começou a palitar os dentes. O Torchic não sabia qual era a intenção
por trás daquela aproximação, mas não deixou de ouvir quando o pequeno lagarto
começou a falar.
—
Parece que seremos parceiros de viagem — disse, enquanto continuava mexendo com
o galho. — Como veio parar aqui?
Torchic
permaneceu quieto. Jeff se sentia desconfortável com o fato de que estava sendo
completamente ignorado. Aquele pintinho continuava olhando para o nada,
sem sequer mudar sua expressão vaga.
— Já
vi que não é de falar... Bem, eu só acho que é melhor você fazer amizade com
alguém, já que vamos ter que seguir estrada com esses humanos idiotas.
Torchic
virou-se para o Treecko, e deu um suspiro. O réptil tinha razão. Passar o resto
dos dias sem conversar seria um caminho rápido para qualquer um enlouquecer.
Ele então cedeu, e decidiu corresponder.
— Tem
razão. Apenas estou pensando no porquê de eu estar aqui.
— Eu
também — Treecko fez uma pausa. — Me chamo Jeff. Fala teu nome, cara.
—
Dante.
— Você
não tem cara de Dante. Muita areia pro seu caminhãozinho — dizia Jeff com um
sorriso debochado. — Vou te chamar de Dan.
—
Estamos conversando há menos de cinco minutos, e você já vem com essa
intimidade? — Dante fez uma cara de desdém. — Não dei a você essa permissão.
— Que
estresse, guri... Vou sair fora antes que você me bata, isso sim!
— Não
precisa ir embora, só não estou acostumado com apelidos... Mas isso não
significa que não gostei de Dan.
Jeff
sorriu, e então chegou mais perto de seu novo parceiro de estrada. Os dois permaneceram sentados, aproveitando a brisa fresca que corria naquele momento. Nenhum dos dois parecia entender o motivo de
estarem ali, mas o momento era de procurar essas respostas.
— Você
foi escolhido pela guria, né? — indagou Jeff. — Ela é treinadora?
—
Aparentemente sim — respondeu Dante, sem dar muita importância. — Como se isso
pra mim fizesse alguma diferença.
— Bom,
pra mim até que faria — Jeff então fez uma expressão emburrada, e sua fala
ficou mais ríspida. — Mas eu tinha que ficar com o coordenador...
— O
que te incomoda quanto a isso?
— Eu
fui feito pra batalhar, cara, e não pra ficar fazendo apresentações cheias de migué. É só um bando de Pokémon de nariz empinado querendo pagar de
aristocrata e cheios de “não-me-toque”! Eu gosto dos campos de batalha, da
adrenalina, e não de ficar dançando e fazendo truques como esses babacões
adestrados.
Dan
respirou fundo. Para ele, o desespero daquele Treecko parecia algo banal. Logo,
resolveu tentar ajudar.
— Você
por acaso já participou de algum contest? — indagou.
— O
que você acha? — rebateu o Treecko, parecendo irritado. — Jamais vou participar
dessa besteira!
— Não
que eu me importe com coisas que os humanos fazem, mas não acho certo você
criticar algo que nunca tentou.
Jeff
se levantou, já sem paciência. Ele jamais aceitaria alguém que lhe fizesse
pensar a respeito de algo do qual não gostava. Ajeitou o galho no canto de sua
boca, e com os olhos semicerrados lançou sua resposta para Dan.
— Não
vem com esse papo furado! Eu não tive intimidade para te dar um apelido, DAN! O que faz você pensar que tem
intimidade para me dizer o que eu devo fazer?
— Eu
estou tentando ajudar, só isso. Não tem por que você ficar irritado desse
jeito.
— Eu
não quero a sua ajuda! — Jeff bateu com força um dos pés no chão, enfatizando
sua afirmação. — Eu nem sei por que eu tentei puxar conversa com você! Você nem consegue entender o que é estar preso contra a sua vontade! Típico Pokémon
de laboratório! Vive para servir os humanos!
Dan
permaneceu imóvel, sem responder o Treecko aborrecido. Jeff estranhou a falta
de reação do outro, mas preferiu não se aproximar.
— Vai
ficar calado de novo?
— Some
— disse Dan, com a voz fria, e sem ao menos voltar o olhar para o lagarto.
— Tsc,
que seja — Jeff virou-se de costas, mas não foi embora sem aproveitar a oportunidade para uma nova alfinetada. — Até outra hora... DAN!
• • •

Uma
extensa sala de reuniões estava sendo utilizada naquele exato momento. As
portas fechadas indicavam o sigilo das discussões naquele local, e ninguém se atrevia
a interromper. Algumas pessoas vestidas de maneira formal estavam na sala, bem
como quatro pessoas utilizando roupas comuns.
— Onde
está Sidney? — indagou um dos presentes, uma bela mulher loira de expressão
serena. — Ele já deveria ter chegado.
— Acalme-se,
Glacia — disse o homem sentado logo ao lado, o mais velho naquele local. — O
Sidney deve ter um bom motivo para estar atrasado.
— Eu
tenho um bom motivo para ele estar atrasado — rebateu a mulher, virando-se para outro homem, que se sentava à cabeceira da mesa. — O fato de ser
um inconsequente. Wallace, você deveria se impor. Ele faz o que bem
entende, e pode acabar prejudicando a imagem da Elite a qualquer momento.
Todos aguardavam a resposta do rapaz de cabelos azulados e vestes extravagantes.
Apesar disso, possuía um comportamento bastante reservado, e evitava falar
coisas desnecessárias. Wallace era o atual campeão da Liga de Hoenn, e naquele
momento ocupava o posto mais alto da Elite da região.
—
Conversarei com ele assim que possível.
—
Precisa ser urgente — alertou Glacia. — O vencedor da Liga já pediu para marcar
a data do desafio. Eu acompanhei as competições, e posso dizer que este garoto
é diferente de tudo o que vimos nos últimos anos.
O
velho sentado à mesa apenas esboçou um sorriso de canto, parecendo apreciar o
comentário sobre o novo desafiante que eles receberiam.
— Por
que está sorrindo, Drake? — perguntou uma menina sentada à sua frente, também
integrante da Elite.
— Não
é nada, só estou animado para este confronto. Faz tempo que não recebo um bom
desafio, mas como a Glacia disse que o garoto é bom, então pode ser que ela
deixe esse passar para mim...
— O
fato de eu dizer que ele é melhor que os últimos não quer dizer que ele me
derrotará — Glacia afirmou categoricamente.
— Não
tão fácil — rebateu Drake. — Mas só pelo fato de ter recebido um elogio seu,
esse jovem já merece atenção.
— De
fato — disse Wallace. — É raro ver a Glacia elogiar alguém. Esse treinador deve
ter muito potencial.
No
momento a porta se abriu, atraindo a atenção dos presentes. Adentrou a sala um
homem aparentando quase trinta anos, com cara de poucos amigos. Ele se jogou em
sua cadeira enquanto ignorava o silêncio reprovador de seus companheiros, e por
fim acendeu um cigarro.
—
Digam logo do que se trata — disse de maneira ríspida. — Não tenho o dia todo.
— Não
está em condições de dar ordens aqui, Sidney — Glacia se pronunciou. — É o
membro mais arrogante, indisciplinado e convencido da Elite. E sua pontualidade
é deplorável.
— Fala
como se eu me importasse com sua opinião, senhorita “coração de gelo”.
Glacia
por um momento fechou seus olhos calmamente, e respirou fundo. Ao abri-los
novamente, encarou o homem com um olhar odioso. Era uma mulher que sempre
mantinha sua postura, e exatamente por este motivo sua expressão de fúria
intimidava tanto. Sidney, no entanto, não parecia se importar.
Um dos
homens trajados em terno se levantou de sua cadeira, e imediatamente tomou a
iniciativa da conversa. Seu grupo, o Comitê Organizador da Liga Pokémon, não
parecia muito satisfeito com a compostura dos membros da Elite, que deveria ser
a representação do que há de melhor entre os treinadores de Hoenn.
—
Antes que as discussões saiam do controle, vou começar a expor os tópicos de
nossa reunião — disse o homem. — Os ginásios restantes já estão com os líderes
selecionados, e serão reativados assim que iniciarmos as inscrições para a Liga
deste ano. Lavaridge, Petalburg e Mossdeep são as cidades que estão recebendo
líderes novos.
—
Mossdeep não é a cidade de onde vem o garoto que vai desafiar o Wallace? —
Questionou a menina que estava sentada ao lado de Drake.
—
Phoebe, deixe-os terminar — advertiu Wallace.
O
organizador da Liga, então, continuou com sua fala.
—
Todos eles são promissores. O Líder de Petalburg, Norman, já tem uma idade que
consideramos adequada para um líder de ginásio. É um homem adulto, e que sempre
estudou bastante táticas de batalha. Ele é oriundo da região de Johto, e
aparentemente teve uma carreira interessante como treinador, mesmo não tendo
conquistado torneios. Ele vai manter a especialidade do ginásio com Pokémons do
tipo normal.
Os
membros da Elite se entreolharam. Eles pareciam concordar com a escolha de
Norman para o Ginásio de Petalburg, e até mesmo tinham expressões de animação,
com exceção de Sidney e Glacia, que eram um pouco mais sérios.
— Em
Mossdeep teremos uma novidade. Serão dois líderes, e a ideia é promover um
desafio em duplas. Tivemos essa ideia quando vimos que os grandes destaques nas
avaliações eram irmãos gêmeos. Uma menina chamada Liza e um rapaz chamado Tate,
mantiveram a especialidade no tipo psíquico.
— Dois
líderes em um ginásio não fere o protocolo? — indagou Glacia, admitindo certa
curiosidade.
— Na
verdade nunca foi proibido. Não existia nenhuma cláusula nos regulamentos
obrigando o ginásio a ter apenas um líder. E os exames de Tate e Liza estavam
perfeitos! Era simplesmente impossível decidir qual dos dois estava mais apto a
assumir como líder. É como se eles fossem a mesma pessoa...
— Vai
ver eles também conseguem se comunicar com espíritos! — deduziu Phoebe
alegremente.
—
Garota, menos... — resmungou Sidney, fazendo com que ela se voltasse a se
sentar de cara emburrada.
— Por
fim — prosseguiu o organizador — temos a que parece ser a mais problemática...
—
Problemática? — questionou Wallace.
— Ao
contrário de Petalburg e Mossdeep, cujos ginásios não deixaram herdeiros, ou
seja, seus líderes não quiseram ou tiveram a quem passá-los, o antigo líder de
Lavaridge resolveu deixar o ginásio para a sua neta, Flannery.
Os
Elites novamente se encararam, mas dessa vez com semblantes de preocupação.
Apenas Phoebe não entendia o que estava acontecendo para que todos ficassem tão
apreensivos.
— O
Hermann realmente deixou o ginásio para a neta dele? — Glacia agora mantinha a
mão sobre uma das bochechas. — Isso não vai dar certo...
— O
que está havendo? — Phoebe perguntou, ainda confusa. — Essa menina tem algum
problema?
— Essa
guria é completamente biruta — disse Sidney. — Não dou duas semanas até ela
atear fogo em tudo e demolir aquele ginásio.
— Pro
Sidney falar que a garota é louca, é porque ela realmente extrapola os limites
da sanidade — completou Drake.
—
Exatamente! — Sidney então fez uma pausa, só então percebendo o que havia sido
dito. — Ô! Qual foi, porra!?
Glacia
resolveu tomar a iniciativa da conversa. Geralmente o membro da quarta casa da
Elite atuava como braço-direito do campeão, mas Glacia, mesmo representando a
terceira casa, atuava nesta posição enquanto Wallace ocupava o posto mais alto.
— Não
há nada que possa ser feito com relação a isso? Não creio que esta garota
esteja em condições de liderar um ginásio oficial.
—
Infelizmente as regras são bem claras — respondeu um dos organizadores. — O
líder tem o direito de passar o cargo para outra pessoa ao se aposentar, caso
queira. O máximo que podemos é colocar alguma pessoa no ginásio para fiscalizar
a Flannery nesses primeiros meses. Caso ela se mostre despreparada, podemos
aplicar um treinamento, mas provavelmente o instrutor acabaria sendo um de
vocês quatro, senão um dos Cérebros da Fronteira.
— Não
contem comigo — Glacia afirmou prontamente. — Não vou desperdiçar meu tempo
ensinando treinadores inexperientes a não fazer besteira.
— O Hermann não tem um filho especialista no tipo fogo? — Wallace perguntou. — Creio que seria uma escolha adequada.
— Sim, o Kabu, que por sinal é pai da Flannery — disse o membro do Comitê. — Mas infelizmente ele não mora mais em Hoenn. Ele já atua como líder de ginásio em Motostoke, pela Liga de Galar. Dizem que é um dos ginásios mais severos de lá. Seria ótimo ter um líder do calibre dele.
— Nós já
temos líderes desse calibre — Phoebe rebateu. — Roxanne e Winona são treinadoras
excelentes. Juan, Brawly e Wattson também são muito bons.
—
Concordo — disse Drake. — Temos bons nomes. E tirando a Flannery, que ainda é
um ponto de interrogação, esses novatos parecem que vão manter o bom nível da
nossa Liga.
• • •
Um
rapaz vagava por entre as árvores de um bosque. Seu olhar era rude e cansado,
mostrando que provavelmente andou dormindo mal, talvez por estresse. Era jovem,
aparentava ter por volta de dezessete anos, tinha cabelos negros bagunçados e
seu jeito de caminhar era grosseiro, como se estivesse sempre com raiva. Ou
melhor, realmente estava sempre com raiva.
Não
conseguia ficar tranquilo. O vento lhe incomodava, o barulho das folhas
balançando lhe incomodava, os grunhidos dos Pokémons selvagens ali perto lhe
incomodava. Um misto de estorvos que só fazia seu sangue ferver cada vez
mais. Lembranças caminhavam por sua mente de forma confusa, e a cada segundo
seus dentes roçavam uns nos outros, ou seu punho se fechava com cada vez mais
força.
Após
alguns minutos, cessou a caminhada. Se viu diante de um campo aberto, porém
repleto de rochas, ainda que o gramado continuasse se estendendo por toda a
área. Sacou duas Pokéballs de seu cinto, e delas se revelaram dois seres de expressão
igualmente rancorosa.
—
Sableye, Houndour, vamos focar o treinamento de hoje no fortalecimento físico —
disse, em tom seco. — Escolham uma rocha qualquer nesse campo e usem ataques físicos
nelas consecutivamente até quebrá-las. Isso ajudará a desenvolver seus
atributos de ataque e defesa.
Os
Pokémons prontamente iniciaram o exercício passado pelo garoto, que por sua vez
se sentou em um lugar próximo, onde permaneceu com a mente distraída. Sua
respiração era pesada cada vez que se lembrava de fatos desagradáveis, que para
piorar eram mais recentes do que pareciam. Para tentar se esquecer dos fatos
colocou fones de ouvido e começou a ouvir música, na tentativa de se distrair
um pouco. Em vão. O som pesado de suas bandas de metal apenas ajudava seu
coração a acelerar de raiva.
Palavras
rondavam sua cabeça. “Imprestável”, “fraco”, “covarde”. Cada vez mais se sentia
nada além de um fardo que caiu naquele mundo por acidente. Não sabia se tinha
futuro. Poderia descobrir se voltasse ao passado, mas o mesmo era um inferno do
qual queria se livrar para sempre. Não sabia o que fazer. Talvez apenas
“seguiria o fluxo”, à deriva nos mares da vida pelo resto de seus dias. Não
socializava com ninguém, era apenas um viajante calado. Cada vez mais sentia
ódio das pessoas, em especial de treinadores. Acabou se tornando um, e nem
mesmo sabe o motivo. Sussurrava coisas para si próprio que só alimentavam cada
vez mais sua falta de esperança.
— Uma
vida de merda — falava, olhando a palma de sua mão. — E não presto nem mesmo
para acabar com ela... Talvez eu seja mesmo um covarde, como ele diz.
Sua
angústia só foi interrompida perto de uma hora depois, quando seus Pokémons se
dirigiram a ele demonstrando sinais de desgaste, e alguns ferimentos. O rancor
do menino então se tornou uma expressão compassiva, empática, quando se viu de
frente com seus dois únicos companheiros.
— Eu
sei como se sentem. Sei o quanto dói. Mas acreditem em mim, pois isso vai fazer vocês mais fortes, será como se possuíssem armaduras — falou, tentando
demonstrar animação enquanto disfarçava seus verdadeiros sentimentos. — Vocês
foram os únicos que estiveram ao meu lado, e prometi torná-los fortes para que
nunca mais fizessem aquilo com vocês.
Estamos juntos nessa.
O
rapaz se levantou, limpando suas calças da poeira do chão onde estava sentado.
Por fim, antes de seguir seu caminho, se virou para as duas pequenas criaturas.
—
Seremos indestrutíveis, e então chegará a hora de devolver o terror que nos
fizeram passar. E ninguém vai se atrever a entrar no nosso caminho.



























