A Gym Leader's Life - Capítulo 2
Brawly

Quando
se viu na beira da mesma praia onde cresceu, Brawly abriu um sorriso. Passara
tanto tempo fora que havia se esquecido de como era estar em casa. Dewford
ainda era a mesma ilha com aspecto aconchegante ao fim da tarde. Mal podia esperar
para contar a todos sobre sua nova conquista.
Ele
havia vencido um importante campeonato de surf em Alola, onde esteve morando
durante os últimos dois anos. Após uma estadia vitoriosa o rapaz voltava à sua
terra natal com grande prestígio entre os fãs do esporte, sendo mais um a
representar a grande tradição de Hoenn na modalidade em competições
internacionais.
Ao seu
lado um homem de aparência perto dos quarenta anos de idade também desembarcava
na cidade. Seus traços o entregavam como alguém de Alola. Era um importante
amigo que o surfista que fez nas ilhas paradisíacas, além de ter sido um
importante mentor por ser um homem muito sábio.
—
Kola, esse aqui é o meu reino — Brawly sequer conseguia disfarçar a euforia de
estar naquele lugar de novo. — Já dominamos Alola, então bora dominar isso aqui
também.
— Vai
com calma, garoto — o homem ria da pressa de seu amigo. — Vamos aproveitar essa
chegada. Eu também quero conhecer Hoenn, mas se tivermos muita pressa não vai
dar tempo de construir boas lembranças.
—
Cara, mal posso esperar pra te mostrar todas as praias que temos por aqui. Eu
garanto que a gente compete de igual pra igual com Alola.
— Isso
é uma boa notícia pra mim. Onde tiver praia boa eu quero estar.
Brawly
e Kola seguiram a caminhada até a casa onde o rapaz morava antes de viajar para
o exterior. O rapaz morava sozinho já há algum tempo, mas mesmo assim ambos
encontraram a casa toda limpa, para surpresa do visitante.
A
mobília estava com alguns lençóis por cima para evitar o acúmulo de poeira. As
janelas estavam limpas e o chão encerado. Uma casa pequena, porém cuidada com
todo o zelo possível que a fazia parecer até luxuosa apesar de seu tamanho.
— Ela
não precisava fazer isso tudo — disse o rapaz enquanto tirava os lençóis de
cima dos móveis.
— Ora,
ora, parece que teve alguém te esperando esse tempo todo — Kola encarava Brawly
com um sorriso suspeito e os braços cruzados. — Agora começo a entender o
motivo de você nunca ter dado ideia pras garotas que tentavam algo com você lá
em Alola.
— Que
isso, Kola! — Brawly ria dos comentários do amigo. — Eu apenas não tô preparado
pra ter um compromisso com outra pessoa. E quem manteve a minha casa bem
cuidada esse tempo todo é uma amiga de longa data, quase uma irmã. Não consigo
vê-la de outra forma e nem quero.
Kola
apenas deu um discreto sorriso de canto e voltou sua atenção à arrumação da
casa, ajudando Brawly a descobrir a mobília.
— Se
você diz...
Após
terminarem de preparar a casa, Brawly levou Kola até o quarto onde o homem
ficaria para que lá ele pudesse deixar suas coisas. Em seguida voltaram à sala.
O mais novo foi até a cozinha, que era separada do cômodo anterior apenas por uma
meia-parede onde ficava uma bancada, e caminhou até a geladeira para pegar
alguns ingredientes para fazer o jantar, até que se deu conta do engano que
havia cometido.
—
Vish...
— O
que houve? — Kola perguntou.
— Eu
meio que abri a geladeira no automático. Esqueci que a gente acabou de chegar.
Não tem nada pra comer — Brawly caiu na risada.
Os
dois então juntaram todos os trocados que conseguiram tirar do bolso e pediram
uns sanduíches de fast food. Não era
o ideal para matar a fome deles, mas era o que tinha de possível naquela noite.
A partir do dia seguinte eles pensariam no que fazer para conseguir dinheiro.
Após a
refeição Brawly e Kola foram dormir. O mais jovem estava ansioso por rever as
pessoas com quem conviveu durante tanto tempo. Depois de alguns anos estando
longe ele queria ver como as coisas tinham mudado, o que havia de novidades e matar a saudade dos velhos hábitos de quando ainda morava na ilha.
Quando
amanheceu os dois acordaram bem cedo para andar pela cidade. Sem café da manhã,
Brawly levou Kola até uma região de mata para que pudessem pegar algumas
berries para comer. Após encherem o estômago, os dois caminharam até um local
liderado pelo anfitrião.
— Onde
estamos indo?
—
Visitar um velho amigo — Brawly respondeu, mantendo o mesmo sorriso de sempre.
— É um parceiro de longa data. É um senhor de idade que tem uma barraca de
aluguel de pranchas perto da praia norte.
— Será
que ele tem parafina? A minha prancha tá precisando.
—
Claro! Ele com certeza vai arranjar uma pra tu. O nome dele é Oswald. Esse cara
me deu uma força muito grande pra eu começar a surfar. Minha família nunca teve
grana, então quando eu era moleque ele me deu minha primeira prancha e me
ensinou a surfar.
— Pô,
maneiro! Ele deve ser um cara muito gente fina.
—
Gente fina é pouco! Ele é parceirão mesmo.
A
caminhada se estendeu por mais alguns metros até chegarem ao local de destino.
A surpresa, no entanto, se deu por parte de Brawly ao ver a barraca em estado
de abandono. As madeiras estavam podres e o telhado improvisado com palha e
folhas de árvores tropicais já não existia mais. Também não havia nada lá
dentro, a não ser os restos de pranchas velhas, que já não eram sequer
possíveis de serem restauradas para uso.
O
rapaz tinha uma expressão confusa, mas logo se aproximou da cabana para checar
qualquer detalhe que pudesse lhe dar uma dica do que havia acontecido.
—
Estranho, será que ele mudou de lugar ou se aposentou? — indagou enquanto
revirava as coisas em volta.
—
Brawly? — uma voz feminina o chamou, fazendo-o se virar no mesmo instante. —
Brawly, é você mesmo?
A dona
da voz era uma bela garota de longos cabelos loiros, olhos azuis e pele bronzeada de sol, aparentando
ter a mesma idade de Brawly, algo por volta dos dezessete anos. Ela não pôde
deixar de abrir um largo sorriso ao rever seu amigo de infância.
—
Casey! Quanto tempo! — o rapaz alegrou-se ao vê-la. — Diz aí, como anda a vida?
A
garota deu uma rápida corrida até Brawly. Quando se aproximou o suficiente,
segurou as duas mãos do rapaz, com um largo sorriso no rosto.
— Eu
estou ótima! Não sabia que você ia chegar hoje!
— Na
verdade cheguei ontem no fim da tarde — só então ele percebeu algo estranho. —
Mas pera aí. Se você não sabia quando eu ia voltar, por que tu arrumou minha
casa?
— Bem,
eu não podia deixar o lugar todo largado. E sei que se fosse o caso de
eu não ter arrumado você não faria também. Ia dormir em cima da poeira mesmo.
— Pior
que eu ia mesmo — Brawly ria enquanto coçava a parte de trás da cabeça. — Ei
Kola, essa é a Casey. Ela é sobrinha do Oswald, o cara que te falei. Casey,
cadê o velho? Ele fechou a cabana mesmo?
Casey
ficou em silêncio por um instante, desviando seu olhar para o chão com uma
expressão angustiada. Kola previu a situação e se afastou um pouco, enquanto
Brawly ainda aguardava a resposta, sem sequer notar a mudança de comportamento
de sua amiga.
—
Sabe, seu tio foi o cara que eu mais senti falta quando estive fora de Hoenn.
Até hoje eu me lembro do dia que ele...
—
Brawly, eu preciso que você me escute agora.
A
garota pressionava as mãos contra o próprio peito, lutando em seu interior para
conseguir dizer o que precisava. Não sabia o que viria após aquele momento, mas
era o que precisava ser feito.
—
Brawly, o tio Oswald morreu.
O
rapaz ficou estático, tentando assimilar as palavras que havia escutado. Não
sabia se havia entendido direito, mas no fim das contas entendeu que realmente
ouviu o que havia imaginado, e começou a dar uma risada reprimida por uma voz
trêmula.
— Qual
é, Casey? Não era tu que sempre dizia pra eu não brincar com esse tipo de
coisa? O que foi isso agora?
—
Fechamos a cabana porque ele adoeceu poucos meses depois de você ir embora para
Alola. Ele resistiu por mais ou menos um ano, mas acabou falecendo já faz dez
meses. Eu queria ter te contado, mas eu nunca tive coragem.
Brawly
não tinha reação para uma situação como aquela. Tudo que podia fazer naquele
momento era ficar encarando Casey ainda aguardando que aquela fosse alguma
pegadinha de mau gosto.
— Olha
Casey, eu realmente não sei o que dizer...
— Não
precisa se preocupar, eu acho que foi melhor assim — disse a garota, tentando
disfarçar a voz embargada. — Eu não quero que ninguém nesse mundo passe pelo
que ele passou nos últimos dias.
Aquelas
palavras atingiram Brawly como um soco no peito. Não queria imaginar o que
Casey queria dizer com aquilo. Não se conformava com o fato de pessoas boas
terem que morrer torturadas por doenças, ou tendo suas vidas interrompidas
antes da hora. Ele se perguntava se não
seria o ideal que todos pudessem partir sem sofrimento, uma vez que a morte era
algo inevitável.
• • •
Poucas
horas se passaram após a notícia. Brawly estava sentado em um ponto isolado na
beira da praia, com um olhar vazio em direção ao horizonte. Estava perdido em
seus próprios pensamentos, aproveitando o momento de silêncio para tentar
organizar a cabeça.
O sol
estava forte no auge da tarde, mas o garoto estava confortável debaixo da
sombra de uma palmeira. Uma brisa vinda do litoral passava pela área,
amenizando o calor costumeiro de Dewford.
Ele
estava tão distraído que sequer notou a aproximação de Kola que havia caminhado
pela cidade até então, deixando o amigo sozinho para pensar. O homem se sentou
ao seu lado, procurando palavras para começar o assunto.
—
Então, tá tudo bem?
— Tô
suave, cara. É só que é meio estranho tu passar um tempo longe da sua vida
antiga e de repente voltar e perceber as coisas que mudaram.
— O
tempo pode ser cruel às vezes, mas só resta seguir junto dele. Um dos antigos
kahunas da minha ilha uma vez foi lá na aldeia onde eu vivia quando eu era
criança, e ele sempre contava histórias. Em uma delas ele fala sobre um
pescador que costumava pescar sempre no mesmo rio. Depois de alguns anos
aconteceu algum problema que os peixes sumiram de lá, mas o pescador continuava
entrando no rio todos os dias na esperança de que um dia os peixes voltassem.
Ele passou a vida toda esperando. Nunca mais conheceu outras águas, e nunca
mais comeu nenhum peixe.
— Por
que está me contando essa história agora?
—
Porque essa é a lição que o kahuna queria passar: quando você fica preso ao
passado, você desiste de viver o presente e perde a chance de conhecer o
futuro.
—
Sinistro.
Kola
mudou de posição, se recostando no tronco da palmeira para ter uma posição mais
confortável.
— É
assim que as coisas são, Brawly. Tudo nesse mundo tem seu tempo. A hora sempre
chega, mais cedo pra alguns, mais tarde pra outros.
— Eu
sei, mas vou sentir falta do velho.
— Mas
isso é bom. Significa que ele proporcionou bons momentos pra você.
— É,
faz sentido — Brawly deu um sorriso assim que as lembranças de sua infância
voltavam à mente. — E foram ótimos momentos.
— Quer
compartilhar alguns?
— Teve
uma vez quando eu era moleque, devia ter uns dez anos. Eu, o Oswald e a Casey
estávamos voltando da feira, aí passamos na frente de uma casa. Bem no jardim
da frente tinha uma mesa com uma cesta cheia daquelas berries Iapapa. Cara, eu
amo essa fruta!
— Lá
vem... — Kola começou a balançar a cabeça negativamente, já prevendo onde
aquela história ia dar.
— Eu
abri o portão e entrei na cara dura pra pegar uma pra cada um de nós, só que do
nada apareceu um Granbull do tamanho daqueles que tem lá na Ilha de Poni! Eu
não tive tempo nem de pensar em nada, saí correndo e deixei o portão aberto. O
bicho saiu no nosso rastro e nos perseguiu pela cidade inteira!
As
histórias seguiram durante um bom tempo. Brawly podia ficar a tarde inteira
contando todas as grandes aventuras de quando era mais novo, desde quando eles
irritaram um grupo de Taillows sabe-se lá como, até o dia em que ele pegou sua
primeira onda.
—
Kola, acho que vou ficar em Dewford. Não quero mais sair daqui.
— Por
que essa decisão tão de repente?
—
Percebi desde ontem que a praia está com menos surfistas, e agora percebo que
talvez tenha sido o fechamento da cabana. Eu tenho uma responsabilidade com
esse lugar, porque é onde cresci. Tenho que fazer algo para manter a cidade no
mapa dos viajantes.
Kola
não alterou sua expressão em momento algum, apesar de por dentro estar surpreso
com a mudança inesperada do seu amigo. Brawly sempre teve um indomável espírito
de liberdade, mas agora parecia estar olhando para seu lar pela primeira vez em
muito tempo.
— E já
pensou em algo?
— Eu
estava bolando uma ideia aqui antes de você chegar. Lembra do noticiário de
ontem à noite? Parece que um dos ginásios da Liga Pokémon perdeu a licença.
Acho que vou dar entrada na papelada para abrir um aqui em Dewford. Vou me
especializar no tipo lutador. Aprendi bastante sobre eles com o Kahuna Hala.
—
Eieiei, calma aí, garoto — Kola agora não conseguiu esconder seu espanto. —
Tudo bem que você é um ótimo treinador, venceu o Grand Trial nas quatro ilhas,
mas tem certeza que você está no nível de um líder de ginásio das grandes
ligas? E o único Pokémon lutador que você tem até o momento é aquele Makuhita
raivoso que a gente pegou perto de Hau’oli.
— Isso
é o de menos. Quero fazer isso por Dewford. E pelo Oswald também, porque ele
odiaria ver essa cidade se esvaziando.
O
silêncio perdurou por pouco mais de meio minuto. Nenhum dos dois conseguia
dizer muito naquele momento, até que Kola também deu sua decisão.
—
Também vou ficar — disse o homem, arrancando uma exclamação de Brawly. — Tô
gostando desse lugar, e também acho que se eu ficar aqui observando você eu vou
aprender algo muito interessante.
— O
que te falta aprender, bro? Tu é o cara mais sábio que eu já conheci.
— Ser
sábio não significa saber tudo. Ainda falta muita coisa pra eu aprender.
—
Então a gente vai aprendendo junto.
Pouco
tempo depois Brawly tentou pela primeira vez trazer um ginásio para Dewford,
mas não obteve êxito. Ele e Kola resolveram colocar em prática o plano B, que
era reformar a cabana deixada por Oswald para que a cidade tivesse mais uma vez
um local para aluguel e manutenção de pranchas de surf. Poucos meses depois,
após treinar mais, o rapaz conseguiu passar no exame de aptidão e conseguiu a
licença para operar um ginásio oficial da Liga na ilha.
A
barraca ficou para Casey, a quem Brawly ensinou os processos básicos de
conserto e preparação de pranchas. Kola permaneceu no local para ajudar com
problemas mais complicados e enfim o ginásio de Dewford foi aberto, não
demorando muito para se tornar famoso por ser um dos mais complicados da região
de Hoenn. Não só pela localização remota, mas por possuir um líder realmente
talentoso.
Com o
tempo, o movimento de Dewford se multiplicou de forma que não houvesse mais
alta ou baixa temporada. Os surfistas voltaram, pois agora tinham um local de
apoio para qualquer problema que o equipamento sofresse, mas além deles os
treinadores sedentos por uma vaga na Liga Pokémon também desembarcavam aos
montes na ilha paradisíaca procurando superar mais um desafio em suas
aventuras.
O
movimento já era bem maior do que antes de Brawly ir embora. E pela primeira
vez desde sua volta, ele pôde se orgulhar de uma conquista. Sua cidade, sua
ilha, seu pequeno mundo, estava de volta ao mapa.
FIM DO CAPÍTULO
Notas do Autor - Capítulo 16

Chegamos finalmente ao momento em que a batalha contra o Brawly está marcada! Sapphire agora caminha em direção ao desafio para obter sua segunda insígnia, mas não será tão simples. Fiquei bastante satisfeito de ter começado o ano a todo vapor e poder chegar a esse ponto. Ainda tem algumas coisas que quero fazer aqui antes do Carnaval, e pretendo já colocar tudo pra funcionar o mais rápido possível.
Pra quem acompanha o blog desde a versão antiga da história, percebe-se que este capítulo 16 é equivalente ao 19 da AEH de 2011. Eu lembro que na época escrevi esse capítulo tão hypado, tão eufórico, eu estava tão convicto de que tinha feito algo legal pra preceder a batalha de ginásio que quando veio o feedback da galera eu fiquei com cara de tacho. Todo mundo meteu o pau no capítulo, e na época eu sinceramente não tinha entendido o motivo. Foi bom porque me motivou a fazer a batalha no capítulo seguinte dando o melhor que eu tinha, mas daí avancei a história sem nunca ter procurado entender a razão pela qual o 19 tinha sido um fracasso.
Aí eu peguei ele pra reler, porque às vezes eu readapto coisas da AEH antiga pra essa versão nova, e achei que podia tirar algo do capítulo daquela época pra usar neste. E acho que finalmente entendi o que deixou vocês tão putos da cara. Meu Arceus, o que era aquilo? Eu peço perdão, sério mesmo kkkkkkkkkkkkk
O importante é que vocês deram um bom feedback nessa versão nova, então fico feliz de ter conseguido consertar o que aconteceu na Hoenn antiga.
De resto não tenho muito a dizer, eu só queria compartilhar com vocês essa curiosidade mesmo.
Que venha a batalha de ginásio! Ou talvez não, porque vai ter coisa antes. ( ͡° ͜ʖ ͡°)
Pra quem acompanha o blog desde a versão antiga da história, percebe-se que este capítulo 16 é equivalente ao 19 da AEH de 2011. Eu lembro que na época escrevi esse capítulo tão hypado, tão eufórico, eu estava tão convicto de que tinha feito algo legal pra preceder a batalha de ginásio que quando veio o feedback da galera eu fiquei com cara de tacho. Todo mundo meteu o pau no capítulo, e na época eu sinceramente não tinha entendido o motivo. Foi bom porque me motivou a fazer a batalha no capítulo seguinte dando o melhor que eu tinha, mas daí avancei a história sem nunca ter procurado entender a razão pela qual o 19 tinha sido um fracasso.
Aí eu peguei ele pra reler, porque às vezes eu readapto coisas da AEH antiga pra essa versão nova, e achei que podia tirar algo do capítulo daquela época pra usar neste. E acho que finalmente entendi o que deixou vocês tão putos da cara. Meu Arceus, o que era aquilo? Eu peço perdão, sério mesmo kkkkkkkkkkkkk
O importante é que vocês deram um bom feedback nessa versão nova, então fico feliz de ter conseguido consertar o que aconteceu na Hoenn antiga.
De resto não tenho muito a dizer, eu só queria compartilhar com vocês essa curiosidade mesmo.
Que venha a batalha de ginásio! Ou talvez não, porque vai ter coisa antes. ( ͡° ͜ʖ ͡°)
Capítulo 16
Seguir em frente

Logo
pela manhã Sapphire já se encontrava no ginásio da cidade. Brawly a recebeu
pessoalmente na entrada já com um grande sorriso, mesmo sendo tão cedo. Para
ele não havia tempo ruim. A desafiante, por sua vez, esboçava todo o cansaço
que podia, por não estar acostumada a se levantar antes das dez e meia.
Ela
estava sozinha dessa vez. Ruby e Miriam resolveram voltar à Caverna de Granito
para explorar o local mais um pouco. Até preferia que fosse assim, pois estava
nervosa com o exame físico que teria que prestar.
— E
aí? Preparada? — Brawly perguntava, demonstrando sua habitual energia.
— Sei
lá, mas vamos ver isso logo.
— Não
se preocupe. Vai ser tranquilão, te garanto.
Os
dois foram para o lado de dentro da academia, onde Brawly mostrou um circuito com
variados tipos de obstáculos, entre os quais havia voltados para saltos,
corridas com passos regrados, escaladas e outros tipos de atividade.
—
Compreendeu bem o que é pra fazer, ou ficou alguma dúvida?
— Não,
acho que já entendi.
— Tudo
bem — Brawly deu uma olhada rápida em seu relógio de pulso. — Vamos fazer um
aquecimento rápido, e daqui a quinze minutos nós começamos. Libere os Pokémons
que pretende usar, o teste é principalmente para eles.
Após
alguns minutos variando entre alongamentos e exercícios para ritmar a
respiração, Sapphire e seus companheiros de equipe estavam prontos para fazer o
circuito. Brawly tinha um cronômetro em mãos, que usaria para marcar o tempo
que a equipe desafiante levaria para completar a prova.
— Para
serem aprovados para a próxima etapa, vocês devem completar esse circuito em
vinte e cinco minutos ou menos, falou?
—
Falou — Sapphire e seus parceiros se colocaram em posição de prontidão,
esperando apenas a autorização do líder de ginásio para iniciarem.
Dan e
Jet estavam com a garota, uma vez que a batalha seria de dois contra dois.
Brawly, já habituado a enfrentar treinadores com Pokémons do tipo voador,
estava precavido ao colocar um conjunto de obstáculos exclusivo para o pássaro.
—
Beleza, em suas marcas... — Brawly olhava para o cronômetro que segurava em uma
mão, enquanto a outra que estava erguida foi lançada para baixo. — Manda ver!
Sapphire
e sua equipe dispararam para ganhar o máximo de tempo possível no começo da
prova. A passada da garota e de Dan, bem como o bater de asas de Jet, estavam
em alto ritmo, demonstrando que naquele momento eles já estavam dando tudo de
si. Brawly observava com curiosidade o esforço da garota. Ela não estava nem um
pouco disposta a fracassar naquele teste.
Pneus,
barras, rampas, buracos e cordas. Argolas penduradas no teto também faziam
parte do cenário. Sapphire, Dan e Jet passavam por cada obstáculo com atenção,
porém com agilidade.
—
Mantenham o foco, estamos indo bem! — Sapphire tentava dar breves palavras de
incentivo aos seus Pokémons, mas ao mesmo tempo se preocupando para que as
falas não atrapalhassem o ritmo de sua respiração.
Jet
parecia não ter dificuldades para passar pelos obstáculos. Por ser pequeno e
ágil, ele conseguia mudar de direção e retomar o equilíbrio com muita rapidez.
Porém, a mesma falta de tamanho já não era tão favorável a Dan, que precisava
fazer bastante esforço para saltar sobre obstáculos maiores. Sapphire muitas
vezes parava a corrida para se fazer de degrau para o Torchic quando a subida
era muito alta.
— Eu
confio em você pra vencer mais essa pra nós — disse Sapphire ao pequeno Pokémon
de fogo, ainda que a resposta do mesmo fosse de indiferença.
Na
medida em que avançava pelos obstáculos, o esforço empregado por Sapphire, Dan
e Jet para continuar era cada vez maior. Os três já começavam a dar seus
primeiros sinais de desgaste, pois ainda que treinassem diariamente não estavam
acostumados com exercícios físicos tão rigorosos.
Sapphire
já sentia suas pernas fraquejarem. Seus ombros pareciam ter o triplo do peso
naquele momento, e seu peito doía devido à falta de ar. Sentia que ia desabar a
qualquer momento, e foi o que aconteceu. A garota caiu para frente, de joelhos,
e parecia não encontrar mais forças para se levantar.
Ela
respirava com dificuldade. Sua vista já se tornava inimiga ao lhe apresentar
imagens turvas e duplicadas.
— Não
dá mais... — sua voz mal saía.
A
treinadora então foi cercada por seus dois parceiros de equipe. O Torchic a encarava
com um semblante descontente, lhe dando as costas logo em seguida. O Taillow
apenas a observava com atenção.
Quando
Sapphire ergueu a cabeça conseguiu ver a pouco mais de quinze metros o final do
trajeto. Ela olhou mais uma vez para a dupla que a acompanhava, novamente olhou
para a linha de chegada e entendeu que deveria seguir tentando.
— Está
perto demais para eu desistir. Eu vou completar essa prova, independente de
cumprir o tempo, independente se eu vou sair daqui direto pra um hospital. Eu tenho
que fazer isso.
Brawly
permanecia em seu lugar, apenas acompanhando a prova sem tomar nenhuma
iniciativa de interferir no andamento da mesma. Vez ou outra dirigia algumas
palavras de provocação à menina.
— E
aí, Sapphire? Vai desistir?
— Nem pensar!
A
garota se ergueu com o pouco de força que ainda tinha e disparou em direção ao
final da prova. O líder de ginásio se surpreendeu com a força de vontade de sua
desafiante, afastando o dedo do botão para interromper a cronometragem. A
menina corria com tudo que podia. Se fosse para cair, ela cairia do outro lado
da linha de chegada.
O circuito
finalmente foi concluído. Brawly pausou o tempo do cronômetro, e ao olhar para
o tempo feito pelo time de Sapphire abriu um sorriso de satisfação.
—
Vinte e três minutos e quarenta segundos! — o líder exclamou em tom de
surpresa. — Nada mal.
— Qual
é a próxima etapa? — Sapphire arfava de cansaço, mal conseguia encontrar forças
para fazer sair as palavras de sua boca.
—
Vamos dar uma caminhada pela praia. Vá beber uma água e me encontre na porta de
entrada.
Assim
que Sapphire saiu de perto de Brawly, um dos assistentes da academia o abordou
com um semblante confuso.
— Que
caminhada é essa? O teste já não terminou?
—
Relaxa, cara — o líder respondeu com um riso descontraído. — Tá tudo no esquema.
Juntos,
Brawly e Sapphire caminharam até a praia ao norte da cidade. Era lá que se
situava a Caverna de Granito, e um dos points de surf mais aclamados da região.
Brawly,
porém, decidiu levar Sapphire para um local mais escondido. Uma pequena faixa
de areia se mantinha disponível entre as paredes da caverna e o oceano, o que
só era possível por ser um horário onde normalmente a maré estava baixa.
— Pode
deixar as coisas nesse canto — disse o líder, apontando para um local encostado
nas rochas. — Ninguém vem aqui além de mim e a água não vai chegar aí agora. E
vamos andar descalços. Vai ser chato entrar areia nos nossos tênis, além de
ficarmos parecendo farofeiros.
Os
dois começaram a caminhar por uma faixa de areia comprida, que levava ao outro
lado da caverna. Sapphire ainda sentia seus músculos doerem devido ao esforço
feito no circuito mais cedo. Mas ao mesmo tempo desfrutava do prazer de sentir
a brisa litorânea bater contra seu rosto.
— É um
vento bom, não é? — Brawly perguntou. — Eu sempre venho aqui sozinho pra
colocar os pensamentos em dia. Mas também gosto de trazer os desafiantes gente
boa aqui antes das batalhas. Conhecer eles um pouco, saber de suas histórias.
De resto, esse aqui é um pedacinho da praia que eu peguei só pra mim. Sem
chance de eu contar sobre esse lugar pra qualquer turista.
— E
por que você tem essa curiosidade? — Sapphire então fez uma pausa, percebendo
que a pergunta foi muito direta. — Desculpa, não tive a intenção de ser grossa.
—
Relaxa — o líder deu uma risada. — Quando eu tinha mais ou menos a sua idade eu
viajava pra tudo que é canto pra disputar campeonatos de surf. Conheci gente de
todo o tipo, lugares incríveis e culturas muito diferentes da de Hoenn. Mas
depois que assumi o cargo de líder de ginásio isso se perdeu. Agora fico preso
em Dewford, sem muitas oportunidades de sair daqui. Eu amo esse lugar, é onde
eu nasci e cresci, mas meu espírito de liberdade me diz que eu preciso ir pra
outros lugares também. Assim eu posso sentir saudades daqui um dia.
Sapphire
nada dizia. Apenas ouvia atentamente o que parecia um desabafo de um líder de
ginásio exausto, apesar de manter sempre um sorriso no rosto. Nunca tinha
parado pra pensar na hipótese de que aquelas pessoas também eram treinadores,
algo muito maior que meros obstáculos para novatos como ela superarem. E então
percebeu que tinha muito a aprender com aquelas pessoas.
— Vou
te contar uma coisa. Fica só entre a gente, por enquanto.
—
Claro, pode dizer.
—
Talvez este seja meu último ano como líder. Assim que os ginásios pararem para
o início da Liga eu vou entregar o cargo. Vou apostar mais uma vez na carreira
de surfista profissional e deixar a academia funcionando pra ter uma renda
extra.
A
notícia pegou Sapphire de surpresa. Ainda que ela não conhecesse tanto Brawly a
ponto de saber sobre toda a vida dele, não podia deixar de estranhar como ele
poderia, com tanta naturalidade, decidir renunciar a um cargo desejado por
muitos.
— Eu
passei os últimos sete anos da minha vida me sentindo trancado, aguardando vir
até mim pessoas que estavam vivendo seus sonhos. Agora eu sinto que preciso ir
atrás dos meus também.
— E
você pode largar o ginásio assim?
— Tem
aquela boa e velha burocracia, saca? Mas eu consigo lidar com isso de boa.
Brawly
naquele momento encarava o horizonte, mas se virou para Sapphire exibindo o
mesmo sorriso de sempre.
— Já
te contei o meu sonho. Qual o seu?
A
menina ficou imóvel após a pergunta, com o olhar distante em direção ao mar.
Por um breve instante se lembrou do dia em que contou ao seu pai que queria
sair em jornada e tentar a sorte como treinadora. Apesar de ter se divertido na
estrada com Ruby e Miriam e ter experiências de emoção e adrenalina, outra até
mesmo de terror, nunca parou para pensar se estava vivendo o seu sonho. Foi
este o motivo para ter saído de casa, afinal.
— Bom
— a treinadora ajeitou o cabelo que era bagunçado pelo vento costeiro. — Eu
acho que é isso que eu tô tentando descobrir.
—
Então veremos qual o tamanho da sua vontade de descobrir esse sonho — Brawly
pôs as mãos na cintura, exibindo um semblante de confiança e imposição. — Te
vejo amanhã no final da tarde. Aqui mesmo, só que batalharemos no topo da
Caverna de Granito. E vou me certificar de chamar uma galera pra assistir.
—
P-p-pera aí — Sapphire começou a tremer de nervosismo. — Eu nem fiz a segunda
etapa! E que conversa é essa de “chamar uma galera”?
— Sabe
como é, eu tava te gastando — o líder ria bastante. — A segunda etapa é a
batalha. Tu foi aprovada hoje de manhã já. Eu só joguei essa conversa de
“próxima etapa” pra te trazer pra cá.
Sapphire
não teve nem tempo de reclamar. Brawly sequer a deixava dizer qualquer coisa. O
líder parecia mais animado com a batalha do dia seguinte do que a própria
desafiante.
— Bora
voltar? Se a maré começar a subir a gente vai ter problema.
Os
dois se puseram a caminhar pela mesma faixa estreita de areia, agora ainda
menor por conta do avanço do mar tão comum naquele horário. Pouco tempo depois
estavam de volta à cidade. Ao pararem na porta de entrada da academia, Brawly
explicou com mais detalhes sobre a batalha.
— Essa
é apenas uma academia que eu tenho. Ela é considerada oficialmente como o
ginásio porque eu precisava de um endereço físico para cadastrá-lo na Liga
Pokémon — dizia o rapaz. — Mas as batalhas são sempre no topo da Caverna de
Granito. Em horário de maré alta as ondas vêm bastante altas e batem com força
nas pedras. É um cenário perfeito para os desafiantes se sentirem inspirados. É
a natureza demonstrando sua força, afinal.
— Mal
posso esperar pra ver.
O
líder de ginásio começou a rir, deixando Sapphire confusa.
— Tu não vai conseguir ver — disse o homem, exibindo um sorriso desafiador logo em
seguida. — Eu não vou te dar tempo pra isso.
— É o
que vamos ver — a garota respondeu no mesmo tom. — Aprendi muita coisa com você
hoje. Até mais do que coisas relacionadas a batalhas e desenvolvimento como
treinadora. Mas não pense que vou aliviar pra você amanhã. Tenho um objetivo
claro, e preciso conquistar sua insígnia pra seguir em frente.
— Eu
tô louco pra te dar essa insígnia, mas tu vai ter que merecer — Brawly
estendeu o braço para Sapphire, com o punho ainda fechado. — Bateu mó curiosidade de ver o seu estilo de batalha.
Sapphire
sorriu, e com um semblante de provocação rebateu o rapaz.
—
Também não vou te dar tempo de analisar isso — a garota então retribuiu o gesto
do líder, fazendo com que os dois tocassem seus punhos cerrados.
— É
assim que eu gosto. A gente se vê amanhã. Descanse bem até a hora da batalha.
Assim
que Brawly entrou na academia, Sapphire ficou encarando a porta por onde ele
havia passado. Já se aproximava de meio-dia, mas a sensação que tinha era a de
ter se passado um dia inteiro.
Naquele
momento a treinadora era tomada por uma sensação de satisfação que não
conseguia descrever. Talvez fosse uma mistura de sentimentos que tornava aquele
momento tão único. Um novo amigo, um desafio importante se aproximando, uma conversa
boa. Com certeza guardaria aquele dia como uma grande experiência, e se sentia
mais madura para a importante batalha que teria no dia seguinte.
FIM DO CAPÍTULO 16
FanArt #02 - Sir Naponielli

Descrição: Gijinka do Jeff
Desenhista: Sir Naponielli
Técnica: Paint e PhotoFiltre
"Bem, a imagem desenhada por mim foi feita utilizando de recursos do Paint para sua base e do PhotoFiltre para a pintura. A inspiração para o desenho geral vem, além do próprio design do Pokémon, de coisas como a personalidade do mesmo na história e modo de agir. Outro fator usado como inspiração foi a foto de perfil de um membro do grupo do qual eu faço parte. Por fim, eu lamento não poder melhorar o desenho, visto as limitações das cores possíveis para a paleta de cores pertencente ao personagem."
Temos mais uma fanart enviada pelo Sir Naponielli. Da outra vez ele nos trouxe uma possível gijinka para a Olivia, a Shroomish da Sapphire. Agora foi a vez do Jeff ganhar sua forma. Devo admitir que ele está passando uma imagem de ser um cara com quem você não gostaria de se meter na rua, apesar do Jeff em si não impor respeito nenhum em seu estado atual — afinal de contas ele é só uma lagartixa rabugenta, mas quando evoluir talvez tenhamos uma imagem mais imponente dele kkkkk
Eu não sou entendedor de desenhos, então estou dando meu ponto de vista como um leigo. Não vejo que melhoras poderiam ser feitas, ou quais limitações existem. O desenho ficou muito foda, Naponielli! O Jeff realmente ficou um cara casca-grossa, como ele mesmo gosta de se intitular.
Parabéns pela art, e ao mesmo tempo muito obrigado. Nunca vou cansar de repetir o quanto é legal receber esse tipo de conteúdo vindo de vocês que acompanham a história. Apesar do atraso em postá-la aqui, saiba que esse desenho ficou ótimo e que eu curti pra caramba. :)
Mais uma pra coleção! õ/
Eu não sou entendedor de desenhos, então estou dando meu ponto de vista como um leigo. Não vejo que melhoras poderiam ser feitas, ou quais limitações existem. O desenho ficou muito foda, Naponielli! O Jeff realmente ficou um cara casca-grossa, como ele mesmo gosta de se intitular.
Parabéns pela art, e ao mesmo tempo muito obrigado. Nunca vou cansar de repetir o quanto é legal receber esse tipo de conteúdo vindo de vocês que acompanham a história. Apesar do atraso em postá-la aqui, saiba que esse desenho ficou ótimo e que eu curti pra caramba. :)
Mais uma pra coleção! õ/
Notas do Autor - Capítulo 15

Com isso iniciamos os trabalhos em 2019!
Capítulo rápido, só pra abrir alguns assuntos dentro da história. Como eu disse nas respostas de alguns comentários aqui e lá no Spirit, esse capítulo trouxe apenas alguns fatos que desencadeiam eventos futuros. Um deles é o final com a Sapphire e o Brawly se encontrando. Como vocês viram, isso serviu para que o desafio pela segunda insígnia fosse marcado. Outro está logo no início, esse encontro do trio principal com a Zinnia também vai ter sua importância mais pra frente.
Para ser franco, eu queria que esse capítulo fosse postado ainda em Janeiro. 2018 foi um ano muito bom dentro de AEH, já que alcançamos um nível de quantidade de postagens superior ao que foi 2016 e 2017 juntos! E eu quero fazer com que 2019 seja ainda mais produtivo por aqui. Eu quero terminar a Omega Saga ainda esse ano! Sei que é um objetivo muito ambicioso, e temos uma longa estrada pela frente até cumprir isso, mas já estamos praticamente na metade da temporada — e eu digo "praticamente" porque eu não sei ao certo quantos capítulos ela terá, mas o planejamento a priori era pra algo em torno de 30 mesmo, assim como foi na AEH antiga que terminou com 28.
Bom, se eu quiser chegar lá tenho muito trabalho a fazer. E realmente esse capítulo quase não saiu em Janeiro. O ideal era ele ter sido postado na semana passada, mas eu acabei ficando com um bloqueio monstro de novo. Quem me salvou foi o Haos, que postou um especial fantástico em Kalos e me ajudou a enxergar a situação de uma perspectiva diferente. Li o especial dele, e pronto. Foram 1500 palavras escritas em um dia, coisa que eu nunca tinha feito antes! Sou o cara que vai escrevendo de pouco em pouco, então meus números nunca chegaram a isso. Haos, obrigadão! Você é fera!
Bom, por enquanto é isso que eu tenho pra dizer. Vamos continuar firmes e fortes. Que venha o desafio do segundo ginásio!
Até lá!
Capítulo 15
Cultura milenar
O
vento corria entre as paredes da Caverna de Granito, um famoso ponto turístico
dos arredores de Dewford, fazendo um barulho intimidador ao mesmo tempo em que
a umidade e escassez de luz tornavam o ambiente ligeiramente hostil. Porém,
essa atmosfera sombria não era o suficiente para afastar os inúmeros turistas
maravilhados que teimavam em visitar o local em praticamente todas as estações
do ano.
O que
eles não sabiam, no entanto, era a existência de uma passagem oculta em
determinado lugar da caverna, que dava acesso a uma espécie de santuário. O
local, apesar de não ter nenhuma brecha por onde a luz do dia pudesse entrar,
era iluminado por tochas que estranhamente não se apagavam, mesmo estando lá há
anos. A sala era um grande vazio de rochas, porém ao final dela havia um altar
erguendo uma parede onde jazia um imponente painel com gravuras feitas há
milhares de anos.
![]() |
| Art by: Phyllocactus |
Zinnia
encarava o painel há horas. Estava inquieta, a visão que tivera no Monte
Chimney havia lhe perturbado o suficiente para confundir toda a sua percepção
da realidade. Aster estava um pouco mais afastada, fitando sua mestra com
preocupação.
— Não
é possível, aquilo não podia ser real — murmurou enquanto massageava o queixo.
— Eu poderia estar tendo alucinações, talvez, mas toda aquela gente ao redor
parecia eufórica. Team Magma... Talvez minha tribo não seja o único grupo de
esquisitões cultuando uma criatura imaginária... Isso. Imaginária.
A
garota se assustou ao ouvir o barulho de passos se aproximando ao corredor. No mesmo
instante ela se armou com uma Pokéball, pronta para defender aquele local.
Porém se surpreendeu ao ver que eram apenas três treinadores jovens que
pareciam estar confusos.
— Eu
acho que entramos no lugar errado... De novo — afirmou uma menina de cabelos
castanhos e olhos azuis.
—
Calma Sapphire! — o garoto que a acompanhava estava impaciente. — Eu tenho
certeza de que apenas confundimos um dos caminhos.
—
Gente, eu estou com fome! Podemos dar um jeito de sair logo? — disse a outra
garota do grupo.
Zinnia
fez uma expressão de desagrado e resolveu interromper a conversa do grupo.
— Eu
não sei como vocês vieram parar aqui, mas vou pedir para saírem imediatamente — dizia a draconid de maneira firme. — Este é um local sagrado, a presença
de vocês nesta sala não é permitida.
Os
jovens trocaram olhares rápidos entre si e com a guardiã, parecendo não terem
entendido o que se passava ali. Ruby foi quem tomou a iniciativa.
—
Perdão, nós não sabíamos nem mesmo da existência desse local. Estávamos apenas
explorando a caverna e viemos parar aqui por acaso.
Zinnia
fez uma avaliação breve ao olhar para os três e guardou sua Pokéball,
constatando que eles não representavam nenhuma ameaça. Ruby, por sua vez,
observou o local em volta e teve sua atenção presa ao painel atrás da mulher.
—
Nossa, essas gravuras são incríveis! — o garoto correu para se aproximar, e ao
chegar à parede tocou os desenhos levemente com sua mão. — Isso aqui deve ter
milhares de anos!
— O
que é um bom motivo pra você tirar a mão daí, garoto! — Zinnia esbravejou. —
Que parte de “presença não permitida” vocês não entenderam? Circulando, os três!
— Não
precisa de grosseria — respondeu Sapphire. — Pode pelo menos dizer o motivo da
gente não poder ficar aqui?
Zinnia
já estava pronta para dizer um sonoro “não”, mas naquele exato momento sua
mente foi tomada pelas lembranças de sua avó lhe dizendo que um dos seus
deveres como guardiã draconid era levar as histórias de seu povo adiante. Ela
então fechou os olhos, respirou fundo e deu sua resposta com um enorme sorriso
no rosto.
— Não.
Agora saiam antes que eu me convença a utilizar a força para tirar vocês daqui.
• • •
O
escritório do Campeão já estava arrumado com os pertences do novo dono do
cargo. Steven estava sentado de frente para sua escrivaninha, verificando
alguns documentos enquanto os membros da Elite 4 estavam no sofá do outro lado
da mesa, aguardando alguma fala de seu novo líder.
O
rapaz lia um documento que descrevia toda a estrutura da Liga Pokémon de Hoenn
e assim ficou por alguns minutos, analisando cada parágrafo contido naqueles
papéis. Após o término da leitura ele descansou sua coluna ao se recostar na
cadeira, e de seu rosto pareceu surgir um sorriso discreto, como se tivesse
descoberto algo satisfatório.
—
Aconteceu alguma coisa, garoto? — Drake perguntou. — Você parece animado.
— Sim,
Sr. Drake — Steven respondeu, já sem conter o sorriso. — Eu li o Estatuto, e
pelo que vi não há restrições para implantar algo que estou planejando.
— E o
que seria? — questionou o velho.
— Não
acho conveniente dizer ainda. Acho melhor eu amadurecer um pouco essa ideia. Me
certificar de que ela realmente é viável.
Sidney
e Phoebe trocaram olhares de dúvida, enquanto Drake cruzou os braços e se
recostou no sofá. Glacia tomava chá, mas naquele momento colocou a xícara e o
pires em cima da mesinha que estava a sua frente.
— E
quais as diretrizes para esta temporada?
—
Acredito que podemos seguir o planejamento deixado pelo Sr. Wallace. Me
parece um trabalho muito bom para ser desperdiçado. Também vi que ele já cuidou
da definição dos líderes dos ginásios que estavam vagos. Isso já vai adiantar
muito o nosso trabalho.
Steven
se levantou e apertou um botão do telefone que estava em sua mesa. Quando o
áudio se abriu e uma voz foi identificada do outro lado da linha, o Campeão
surpreendeu os presentes com uma decisão repentina.
— Bom
dia, Nancy. Poderia reservar pra mim uma passagem do primeiro vôo de amanhã
para Sinnoh? Isso mesmo, eu vou partir do aeroporto de Rustboro.
Glacia
se levantou em incredulidade. Era raro vê-la perder a compostura. Por isso os
outros membros tinham certeza de que a decisão de Steven era, no mínimo,
loucura.
— O
que você está dizendo? — Repreendeu a mulher. — Você acabou de assumir o posto
de Campeão de Hoenn, e já vai fazer uma viagem para tão longe? O que as pessoas
vão pensar?
— Não
se preocupe com isso, Sra. Glacia — mesmo com o clima de ligeira hostilidade
que havia tomado conta do ambiente, Steven parecia bem tranquilo e convicto. —
O que importa é o que elas vão pensar quando souberem a razão dessa viagem.
— E qual
seria?
—
Vocês saberão quando eu voltar.
Sidney
deu um soco na mesa. O rapaz estava em fúria, deixando todos os presentes na
sala apreensivos por conta de sua habitual impulsividade.
— Você
tem merda de Grimer na cabeça! Tá achando que isso aqui é uma festa? Nossos
recursos não servem pra bancar suas férias de luxo quando você bem entender!
Foi complicado ganhar a confiança dos patrocinadores para ter todos os
benefícios que temos hoje! E você vai jogar isso fora com menos de dois dias de
trabalho!
— Aprecio
seu posicionamento, Sidney. Só demonstra que você é um homem correto e
preocupado com a integridade moral da Liga Pokémon. Nós compartilhamos desse
sentimento, até porque eu sou o Campeão. Isso significa que qualquer escândalo
envolvendo a gente vai afetar primeiramente a mim. Eu jamais colocaria a
reputação de todos nós em risco dessa maneira. Peço a paciência e a confiança de vocês, pelo menos por ora.
Os
Elites trocaram olhares entre si. A preocupação do quarteto era evidente, pois
sabiam que um Campeão se ausentar logo assim que assumisse o cargo era a
oportunidade perfeita que a imprensa precisava para criar burburinho e vender
notícias com as mais mirabolantes teorias da conspiração. E na ausência de
Steven, a tarefa de segurar a barra cairia sobre eles.
— Isso
não está certo, não tem como isso acabar bem — Sidney tentava argumentar para
impedir Steven, até que sentiu Drake tocar seu ombro.
—
Vamos dar um voto de confiança ao novo Campeão — ele então voltou seu olhar
para o líder. — Mas fique ciente de que qualquer inconveniente que essa sua
viagem vier a causar será única e exclusivamente problema seu.
—
Agradeço o voto de confiança, Sr. Drake — Steven então se curvou para os
membros da Elite. — Prometo não desapontá-los.
A
reunião foi encerrada. Os membros da Elite saíram da sala de Steven ainda
contrariados. Não sabiam o que aquele período sem o Campeão presente os
reservaria, mas teriam que estar preparados para lidar com qualquer problema
que aparecesse.
— Já
começamos bem a nova administração, pra não dizer o contrário — disse Sidney,
andando com os ombros curvados para a frente e as mãos nos bolsos.
— Tudo
parece tão diferente agora — comentou Phoebe. — Sinto falta do Wallace. Ele
saberia o que fazer nesse tipo de situação.
— O
Wallace sequer causaria esse tipo de situação para nós — disse Glacia. — Ele
jamais faria algo tão irresponsável.
— Seja
lá o que o Steven está planejando obter com essa viagem, só nos resta esperar e
lidar com o que tiver que ser feito aqui na ausência dele — falou Drake. — Não
se preocupem, se as coisas começarem a sair do controle eu vou tomar as rédeas.
Glacia
olhou para o membro mais velho e sorriu.
—
Ainda bem que temos você conosco, Drake. Sua vasta experiência dos tempos de
Campeão será de muita ajuda.
—
Então vamos para a minha sala, quero discutir algumas coisas com vocês — Drake se virou para a recepcionista que ficava em frente à sala de Steven. — Nancy,
se alguém fizer contato diga que ainda estamos em reunião, por favor.
• • •
Briney
estava sentado à mesa da casa de Clive, um ex-companheiro dos tempos da Marinha
que havia se mudado para Dewford após a aposentadoria. Os dois tomavam um café
quando a campainha soou.
— Deve
ser ele — disse o dono da casa. — Um momento.
Alguns
segundos se passaram. Briney ouviu o barulho da porta sendo aberta, e uma conversa
abafada chegava aos seus ouvidos sem que ele conseguisse identificar o que
estava sendo dito.
Clive
voltou para a sala onde estava antes, dessa vez acompanhado de um rapaz de
cabelos compridos de cor azulada. Seu porte era atlético, e sua fisionomia
demonstrava certa despreocupação com a vida.
—
Briney, este é Brawly. O líder do ginásio de Dewford.
O
marinheiro o olhou de cima a baixo gravando bem a figura do líder, que não
escondeu certa estranheza com aquilo.
— Você
não é novo demais para ser líder de ginásio? Quantos anos você tem? Vinte?
— Já
tenho vinte e quatro — disse o rapaz coçando a parte de trás da cabeça. — O
Clive disse que você precisava falar comigo com urgência. Em que posso ajudar?
Briney
afastou um pouco da mesa a cadeira onde estava sentado, para conseguir mais
espaço. Colocou um cigarro na boca e olhou para Clive, como quem consultava o
dono da casa para saber se tinha permissão para acendê-lo. Após um aceno
positivo do amigo, sacou seu isqueiro e começou a fumar.
— Eu
preciso de contato direto com a Elite 4 — o pedido do velho assustou os dois
presentes na sala. — De preferência o Drake, ele é um conhecido meu.
—
Olha, eu não posso ficar perturbando os membros da Elite sem uma boa razão. O
que poderia ter acontecido para que você precise desse contato com eles?
—
Aconteceu nada além do necessário para que você vá perturbá-los pra mim,
garoto. Eu sei da agenda corrida do Drake, eu não iria importuná-lo se o
problema fosse pequeno. Se eu não tivesse perdido o número dele, eu sequer me
daria o trabalho de procurar alguém pra intermediar o contato.
Brawly
olhou para Clive, que apenas acenou em concordância. O líder se viu sem
alternativas, até que cedeu.
— Tudo
bem. Nesse caso vamos à minha academia, que é o endereço que uso para o ginásio.
O IP do computador de lá tem acesso liberado à rede da Elite 4, então podemos
tentar uma videochamada.
Brawly
e Briney seguiram para o ginásio. Clive resolveu ficar em casa, pois tinha
alguns afazeres para terminar. Sem se conhecerem, os dois traçaram o caminho
todo em silêncio. Ao chegarem à academia, o rapaz levou o visitante para a sala
da administração.
Ambos se sentaram à mesa e ligaram um notebook. Brawly efetuou o acesso à plataforma do Comitê da
Liga Pokémon e solicitou uma videochamada com a Elite 4. Alguns segundos se
passaram até serem atendidos por um funcionário do local.
— Boa
tarde, Brawly — cumprimentou o rapaz. — Em que posso ajudar?
— Eu
preciso de contato com algum membro da Elite, com urgência. De preferência o
Drake.
— Eu
sinto muito, mas fui informado agora pela administração que eles estão em
reunião com o novo Campeão que tomou posse. Quer deixar um recado?
Briney
tomou a frente do líder de ginásio, ganhando destaque na tela.
— Diga
a ele que Briney, um velho amigo dos tempos de Marinha, tem algo a dizer sobre
a Team Aqua — ao citar o nome do grupo, o funcionário demonstrou uma expressão
preocupada. — Não precisa saber do que se trata. Apenas repasse essa
informação. Estarei em Dewford até o fim da semana.
Após
encerrarem a chamada, Brawly levou Briney até a porta de saída.
— É
uma pena que o senhor não conseguiu o contato agora.
— Não
tem problema, garoto. Eu tenho certeza de que o Drake vai vir assim que possível.
Briney
já se preparava para voltar para a casa onde estava hospedado, quando notou a
aproximação dos três adolescentes que havia trazido para Dewford.
— Ei,
Sr. Briney — Ruby deu um aceno. — Boa tarde.
— Olá,
crianças! Chegaram numa boa hora — o velho riu e coçou a barba. —
Principalmente você, Sapphire. Aqui o cara que você veio procurar em Dewford.
O
marinheiro apontou para Brawly. Sapphire não pareceu entender o que o velho
queria dizer com aquilo. O rapaz também ficou um pouco confuso a princípio, mas
logo compreendeu o significado daquela apresentação estranha.
— Ah,
é uma desafiante? Fala aí, beleza? Meu nome é Brawly, sou o líder de ginásio da
cidade de Dewford.
A apresentação repentina fez a menina dar um pequeno salto, como quem havia sido pega de surpresa. Rapidamente ela se recompôs e devolveu o cumprimento.
— Prazer,
eu me chamo Sapphire. Eu venho de Littleroot, e quero te desafiar para
conquistar minha segunda insígnia.
—
Segunda, é? — o líder abriu um sorriso. — Então presumo que tu já esteja
habituada com a ideia de ser avaliada antes de poder batalhar.
— Vou
ter que fazer outro processo seletivo? — a menina já fazia uma expressão de
desagrado.
— Pelo visto, o seu primeiro desafio foi com a Roxanne — Brawly ria. —
Relaxa, o que fazemos aqui é um pouco diferente. Como meu ginásio é
especializado no tipo lutador, as batalhas acabam sendo um pouco mais intensas
que o normal. Ainda mais para treinadores iniciantes. Por isso tu vai ser submetida a um teste físico simples.
— Um
teste físico?
— Sim,
só para me certificar de que vocês estão em condições de
enfrentar meu time. Uma batalha de intensidade além do nível de vocês pode
acabar fazendo mal à sua saúde e dos seus Pokémons, por ter uma alta carga de
estresse. Se tu não atingir a pontuação mínima, vai poder usar a minha academia
para se preparar. Ela é equipada para treinar tanto pessoas como Pokémons.
— E
quando eu posso fazer esse teste?
—
Amanhã mesmo, se tiver de boa.
Sapphire
olhou para seus amigos, que acenaram positivamente com a cabeça. A menina se voltou para Brawly exibindo um sorriso confiante.
—
Então o desafio tá marcado!
FIM DO CAPÍTULO 15
























